A cobertura da Rede Globo acerca da visita do Papa Bento XVI ao Brasil se apresentou como um festival de panegíricos e loas à figura do sumo pontífice, e mais nada. As vozes discordantes foram completamente ignoradas enquanto a Vênus Platinada procurava fazer crer aos telespectadores que Ratzinger reunia um número de fiéis bastante superior ao que de fato se registrara nos eventos. Na missa de Aparecida, por exemplo, a emissora informara de véspera que estariam reunidas 500 mil pessoas, mas no dia apenas 150 mil estiveram presentes. Todavia, o oba oba global lhe rendeu bons frutos, já que sua audiência média, com a cobertura, atingiu a marca dos 75%. E esse era o intento com tantos salamaleques a Bento XVI. A pauta se limitou ao show. Fatos como a recusa da agenda do Vaticano em receber as lideranças indígenas, mediante a gestão do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), órgão ligado à própria Igreja Católica, não foram noticiados. O Cimi tem predominância de sacerdotes que militam na...
A imagem mostra a última manifestação em Havana, capital de Cuba, contra os Estados Unidos, um país onde a imprensa corporativa insiste em dizer que não existe participação popular na política A renúncia oficial do comandante-em-chefe do governo cubano, Fidel Castro Ruiz, um dos líderes da revolução de 1959, provocou o previsível alarido na mídia corporativa do país. A maior parte dos discursos proferidos na Rede Globo e demais grandes meios, em seus diversos suportes - televisivos, radiofônicos, impressos e web - se deu como réplica das posições políticas estadunidenses: Cuba é uma ditadura e Fidel o déspota tirano que controlava com mão de ferro a ilha. Na emissora dos Marinhos, o jornalista William Waack, apresentador do telejornal da noite, fez o seguinte comentário na edição da terça-feira, 19/02: “O ditador cubano Fidel Castro, já velho e combalido, assim como as suas idéias, renunciou ao cargo de mandatário da ilha”. O editorial de Waack foi coberto, em parte, com imagens de Fi...
Há quase dois anos enfrentei um dos momentos mais traumáticos da minha vida profissional. Fizera uma escolha. Entre não abrir mão de princípios ou coadunar com valores que não acredito, optei pelo caminho das minhas convicções. Não aceitara declinar ante um rolo compressor cujo alvo eram pessoas com as quais tinha o compromisso ético de transmitir conhecimentos, meus alunos e alunas. E assim o fiz. Paguei o preço do desligamento de uma casa na qual cultivei amigos e amigas e colaborei com o desenvolvimento acadêmico. Deixara para trás cinco longos anos de dedicação e colaboração. Mas não foi em vão. Nos dias subsequentes à minha saída, senti o calor da solidariedade. Aqueles com quem militei academicamente se revelaram mais que alunos, mas portadores de iniciativas que valiam muito, muito mais do que pilhas de artigos escritos e textos consumidos. Meus alunos e alunas estavam exercendo o papel de cidadãos. Questionarem e protestarem não só quanto ao meu desligamento, mas, sobretudo, qu...
Comentários