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A centrífuga do manguebeat

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“Pernambuco tem uma música que nenhum outro lugar tem”. A assertiva utilizada pelo jornalista José Teles não se pretende bairrista como a princípio possa parecer. Não é. Em “Do frevo ao manguebeat” , lançado pela editora 34, 367 páginas e orelhas assinadas pelo crítico Tarik de Souza, Teles desvela o histórico das manifestações estético-musicais de Pernambuco sem perder a perspectiva dos entrelaces desses movimentos com outros que ocorrem no país e no mundo. Embora o carnaval pernambucano se apresente como o fio que conduz o autor às explicações do maracatu e do frevo, a origem desses ritmos só faz sentido se entendida no contexto socioeconômico do então estado mais pujante do Nordeste nos anos 50, e sua capital, Recife. A outrora maior metrópole da região abrigou a primeira grande gravadora fora do eixo Rio-São Paulo. Pela iniciativa do empresário José Rozenblit a produção musical do estado encontra canais para acessar o sul maravilha.      A capoeira, o fr...

Ilegal deve ser o crime organizado

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A canabis | Foto: Alexodus/Flickr Lembrança viva da infância. 1972. Tacão do regime militar implacável. Conversas aos sussurros dentro de casa. Choro. O irmão de um parente paterno fora preso, não por estar militando numa organização clandestina. Era “desbundado”. Assim a esquerda ortodoxa e a direita taxavam os que preferiam pôr o bloco na rua de outro modo. “Os policiais o pegaram no Relógio de São Pedro fumando maconha”. A irmã relatava o sofrimento moral do rapaz com lágrimas nos olhos. Certa senhora presente àquele velório sui generis, angustiada, tentava consolar a amiga. “Tudo se resolve e haverá um meio de tirá-lo desse vício. Não ficará drogado a vida toda”. Vaticinara aquela que no futuro negociaria as córneas por uma receita azul prescrevendo Rivotril. O irmão do preso, que anos depois teve o fígado e outros órgãos comprometidos por excesso de álcool, arrotava moral pelos poros. “Hippie, maconheiro descarado, tinha que levar uma sova também!” Maconheiro. Chin...

Sonhos e pesadelos de uma era

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Ponto Final, do jornalista Mikal Gilmore, renomado crítico de música estadunidense, não se propõe avaliar conceitos e valores do turbilhão de eventos que ocorreu nas décadas de 60 e 70. Apenas os apresenta como um Forest Gump que transitou entre as celebridades. Para Gilmore, o legado do imaginário marcado por sexo, drogas e rock´n´roll não é dos melhores. Ele mesmo se confessa sobrevivente de uma era marcada por overdoses e devaneios com finais nem sempre felizes. E relata sem pruridos moralistas. O livro é uma coletânea de ensaios que permeiam histórias do beatnik, da contracultura e do movimento hippie. Trajetórias de personagens como Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Timoty Leary, Jim Morisson, Bob Marley, Bob Dylan e bandas como Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin, entre outras, são reveladas em detalhes muitos deles desconhecidos por boa parte dos fãs. Contestação, rebeldia, radicalismo e, também, a beleza, o lúdico e a utopia. Sonhos e pesadelos se mesclam. Assim se dá a fu...

Espaços de indignação. E de alguma esperança

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O que esperar das redes sociais para as transformações políticas? Para Manuel Castells, a premissa é de que a mudança do ambiente comunicacional afeta diretamente as normas de construção de significado e, portanto, a produção de relação de poder. O sociólogo espanhol avalia que os levantes populares da Primavera Árabe, a Revolução das Panelas na Islândia, o Occupy Wall Street, a rebelião dos Indignados da Espanha e as chamadas Jornadas de Junho no Brasil decorreram, entre outros fatores, da emergência do que entende como “autocomunicação“. Guardando diferenças econômicas, políticas e sociais, Castells observa que estes levantes tiveram como característica comum duas situações: a existência concomitante de redes mediadas por computador e dispositivos móveis e ocupação de espaços públicos, fenômenos os quais classifica de “híbridos”. Em Redes de Indignação e Esperança - Movimentos sociais na era da internet (faça o download aqui) , o pesquisador analisa estas mobilizações atentando ...

Acasos, destinos e amores

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Acasos, destinos e amores que se trançam em meio a lembranças que unem passado e presente. Há filmes que são feitos para eternidade. Trem noturno para Lisboa, adaptação do livro do francês Pascal Mercier, é um deles. Um professor suíço, magistralmente interpretado por Jeremy Irons, é movido pela curiosidade quando se depara, em situação inusitada, com um livro-relato de um autor português. Lisboa é o seu destino. É lá que resolve desencavar episódios que o levam aos primeiros anos dos 70 em meio à ditadura de Salazar. Mais do que ilustrar a violência de um regime cruel e fascista, o filme do diretor dinamarquês Bille August discute relações humanas. Ser bom ou mal, amar e trair são posturas e sentimentos que passam à margem de posicionamentos políticos e ideológicos. O tempo se encarrega de explicar os destinos e escolhas dos personagens. A Revolução dos Cravos, em 1974, que libertou Portugal, também aprisiona ressentimentos e mágoas. A produção alemã de 2013, que tra...

Luta pela neutralidade da Internet no Brasil é parte da ciberguerra política internacional

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Acendeu a luz laranja. Talvez a vermelha. "O governo defende a neutralidade, mantém a sua posição, mas acredito que é possível superar alguns entraves com questões redacionais". A afirmação é do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que acompanha pelo governo a tramitação do PL 2126/11, que dispõe sobre o Marco Civil da Internet. A fala de Cardozo deixa dúvidas se o Planalto resistirá, de fato, à pressão das operadoras de telefonia na legislação que determinará o funcionamento da web no Brasil. O relator do PL, Alessandro Molon (PT-RJ), manteve no texto original a neutralidade da rede. No entanto, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), tem dado declarações manifestando atender os interesses da indústria da telecom. As operadoras de telefonia se opõem ao conceito de neutralidade conforme disposto no relatório de Molon. Entendem que limita seus negócios. O conceito de neutralidade previsto no PL determina que não se pode depreciar o acesso a um site ou determinado t...

Membro da Coordenação Nacional do Movimento da População de Rua acusa Prefeitura de Salvador de praticar ação higienista

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Maria Lucia: "Cerca de 4 mil pessoas vivem nas ruas em Salvador" Estima-se que em Salvador cerca de 4 mil pessoas vivem nas ruas. Cidadãos que são alvo diário de toda sorte de violências. Quem informa é Maria Lucia Santos Pereira da Silva, membro da Coordenação Nacional do Movimento da População de Rua (MNPR). Segundo ela, o déficit habitacional no Brasil é de 23 milhões de residências. Maria Lucia, que concedeu entrevista exclusiva ao blog Textos ao Vento, aproveitou para fazer a seguinte denúncia: “À época da Copa das Confederações, em junho deste ano, 600 pessoas foram retiradas das ruas de Salvador e alojadas de forma desumana no prédio onde funcionava o Hospital Ana Néri, na Lapinha. A ação foi feita por uma entidade de nome Federação Brasileira de Direitos Humanos, mas sabemos que é a Prefeitura que está por trás desta iniciativa. O Ministério Público está apurando o caso”. A conversa foi intermediada pelo jornalista e ciberativsita Antonio Nelson, que desenvolve i...