terça-feira, 31 de março de 2009

Sim, foi ditadura!



Há 45 anos o Brasil iniciava um dos períodos mais violentos da sua história recente. Na madrugada do dia 31 de março para primeiro de abril de 1964 tropas comandadas pelo general Olimpio Mourão Filho se deslocaram de Juiz de Fora (MG) em direção ao Rio de Janeiro. Conspirador ativo do golpe, o ex-integralista Mourão não encontrou resistência. As forças militares enviadas pelo presidente João Goulart para barrar a quartelada, lideradas pelas guarnições do I Exército, terminaram por se confraternizar com os golpistas no meio do trajeto. Goulart não tinha mais chance e resolveu partir para seu estado natal, o Rio Grande do Sul, e de lá para o exílio no Uruguai, onde morreu em 1976 em circunstâncias até hoje não devidamente explicadas - suspeita-se que o enfarte fulminante sofrido pelo ex-presidente tenha sido provocado por ingestão de substância tóxica, uma trama ardilosamente arquitetada pelo escritório da CIA em Montevidéu, cujo comando à época estava sob a responsabilidade de Frederick Latrash, ex-assessor do candidato republicano à presidência dos EUA em 2008, Edward MacCain. O Golpe Militar de 1964 foi o “gran finale” de uma conspiração que começou a ser urdida nos idos de 1954, quando ocorreu o suicídio do presidente Getúlio Dorneles Vargas, pressionado que estava por forças políticas que discordavam do seu intento desenvolvimentista com forte viés nacionalista. Foram dez anos nos quais setores das Forças Armadas, do alto empresariado nacional e representantes de interesses internacionais, em fina sintonia com as diretrizes de Washington, fomentaram o levante no Brasil. O golpe desfechado em primeiro de abril foi um entre os mais de 40 patrocinados pelos Estados Unidos no mundo. Um golpe que durou em torno de 22 anos Há quem sugira uma “ditabranda” no lugar de ditadura, como argumentou o jornal Folha de São Paulo. Coisa nenhuma! Tratou-se de uma ditadura violenta que censurou, torturou e assassinou milhares de pessoas e levou outras centenas para o exílio. Certamente que o pano quente colocado na história pela Folha se deve ao fato do jornal dos Frias ter apoiado ideologicamente o Regime Militar. E não só. A Folha de São Paulo colaborou com a Operação Bandeirantes, articulada por militares e policiais e financiada pela iniciativa privada para caçar, torturar e eliminar opositores políticos do regime. Veículos da empresa de Otávio Frias foram cedidos para essa “nobre” missão. O saldo desse período foi o aumento da pobreza e das desigualdades sociais no país. O golpe foi um retrocesso.

terça-feira, 24 de março de 2009

Habermas, a opinião pública e a aprovação de Jaques Wagner

O filósofo alemão Jürgen Habermas, um dos principais herdeiros das discussões da Escola de Frankfurt, enfatizou na sua obra Mudança Estrutural da Esfera Pública a diferença entre “opinião pública e opinião publicada”. Para Habermas, a presença progressiva dos mass midia na sociedade ocidental se encarregou de diluir o que seria uma opinião pública mais genuína. Emerge então o fenômeno da opinião publicada. Ou seja, os meios de comunicação seriam os catapultores das supostas manifestações de opiniões – individuais e com status de pública - mediante as ações dos agentes envolvidos com a indústria da mídia – publishers, jornalistas, comentaristas, articulistas e demais midias men. A quem tem o lugar da fala é arbitrada então a “livre” manifestação das idéias, entendendo como “livre” a liberdade de empresa, sobretudo, e não necessariamente a liberdade de imprensa. Por intermédio desta compreensão podemos avaliar as recentes pesquisas divulgadas pelo Instituto Datafolha, que apontam o governador da Bahia, Jaques Wagner, oscilando entre 36% e 38% na preferência do eleitorado para o pleito de 2010. O governador é líder isolado das intenções de voto com quase o dobro da preferência em relação ao segundo colocado. A fotografia tirada por esta pesquisa descortina dois cenários, o da aparência e o da essência (tomando emprestada a expressão utilizada pela secretária-chefe da Casa Civil do Governo da Bahia, Eva Chavion). No primeiro, o governo Wagner foi, e tem sido, bombardeado diuturnamente desde o seu nascedouro. Não faltaram “crises” construídas em diversos setores da sua gestão pelos “donos dos lugares da fala”, como ocorreu nas áreas da Saúde e da Cultura, para se ater a dois casos emblemáticos. Findo o primeiro ano do governo, amplos setores dos circuitos da mídia - ou dos donos da fala, como queiram -, espetacularizaram todas as fissuras e deslizes da gestão Wagner. A lente colocada sobre seu governo teve amplitude superior à colocada nos governos passados. Os fatos, mesmo os factóides, foram, e são, amplificados à exaustão. O teatro político baiano nunca esteve tão movimentado, e encenado. As resoluções de mazelas, carências e demandas de um Estado que esteve 16 anos sobre o controle de um único grupo político – com forte tempero fascista – passaram a ser cobradas peremptoriamente. Para muitos donos das vozes, tratava-se de um governo condenado ao fracasso. E esta “opinião” foi pulverizada em vários segmentos da sociedade. Queriam construí-la como “pública”, e havia quem achasse que sim. Já o segundo cenário remete ao quadro real no que confere às opiniões das populações sobre a atuação do governo. As políticas públicas perpetradas mudaram substancialmente de vetor, invertendo prioridades. Investimentos em educação, saúde e infra-estrutura e incentivos a empreendimentos geradores de renda – principalmente pequenos e micros - iniciaram um processo de mudança na fisionomia da Bahia. É a essência. Foi quebrado um ciclo vicioso que restringia os dividendos do desenvolvimento econômico a meia dúzia de contemplados. O povo não é idiota, ainda que muitos donos da fala assim acreditem. É fato que a tese da pedra no lago, a qual debita a formação de ondas de opinião a partir de irradiadores hegemônicos, foi por água abaixo. A diversificação dos meios, em destaque a Internet, concomitante com o processo de politização da sociedade – movimentos sociais e afins – têm construído olhares diferenciados sobre a realidade, que fogem e de alguma forma neutralizam o senso comum desenhado pelos donos dos lugares das falas, ou seja, pela opinião publicada. E foi este segundo cenário o detectado pelo Datafolha. Um cenário que existe paralelo ao primeiro, mas que não se expressa no cotidiano por ausência de canais. Em resumo, a aprovação de Wagner é um importante marco no processo em curso da luta contra-hegemônica na Bahia e no Brasil. É a luta política silenciosa que se é ignorada pelos players da mídia corporativa e hegemônica, é facilmente identificada por expressivos setores da população.

A pérola da múmia-escriba

Múmias andantes, me lembro, apenas figuravam nos filmes de terror, ainda preto e branco, que assistia na TV durante as tardes. Mas começo a desconfiar que elas existem e andam a vagar pelas mídias do país. Uma delas, um supernumerário da Opus Dei, ocupou hoje espaço num jornal soteropolitano para criticar o governo de Hugo Chávez na Venezuela e de resto diversos outros governos democraticamente eleitos na América Latina. A múmia-escriba, que tem no seu histórico ideológico a militância integralista, fala da ausência da “verdadeira democracia” no continente. Será que a “verdadeira democracia” a qual se refere foram as ditaduras militares que varreram o continente durante os anos 70 e 80? Essa múmia é forte candidata ao Troféu Peroba.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Jornalista diz que foi censurado

O jornalista da revista Carta Capital, Leandro Fortes, diz que foi censurado pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. Segundo Fortes, Mendes fez gestão junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, para que tirasse do site da instituição uma entrevista dada por ele à TV Câmara no último dia 11 de março. Na entrevista, o jornalista questionou as investigações realizadas contra o delegado Protógenes Queirós, que comandou a Operação Satiagraha. De acordo com Fortes, Mendes também está lhe processando pelo fato de ele ter escrito matéria, publicada na Carta Capital, na qual acusa o ministro de manter "muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP)". O IDP tem Mendes entre um dos seus proprietários.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Qual a diferença entre publicidade e propaganda?

Tenho profunda admiração pelos colegas publicitários. Muitos deles detêm invejável senso de observação, reconheço. No entanto, boa parte se embebeda no mais profundo empirismo quando o assunto é discutir o campo das teorias da comunicação social. Quase sempre um olhar raso sobre o tema. Talvez pensando que tudo possa se resumir ao imediato entendimento da realidade. É a tese do balaio, onde tudo cabe a partir de um único conceito. Sobram bolodórios discursos e faltam argumentos científicos. Há alguns dias uma profissional de comunicação arguiu que publicidade e propaganda seriam a mesmíssima coisa. Contra-argumentei e tive como resposta a assertiva de que a dissociação dos conceitos de publicidade e propaganda “era uma visão antiga e que não mais se aplicaria”. Por alguns minutos tentei identificar em quais marcos histórico-temporais a publicitáriapropagandista se balizou para dar tal veredicto. Encabulei. Por que “visão antiga que não mais se aplicava”? O que seria então essa suposta visão moderna? Teria sido extraída dos manuais de marketing e auto-ajuda empresarial que grassam nas prateleiras das livrarias para o assanho dos curiosos? Talvez. É fato que muitos publicitários brasileiros não são afeitos à produção científica e sim à prática. Mas é forçar demais a barra confundir essas duas modalidades de comunicação persuasiva. O conceito de publicidade é aplicado à comunicação comercial; o conceito de propaganda é aplicado à comunicação ideológica. O primeiro se origina historicamente nos hábitos de consumo, desde que o homem passou a produzir artasenalmente e buscou persuadir outros para adquiri o que havia produzido. O segundo é oriundo das ações da Igreja Católica Apostólica Romana para neutralizar e eliminar discursos de movimentações religiosas consideras hereges e infiéis. É a partir desta prática que surge a propaganda política, ferramental que se mostrou presente a partir do século XVIII na Revolução Francesa, depois na Revolução Russa de 1917 e posteriormente na edificação dos estados totalitários, principalmente durante o regime nazista na Alemanha. Em resumo, são duas técnicas de persuasão que têm aplicabilidades distintas. No Brasil a confusão dos conceitos é corrente entre muitos acadêmicos e técnicos da área, o que não ocorre entre os pesquisadores de Portugal, Inglaterra, França, Estados Unidos, Itália e Japão, locais nos quais a dissociação é clara e devidamente explicada. E esta não é uma questão menor, diria. Quando se trata de preparar e formar estudantes para atuar no campo profissional da comunicação (pedindo licença a Pierre Bourdie) é de bom alvitre que esta discussão seja sustentada na fundamentação teórica, com aplicabilidade correta dos conceitos, e não balizada no puro achismo. Por quê? Porque ainda que ambas as técnicas e respectivos conceitos estabeleçam diálogos – nos dois residem capacidade informativa e força persuasiva -, é importante estabelecer as fronteiras entre um e outro. Uma campanha política ou de esclarecimento público acerca de qualquer coisa não congrega os mesmos elementos de diagnóstico, análise e planejamento que uma campanha publicitária. Propagar ideologia e valores não é o mesmo que publicizar carros e sabão em pó. “Vender” políticos e políticas públicas como se vende peixe é um escorregão clássico, diapasão comum, de muitas agências que pensam estar fazendo propaganda quando na verdade fazem publicidade. E nesse enredo conseguem transformar boas propostas políticas em rasos argumentos de comunicação, cuja data de validade é logo vencida. Taí, portanto, porque não endosso a tese da uniformidade dos conceitos. E caso prevaleça essa lógica mecanicista e rasa, proponho que mudem o nome do curso para Comunicação com habilitação em digitação. Ok ?

quinta-feira, 19 de março de 2009

História que começa a ser desvendada

Em breve os meios políticos e acadêmicos tomarão conhecimento de uma faceta da história da Bahia que ainda se encontra sepulta. Trata-se de uma trama ocorrida entre os anos 1935 e 1941. A narrativa discorre sobre as negociações entre personagens de peso da política local e autoridades de um dos países envolvidos na Segunda Guerra Mundial. Aguardem, a obra está para entrar no forno.

Torcida de pé frio

Coluna de um certo jornal baiano fez loas à movimentação tucano-democrata ocorrida no Recife em torno da candidatura de José Serra. O experimentado escriba vestiu a camisa de torcedor da aliança, sem cerimônia. Tomara. Nas duas últimas eleições seus prognósticos foram tão pífios.

Freud com a palavra:

"Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um pai". (Sigmund Freud)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Perdeu a fé, Miriam?



A fé cega depositada nas agências classificadoras de risco pela comentarista de economia da Rede Globo, Miriam Leitão, ao que parece, arrefeceu, sumiu. A diva da Vênus Platinada há meses não inicia seus comentários se utilizando das “precisas” informações desses organismos. Aliás, é bom lembrar, a nota dada em junho do ano passado por uma dessas agências à Companhia de Seguros AIG foi AA, a nota máxima que aponta baixíssimo risco e alto grau de confiabilidade para investimentos. Em setembro a AIG quebrou. A companhia tinha um passivo de 8 bilhões de dólares. Bonito, hein Miriam?

terça-feira, 17 de março de 2009

Miriam Makeba - Pata Pata

Homenagem a Miriam Makeba, a cantora sul-africana falecida recentemente. Dedicou sua vida à música e à luta contra o apartheid.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nacionalismo de fachada

Os principais jornais do país reportaram a manifestação organizada ontem (15) pelo advogado e playboy Eduardo Lins e Silva que pretende usurpar o direito legítimo do norte-americano David Goldman de ter a guarda do filho, Sean Goldman, de nove anos. A história do caso remonta há mais de cinco anos, quando a brasileira Bruna Bianchi, residente nos Estados Unidos, estava casada com Goldman. Numa viagem de férias, Bruna trouxe o menino para o Brasil e não mais retornou, caracterizando crime de sequestro, já que não havia nenhuma decisão judicial que lhe desse, à época, a guarda integral do filho. Aqui ela se casou com Lins e Silva e, no ano passado, faleceu durante o parto da filha que teve com o advogado. Nada mais justo e legítimo que Goldman querer criar seu filho. Mas os avós maternos da criança passaram a se utilizar do padrastro para reter o menino no Brasil. A manifestação de ontem, ocorrida na praia de Copacabana, expôs uma patriotada oportunista. Os amigos e parentes de Lins e Silva optaram pelo apelo emocional do nacionalismo, como se houvesse uma disputa de interesses envolvendo Brasil e Estados Unidos. Nada disso. O que se quer é, via decisão judicial, legitimar o ilegítimo. E é lamentável que a Ordem dos Advogados do Brasil, numa clara ação corporativa, defenda esse ato absurdo. Quem tem direto prioritário de criar os filhos são os pais, e Goldman tem esse direito. E, frisando, não há nenhuma disputa de interesses envolvendo os dois países, esta é apenas uma fachada que a família de Bianchi está se utilizando para nublar o que de fato ocorreu.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Número de crianças sem-teto cresce nos EUA

A maior potência econômica do planeta mostra uma de suas facetas. Uma de cada 50 crianças norte-americanas experimenta a condição de sem-teto. O número consta no relatório divulgado nesta terça-feira (10) pelo National Center on Family Homelessness (Centro Nacional sobre Famílias Sem-Teto). O estado de Connecticut é o que está em melhor situação. O Texas do ex-presidente George W. Bush é o pior colocado. O relatório analisa os dados de 2005 e 2006 e estima que 1,5 milhões de crianças experimentaram a condição de sem-teto pelo menos uma vez durante esse período. O problema, segundo o relatório, se agravou devido às execuções de hipotecas imobiliárias e às demissões provocadas pela recessão em aprofundamento (do portal vermelho.org).

terça-feira, 10 de março de 2009

A diferença entre o fato e a "notícia"


A luta das mulheres campesinas não é explicada pela imprensa

Por intermédio de artigo publicado em diversos jornais do país, o jornalista Carlos Alberto Di Franco, que esconde na imprensa sua condição de supernumerário da Opus Dei, atacou veementemente os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária, em particular o MST e a Via Campesina. O texto repete os mesmos clichês de sempre e agrega o argumento modal utilizado ultimamente pela direita nacional, de que o Governo Federal tem repassado recursos públicos para os movimentos sociais. Com Di Franco, tem cerrado fileiras o “insuspeito” presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, as entidades que representam os empresários rurais ligados ao agronegócio, e de resto uma gama considerável de parlamentares, donos de meios de comunicação, jornalistas, articulistas de consideráveis parcelas da mídia e setores influentes das forças armadas. A ofensiva de criminalização dos movimentos esconde a ponta de um ice berg que não é esclarecido pela imprensa. É um ato proposital. Sobram preconceitos ideológicos e ódio de classe, faltam informações. A nenhuma voz dos movimentos que lutam pela reforma agrária foi dada a palavra. A luta que a Via Campesina tem travado no sul do país, por exemplo, denuncia um estrondoso crime ambiental em curso perpetrado pela indústria da celulose. Em nenhum dos grandes órgãos de imprensa, seja televiso, escrito ou radiofônico, assim como nos seus respectivos portais na internet, foi noticiado o fato de que extensas plantações de eucalipto têm colocado em risco a segurança alimentar de imensos contingentes populacionais. Ao derrubar vários pés de eucalipto, como ocorreu na última segunda-feira no Rio Grande do Sul, a Via Campesina denunciou as conseqüências nefastas da monocultura dessa espécie. Em regiões tomadas por mares de eucaliptos já falta água para o consumo humano e criação de animais. A monocultura do eucalipto extrai sobremaneira a água do subsolo, destruindo nascentes e secando grandes mananciais hídricos. O agronegócio da celulose tem legado desertos verdes e reduzido a produção de alimentos. Estes fatos são omitidos, inclusive pelo chamado “jornalismo ambiental” praticado por alguns órgãos de imprensa. Na noite desta terça-feira, por exemplo, o jornalista e “ambientalista” André Trigueiro, da Globonews, ao noticiar a “invasão” da Via Campesina a uma indústria de celulose no sul, limitou-se apenas a “ler” o fato no mesmo diapasão senso comum da midiocracia nacional. O texto versou em criminalizar as ações, prevalecendo a meia-notícia, a notícia que interessa aos donos da emissora. Enquanto isso, outro reduto da direita brasilis, o Ministério Público do Rio Grande do Sul, pediu o fechamento das escolas itinerantes do MST alegando que os alunos estariam sendo submetidos à “lavagem cerebral marxista”. O pedido foi aceito pela Justiça gaúcha e o governo corrupto de Yeda Crucius mandou a Polícia Militar destruir os galpões onde centenas de crianças estudavam. Nenhuma palavra, a não ser críticas aos sistemas pedagógicos do MST que estariam “pervertendo criancinhas”. A diferença entre o factual e a razão para a maior parte da mídia nacional é um paradigma de fácil identificação: interesses de classe diluídos na violência simbólica das “notícias”.

domingo, 8 de março de 2009

Quero ser excomungado!




Não sou católico, ainda que na primeira infância a violência simbólica do batismo tenha me afetado. Foi só um rito de passagem, apenas. Mas já que “oficialmente” a Igreja Católica me considera integrante do seu rebanho, aproveito o gancho para pedir publicamente minha excomunhão. Sim, quero ser excomungado pela Igreja. O pomo da discórdia foi a ordem dada pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar os médicos e parentes da menina de 9 anos que teve que se submeter a um aborto devido ao estupro realizado pelo padrasto. Meu hipocritômetro atingiu o limite. Talvez a Igreja tenha achado que a violência cometida contra a criança não fosse grave. Dá pra entender: para uma instituição que acolhe milhares de pedófilos, uma criança a mais ultrajada e violentada pode não ser nada mesmo. A Igreja não estava se importando com o risco que a menina corria, até mesmo de morte, já que ela não tem estrutura física para conceber uma criança. Na opinião do arcebispo, "a lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor". Dom Cardoso não tem filhos, mas poderia se colocar no lugar de quem tem. Mas não, preferiu ser hipócrita. Sério, gostaria de saber em que momento Deus credenciou um bando de psicopatas sociais para lhe representar. Repito, exijo minha excomunhão, e quero que seja um processo célere. Rápido como aqueles casos de heresia que eles julgavam nos tribunais inquisitoriais e remetiam os réus às suas santas fogueiras. Desejo que esse apelo chegue aos ouvidos do bispo Primaz do Brasil ou mesmo do Vaticano. A partir de agora estarei esperando o ato, o ato da minha excomunhão. Prometo fazer uma festa, convidando Baco e Dionísio para celebrar esse momento solene em minha vida, meu desligamento total dessa peste que se instalou na face da Terra denominada Igreja Católica.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Medidas proativas na Venezuela

Por ordem do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o governo nacional tomou medida preventiva de ocupação temporária de várias indústrias produtoras de arroz no país, ante o desvio do produto para outros fins, deixando de lado os preços regulados, o que obrigava o consumidor a pagar preços mais altos.
A decisão de ocupação das fábricas de arroz foi tomada por Chávez no último dia 28 de fevereiro. O presidente venezuelano acusou as empresas de boicotar a cadeia de fornecimentos ao recusarem-se a produzir arroz – uma das principais produções agrícolas venezuelanas – aos preços definidos pelo Executivo.
Segundo o Ministério da Agricultura, as empresas passaram a produzir apenas variedades de arroz não-tabeladas para ter mais lucro. A medida de intervenção das fábricas de arroz tem como objetivo garantir a todos os venezuelanos a disponibilidade de arroz branco no mercado nacional, de acordo com o vice-ministro de Economia Agrícola, Richard Canán.
Canán explicou que uma das fábricas de arroz ocupadas já no dia 28, a da Alimentos Polar, localizada em Calabozo, estado Guárico, estava processando menos de 50% de sua produção sem nenhuma explicação a respeito. Conforme o presidente da Associação de Produtores de Arroz em Calabozo, Víctor Cortéz, existe matéria-prima suficiente para se processar o arroz regulado na região.

Segurança de Estado

“Se alguma indústria deseja atropelar os consumidores a fim de obter maiores dividendos, nós vamos intervir. Para o governo, o acesso aos alimentos é um tema de segurança de Estado”, disse nesta terça-feira(03) o superintendente Nacional de Silos, Armazéns e Depósitos Agrícolas (SADA), Carlos Osorio Zambrano.
Osorio assinalou que a partir desse objetivo, o governo Bolivariano aprovou uma resolução que pretende que as empresas cumpram com os níveis de produção de alimentos regulados.
O superintendente explicou que esta resolução que se coordenou com todas as plantas processadoras de alimentos, “não é uma resolução arbitrária, é uma decisão coordenada com os ministérios do Poder Popular para a Alimentação e da Saúde, produto das irregularidades que viemos observando desde o ano passado”.
Segundo ele, o Executivo conta com o Sistema Integral de Controle Agroalimentário em toda a produção e distribuição de alimentos, para garantir o máximo de felicidade possível à população venezuelana.
Osorio também ressaltou que "não se descartam outras intervenções de empresas, já que devemos proteger a população". (Reproduzido da Agência Brasil de Fato)

Troféu Peroba

E o Gilmar Mendes, hein? O todo-poderoso do STF e novo porta-voz da direitona tupiniquim, acusado em reportagem veiculada pela revista Carta Capital de ter recebido R$ 2,4 milhões em recursos públicos para o seu Instituto Brasiliense de Direito Público, agora arrota para questionar o repasse de recursos às ações com movimentos sociais. Vê se te emenda, Gilmar!

A mestra bota a boca no trombone



Considerada uma das mais qualificadas economistas do país, a professora Maria da Conceição Tavares faz uma prévia do que falará na abertura do Seminário Internacional sobre o Desenvolvimento, que será aberto amanhã (05) em Brasília. Diz a mestra:
”(...) Estamos diante de uma tempestade global. Não é apenas a violência que assusta; é, principalmente, o fato de que a sua origem financeira torna tudo absolutamente opaco no horizonte da economia internacional. Mente quem disser que sabe o que virá e quanto vai durar. Minha percepção mais clara é de que será uma guerra de resistência; e que o Brasil tem condições de segurar o manche, e agüentar (...)”.