terça-feira, 22 de abril de 2008

Eternamente agradecido


Blogs não devem ser ferramentas de mídia para falar do próprio autor, penso. Aqui, abro uma exceção. Na última sexta-feira, dia 18/04, fui homenageado pelos formandos de Jornalismo das Faculdades Jorge Amado. O ato muito me alegrou, não simplesmente pela homenagem em si, mas, sobretudo, pelo reconhecimento daqueles a quem dedicamos nossas melhores energias ao longo do convívio acadêmico. Sou-lhes grato e gostaria de dividir essa homenagem com vários colegas, pessoas que também atuaram com dedicação para que este aguerrido grupo pudesse atingir esse intento. São eles os colegas: Walter Takemoto, Tatiana Loureiro, Hudson Marambaia, Eliezer César, Marcos Dias e Maurício Matos. Brilhantes profissionais que tiveram suas trajetórias ceifadas nas FJA por conta de uma postura autoritária da instituição. Nesse mesmo diapasão, aqui lembro o fato de ter sido chamado de louco e doente pela diretora geral, feito presenciado por dezenas de alunos. Não adentrarei nesta seara, já que quem melhor avaliará o inconseqüente ato é a Justiça, já devidamente acionada. Retomando, se ontem estive na presumível condição daquele que poderia saber algo a mais para transmitir, devo lhes confessar que muito mais aprendi do que ensinei. Do pensador Michel Foucault extrai-se um dos conceitos mais bem aplicados à escola: para ele, o sistema educacional ocidental é uma herança de duas instituições, o sistema manicomial e o sistema penitencial. E durante quatro anos de convívio nos corredores, sendo um diretamente em sala de aula, vocês, eu, nós todos, pudemos experimentar a doçura dos momentos mais suaves às agruras das cobranças mútuas. Missão difícil: ajudar a formar jornalistas. Fala-se muito da mídia, ou melhor, da idade mídia, e sobre nós, professores de cursos de Jornalismo, recai a grande responsabilidade de filtrar aos nossos alunos os pormenores - seja do ponto de vista prático quanto teórico - de uma atividade essencial à sociedade. Jornalismo é um serviço de utilidade pública, mas que historicamente, no Brasil e na maioria dos países, se constituiu numa rentável máquina de construção de poderes. Procurei debater todas essas questões e jamais me refutei à análise crítica acerca desses temas. E é assim que tem que ser. Fica a saudade de uma fase, inaugura-se o convívio em outra, a profissional. Agora somos todos colegas, sem nunca deixarmos de ser aprendizes, sempre. Um beijo no coração de vocês desse que os terá, acima de tudo, como amigos. E, novamente, eternamente grato!