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O monge beatnik. As alegrias e os dramas de Belchior

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Do disciplinado frade Sobral da Ordem dos Capuchinhos no Mosteiro de Guaramiranga-CE a símbolo sexual de voz cortante e poesias-navalhadas em belas e harmoniosas melodias, Antonio Carlos Belchior, falecido em 30 de abril de 2107, teve sua biografia escrita por um dos mais competentes jornalistas entre os que acompanham a cena da MPB e da cultura pop internacional. Em “Belchior, apenas um rapaz latino-americano”, a trajetória do então disciplinado noviço nos meados dos 60 e beatnik à brasileira dos 70/80 é narrada com riqueza de detalhes por Jotabê Medeiros. O livro de Jotabê, que chegou às prateleiras ainda sob o impacto da morte do poeta, conduz a passagens da vida do artista-gênio que fecham os quebra-cabeças às interpretações de muitas letras e composições de Belchior. Circunstâncias sociais e políticas, fatos, ambientes, infortúnios, sofrimentos, desafetos, companhias, paixões e amores. O compositor e cantor cearense é uma espécie de esponja que não apenas traga o que vive e está …

Num dia de agosto de 1992

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Nunca fui repórter fotográfico. No texto escrito atuei como repórter, editor e chefiei reportagens, embora minha velha Nikon FM2, analógica e manual, companheira de muitas estradas e hoje decorando a estante, sempre estivesse à mão. Devo à essa querida extensão de prótese ocular muitos registros, mesmo que meras manchas desfocadas. Um deles, o que figura acima, é, para mim, emblemático. Explico enquanto escuto Tudo outra vez, do imortal Belchior. Há, aproximadamente, três meses fui procurado pelo amigo Penildon Silva Filho, atuante do movimento estudantil na década de 90 e hoje pró-reitor de Graduação da UFBA. Me pediu algumas imagens. Registros de passeatas e mobilizações do ME em Salvador quando do grande levante nacional pela deposição, via impeachment, do então presidente Fernando Collor de Mello. À época havia me aproximado de algumas dessas lideranças. Entre idas e vindas na ponte Salvador-Brasília, onde já residia, conheci Penildo, estudante de Engenharia, e Alexandre Sales Viei…

Siderar.... Ô Bowie de tantas sons e momentos.....

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Fé e ciência. O que Buda e Cristo têm em comum?

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Qual a verdadeira fé? Qual religião ou filosofia representa Deus? Quem está certo ou errado quanto às narrativas das diversas crenças professadas na humanidade? Nenhuma dessas três perguntas é respondida em O budista e o cristão; um diálogo pertinente. E é justamente pelo fato dessas indagações não virem à baila que faz deste livro uma página muito especial no que se refere ao respeito às diferenças. Conversa elucidativa. Seja àqueles que se apegam a dogmas e entendem sua denominação como portadora única da suposta representação do divino; seja por se tratar de leitura leve, agradável e que apresenta aspectos interessantes dessas religiões dificilmente comentados para públicos mais amplos. A obra é fruto do diálogo entre os jornalistas e escritores Heródoto Barbeiro, iniciado no budismo aos 22 anos e que como monge leigo adotou o nome de Gento Ryotetsu, e Frei Betto, o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, ligado à corrente da Teologia da Libertação da Igreja Católica. Para …

Simples assim....

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Da Comunicação Social à Midialogia

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Há alguns dias participei de debate numa turma de formandos do curso de Psicologia da Faculdade Social da Bahia. O convite partiu da professora Monica Coutinho, a quem sou grato pela oportunidade. O tema foi "O discurso do ódio na mídia". Para mim, um momento bastante produtivo e de aprendizado. Mas um fato me chamou atenção: o interesse daquele(a)s futuro(a)s psicólogo(a)s acerca do comportamento da mídia, inclusas as suas diversas modalidades de narrativas. O evento só reforçou minha tese de que, do ponto de vista da formação, urge atualizar os currículos dos cursos de Comunicação. O advento da Internet está redesenhando o modelo da economia política da mídia, sobretudo nos seus planos de negócios. É hora de se repensar as grades curriculares ofertadas aos futuros comunicólogos. Áreas de conhecimento como a Psicologia Social, Etnografia digital - Netnografia -, Sociologia Digital e o incremento de conteúdos e ferramentas relativos à atuação nas redes sociais, hoje devem c…

Nem sempre a lua vai sorrir

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Já passava das 13h30. O domingo corria conforme desenhado. Depois de castigar a sola do tênis por seis quilômetros numa corrida prazerosa e encarar um self service daqueles que o sujeito sai cheirando a comida, o script de Marcos deveria ser levado a cabo. O quarto, as revistas não lidas, o livro marcado inconcluso. O Bahia que jogaria às 18h. Tudo pronto a ser devorado. Domingo resolvido. Esparramar na cama e fazer o que gosta. Coisas de cinquentão. Antes, ele alcançou o celular que convidava a uma última olhada. Havia ditado a si próprio o detox digital desde às 9h, quando acordou. Necessário. A overciber da semana reiniciaria no dia seguinte. Um último toque num app de relacionamento, espécie de aplicativo bumerangue que já frequentava seu aparelho num jogo de downloads intermitente, conforme o momento existencial e emocional. Se a loja fosse multá-lo pelas inúmeras vezes que apagara e voltara com a conta era certeza de falência. Um, dois, três, quatro... no quinto deslizar, um mat…