sexta-feira, 24 de julho de 2009

A resposta do presidente da UNE, Augusto Chagas, ao tratamento preconceituoso da grande mídia



O tratamento dispensado por parte da chamada grande mídia às organizações do movimento social no Brasil sempre foi o da desqualificação, criminalização e combate aberto. Com a UNE a situação não é diferente, mas houve, no último período, uma elevação no tom maldoso e até inescrupuloso com o qual esses veículos têm tratado a entidade que representa os estudantes universitários brasileiros.
A UNE acaba de sair do seu 51º Congresso, um dos mais importantes e o mais representativo da sua história. Mais de 2.300 instituições de ensino superior elegeram representantes a este fórum, contabilizando as impressionantes marcas de 92% das instituições envolvidas, mais de 2 milhões de votos nas eleições de base e de 4 milhões e meio de universitários representados.
Nosso Congresso mobilizou estudantes de todo o país, que por cinco dias debateram o futuro do Brasil – a Popularização da Universidade, Reforma Política, Democratização da Mídia, Defesa do Pré-Sal, etc. Se a imprensa brasileira trabalhasse a favor da democracia, esses assuntos seriam manchete em todos os jornais, rádios e canais de televisão e a disposição da juventude em lutar por um país melhor seria divulgada.
No entanto, estes veículos nos dedicaram tratamento bem diferente nestas duas últimas semanas. Cumprindo com fidelidade o ensimanento de Goebbels – uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade – a mídia escandalosamente busca subterfúgios para atacar a UNE, taxando-a de governista, vendida, aparelhada e desvirtuada de seus objetivos. Com isso, tenta impor a todos os seus pontos de vista, sem qualquer mediação ou abertura para apresentar o outro lado da notícia.
Uma destas grosserias tem a ver com o recebimento de patrocínios de empresas públicas por parte da entidade. A UNE nunca recebeu recurso público para aplicá-lo no que bem entendesse. Recebe sim, e isto não se configura em nenhuma irregularidade, apoio para a construção de nossos encontros. Tampouco, estas parcerias comprometeram as posições políticas da entidade. Não nos impediu, por exemplo, de desenvolver uma ampla campanha – com cartazes, debates, passeatas e pronunciamentos – exigindo a demissão de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central, que foi indicado por este mesmo governo. Não nos furtamos de apresentar nossas críticas ao MEC por sua conivência ao setor privado da educação, como no caso do boicote que convocamos ao ENADE por dois anos consecutivos.
Mas, onde estavam os jornais, as TVs, rádios e revistas para noticiar essas manifestações? Reunimos, em julho de 2007, mais de 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios para pedir mudanças na política econômica do governo Lula e nenhuma nota foi publicada ou divulgada sobre isso.
Os mesmos jornais que se horrorizam com o fato de termos recebido recursos para reunir 10 mil estudantes de todo o Brasil não parecem incomodados em receberem, eles próprios, um montante considerável de verbas publicitárias do governo federal. Em 2008, as verbas públicas destinadas para as emissoras de televisão foram de R$ 641 milhões, já os jornais receberam quase R$ 135 milhões.
Ora, por qual razão os patrocínios recebidos pela UNE corrompem nossas ideias enquanto todo este recurso em nada arranha a independência destes veículos? A UNE desafia cada um deles: declarem que de hoje em diante não aceitam um centavo em dinheiro público e faremos o mesmo! De nossa parte temos a certeza que seguiremos nossa trajetória!
Com certeza não teremos resposta. Pois não é esta a questão principal. O que os incomoda e o que eles querem ocultar é a discussão sobre o futuro do Brasil e a opinião dos estudantes.
Não querem lembrar que durante a década de 90 os estudantes brasileiros – em jornadas ao lado das Centrais Sindicais, do MST e de outros movimentos sociais - saíram às ruas para denunciar as privatizações, o ataque ao direito dos trabalhadores e a ausência de políticas sociais. Que foram essas manifestações que impediram o governo Fernando Henrique Cardoso de privatizar as universidades públicas através da cobrança de mensalidades.
Não reconhecem que após a eleição do presidente Lula, a UNE manteve e ampliou suas reivindicações. Resultado delas, conquistamos a duplicação das vagas nas universidades públicas, o PROUNI e a inédita rubrica nacional para assistência estudantil, iniciando o enfrentamento ao modelo elitista de universidade predominante no Brasil. Insinuam que a UNE abriu mão de suas bandeiras históricas, mas esquecem que não há bandeira mais importante para a tradição da UNE do que a defesa de uma universidade que esteja a serviço do Brasil e da maioria do nosso povo!
Não se conformam com a democracia, com o fato de termos um governo oriundo dos movimentos sociais e que, por esta trajetória, está aberto a ouvir as reivindicações da sociedade.
A UNE não mudou de postura, o que mudou foi o governo e o Brasil e é isso que os conservadores e a mídia que está a serviço desses setores não admitem. Insistem em dizer que a UNE nasceu para ser ‘do contra’. Rude mentira que em nada nos desviará de nossa missão!
Saibam que estamos preparados para mais editoriais, artigos, comentários e tendenciosas ‘notícias’. Contra suas pretenções de uma sociedade apática, acrítica e sem poder de contestar os rumos que querem impor ao nosso país, eles enfrentarão a iniciativa criativa e mobilizadora dos estudantes na defesa de um novo Brasil. Há de chegar o dia em que teremos uma comunicação mais justa e equilibrada. A UNE e sua nova diretoria estão aqui, firmes e à disposição do verdadeiro debate de rumos para o Brasil!

A origem genética de ACM Neto

ACM Neto, o playboy moderninho, tenta se desvencilhar da herança fascista do avô, mas não esperem atitude diferente daquele deputado do DEM, que esconde verdadeiro ovo da serpente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dia do Rock, dia de contestação



Na segunda-feira, 13, comemorou-se o Dia do Rock. Confesso uma certa nostalgia. Aos 13 anos, ainda ginasiano, fui à casa de um colega que sapecou a agulha da vitrola num long play. Uma guitarra vibrante e um refrão: “Whola lota love”. Paralisei. Ouvia pela primeira vez o som de uma das bandas mais emblemáticas do mundo rocker, o Led Zeppelin. Creio, um bom ponto de partida. Colecionei discos – os antigos bolachões – de várias bandas e passei a me interessar pelo gênero, não apenas musicalmente, mas por atitude. A guitarra de Jimi Hendrix, a voz de Janis Joplin e o gingado de Chuck Berry não eram apenas música; assim como o estridente sucesso dos Beatles e dos Rolling Stones. Algo maior estaria por detrás daquela engrenagem.
Indaga-se então a questão mais cara e grandiloquente àquela movimentação que vinha dos poros da juventude: é tudo alienação? Simples produtos da indústria cultural? Não se pode negar a máquina do mercado fonográfico como principal constructo planetário desse gênero musical, que derivou para as artes plásticas, audiovisuais, moda, entre outros campos. E isso é fato. No entanto, num segundo ângulo, se descortina perspectiva adversa. E esta requer análise mais crítica sobre o fenômeno, e que se contrapõe ao pretenso senso comum de que o rock é sinonímia de consumismo.
À esquerda e à direita o comportamento e o universo rocker já foram censurados. Nos anos 60 as guitarras no Brasil sofreram resistência dos chamados “puros sangues” da MPB; nos Estados Unidos, os ultraconservadores sempre o demonizaram: “música do diabo”. Na Cuba pós-revolução, Fidel Castro enquadrou os Beatles como “símbolo do consumismo egoísta”. E ele mesmo surpreendeu a todos quando, no dia oito de dezembro de 2000, inaugurou em Havana a Praça John Lennon, cuja peça que mais chama atenção é uma estátua com óculos do finado rockstar britânico.
Nas suas diversas variações rítmicas, o rock tem sido uma das principais frutas no liquidificador da indústria cultural. A “montagem” de uma banda em muitas situações decorreu do “planejamento” de apetitosos negócios, incluindo aí o apelo ao sex apeal dos band leaders como fator que se sobrepôs a qualidades inatas.
Não à toa, a tríade quase arquetípica sexo, drogas e rock´n´roll, ainda que esta não tenha derivado, apenas, dos estratagemas para as vendas das imagens dos ídolos. As novas posturas comportamentais - a revolução sexual a reboque – também se encarregaram de embebedar o cenário rocker com atitudes transgressoras, incluindo aí o campo da sexualidade sob um ponto de vista libertário.
Passados os caleidoscópios dos anos 60, os anos 70 marcaram novas formas dessas atitudes e a politização deu o tom com o Movimento Punk. Primeiro nos subúrbios da Califórnia, depois nas periferias de Londres e outras cidades européias. O punk music virou rastilho de pólvora e incendiou levas de jovens proletários. Sex Pistols e The Clash foram bandas emblemáticas neste contexto anarco-sindicalista-musical. Concomitantemente, trilhando, de início, o psicodelismo, o Pink Floyd assumiu seu rock militante, de esquerda, contestando o mundo pós-guerra, enquanto que o estilo heave metal preferia adentrar na floresta do ocultismo e afins.
Nos anos 80, o rescaldo vingou na tematização sombria da psique humana, com o desencanto total ante a política e suas escolhas. O individualismo imperou.
Mas foi nos 90 que algumas atitudes rocker, de fato, plugaram com as questões sociais, e o terceiro mundo foi o palco de maior efervescência. Releituras vibrantes, como as do franco-espanhol Mano Chao, e as dos hispano-americanos do Rage Against the Machine, para nomear dois dos mais destacados, têm expressado a política no seu sentido mais engajado; no Brasil, os pernambucanos Nação Zumbi, do finado Chico Scienci, e Mundo Livre S.A., assim como o carioca Marcelo Yuca com a sua banda Furto (Força Urbana de Trabalho Organizado), constituem a musicalidade rocker com posicionamentos contestatórios, incomodando o estabileshment.
Sim, o rock´n´roll, a despeito da incrementada indústria que o sustenta, ainda respira atitude. Tem no seu DNA os gritos de lamento dos negros africanos que apinhados nos trens do sul dos Estados Unidos cantavam seus lamentos de dor e rebeldia ante a tragédia da escravidão. Daí veio o blues, o jazz e o filho mais novo, o rock´n´roll. A propósito, o dia que homenageia o rock existe há 24 anos. A homenagem foi iniciada em 13 de julho de 1985, quando realizou-se o Live Aid, megaevento em prol das vítimas da fome na Etiópia. Portanto, uma atitude política. Parabéns!

domingo, 12 de julho de 2009

Nos tienen miedo porque no tenemos miedo (canción)

Cenas que a mídia do Brasil não apresenta; um belo canto de libelo contra o golpe militar que está oprimindo o povo hondurenho.

sábado, 11 de julho de 2009

FISL 8.0: Celepar entrevista Sérgio Amadeu

O cientista político Sérgio Amadeu fala sobre a luta política pelo software livre na sociedade da informação. Trata-se de um grande pesquisador do tema. Aproveitem a entrevista.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Lula ganha prêmio da ONU; Rede Globo silencia



Qual seria o posicionamento de uma grande emissora de televisão se o presidente do seu país ganhasse um prêmio dado pela ONU? Quem deve responder esta pergunta é a Rede Globo por não ter feito a devida cobertura de um fato que engrandece o Brasil. O presidente Lula recebeu nesta quarta-feira o Prêmio Félix Houphouët-Boigny, da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). De acordo com os jurados, a escolha de Lula foi feita por causa das "ações que o presidente está tomando na promoção da paz, do diálogo, da democracia e justiça social e também pela contribuição de Lula à erradicação da pobreza e de proteção dos direitos das minorias". Quem ganha este prêmio tem 30% de chance de ser contemplado com o Prêmio Nobel. Para Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Rede Globo, este fato não tem critério de noticiabilidade; o mesmo deve pensar Dora Kramer, Miriam Leitão e Cia. O Partido da Imprensa Golpista prefere se calar a se render aos fatos. Que midiazinha emporcalhada!

Argumento de gorila

Que prêmio é esse, Serra?

Um dia depois do presidente Lula ganhar um prêmio da ONU, a mídia Força Serra Presidente arrumou um prêmio de araque para o governador de São Paulo. Veja aqui.

A barrigada




Um colunista baiano com certo nome na praça se assanhou ante a “notícia” veiculada na Folha de São Paulo de que a ministra Dilma Roussef teria mentido ao sustentar no seu currículo o curso de mestrado e um doutorado inconcluso. A ministra é economista formada pela UFRG, mestre em Teoria Econômica pela Universidade de Campinas, sim, e estava fazendo doutorado em Economia Monetária pela mesma instituição, mas não concluiu a tese, fato que ela não nega e que já foi amplamente noticiado – veja aqui. O interessante é que o nobre escriba, no afã de antecipar sua campanha pró-Serra, terminou se esquecendo de dar uma notícia com fundamento, a de que José Serra não tem diploma de economista – veja aqui. O garboso jornalista ensaiou um comentário “supimba” em seu site, com direito a foto de braços cruzados como se desafiasse o mundo. E deu em barrigada. Que feio!

Honduras: o porque do golpe

por Nikolas Kozloff, em Counterpunch

Tradução: Caia Fittipaldi

Que forças sociais e políticas escondem-se no coração do golpe de domingo passado em Honduras? Comecemos por examinar o papel de Roberto Micheletti, o homem que Hugo Chávez adora odiar. Ex-presidente do Congresso Nacional, Micheletti, no domingo, autodeclarou-se novo presidente de Honduras. Substituiu o presidente Manuel Zelaya, político que, nos últimos anos, moveu-se claramente em direção a posições políticas e econômicas mais progressistas. Membro do Partido Liberal de Zelaya, Micheletti é graduado em administração de negócios nos EUA e trabalhou como presidentemda empresa estatal de telecomunicações de Honduras, Hondutel, no final da década dos 90s. Enquanto esteve na presidência da Hondutel, Micheletti empenhou-se muito para privatizar a empresa.
Crente fiel das chamadas "reformas neoliberais", Micheletti entrou em rota de colizão com o governo Zelaya que chegou ao poder no início de 2006. Depois de deixar a presidência da Hondutel, Micheletti apresentou projetos de lei para reduzir muito as tarifas cobradas pela Hondutel. Zelaya e a empresa Hondutel condenaram os projetos apresentados por Micheletti, sob o argumento de que as tarifas super baixas reduziriam ainda mais os ganhos da empresa. Por muitos anos, as tarifas para chamadas de longa distância haviam sido fonte de lucros significativos para o governo. Depois, a Hondutel foi desregulamentada e perdeu o monopólio absoluto sobre as chamadas de longa distância, telefones fixos e serviços de telex. Como signatária do CAFTA (ing. "Central American Free Trade Agreement", Acordo de Comércio para a América Central), Honduras estava obrigada a reformar a legislação das telecomunicações, de modo a criar condições que atraíssem parceiros privados. Observadores, naquele momento, insistiam em que aquelas reformas seriam o primeiro passo para privatização em maior escala. Zelaya foi um dos mais fervorosos adversários da reforma das telecomunicações, e declarou que a reforma prevista só beneficiaria o setor privado e gradualmente enfraqueceria o controle que o Estado hondurenho ainda tinha sobre os serviços de longa distância.
Micheletti sempre foi parte de uma influente elite de empresários que, dia a dia, passou a distanciar-se do governo Zelaya, considerado 'excessivamente' progressista. Em Honduras, as campanhas eleitorais são financiadas quase exclusivamente pelos empresários mais poderosos. São tão poderosos e tão associados ao sistema político, que se pode dizer que os empresários fazem os presidentes e ditam toda a agenda da mídia. Em entrevista ao Inter Press Service, um dos assessores do governo de Zelaya disse que os grupos econômicos hondurenhos são "insaciáveis; nunca param de pedir e pedir (...). Numa reunião com o presidente Manuel Zelaya, disseram que, nos anos 1980s, todas as principais decisões políticas eram discutidas com os militares; mas que, agora, tudo teria de ser discutido com eles, quer dizer: com os empresários e a mídia.” Nessa reunião, um dos empresários teria dito ao presidente “Você é temporário. Nós somos permanentes. Queremos ser consultados nas decisões de governo, queremos contratos e queremos participar de licitações e concorrências. E queremos contratos para a publicidade oficial.”
Aparentemente, Zelaya não se deixou intimidar e instituiu aumento de 60% no salário mínimo, o que enfureceu a comunidade dos negócios. Quando as associações de empresários anunciaram na Corte Suprema de Honduras que não cumpririam o decreto do salário mínimo, o ministro do Trabalho de Zelaya declarou aos jornais que os críticos do governo eram "exploradores gananciosos".
Um grupo particularmente ácido nas críticas à medida de Zelaya foi o Honduran National Business Council, conhecido pela sigla em espanhol COHEP . Amílcar Bulnes, presidente do COHEP, argumentou que se o governo insistisse naquele aumento do salário mínimo, os empresários seriam obrigados a demitir em massa, o que aumentaria o desemprego. Principal entidade representativa dos empresários em Honduras, a COHEP reúne 60 associações comerciais e câmaras de comércio, representando praticamente todos os setores da economia de Honduras. Como se lê no website da COHEP, aqueles empresários são o braço político e técnico do setor privado hondurenho – e apoiam os acordos comerciais e oferecem "apoio crítico ao sistema democrático".
A COHEP apoiou e apoia o golpe contra o governo de Zelaya. A comunidade internacional não poderá impôr sanções econômicas contra o novo governo, diz a COHEP, porque isso tornaria ainda mais graves os problemas sociais em Honduras. Em seu novo e muito recente papel, de 'representante' dos pobres hondurenhos, a COHEP já declarou que Honduras já sofre demais; foram terremotos, chuvas torrenciais e a crise financeira global. Antes de punir o novo governo de Honduras – prossegue o argumento dos empresários da COHEP – a ONU e a OEA devem mandar observadores a Honduras para que examinem e avaliem os prejuízos que advirão se se implantarem sanções econômicas contra os 70% da população que vive em condições miseráveis.
Ao mesmo tempo, Bulnes já anunciou que apoia o governo de Micheletti; declarou que as condições políticas em Honduras não são propícias, e que Zelaya não deve voltar ao país.
Micheletti e o empresariado receberam apoio de militares treinados nos EUA, sem o qual não teriam conseguido prender o presidente Zelaya. Dois generais, Romeo Vasquez e Javier Suazo tiveram papel-chave no golpe. Ambos são formados pela infame US School of the Americas[1], centro de treinamento de todas as polícias que torturam dissidentes políticos em toda a América Latina desde os anos 60s.
Há várias semelhanças entre o golpe que afastou Zelaya do governo de Honduras e o golpe da Venezuela. Em 2002, outro Vasquez, Efraín Vasquez, foi o cabeça do golpe contra Hugo Chávez. Como em Honduras, Efraín Vasquez também é egresso da School of the Americas. Como comandante-em-chefe do exército, teve encontros, hoje já conhecidos, com Otto Reich, do Departamento de Estado dos EUA, antes do golpe. Dia 11/4/2002, Vasquez foi o único militar de alta patente que exigiu a renúncia de Chávez. Como se lê em meu primeiro livro, Hugo Chávez: Oil, Politics and the Challenge to the U.S. (Palgrave, 2006), Vasquez impediu o deslocamento de tropas escaladas para fazer a proteção pessoal do presidente no palácio presidencial. No dia seguinte, Vasquez negociou a saída de Chávez e organizou o movimento de tropas e soldados para desarmar e dispersar os grupos de cidadãos aliados do presidente eleito.
Como em Honduras, os militares estavam associados à elite empresarial. Ditador por um dia, Pedro Carmona era membro dirigente da Fedecámeras, associação empresarial semelhante à COHEP de Honduras. Em Caracas, a Fedecámeras deu voz à elite dos empresários pró globalização que temia as políticas sociais e econômicas de Chávez. Carmona, executivo da indústria petroquímica, sempre denunciou os movimentos de Chávez com vistas a aumentar o controle sobre a empresa estatal de petróleo da Venezuela.
Hoje, ainda são os militares treinados nos EUA e a elite das corporações globais que mais ativamente buscam interromper o fluxo de mudanças na América Latina. Como sempre, são essas duas forças, que sempre operaram juntas, que ainda conseguem derrubar governos.

* Nikolas Kozloffé autor de Revolution! South America and
the Rise of the New Left (Palgrave-Macmillan, 2008)

O artigo original, em inglês, pode ser lido em:
http://www.counterpunch.org/kozloff07062009.html

terça-feira, 7 de julho de 2009

Blog da Petrobras faz estrago no Globo e na Folha

Matérias veiculadas nestes dois jornais deram enfoque interessado com o claro intuito de atacar a imagem da maior estatal brasileira. A Petrobrás, mediante a atuação do seu blog, Petrobras - Fatos e Dados, esclareu as informações que foram distorcidas e editadas conforme os interesses dos Frias e dos Marinhos.

Ordem era para matar Zelaya

O presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, que foi deposto do poder há cerca de 10 dias, afirmou que existia um plano para assassiná-lo. De acordo com Zelaya, o plano lhe foi confessado pelo general Romeo Vásquez. De última hora, o general lhe disse que os golpistas optaram por transferí-lo para a Costa Rica. Segundo informou o presidente deposto, quem está por detrás do golpe e se encarregou de encomendar sua morte “é uma elite muito voraz, com muito controle no Congresso Nacional”, afirmou. Concluindo, Zelaya acrescentou “que se trata de um grupo economicamente abonado e que se opõe a qualquer mudança que contrarie seus interesses”. O presidente hondurenho afirmou que continuará orientando a população do seu país para que resista pacificamente ao golpe.

* A informação foi prestada pelo jornalista Ricardo Meira, que se encontra em Honduras como correspondente independente.

domingo, 5 de julho de 2009

Presidente Manuel Zelaya retorna hoje a Honduras



Milhares de pessoas marcharam ontem, em Tegucicalpa, capital de Honduras, para apoiar o presidente deposto Manuel Zelaya. Ele desembarcará hoje no país acompanhando de vários líderes de estado do continente. O clima é tenso na capital hondurenha.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pouco se informa acerca do golpe militar em Honduras



Os fantasmas voltaram. O golpe militar ocorrido em Honduras no último domingo (28), que depôs o presidente Manoel Zelaya, retoma um espectro tenebroso no continente latino-americano, que durante décadas registrou quarteladas patrocinadas por elites econômicas locais em associação com interesses estadunidenses. As últimas informações dão conta do agravamento da situação. O governo golpista instaurou o estado de sítio no país. Depois de anunciar que estenderia o toque de recolher até a sexta-feira, o ilegítimo presidente Roberto Micheletti decidiu ir mais longe e propôs ao Congresso a supressão de liberdades individuais. As medidas estabelecem que as pessoas possam ser detidas pelas Forças Armadas e pela polícia sem acusação formal por mais de 24 horas. Os direitos de manifestação, inviolabilidade de domicílio, de reunião, associação e liberdade de circulação estão suprimidos. O golpe está sendo repudiado por unanimidade pelos países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA); incluindo até os Estados Unidos. A OEA tinha dado prazo de 72 horas para que o presidente hondurenho reassumisse o poder incondicionalmente. Zelaya foi retirado da sua residência, em Tegucigalpa, capital de Honduras, quando se encontrava dormindo, e levado à Costa Rica numa ação perpetrada por soldados armados. O golpe de estado teve como objetivo barrar a consulta popular que poderia levar o país a uma nova assembleia constituinte. A ordem para a execução foi dada pela Corte Suprema de Justiça de Honduras. O órgão argumentou que ordenou a expulsão do presidente dada a sua insistência em realizar a consulta, que considerou parte de seu interesse em reeleger-se. Ministros ligados ao presidente deposto, por sua vez, acusam integrantes da alta elite econômica hondurenha de orquestrar o movimento militar com o apoio de setores das forças armadas e do poder judiciário local. A iniciativa militar está sendo repudiada pela maioria da população, que tomou as ruas das principais cidades do país para protestar. O golpe contra o povo hondurenho é mais um item na estratégia dos setores reacionários do continente, que visa barrar os avanços democráticos encetados a partir das experiências vivenciadas na maior parte dos países da América Latina, a exemplo do Brasil, Argentina, Bolívia, Venezuela, Paraguai, Equador, Nicarágua e El Salvador. Desta vez, a insurgência partiu de um grupo de 13 famílias locais que controlam a maior parte da economia de Honduras. O que lá ocorreu é prato da mesma receita que se intentou experimentar na Venezuela, em 2002; e na Bolívia, recentemente, com a ação de grupos de assalto, a exemplo da União Juvenil Cruzenha, organização fascista que luta pela desestabilização do governo de Evo Morales. O golpe em Honduras tem data de vencimento. Diante do isolamento que está sendo submetido pela comunidade internacional, e com o acirramento da resistência popular, não se prevê longo tempo na aventura da quartelada.

Mídia brasileira começa mostrar sua verdadeira face


O declínio em apoiar o golpe, pelo menos de forma aberta, vai dando lugar a um tímido apoio, que tende a crescer. Todavia, aos poucos o poder midiocrático brasileiro vai mostrando suas veias abertas. As iniciativas em “cobrir” o golpe e noticiar o repúdio internacional têm evoluído para as “explicações” de meso-justificativas acerca do fato. São posições que transitam desde a postura do pretenso-teórico fascista da versão on-line da revista Veja, Reinaldo Azevedo, que assume peremptoriamente a defesa da quebra do regime democrático em Honduras, às “fagulhas” que começam a flamejar nos jornais e tv’s tradicionais e hegemônicos. Essa estratégia é concomitante ao “esfriamento” da cobertura e à inclinação às vozes que justificam a ação militar. A TV Globo, por exemplo, tem frisado reiteradas vezes os “17 crimes” que supostamente são debitados a Manoel Zelaya. No Jornal Nacional desta sexta a cobertura voltou-se às opiniões de porta-vozes dos golpistas, assim como à manifestação dos seus apoiadores. O mesmo ocorre na Folha de São Paulo e no Estadão. Por outro lado, a conjuntura sociopolítica e econômica de Honduras não é debatida nem revelada a contento, lançando uma nuvem de desinformação que não tem outro objetivo senão confundir a opinião daqueles que consomem suas informações. A ideia é começar a sedimentar uma opinião publicada para, aos poucos, legitimar a iniciativa golpista em Honduras, país que já serviu de quintal norte-americano para a desestabilização da Revolução da Nicarágua. Os fatos que de agora em diante se seguirão no noticiário começarão a fazer a leitura que desaguará para a legitimação do golpe. É apostar pra ver.