domingo, 24 de junho de 2007

Xuxa quer tirar a renda dos barraqueiros

Domingo de sol na praia do Porto da Barra. Mas nem tudo era alegria para os barraqueiros e demais comerciantes que trabalham no local. A queixa generalizada era de que na segunda e terça-feira a praia seria “fechada” para uma produção da Xuxa. Isso mesmo, fechada. Sem poder trabalhar nos próximos dois dias, foi ofertado aos comerciantes o pagamento de R$ 10,00 para cada dia parado. O fato deve ser levado ao Ministério Público para as soluções cabíveis. Uma produção da “Rainha dos Baixinhos” não pode impedir o ganha pão de dezenas de pessoas.

Que imprensa é essa?

Jornalismozinho-senso-comum-que-beira-o-ridículo. Duas colunas políticas de “peso”, uma nacional e outra local, brindaram os leitores soteropolitanos neste sábado com pérolas típicas da limitada, chinfrim e preconceituosa prática jornalística tupiniquim. A primeira, intitulada Pequenas cabeças, grandes bobagens, assinada por “destacada” jornalista da crônica política nacional, ataca as palavras do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que atribuiu o desenrolar da crise aérea a um surto de desenvolvimento nacional. A segunda, de título O apagão federal, sob a responsabilidade de um jornalista “muito conceituado” na seara baiana, praticamente repetia como papagaio a primeira. Ambas articularam seus argumentos na velha e cansada cantinela de sempre: governo incompetente, perdido, corrupto etc. O diapasão comum que unia a primeira à segunda foi a crise aérea. Como um ventríloquo, o colunista local citou quase os mesmos personagens da colunista nacional. Talvez como salamaleque do jornalista soteropolitano-provinciano à jornalista nacional. Uma piada.
Para a colunista, todos os problemas do país foram iniciados a partir de primeiro de janeiro de 2002. Tucana militante, a jornalista se apega à tese de que a ordem e o progresso do país não existem caso não esteja no poder a claque tucanato-democrata conservadora quatrocentona paulista. Já o jornalista local (localzinho mesmo!) se apega ao derrotado ex-governador Paulo Souto como fonte de opinião para analisar as necessidades de infra-estrutura aérea no aeroporto de Salvador, que teimo em chamar de Dois de Julho.
É tudo informação lâmina d´água. É sabido que o motivo da crise aérea brasileira decorre de um problema político-administrativo do setor de Controle de Tráfego Aéreo. Os controladores querem a desmilitarização do sistema. E é justo que queiram. Trata-se de demanda que o ministro da Defesa, Waldir Pires, sabe que é inexorável o atrito, afinal de contas o velho fantasma da insubordinação nas Forças Armadas ainda espanta a governabilidade. Os controladores de vôo são subordinados ao Ministério da Aeronáutica.
Para preencherem o vazio de raciocínio e análise das suas colunas, batem e rebatem nos problemas comezinhos do dia-dia do varejo político. O colunista baiano, por exemplo, nos últimos tempos tem revezado a bola entre duas das suas bem “visitadas” fontes, os deputados federais José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Jutahy Magalhães (PSDB-BA). É um tal de levantar a pelota para os caras chutarem.
Perde-se a noção da totalidade. É como se a política fosse reduzida a factóides numa colcha de retalhos onde nada se liga. Talvez a leitura de Hegel fosse necessária como instrumento de educação política para esses comentaristas. Ao menos para entenderem que a sociedade não é algo compartimentado nos seus acontecimentos e sim um entrelace de fatos que agem como um assentar de terras no terremoto diário das transformações que esta experimenta. São contradições correntes numa sociedade de desiguais que devem remeter a análises mais concretas no jornalismo. É justo que o leitor e a opinião pública tenham o direito de saber. Não de índices, mas de informações completas.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Gramsci, sempre atual


"São dias de publicidade para as assinaturas. Os gerentes e executivos da imprensa burguesa arrumam suas vitrines, passam uma mão de verniz sobre suas tabuletas e chamam a atenção dos passantes (isto é, dos leitores) sobre a sua mercadoria. A mercadoria é aquela folha – de quatro ou seis páginas – que toda manhã, ou toda tarde, vai injetar no espírito do leitor os modos de sentir e de julgar os fatos da atualidade política que melhor convém aos produtores e vendedores de papel impresso". Do filósofo Antonio Gramsci se referindo à imprensa burguesa, em 1916

terça-feira, 5 de junho de 2007

Protestos na Alemanha


Enquanto as classes dominantes tupiniquins se enebriam com o neoliberalismo, na Alemanha multidões estão protestando contra a reunião dos oito países mais ricos do mundo, a cúpula do G-8. Depois de esquentarem o planeta, matarem milhões de fome e garrotearem as economias dos países pobres e emergentes, o grupo, comandado pelo facínora Bush, vai tramar novas maquinárias para a opressão internacional.

O escalado agora foi Agripino Maia, o "democrata"

O telejornalismo global tem se transformado num picadeiro da informação. Na edição de ontem à noite os protestos na Venezuela contra a não renovação da concessão da RCTV tiveram mais espaço que os protestos contra a reunião do G-8 na Alemanha. Desta vez, o escalado para atacar a medida do governo de Hugo Chávez foi Agripino Maia. O “democrata” do Rio Grande Norte, surrado nas últimas eleições, veio novamente com a cantilena previsível da “ameaça” à liberdade de expressão. Cinismo deveria ter limite.

domingo, 3 de junho de 2007

Resposta a uma colega



No final da semana passada uma colega da vida acadêmica disparou um pequeno discurso: “...O Estado brasileiro é corrupto (...) não acredito no setor público (...) meu sangue é do mercado...”. Nada falei, nada argumentei. Mas a assertiva me fez pensar como o discurso senso-comum consegue empolgar até mesmo pessoas que militam na vida acadêmica, aquelas das quais esperamos ao menos uma reflexão mais crítica dessa realidade. É como se a corrupção fosse algo inerente apenas ao Estado brasileiro. Um ente atomizado na sociedade sem que historicamente o mesmo nunca tivesse sido constantemente comandado, assediado e controlado pela vontade do mercado, do capital. Quem faz o Estado e o setor público corruptos? É o povo que precisa dos seus serviços num país extremamente excludente? Ou aqueles que ao longo da nossa breve história sempre o utilizaram, interna e externamente, para aumentar a incontrolável desigualdade social na pátria vice-campeã do mundo em concentração de renda? Quem é o corrupto e o corruptor? Talvez a colega não tenha se atinado para isso. É a história do Brasil que aponta a promiscuidade existente entre o público e o privado e como a burguesia nacional conseguiu edificar um Estado serviçal aos seus interesses. Quem lê o trabalho de Raimundo Faoro, Os donos do poder, estudo que combina instrumentos da Sociologia, do Direito, da História e da Ciência Política, entende como o clientelismo e as dificuldades em separar o patrimônio público dos bens privados foram determinantes como obstáculos à construção de um Estado Moderno, baseado nos preceitos legais. Aqui a casa grande apenas evoluiu. A burguesia brasileira nem ao menos queimou a etapa que a européia passou durante os séculos XVIII e XIX. A iluminação foi responsável por legar na Europa o chamado estado de bem estar social, sistema que garantia educação, saúde e razoável qualidade de vida para o conjunto da sociedade, o qual as populações dos países centrais do continente tentam assegurar o que sobra ante o avanço do neoliberalismo. Mas aqui, não. O rolo compressor desenfreado da desregulação do trabalho e da blindagem de segurança social tem sido capaz de desconstruir direitos históricos a partir de um plano refinado do “senhor” mercado. Um chicote estilizado, chamado por uns de pós-modernidade. Na verdade, enquanto a velha e batida reedição da mão invisível da economia aponta para a plausível solução de todos os problemas da sociedade, esse mesmo discurso que argumenta a necessidade de um Estado diminuto e débil é capaz de sugar as benesses do setor público para os interesses de meia dúzia do privado. O capitalista brasileiro não resiste a uma quitanda à frente do seu negócio e sempre estará certo que o Estado lhe garantirá eternamente o doce colo do amparo. O BNDES e demais instituições oficiais de fomento que o digam. Hospitais e instituições privadas de ensino superior, por exemplo, adoram entrar no roll das deduções de impostos se apresentando como beneficentes. Isso lembra o exemplar filme do cineasta Sérgio Bianchi, Quanto vale ou é por quilo? Película que desmascara a tal da “responsabilidade social”, a caridade dissimulada da burguesia brasileira, ávida por lucros, lucros e mais lucros. E quando a coisa supura, haja operação Sanguessuga, Furacão, Navalha etc. E ficam todos boquiabertos quanto ao “ineditismo” dos fatos. Cruzem informações, chequem os dados e vejam como um Zuleido Veras, dono da empresa corruptora Gautama (coitado do Sidarta Buda tendo o nome usado tão em vão), está tão próximo de muitas das nossas cabeças empresariais locais, senhores "distintos" e acima de qualquer suspeita. Claro, são todos do mesmo time, do time que produz o discurso que a eficiência e a moralidade administrativa é centrada no setor privado. Discurso necessário à desconstrução da credibilidade do Estado quando este não lhes serve a contento. No Brasil o capitalismo é de privatização dos lucros e socialização dos prejuízos. Portanto colega, não discordo da sua indignação quanto à corrupção, apenas da sua interpretação que, me desculpe, se apresenta tão ingênua quanto desprovida de reflexão histórica. Não é da natureza do Estado ser corrupto, essa é simplesmente a lógica que move o mercado. É aquela história do mercador de camelos que tece elogios aos seus animais disfarçando-se de cliente para encantar o consumidor. É a história da nossa classe dominante num país onde 0,003% da população concentram 40% da riqueza nacional.

Sarney, o "escalado" pela Globo para protestar contra Chávez




A família Marinho resolveu escalar José Sarney (PMDB-AP) para protestar contra a medida do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em não renovar a concessão da rede de TV golpista RCTV. O senador e parceiro comercial da Globo questionou o conceito de democracia na Venezuela. Realmente, talvez não seja o mesmo conceito que o bigode do Maranhão alimentou durante anos como base parlamentar de apoio ao regime militar. O oligarca em decadência José Sarney parece que sofre de memória seletiva. Agora, transvertido de demiurgo da liberdade de imprensa, a mesma que ele ajudou a calar durante os anos de chumbo do regime militar, faz alarido contra o que ele chamou de “atentado à democracia” na Venezuela. E a quem sempre atentou contra a democracia, a Globo, Sarney tem contínua fidelidade canina.

William Bonner, o assessor de José Serra


Confusão linguística proposital. Não há outra explicação ao se fazer uma leitura da “notícia” dada pelo jornalista e apresentador da Rede Globo, William Bonner, sobre a ocupação da Reitoria da USP por parte dos discentes da instituição. “Os estudantes exigem que o Governo do Estado de São Paulo revogue o decreto que dá transparência à sociedade dos gastos das universidades estaduais paulistas”, dizia o texto. Parecia que a assessoria de imprensa de José Serra (PSDB) tinha realizado uma “transfusão midiática” para a Globo. Talvez tenha sido isso mesmo, já que o próprio é candidato da emissora em 2010 à presidente. Afinal, o que a “notícia” dada por Bonner chama de transparência? A centralização dos recursos das universidades nas mãos de Serra com o intento de sucatea-las e posteriormente entregá-las à iniciativa privada? Será essa a transparência? A mesma que se verificou nas obras do Metrô de São Paulo, que foi para o buraco? Os estudantes que ocupam a Reitoria da USP deram de imediato a resposta questionando a “notícia” da Globo, que visa claramente, sobretudo, confundir a opinião pública acerca do fato.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Esclarecimento

Diante do zum zum zum e do disse-me-disse sobre quem me "banca", quero deixar um esclarecimento: não faço comunicação social apenas por prazer, exerço um jornalismo de opinião o qual busca desconstruir o que a grande mídia passa da realidade. Diria que uma realidade construída com o claro propósito de deformar consciências e não formar. Ainda que com uma astronômica limitação, esse blog é uma trincheira. Sim, seara de resistência às ações de uma mídia nociva e comprometida ideologicamente com os tubarões do capital. Apenas não me repugna ver William Bonner mentir, seja sobre a ocupação da USP ou sobre a não renovação da concessão da RCTV. Me sinto compelido a partir para o necessário esclarecimento diante dos absurdos que vejo nas redes de TV e jornalões desse país. E para quem queira saber, assumo minha postura ideológica, ainda que não seja filiado a nenhuma agremiação partidária: sou socialista-libertário, sempre fui, e acredito que a sociedade não é um estático de pessoas e sim uma contradição intermitente de interesses que se colocam antagônicos. Sou um jornalista que não esconde a opção ideológica. Portanto, está aí para quem quiser saber.