quarta-feira, 31 de março de 2010

O golpe militar completa 46 anos. É preciso estar atento com as serpentes de então!



O golpe militar desfechado contra o presidente do Brasil João Belchior Marques Goulart completa 46 anos. Engana-se quem aposta no arrefecimento dos intentos golpistas do udenismo, hoje revestido com a roupagem demotucana. Os últimos fatos registrados na esfera política não só avivam lembranças da quartelada de então, como sinalizam para uma necessária leitura qualitativa do cenário de agora. É previdente. As mesmas forças que conduziram o general Olímpio Mourão Filho a ocupar com tanques o centro do Rio de Janeiro, no dia 01 de abril de 1964, hoje coadunam propósitos com os novos players do núcleo duro neoliberal. E tais forças estão determinadas até o fígado a impedir, a qualquer custo, a vitória da pré-candidata do Partido dos Trabalhadores à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Passado o alarido da crise construída em 2005, os últimos meses foram marcados por sinais inequívocos de novas e agudas inquietações no serpentário, a exemplo da saraivada de críticas ferrenhas ao Plano Nacional de Direitos Humanos-3. Críticas vindas dos mais variados bunkers reacionárias do País, como ruralistas, militares, católicos conservadores e, claro, o parque midiocrático brasileiro. No entanto, é bom estar atento, o mais evidente destes sinais ocorreu no último final de semana. As empresas de comunicação da família Frias veicularam sondagem de opinião realizada por instituto de pesquisa do mesmo grupo, o Datafolha, a qual aponta o crescimento da pré-candidatura do governador de São Paulo José Serra (PSDB) e a queda da ministra Dilma Rousseff. Pesquisa estranha e manipulada, que contraria todas as tendências e prognósticos. Não é preciso se esforçar para entender a manobra: dotar a campanha de Serra de mais fôlego e um certo conforto psicológico. Não sejamos ingênuos, o grupo empresarial dos Frias não comprometeria os negócios do seu instituto de pesquisa à toa. Há sutileza de sobra neste enredo. Pesquisas são fotografias do momento. Quando esta última sondagem já tiver sido superada – na realidade desconstruída -, não faltarão argumentos para explicar os dados: um instantâneo da situação. Ponto final. No entanto, a “sondagem” não tem apenas o intento de desmobilizar a campanha de Dilma e dar vitalidade ao lançamento da campanha de Serra. Há mais que se enxergar nesta ponta de iceberg. A estratégia foi montada no início de março no seminário do Instituto Millenium, realizado num hotel de luxo da capital paulista. Neste encontro, os grandes proprietários da camarilha da mídia decidiram radicalizar o caldo editorialista-lacerdista-golpista. Nas semanas que sucederam o seminário velhas pautas voltaram a ser reagendadas, trazendo à baila “escândalos” requentados. A ordem é a artilharia não deixar o Governo Federal respirar, preenchendo o agendamento noticioso com cascatas de manchetes e comentários desfavoráveis. Alguns desses, ainda que de forma tímida, já aventam o impedimento judicial da candidatura da ministra. Os critérios de noticiabilidade ou qualquer fio de ética na condução da prática jornalística estão deletados. Aliás, cenas já vistas nos idos de 64. Não será nenhum exercício de imaginação pensar na possibilidade da adoção de iniciativas, por parte da oposição, que venham a ameaçar a ordem constitucional. Os diques de contenção edificados pelas forças demotucanas-midiáticas, constituídos pelo escândalo noticioso e por pesquisas arranjadas, poderão não suportar o crescimento da candidatura Dilma. Sobretudo quando esta passar a ser identificada com o presidente Lula, o que ainda é desconhecido por cerca de 53% das pessoas que o aprovam, em torno de 80% da população do País. Não há, portanto, nenhum exagero em pressupor que, de fato, está em curso o encetamento de uma teia conspiratória. Num primeiro momento, o foco é a desestabilização da candidatura de Dilma Roussef com os mais escusos expedientes; mas se este movimento não der certo, não se pode esquecer as lições deixadas há 46 anos. É bom ficar atento.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Meu muito obrigado!



No sábado à noite (27) tive a honra de ser patrono de uma das mais comprometidas turmas de Jornalismo que já atuei, os formandos e formandas do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) do segundo semestre de 2009. Um grupo consciente e integrado por profissionais que seguramente terão reconhecimento no mercado. Ainda estou profundamente emocionado com a homenagem. Aqui quero de novo reiterar meus sinceros agradecimentos às colegas e os colegas com os quais convivi em momentos acadêmicos bastante profícuos. Foi legal! Foi bacana! Quero me desculpar também pelo fato de não ter podido ir à festa – adoro festas galera! Mas uma bebê de um ano e quatro meses nos esperava – obrigações de pai. Colegas, vamos em frente lutando por mais reconhecimento, respeito e dignidade para nossa bela profissão! Como alertei no discurso, é nosso desafio reverter o arbítrio dos proprietários dos grandes meios de comunicação que querem nos deslegitimar com o beneplácito de alguns ministros do STF, verdadeiros empregados dos patrões da mídia. A vitória só depende de nossa mobilização. Certamente nos encontraremos nas aventuras jornalísticas da vida. Um abraço afetuoso a todos e todas! E novamente, obrigado!

sábado, 27 de março de 2010

Imagens que a Globo não mostrou; a violência da ditadura do governador do PSDB José Serra

Estas imagens não foram apresentadas nos meios de comunicação dominados pela coligação demotucana. Os vídeos mostram a truculência do governador de São Paulo José Serra (PSDB) contra professores paulistas. Confiram nas postagens abaixo.

Prisão de professor paulista - ditadura tucana

PMs partindo para cima de manifestantes na passeata dos professores paulistas

Agressão do governo José Serra contra os professores paulistas no morumbi - 26/03/2010 - Parte 1

Um exemplo da "democracia demotucana". Vejam e tirem suas conclusões.

O mundo bizarro de José Serra




Por Leandro Fortes
, do blog Brasília, eu vi

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.

Inesquecível, Serra, inesquecível.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Urgente! FHC precisa passar mais óleo de peroba na cara!



O patinho feio da trupe demotucana, FHC, parece não controlar seu impulso verborrágico, o que tem deixado a coordenação da campanha do governador de São Paulo, José Serra, de cabelo em pé. A última pérola do príncipe da sociologia foi lançada num evento ocorrido nesta quarta-feira (24) na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), no Rio de Janeiro. FHC cometeu o devaneio de afirmar que “o País precisa revolucionar a educação e reinventar um novo modelo”. Sério, FHC disse isso mesmo, justamente ele que durante oito anos não fez absolutamente nada pela Educação, a não ser arrochar os salários dos docentes e funcionários e sucatear as universidades públicas. Se o que ele chama de “revolução” se refere à sua gestão neste setor, o país tem que deletar de imediato a possibilidade de retomar esse pesadelo. O esquecido e amargurado FHC não abriu nenhuma universidade, escola técnica ou projeto de extensão universitária no Brasil durante seus dois mandatos. No Governo de Lula foram implantas, até o momento, 10 novas universidades, 214 novas escolas técnicas e 45 novas extensões universitárias. Urgente, FHC precisa de mais, muito mais, peroba na face do que se imagina! O cara não tem jeito e parece que perdeu o senso da razão, literalmente!

Bloqueio ônibus Pedágio Barueri SP

O governador de São Paulo José Serra (PSDB) mandou bloquear os ônibus que transportavam professores para a assembleia da categoria que se realizaria na capital paulista. O fato é um atentado ao direito de ir e vir, garantido a todos os cidadãos brasileiros. O governo fascista de José Serra age como agiu a Ditadura Militar, retomando antigos métodos autoritários e arbitrários. É este o homem que quer governar o Brasil? Ele não vencerá as eleições porque o povo brasileiro não permitirá este retrocesso.

quarta-feira, 24 de março de 2010

A cegueira e os 'tablóides'

A cegueira e os ‘tablóides’

Se em 2040 algum estudante for pesquisar a história do Brasil pelo que saiu em jornais e usar o material em algum trabalho escolar, corre o risco de ser reprovado. “Ou seja, esse estudante vai estar numa grande mentira”, avisou o presidente Lula durante sua participação no 2º Salão Nacional dos Territórios Rurais — Territórios da Cidadania em Foco, realizado nesta quarta-feira (24/3) no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Do http://blog.planalto.gov.br

Segundo Lula, na medida em que a imprensa brasileira não aponta com exatidão o que vem sendo feito no País em termos programas sociais, obras públicas e desenvolvimento, o governo tem que ficar provando todo dia o que está fazendo. Um bom exemplo é a má-vontade de alguns com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que recebe sempre uma avaliação negativa na imprensa -- muitas vezes sem que o outro lado seja ouvido para esclarecimentos (veja exemplo aqui).

Para ilustrar essa luta diária que o seu governo enfrenta para provar que faz o que diz que faz, Lula contou uma história do que aconteceu com ele próprio em Ibiúna (SP), quando sua identidade foi questionado. Confira:

domingo, 21 de março de 2010

Novos Baianos - Mistério do Planeta

Bom domingo a todos! Nada melhor do que matar a saudade dos 70, mas a saudade boa, dos seus momentos mais lúdicos. Aí estão os novos baianos driblando a ditadura. Na voz de Paulinho Boca de Cantor "Mistério do Planeta". Lindo!!!!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Não será capa de nenhum jornal: Ministério Público determina que Serra devolva dinheiro desviado da saúde

O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de São Paulo anunciaram nesta quinta-feira (18) que
encaminharam uma recomendação conjunta ao governo José Serra (PSDB)
para que todo o dinheiro desviado da saúde pública seja devolvido ao
Fundo Estadual de Saúde.
Uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS – Denasus, do Ministério da Saúde, comprovou que o governo paulista desviou, em dois anos, R$ 2 bilhões em verbas que
deveriam ter sido aplicadas na saúde. A análise constatou que destes,
pelo menos R$ 78 milhões foram investidos no mercado financeiro, apesar
da crise de atendimento na saúde pública paulista.
O dinheiro do SUS que, por causa do desvio, vai para uma conta única do governo, por lei deveria ter sido destinado a programas de assistência
farmacêutica, vigilância epidemiológica e combate à Aids e DST.
O MPF informou que a recomendação foi levada aos secretários estaduais de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, e da Fazenda, Mauro Ricardo
Machado Costa. Ela estipula que sejam devolvidos todos os recursos do
SUS mantidos em contas ou aplicações financeiras em nome do tesouro
estadual à conta-corrente do Fundo Estadual de Saúde, num prazo de
cinco dias a contar do momento em que o estado de São Paulo seja
notificado.
No documento também é requerido que toda a movimentação de recursos do SUS seja enviada mensalmente ao Conselho Estadual de Saúde, para fins de fiscalização e acompanhamento. A
percepção é de que Serra não estaria, sequer, prestando contas ao
Conselho.
O promotor de Justiça Arthur Pinto Filho e as procuradoras da República Rose Santa Rosa e Sônia Maria Curvello, autores da recomendação, estipularam prazo de 20 dias úteis para que o
governo do Estado comprove o seu cumprimento. Em caso de negativa ou
ausência de resposta, outras medidas judiciais ou extrajudiciais
poderão ser aplicadas. Para os dois MPs, isto visa “assegurar à
população do Estado de São Paulo a aplicação da integralidade dos
recursos do SUS em ações e serviços de saúde, bem como a fiscalização
da movimentação desses recursos pelo órgão de controle social”.
Desvios semelhantes também foram identificados pelo Denasus em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Segundo a auditoria, as
irregularidades causaram prejuízo superior a R$ 6,5 bilhões ao sistema
de saúde desses estados, afetando mais de 74 milhões de habitantes.

(Fonte boletim Brasília Confidencial

Do blog de Luiz Favre

Brizola faz comercial de O Globo

Um dos torpedos inesquecíveis do velho e bom Brizola

quarta-feira, 17 de março de 2010

Oposição na Bahia vai à lona



Estava tudo orquestrado pela oposição para bater no Governo da Bahia por intermédio da pessoa do secretário da Fazenda Carlos Martins. A Audiência Pública realizada nesta terça-feira (16) na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembléia Legislativa do Estado se propunha a apresentar os resultados fiscais do terceiro quadriênio de 2009. A oposição pretendia transformar o evento numa peça propagandística. À frente da entourage, a fina flor do lacerdismo baiano, os deputados do DEM (ex-PFL) Heraldo Rocha e Carlos Gabam. A aposta era de que teriam um palco perfeito para atacar o governo de Jaques Wagner (PT). Rocha e Gaban contavam ainda com o peemedebista Arthur Maia a tira-colo para engrossar a artilharia. Sentiam-se numa situação supostamente favorável ante a natural queda de arrecadação do Estado em decorrência de uma brutal crise econômica internacional, que se estendeu durante o ano passado. A estratégia deu xabu. Da cartola de Gaban, da qual se presumia que fosse tirada nitroglicerina de alto teor, apenas traques de massa. De Heraldo Rocha, uma verborréia conhecida que nem mais encanta seus incautos. Erraram na avaliação. Pensaram que monitorados pelo Instituto dos Auditores Fiscais da Bahia, entidade diretamente ligada à campanha do candidato do DEM ao Governo, Paulo Souto, estariam aptos para a audiência. Ledo engano. O resumo da ópera foi um Carlos Martins pra lá de preparado que desmontou, um a um, todos os questionamentos da oposição, que chegou ao fim da audiência praticamente rendida. Carlos Gaban saiu de fininho e cabisbaixo; Artur Maia também optou pelo mesmo itinerário; e Heraldo Rocha, que teve de ficar até o fim porque fazia parte da mesa, deixou transparecer, em tom nervoso e quase apopléctico, o despreparo do grupo para enfrentar o debate. Restou apenas a um apagado Luiz de Deus (DEM) segurar o bastão oposicionista. Melhor não tivesse sido, pois nem seus pares esconderam o dissabor de argumentos tão pueris. Se a oposição de fato conhecesse a realidade do Estado talvez tivesse mais cuidado em se expor ao ridículo. Aos números. O Governo da Bahia soube driblar com competência a queda de arrecadação em função da crise econômica que atingiu todo planeta. No que tange aos investimentos, comparando-se o quadro da área de Saúde, por exemplo, no biênio 2005 e 2006 - referente ao governo passado -, os percentuais de aplicação de recursos do orçamento para este setor variaram de 12,15% e 12,17%, respectivamente; no atual governo as aplicações saltaram de 12,71% em 2007 para 13,89% em 2009. Na Educação, o atual governo superou até mesmo o Limite Constitucional Anual, que é de 25%. Os investimentos nos anos de 2008 e 2009 variaram entre 27,69% e 27,42%. Se observarmos o retrovisor da história recentíssima desse Estado não se verá nos últimos 16 anos nenhum patamar de aplicação nesta área com estes níveis. Pelo contrário, os antigos percentuais chegam a ser risíveis. Educação não era prioridade. E para agravar o drama oposicionista, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, indicam que a Bahia respondeu por 99% do saldo de empregos de todo o Nordeste nos primeiros dois meses deste ano, com exatamente 20.512 novos postos de trabalho. Todos os outros estados da região registraram, juntos, 20.543. Justificável então o constrangimento pelo qual passou a bancada oposicionista, que não esperava um comparativo tão acachapante. Pior é que estas comparações continuarão ocorrendo para o desespero das velhas viúvas, que teimam em não parar de chorar à beira do túmulo do passado. Foi nocaute.

Golpe de Estado: Lula correu riscos

Ciro Gomes fala sobre as possibilidades de golpe que o lacerdismo brasileiro ainda busca.

domingo, 14 de março de 2010

Jornalista Mauro Carrara alerta sobre golpe!




Operação “Tempestade no Cerrado”: o que fazer? - por Mauro Carrara

(O PT é um partido sem mídia... O PSDB é uma mídia com partido).
“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.
A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.
Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.
A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.
A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.
As conversas tensas nos "aquários" do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1) Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.
2) Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.
3) Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.
4) Elevar o tom de voz nos editoriais.
5) Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.
6) Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.
7) Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.
8) Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.
 
Quem está por trás



Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral. 
É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.
A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.
Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.
 
O conteúdo
As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.
Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.
Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.
Criam deturpações numéricas.
A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.
Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.
O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.
Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.
A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.
A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.
Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.
É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.
Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.
É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.
 
Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.

Três deles merecem destaque...

1) O “Bolsa Bandido”. Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.
2) Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.
3) O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.
O que fazer
Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.
Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.
Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.
São cinco as tarefas imediatas...
1) Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.
2) Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.
3) Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.
4) Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.
5) Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA, Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Juca Ferreira tem razão


Ministro demonstrou coerência de princípios

Nos anos 90 fui filiado ao Partido Verde. Atuei em duas campanhas para o então líder ambientalista e sociólogo Juca Ferreira, hoje ministro da Cultura - uma para vereador e outra para deputado estadual. Foi um tempo bom. Eu, como muita gente, entendia que o PV era uma nova opção de militância. E era. Apostávamos na possibilidade de oxigenar a política com idéias e bandeiras que quebravam antigos paradigmas, tabus e valores, inclusive dentro do campo das esquerdas. Éramos todos socialistas, mas não debitávamos apenas à luta de classes o papel de transformar a sociedade. Na nossa centrífuga ideológica cabia Marx, Bakunin, Proudhon, Daniel Cohn-Bendit, Sartre, Margareth Mead, Jack Kerouac, Bob Marley, Osho, Renato Russo, Johnny Rotten, Sex Pistols, Raul Seixas, Olodum, Jackson do Pandeiro, Sociedade Alternativa, rango macrobiótico, Caio Fernando Abreu etc...Tínhamos herdado bons germes anárquicos e a pujança das barricadas de 1968, mas buscávamos novas formas de luta. Depois de combater o Regime Militar, queríamos agora política, diversão e arte e todas as tribos alternativas eram mais que bem-vindas. O PV pregava a luta ambiental numa perspectiva libertária, combativa e progressista. Como partido, nos sentíamos como uma espécie de caçula alegre e, sim, às vezes rebelde com os nossos pais, irmãos e tios ideológicos. Peitávamos. Fazia parte. Era da nossa natureza. Mas nas trincheiras estávamos juntos, fosse o PT, PC do B, PDT, PSB e outras agremiações do campo democrático-popular. Ainda que buscássemos posturas e concepções diferentes, tínhamos os pés no chão. Até então, nosso mapa não indicava nenhuma rota à direita. Jamais. Éramos cônscios das nossas responsabilidades históricas. Questão de princípios. Mas eis que o Partido Verde aos poucos foi sendo tomado por proposições que coadunavam mais com o imaginário de ecologistas de butiques, modernosos de ocasião e almofadinhas com cara de nerd. Gente que gostava mais de bicho do que de ser humano. Na Bahia, o PV foi transferindo sua base social da Praia do Rio Vermelho para a Praia do Forte. De laico e libertário, o partido passou a ser integrado por grupelhos de “seres religiosos iluminados” - e com caras de anjo. No cenário nacional, foi se aninhando gradativamente no colo demotucano, abraçando teses neoliberais e conservadoras. Para se ter uma idéia da guinada, uma vereadora do partido no Rio de Janeiro, Aspásia Camargo, assumiu essa semana, em artigo publicado num jornalão conservador, que é contra o Plano Nacional de Direitos Humanos 3. Preferiu a tese dos milicos e torturadores. Que pena, o PV ficou mais próximo do ruralismo protofascista da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) e se distanciou das bandeiras dos movimentos sociais e ecológicos. O partido não é mais o mesmo. Entende-se porque os verdes da Europa têm perdido considerável espaço para novas agremiações políticas, como o Partido Anticapitalista e o Partido Pirata. E parece que aqui no Brasil terá o mesmo destino. Juca Ferreira tem razão. O ministro se distanciou em boa hora de uma agremiação política que lamentavelmente assumiu o papelão da quinta coluna, tornando dúbia sua tonalidade de verde, que já não se sabe se é ecológico ou integralista.

terça-feira, 9 de março de 2010

A disputa iniciada em 2002 estará em curso em 2010

O que está em jogo nas próximas eleições? O disparo da resposta não pode, nem deve, repousar no roçado do varejo, ultimamente permeado por factóides e ilações construídas sob o calor do processo sucessório que se aproxima. O desespero da oposição da a medida da disputa. O pipocar de escândalos que se esvaiam como balas de festim, provenientes de velhas pautas requentadas pela mídia, tem o claro intento de buscar desestabilizar a candidatura do Palácio do Planalto. O que torna então acirrada a disputa iniciada em 2002 e que prossegue em curso este ano? Os dois projetos majoritários não são iguais, ainda que muitos analistas, inclusive à esquerda da candidatura de Dilma Roussef, teimem em afirmar que sim. Um olhar mais aguçado sobre o panorama descortinará de forma mais clara este palco. Não, não é apenas o debate acerca do tamanho do Estado, a expansão das políticas sociais e afirmativas e o encetamento de um Plano Nacional de Direitos Humanos que tem despertado o ódio e a movimentação da oposição. Não são apenas estes os pomos da discórdia. Mira-se o longo prazo com o bastão cravado no presente. Explico. Quem pôde acompanhar as discussões envolvendo o tal Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, patrocinado pelo Instituto Millenium, não precisou se esforçar muito para entender os recados dados pelo alto baronato empresarial-midiático por intermédio dos seus funcionários. O eixo ideológico que permeou os seminários e mesas foi centrado na preocupação de um possível processo de socialização em andamento no país, tendo como ator principal o PT. Traduzindo: o que manifestamente é temido por eles é o início da perda, de fato, do processo hegemônico na sua totalidade. Como assim, já que o atual projeto se encontra a oito anos no poder? O problema é que nem sempre estar no poder significa deter a hegemonia na sua plenitude. A construção de um campo de legitimidade política não depende apenas do acesso ao aparelho de Estado. Sua consolidação vai depender, sobretudo, dos espaços que se ocupa na sociedade no sentido de tecer a construção de teias sociais, culturais e econômicas capazes de não só dar sustentação ao referido projeto, mas potencializá-lo como alternativa real de poder. E, para tal, o Estado pode ser ou não ferramenta fundamental. O que vem ocorrendo no país é o encetamento da primeira alternativa. Em oito anos cerca de 35 milhões de pessoas passaram à linha de consumo, ampliando a chamada classe C, e mais 29 milhões ingressaram nos estratos médios. Portanto, estar-se-á diante de cerca de 65 milhões de brasileiros, sem contar outros tantos milhões de dependentes destes, que melhoraram de vida nos últimos oito anos - mais universitários, mais trabalhadores melhor remunerados, mais gente se alimentando melhor e também com mais opções de acesso ao lazer e entretenimento. É este o contingente da população que tem o Estado como co-participe de uma marcha pela ampliação de direitos sociais e ações afirmativas com progressiva distribuição de renda – ainda que com muitas limitações pontuais em decorrência das nuances políticas. Estes grupos não aceitarão retrocessos. Ao contrário. Passarão a exigir que tais políticas públicas sejam cada vez mais abrangentes e contínuas, radicalizando-as. Trata-se de um gradiente de politização que também se materializa no incremento e na diversidade dos movimentos sociais. Portanto, estancar o curso desta corrente foi a tarefa assumida pela agenda oposicionista. O evento promovido pelo Instituto Millenium é emblemático para atestar este intento, uma vez que no mesmo foram rechaçadas todas e quaisquer proposições que visem o fortalecimento das organizações da sociedade e o implemento de marcos regulatórios sobre a economia, inclusive para o setor da mídia. Não à toa que os segmentos corporativos dos meios de comunicação têm misturado conceitos de liberalismo econômico com liberdade de expressão nos seus argumentos ideológicos, como se ambos tivessem o mesmo sentido. É uma estratégia cujo desfecho pode incorrer em situações não aceitáveis, a médio e longo prazo, para segmentos da sociedade que sempre impediram a mudança do quadro social, seja por intermédio de um golpe de Estado, como ocorreu em 1964, ou pelas tramas em curso com o propósito de alcançar a legitimidade nas urnas, possibilidade que tem se tornado distante ante o desfibramento da candidatura da oposição.

sábado, 6 de março de 2010

Mais uma mentira da Veja!

NOTA DE ESCLARECIMENTO DA BANCOOP SOBRE A MATÉRIA DE CAPA DA EDIÇÃO DA REVISTA “VEJA”DE 10.03.2010, VEICULADA EM 06.03.2010.

1. A BANCOOP (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) não foi ouvida em momento algum pelos jornalistas responsáveis pela matéria da revista “VEJA”, em clara violação a princípio elementar de ética jornalística.

2. A matéria tem nítida finalidade política, já que não agrega praticamente nenhuma novidade às acusações que foram efetuadas no passado e devidamente rebatidas pela BANCOOP. Sua publicação com grande destaque se explica pela previsão de instalação dentro dos próximos dias de CPI sobre a BANCOOP na Assembléia Legislativa de São Paulo, requerida ainda em 2008 pela bancada de deputados do PSDB.

3. No que se refere à conduta do Ministério Público de São Paulo relativamente à BANCOOP, é preciso esclarecer que a BANCOOP celebrou com o Ministério Público em 2008 Acordo Judicial em Ação Civil Pública, no qual foram estabelecidos compromissos voltados ao aprimoramento da gestão da cooperativa, de modo a se gerar maior segurança aos cooperados. Vários desses compromissos correspondem a condutas que já vinham sendo adotadas pela cooperativa, como, por exemplo, a realização de auditoria contábil por empresa independente (o que vem sendo promovido pela empresa de auditoria Terco Grant Thornton desde as contas a partir de 2005).

4. Quanto à esfera penal, foi instaurado em 2007 Inquérito Criminal (1o. DP da Capital de São Paulo), que continua em andamento, sem que, até o presente momento, tenha sido promovida pelo Ministério Público qualquer medida judicial, Contraditoriamente, o Promotor José Carlos Blat procura sistemática a imprensa com o objetivo de fazer acusações políticas à cooperativa, como a de que “A BANCOOP é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002”.

5. A matéria é extremamente fantasiosa quanto aos fatos, como demonstra a informação de que teriam sido emitidos, para saque em dinheiro, cheques nominais à própria BANCOOP em valor total superior a R$ 31 milhões. Na verdade, há uma intensa movimentação bancária entre contas da própria BANCOOP, já que cada empreendimento da cooperativa, por força inclusive do Acordo Judicial celebrado com o Ministério Publico, tem conta bancária específica, sendo necessária a transferência de recursos utilizados para o custeio das respectivas obras.

6. A BANCOOP, apesar de ter vivido dificuldades administrativas em 2003 e 2004, tem sido extremamente bem sucedida na disponibilização de imóveis a preço de custo destinado a moradia. Trata-se de alternativa no âmbito do mercado imobiliário que procura facilitar o acesso de trabalhadores à casa própria. Seguem alguns dados que refletem o desempenho da BANCOOP desde sua criação, em 1996, até dezembro de 2009:

a) Total de empreendimentos já concluídos ou em construção: 34.
b) Empreendimentos com todas as unidades entregues: 24.
c) Empreendimentos em construção: 10.
d) Empreendimentos que foram descontinuados por falta de interesse dos cooperados: 19.
e) Total de unidades já entregues ou em construção: 6.358
f) Total de unidades entregues: 5.337 (84% do total), sendo 4.152 em empreendimentos já concluídos e 1.185 em empreendimentos em construção.
g) Total de unidades em construção: 1021, sendo que, desse total, 502 pertencem a cooperados que aguardam a conclusão e o restante integra um estoque de unidades disponíveis.
h) Total de unidades com escritura liberada: 3.406.

7. A BANCOOP sempre esteve à disposição dos cooperados, das autoridades competentes e da imprensa para prestar informações sobre as atividades da cooperativa.

Diretoria da BANCOOP (06 de março de 2010)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Agiotagem midiática

O PIG e a "liberdade de expressão". Ironia?



O Brasil Já viu esse filme antes. Na segunda-feira (1/03) a nata pensante da direita midiática tupiniquim se reuniu num evento em São Paulo, o Fórum Democracia e Liberdade de Expressão – ou seria liberdade de empresa? O encontro foi promovido pelo Instituto Millenium, fundação ligada ao alto baronato paulista, e contou com a presença de diversos empresários da comunicação. Na linha de frente, lá estavam: o dono da Folha de São Paulo, Octávio Frias, o todo poderoso das Organizações Globo, João Roberto Marinho, e o proprietário da Editora Abril, Roberto Civita. Na retaguarda, figurinhas carimbadas da direitona nacional, a exemplo do arremedo de cineasta e comentarista Arnaldo Jabor, do blogueiro ultradireitista Reinaldo Azevedo – aquele que faz o papel de pitbull no latifúndio de Roberto Civita -, Demétrio Magnoli, o sociólogo que é contra qualquer política de inclusão, o jornalista e supernumerário da Opus Dei Carlos Alberto di Franco, o filósofo orgânico do udenismo contemporâneo, Roberto Romano, o humorista, ex-anarquista, e atualmente bobo da corte Marcelo Madureira, e a grande estrela da festa, o empresário venezuelano Marcel Granier, dono da RCTV, a rede de televisão que tramou o golpe de 2002 na Venezuela. 0 fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). Para participar e ouvir estas tais vozes da “liberdade” foi cobrado o valor, quase simbólico, de R$500,00. Convenhamos, um preço bem democrático. Este circo poderia passar incólume se não fosse o fato de o mesmo representar a organização da ofensiva político-midiática contra a candidatura da ministra Dilma Roussef. Um script já conhecido desde os idos de 1964, quando a palavra liberdade serviu de biombo para esconder as mais obscuras sanhas fascistas que apearam o presidente João Goulart do poder. O argumento era o mesmo: o país estaria andando a passos largos para o socialismo. Tanto naquele momento como no atual, as cassandras do caos projetavam um futuro sombrio para o Brasil. No encontro, a preocupação externada acerca de uma suposta “sovietização” do país - quanta balela! Um dos alvos, além da candidatura de Dilma, foi o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, que prevê controle social da mídia, fortalecimento dos conselhos populares, punição de torturadores e novos métodos para mediar conflitos agrários e indicar índices de produtividade da terra. A verborréia correu solta e um dos ápices foi a fala de Jabor: “(...) minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”. Claro, o operário-padrão foi calorosamente aplaudido pelo patrão, João Roberto Marinho. Bom menino esse Arnaldo, fez o dever de casa direitinho! O fórum dos donos da mídia conseguiu com este encontro a maior das inversões de valores: golpistas sacramentados em 1964, fiéis apoiadores do regime militar – com suas torturas e arbítrios -, e atualmente concentradores monopolistas dos meios de comunicação, argúem que desejam “democracia e liberdade de expressão”. Piada. O que eles no fundo almejam é se consolidarem como “boas” raposas para subjugar eternamente o galinheiro. Mas isto não terão porque o povo brasileiro saberá rechaçá-los no próximo mês de outubro.

terça-feira, 2 de março de 2010

O voto de Nina; ou como a "realidade" é entendida pelo clubinho dos 5%



Nina tem 28 anos, é auxiliar doméstica, natural de Jacobina, norte da Bahia, e mãe de uma filha de seis. Em quem você vota para presidente? “Lula”, responde sem titubear. - Mas Lula não pode ser candidato, explico. “Então eu voto em quem vai fazer igual a ele”. Depois, Nina emenda: “e lá no interior o povo todo vota nele (em Lula). Só quem não gosta dele (de Lula) lá são os ricos, que diz que o presidente tira deles para dar aos pobres”. Nina está entre os 42% dos brasileiros que declararam votar em quem o presidente apoiar, segundo a última pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha. A sondagem apontou queda de cinco pontos para o candidato José Serra (PSDB), que agora tem 32%, e a ascensão de cinco pontos para a candidata Dilma Roussef (PT), que está com 28%. Estes 42% representam perfis de opinião que desmentem categoricamente as meias-verdades sustentadas por alguns “especialistas” sobre o poder de transferência de votos de Lula. Nina sabe que sua opção decorre de conhecimento próprio, do que tem mudado em sua vida e na dos seus parentes lá da Chapada Diamantina depois que as políticas sociais do Governo passaram a contemplá-los. E é este o cenário que deixa raivoso o clubinho dos 5% das pessoas que detestam o presidente e seu governo. Entre estes, um hoje empresário que conheci nos tempos de colégio, o qual reencontrei numa livraria de um shopping. Numa brevíssima conversa que descambou para a política, ele disparou: “o PT só tem votos aqui no nordeste, com pessoas ignorantes. Veja no sudeste e sul do Brasil, onde as pessoas são mais informadas, se a maioria vota no PT?”, indagou. Estava com preguiça para uma resposta que exigiria análise, e findei o papo: “acho equivocada sua opinião”. Ponto final. No entanto, não repeti a mesma postura durante o feriadão do Carnaval, quando conversava com outros integrantes do clubinho. Eram seis pessoas, todos eleitores de Serra. Depois de exaustiva esgrima, alfinetei: vocês perderão as eleições! A posição do empresário e a dos meus convivas do período momesco denota, de forma candente, o que pode ser entendido por "realidade" a partir das próprias experiências e/ou visão ideológica. Para estes, a “realidade” se confunde com o ódio a um governo que está buscando distribuir mais a renda – “é o meu dinheiro!”, diriam -; ao passo que para Nina, a moça do interior que migrou para a cidade grande em busca de oportunidade, a realidade, objetivamente, é aquela que lhe toca, assim como aos seus. É de viva memória para ela e familiares o passado recente, os anos de descrédito do avanço neoliberal no país, quando o Estado foi debilitado e não pôde, de fato, iniciar a construção de um cinturão de seguridade social. Baixo poder de compra e dificuldades de adquirir até mesmo alimentos e remédios. Assim como Nina, pensam da mesma forma milhões de outras pessoas, que passaram a comer, fazer curso superior, trabalhar, comprar fogão, geladeira, televisão etc. Mas para o clubinho dos 5% supostamente “esclarecidos”, são estes os “ignorantes” que votam em Lula e votarão na sua candidata. Chegam a tal conclusão porque talvez lhes falte a necessária percepção do que seja realidade no sentido strito senso. O clubinho não admite que esta grande maioria de opinião não leia mais na cartilha do subjulgo senhorial que durante séculos grassou por este país. Já para Nina e os seus, o tal clubinho é um obstáculo a superar para continuar caminhando com o governo que lhes acena com mais oportunidades. São estes dois mundos, com suas respectivas visões de realidade, que disputarão o pleito de 2010. Por isso o que se aproxima é um plebiscito entre aqueles que não desejam o retorno ao passado, e os que entendem o presente como um constructo perigoso e que pode lhes ameaçar, à medida que vai lhes tirando gradativamente o cajado do comando.