terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Fim da violência contra Sean e David Goldman



Muitos devem estar perguntando porque este blogueiro ainda não manifestou uma única linha sobre o desfecho do caso do menino Sean Goldman, que retornou com o pai para casa, no Estados Unidos, no último dia 24. É razoável o questionamento. Sempre assumi publicamente minha outra banda militante, a que luta pelo direito dos pais separados ao convívio com os filhos. Participo da ONG Pais Para Sempre e integrei o grupo que discutiu a proposição da Lei da Guarda Compartilhada, que no ano passado foi sancionada pelo presidente Lula. Sempre fui ativista da causa e recentemente resolvi enveredar pelas trilhas do mundo jurídico para entender tais questões com mais profundidade. E aqui confesso: não há arrazoado jurídico suficiente para entender um drama familiar, onde todos sofrem. Isso é fato. E como tudo começou? No dia 16 de Junho de 2004 o norte-americano David Goldman se despediu do seu filho Sean no aeroporto da Nova Iorque. O menino e a mãe, a brasileira Bruna Bianchi, sairiam de férias para duas semanas no Brasil. Mas o que David não sabia era que nesse momento sua mulher estava sequestrando seu filho, pois ela não tinha mais intenção de voltar para os Estados Unidos. Após o sequestro do garoto, Bruna conheceu e se casou com o advogado Paulo Lins e Silva, um rico herdeiro de uma importante banca de advocacia do Rio de Janeiro. Bruna teve uma filha com Paulo Lins, em cujo parto faleceu. No decorrer deste processo, David Goldman encetou acirrada luta contra o sistema jurídico brasileiro para ganhar a guarda do Sean e trazer seu filho de volta para casa em Tinton Falls, New Jersey, EUA. Com a morte de Bruna, pensava David que finalmente teria acesso ao seu filho. Não teve. A aproximação entre ele e Sean foi bloqueada pelo padrasto, Paulo Lins, que passou a argüir a guarda do garoto. Não me apequeno aqui a limitar o episódio às bravatas pseudonacionalistas, como se fosse uma disputa entre interesses brasileiros e estadunidenses, como quis fazer crer a família brasileira de Sean. Não é este o caso e não se pode ideologizar o problema. A violência foi cometida contra a criança, uma vez que esta foi arrancada do convívio do pai de forma criminosa. E mais crimes aqui foram cometidos. Após a morte de Bruna, o padrasto de Sean, aproveitando-se da influência que a banca de advocacia da família exercia nos meios jurídicos do Rio de Janeiro, chegou ao acinte de forjar uma nova certidão para o garoto, limando o nome do pai natural e colocando o dele. Imagina-se como esta família trabalhou psicologicamente para anular a imagem paterna, uma outra repugnante forma de violência. Ademais, o playboy-advogado Paulo Lins e Silva, junto com os avós maternos de Sean, deram o caldo final do episódio expondo à mídia a entrega do menino à embaixada norte-americana, onde se encontrava à sua espera o pai, David Goldman. Antes, numa espécie de último apelo, a avó materna de Sean, Silvana Bianchi, chegou a afirmar que “na ausência da mãe é a avó que tem a primazia sobre a criança”. E o pai, é o que para ela? A afirmação de Silvana atesta uma visão maternocrata, hipócrita e conservadora e que não coaduna com as novas conformações familiares, nas quais o papel da figura paterna tem ganho extrema importância. E no que tange a decisão do STJ, não houve nenhuma benemerência a David Goldman. Foi feita Justiça, já que foi restituído o direito, legítimo, de convívio entre pai e filho, que no passado foi violentamente desrespeitado pela atitude insana de uma mãe e posteriormente de uma família não menos insana.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Enquanto isso, em Copenhague...onde está Serra na foto?


Foto publicada na versão digital do New York Times por volta das quatro da tarde, horário de Nova York

Lula mira no alvo. Na mosca

"Não pensem que estão dando uma esmola, porque o dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento pela emissão de gás de efeito estufa, feita durante dois séculos, por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro; não é uma barganha de quem tem dinheiro e quem não tem dinheiro. É um compromisso mais sério".
(Presidente Lula, em discurso de improviso na COP 15, esta manhã, quando foi aplaudido quatro vezes, em 15 minutos, ao criticar os países ricos; 18-12)

Publicado em Carta Maior

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Por essa Paulo Souto não esperava



Chegando à cidade de Miguel Calmon, o ex-governador carlista do DEM (ex-PFL)se deparou com faixas colocadas na entrada da cidade, que durante anos sofreu com uma via esburacada e quase sem condições de tráfego. A mensagem, para ele e comitiva, dizia: "Gostou da estrada, Dr. Paulo Souto?". A populaçõa foi à forra com o descaso do passado, precisamente da sua gestão. Para se ter uma idéia, os cerca de 30 quilômetos que separavam Miguel Calmon de Jacobina eram percorridos em mais de uma hora. Hoje o trajeto dura poucos minutos com a rodovia construída em alta tecnologia. Segundo dizem, o ex-governador ficou com cara de "apoplético". Souto chegou a ensaiar uma resposta pra lá de esfarrapada num site noticioso. E só.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Paulo Souto não diz tudo. Por quê?

Torna-se imperativo analisar a crise de discurso que as oposições terão que enfrentar nos planos federal e estadual. Tratar-se-á de problema psicanalítico? Talvez. Vamos nos ater à Bahia. Entrevista dada pelo ex-governador carlista Paulo Souto (DEM, ex-PFL) no início desta semana descortina o problema de forma evidente. Apegando-se a factóides e malabarismos numéricos, Souto agarra-se a teses vagas e inconsistentes. Num dos trechos da entrevista, o carlista jacta-se que durante sua gestão fez “uma alteração na Lei de Licitações e que alguns Estados brasileiros seguiram e outros estão querendo seguir”. Mas o candidato Demo-pefelista não disse tudo. O que Paulo Souto omite e faz questão de não abrir a boca, é que as alterações efetuadas na referida lei propiciaram a prática do envelope lacrado. O que isso significava: o preço referencial era de conhecimento, apenas, das empresas vencedoras da licitação, pois só elas detinham esta informação. E tal prática garantiu a manutenção de contratos milionários superfaturados em serviços terceirizados, lesando por vários anos os cofres públicos. Estas empresas formaram o chamado G-8, que passou a ser investigado pela Polícia Federal na operação Némesis, no ano de 2007, na qual foram efetuadas várias prisões. Fala, então, Paulo Souto!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Indisciplina dos corpos

Este vídeo trata-se de um breve registro que realizei da Marcha da Maconha, ocorrida em Salvador no dia 05/12/2009. Não pretendo que seja uma peça de apologia à nada, mas um documento que diga respeito à liberdade de expressão e opinião. Neste pequeno web-doc entrevisto especialistas e militantes que se mobilizam no debate acerca da discriminalização da maconha. A opinião entre eles é que a legalização pode se constituir na principal política de combate ao narcotráfico e na redução de danos aos dependentes químicos. Assista e forme a sua opinião.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Protesto Fora Arruda - Cavalaria parte pra cima de manifestantes (primeiro ataque)

E a polícia de choque do governador do DEM do DF, José Roberto Arruda, pego em flagrante com a "mão na massa", dá o exemplo de "civilidade" do partido de ACM Neto e Paulo Souto, as pérolas do DEM na Bahia.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Chafurnando na lama

E o jornal Correio Braziliense está querendo chafurnar na lama junto com o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (DEM). Contra todos os fatos e evidências, o aristocrático diário da capital do país ainda insiste na expressão “suposto” quando se refere ao mensalão do DEM no DF, conhecido como o escândalo do panetone.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A "moral" do PSDB

Robson Marinho é mais que um nome, é o código dos segredos tucanos no Tribunal de Contas de São Paulo, órgão que aprova tudo o que o PSDB faz com o dinheiro público do Estado há mais de 12 anos. Marinho chegou à presidência do TCE em 1997; antes coordenou a campanha vitoriosa de Covas e chefiou a Casa Civil do seu governo. Em junho deste ano, a Suíça bloqueou uma conta da qual ele seria o titular. Nela foram feitos depósitos de mais de US$ 1 milhão em propinas pagas pela empresa Alston, em troca de contratos no governo tucano entre 1997 e 2003. Agora seu nome aparece na agenda da Polícia Federal de novo. O guardião das contas tucanas é citado nove vezes nas fichas de propinas pagas pela Camargo Correa. Teria amealhado mais US$ 1.378.732 da empreiteira. No ambiente jurídico Marinho é personagem folclórico de um recorde: em 2001 deu parecer favorável a um contrato entre a Eletropaulo e a Alstom que se notabilizou por ser o mais rápido da história do TCE. O guarda-segredos tucano aprovou em 3 meses um negócio de US$ 6 milhões que normalmente levaria 5 anos para tramitar

Da Carta Maior

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Wagner na frente

Foto/Agecom/BA

Os números começam a clarear a realidade. Pesquisa divulgada no início desta semana pelo Instituto Campus aponta vantagem do governador Jaques Wagner na corrida sucessória ao governo da Bahia em 2010. A sondagem envolveu um universo de 2587 entrevistados em todo o estado, entre os dias 15 a 23 de novembro. Na mostra espontânea, Wagner aparece com 33,1% das intenções de voto contra 11,6% do ex-governador Paulo Souto (DEM). O ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) surge em terceiro lugar com apenas 3,4%, seguido de ACM Neto (DEM) com 1,6%. Na pesquisa estimulada, Wagner permanece na primeira colocação com 48,4% dos votos, enquanto Souto surge com 26,4%, Geddel com 12% e Hilton (PSOL) com 1,5%. O instituto simulou também os resultados para o segundo turno. O governador lidera, quando confrontado com Paulo Souto, com 56,3% dos votos. Seu antecessor perderia a eleição, pois obteria apenas 33,1%. Wagner ampliaria a vantagem se disputasse a segunda rodada eleitoral com Geddel, sempre conforme o instituto. Wagner dispararia com 61,2%, contra 23,3% do ministro da Integração Nacional. De acordo com o Campus, no quesito rejeição, Hilton Coelho aparece na liderança com 41,5%, tendo atrás Paulo Souto 19,8%, Geddel 13,7% e Wagner 10,3%. A pesquisa foi divulgada pelo jornal Tribuna da Bahia.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O triste fim de FHC



Realmente, o efeito do discurso de Fernando Henrique Cardoso, publicado há alguns dias no jornal da família Mesquita, demonstrou seu "poder arrasador”. Esquecido no anonimato da política, o ex-presidente sociólogo quis mostrar as mangas e provocou um estrago no candidato a presidente do seu partido, o governador José Serra (PSDB-SP). De acordo com a pesquisa CNT Sensus, em setembro o presidenciável tucano tinha 39,5% e a ministra Dilma Roussef, candidata do PT, 19,0%; neste mês de outubro José Serra obteve 31,8% e Dilma Rousseff 21,7% das intenções de voto. Nesta última, Ciro Gomes (PSB-CE) também aparece com 17,5%. A diferença entre Serra e Dilma, que era de 20 pontos, caiu para 10. A campanha de Serra acendeu a luz amarela – quiçá a vermelha – e agora trata de esconder o contêiner que se transformou FHC para a propaganda do seu candidato, ou melhor, a anti-propaganda. A pesquisa indica que o “Príncipe de Sorbone” é quem tem tirado votos de Serra. De acordo com o presidente da CNT, Clésio Andrade, “a indicação do ex-presidente FHC não acrescenta votos para o candidato à presidência”. Os números são cruéis: 49,3% responderam que não votariam em um nome apoiado por FHC e apenas 3% votariam em um candidato do ex-presidente. A pesquisa aponta também que a aprovação do governo Lula estimula a intenção de votos num candidato apoiado pelo petista. Em uma das prospecções, foi identificado que para 76% dos entrevistados os sete anos do governo Lula são melhores que os oito anos da era FHC; 10% acreditam que Fernando Henrique foi melhor e 11,1% afirmaram que os dois governos são iguais. Diante desse quadro, Andrade acrescenta que "a avaliação do presidente Lula e de seu governo continua crescendo, resultado do bom desempenho econômico e dos programas sociais, percepção de que houve melhora da imagem do País interna e perante o mundo". É fato, Fernando Henrique Cardoso, com todos os seus títulos acadêmicos, tem se transformado num farrapo político. E quando busca espaço na mídia que tanto lhe agradou ainda consegue fazer gol contra. Triste fim do vendilhão do Estado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

PIG foi desmascarado categoricamente

É interessante como o Partido da Imprensa Golpista (PIG) está tratando o blecaute ocorrido na terça-feira desta semana em decorrência de fatores climáticos que afetaram a subestação de Furnas, na região de Itaberá (SP). O incidente está sendo politizado pela oposição partidária-midiática. Os jornais das famílias Mesquita, Frias e Marinho, o Estadão, a Folha de São Paulo e o Globo, respectivamente, estão denominando o ocorrido de “apagão”, ainda que nem de longe este se compare ao da era FHC, quando o país efetivamente parou. Certamente que eles querem apagar aquele momento trágico do Brasil com um episódio que durou, no máximo, três horas. No entanto, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, desqualificou categoricamente os argumentos das claques oposicionistas assim como os do PIG. Veja o vídeo abaixo.

Fatores atmosféricos que causaram blecaute são raríssimos

Um desmentido ao PIG

Requiém para alguns do DEM




Durante passagem em Campinas-SP no último final de semana, tive a oportunidade de presenciar o típico furor reacionário de alguns segmentos da sociedade brasileira. Em meio a uma rodada de drinks, dois dos presentes, com sangue nos olhos e expressões de cães raivosos, vociferavam indignados contra as políticas de transferência de renda do Governo Federal. Bradavam contra o Programa Bolsa Família com a anuência de alguns convivas e só tinham como contraponto a palavra sensata de uma jovem assistente social, Renata Fernandes. Sai em defesa de Renata e, sobretudo, dos meus princípios. Cabe uma reflexão acerca daquela querela. O que de fato move o ódio daquelas pessoas, representantes fidedignas do pensamento reacionário brasileiro, além da estúpida vizeira que trazem consigo nas faces? A resposta não abre mão de uma sucinta explicação histórica, e quiçá com um adendo psicológico. Trata-se de herança mental de quem um dia, não muito distante, usou botas e chibatas para espancar escravos nas senzalas. E hoje tais pessoas integram a entourage do apartheid social que grassa na sociedade, já que, elas próprias, são perpetradoras e difusoras desta horrenda visão de mundo. Uma mentalidade que não aceita qualquer iniciativa que transfira ou distribua renda. Indignam-se com a violência que permeia a todos – mais de 35 mil assassinatos com armas de fogo por ano no país, baixas maiores do que na guerra do Iraque –, mas a visão disforme que carregam não as permite enxergar a realidade. Preferem o discurso protofascista de mais violência – simbólica, econômica, social - para conter o medo e a insegurança. Optam por não ver, nem entender, as verdadeiras causas desse estado de coisas. Numa sociedade em que apenas 10% da população ficam com 75% da riqueza nacional e 1% dos proprietários rurais ficam com quase 50% das terras agriculturáveis o que esperar de paz? Ainda assim, a trancos e barrancos, os programas sociais do Governo Federal têm conseguido transferir 0,5% do PIB para os mais pobres. Enquanto isso, as altas taxas de juros dos bancos garantem a transferência de 6% a 8% do PIB para as classes mais abastadas, um benefício que atinge apenas 20 mil famílias, das quais as referidas pessoas daquela mesa de bar não fazem parte, mas seguramente se postam como guarda pretoriana dos seus privilégios, a ponto de qualquer propósito distributivo lhes incomodar. Este filme já passou antes, quando, em 1933, mentalidades semelhantes às quais me referi se encarregaram de colocar um homem chamado Adolf Hitler no poder.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma justa homenagem para Marighella




Existe um monumento na Avenida Luis Viana Filho, em Salvador, que homenageia o falecido deputado federal Luis Eduardo Magalhães (PFL), filho do também falecido senador Antonio Carlos Magalhães, o ACM (DEM, ex-PFL). Trata-se de uma obra que apenas enaltece o legado de uma dinastia política que dominou a Bahia com unha de ferro durante décadas. A família Magalhães fermentou seu poder como uma espécie de apêndice do Regime Militar em consonância com interesses econômicos e políticos. As regras no Estado foram ditadas de forma violenta e autoritária, em todo seu tecido institucional e para além dele. O carlismo foi uma variável fascista do regime na Bahia. O que este blog está propondo é a erradicação daquele monumento para que no local se erga homenagem a um verdadeiro herói baiano e brasileiro, Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar. Há 40 anos Marighella foi assassinado pelos órgãos de repressão. O militante foi morto na Rua Casa Branca, centro de São Paulo, em 1969, numa emboscada coordenada por agentes da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Ele se dirigia para uma reunião política com frades dominicanos. Lutador incansável pela democracia, filho de uma descendente de escravos haussá e de um operário italiano imigrante, Carlos Marighella enfrentou a ditadura do Estado Novo na década de 30, participou da recosntrução democrática do país após a queda de Vargas e tornou-se deputado federal pelo PCB na Assembléia Nacional Constituinte de 1946. Posteriormente, tendo seu partido caido novamente na ilegalidade durante o governo de Gaspar Dutra (1946-1950), Marighella voltou à vida clandestina. Quando ocorreu o golpe militar, em 1964, o líder comunista se afastou do PCB por questões políticas e fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN). Entendeu necessário recorrer às armas para enfrentar a violenta e bárbara repressão perpetrada pelos militares contra o povo brasileiro, principalmente depois do AI-5, instaurado pelo regime no final do ano de 1968. Com o ato, o pais foi fascistizado radicalmente. Marighella dizia: “Se o povo está sendo agredido, tem direito de se defender com armas”. Fica portanto lançada a campanha de mudança do monumento da Avenida Luis Viana. No seu lugar vamos homenagear Carlos Marighella, um personagem histórico que lutou pelo bem estar do povo brasileiro. Em breve este blog disponibilizará uma lista eletrônica para adesão a esta proposta.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Neguinho do Samba não foi notícia na Globo




Não, Neguinho do Samba não foi apenas um figurante nos clipes de Michael Jackson e Paul Simon. O baiano Antonio Luis Alves de Souza, um dos mestres da MPB e criador da batida do samba-reggae, foi um dos músicos mais criativos e geniais do país e já tem seu nome garantido no roll dos melhores do mundo. Falecido no último dia 31, sábado, Neguinho, completos 54 anos, foi enterrado em Salvador na tarde de terça-feira desta semana numa comovente cerimônia. Mesmo assim, o mestre e educador de centenas de crianças, às quais ajudava a ter um futuro mais digno e cidadão, não foi pauta no Jornal Nacional no dia do seu enterro. A Rede Globo se omitiu em noticiar a cerimônia fúnebre do mestre do Pelourinho no seu jornal de horário mais nobre. O fato expõe um problema da mídia corporativa brasileira: o olhar para o próprio umbigo. Ou seja, as ocorrências do centro-sul do Brasil sempre ganham relevância, por mais inexpressivas que sejam. Os critérios noticiosos que deveriam permear uma emissora que trabalha em rede nacional são jogados às favas. E, penso, o episódio deve ter constrangido até mesmo sua emissora afiliada local, se este foi o caso, já que a mesma “vende” fácil pautas que induzam a um ângulo meramente político a desconstrução simbólica da Bahia. Neguinho do Samba não foi matéria, mas um assalto a uma pousada na ilha de Vera Cruz é. Erro de origem. No Brasil, as chamadas cadeias nacionais de comunicação deveriam mudar o nome para cadeias comerciais de retransmissão de produtos, apenas. Uma relação de colonizador e colonizado, e com uma variável etnocêntrica. Só para lembrar, no dia 03/11 a emissora do Jardim Botânico deu destaque à morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss, aquele que participou da fundação da USP, que taxou a Baía de Guanabara de “boca banguela” e publicou o livro Tristes Trópicos, fruto de pesquisas com nações indígenas do Norte do país. Não desmerecendo a importância e o respeito a Strauss, o interessante é que o valor-notícia da emissora dos Marinhos não se atentou ao fato de que Neguinho do Samba e Lévi-Strauss coordenavam perfeitamente como informação, já que o primeiro faz parte do imaginário e da cultura imaterial que o antropólogo francês tanto escarafunchou neste Brasil. A obra de Neguinho do Samba era um dos itens da própria representação do seu objeto. Quanto é lamentável um Jornalismo movido por um olhar míope, preconceituoso e de profunda ignorância. Que tristes trópicos!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Psicanálise para FHC, já!




Às vésperas do feriado do Dia dos Mortos o cadáver político insepulto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tentou desesperadamente um pequenino lugar à luz das ribaltas. E conseguiu. O demiurgo da intelectualidade tucana publicou artigo rancoroso em alguns jornais da campanha do governador José Serra (PSDB-SP) atacando o governo do presidente Lula. Com um texto que não esconde pontas de mágoa e inveja, o doutor em Sociologia procurou desconstruir ações e conquistas da gestão do operário-presidente. Justificável, comparar os dois períodos é até covardia. Portanto, sobram ressentimentos ante o esquecimento do acadêmico Fernando Henrique que teve seu passado político recente ofuscado ante os avanços inquestionáveis obtidos no governo de um ex-retirante nordestino. Aninhando no colo das elites, FHC utilizou clichês e jargões que muito lembram aqueles disparados pelas forças reacionárias que apearam João Goulart do poder em 1964, a exemplo de “Estado sindicalista”. Diz Fernando Henrique em um dos trechos do seu desabafo de desesperado: “(…) Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro (…)”. O ex-presidente do anonimato também ataca o marco regulatório do Pré-sal e aponta um suposto autoritarismo do presidente, a quem achaca como “populista”. Independente do momento político, no qual FHC tenta criar fatos no enredo “ou vai ou racha”, o problema do sociólogo dos Jardins e adjacências bem que poderia ser resolvido num divã. Levanto uma nova bandeira: psicanálise para FHC, já! Talvez, deitado e bem amparado, o mago do sociologuês trilingue consiga digerir porque o risco Brasil no seu governo era de 2700 pontos e no atual está em torno de 200, com crise e tudo; talvez o intelectual pseudo-progressista consiga entender porque o salário mínimo do seu governo era de 78 dólares e agora é de 210; talvez o príncipe uspiano consiga encarar o fato de que ele não mexeu na dívida externa e o atual governo a zerou; talvez o aliado do DEM reconheça que a indústria naval do país se encontrava sucateada no seu reinado e agora está praticamente reconstruída; talvez o professor FHC aceite o vergonhoso fato de que não abriu nenhuma nova universidade, escola técnica ou projetos de extensão universitária no Brasil durante seus oito anos de império, enquanto que o torneiro-mecânico Lula implantou 10 novas universidades (duas na Bahia), 214 novas escolas técnicas e 45 novas extensões universitárias, sendo três na Bahia; talvez o teórico neoliberal reconheça que quebrou o país deixando-o com o “saldo” negativo do tesouro nacional de 185 bilhões de dólares, ao passo que o saldo atual, e que amortizou o impacto da crise, é de 160 bilhões de dólares positivos; talvez o elitista FHC consiga entender porque a expansão do crédito para o povo saltou de 14% na sua gestão para 34% no governo do operário; talvez o anti-desenvolvimentista FHC consiga entender porque não construiu nenhuma estrada de ferro e Lula está construindo três; talvez o bibelô das elites consiga encarar o fato de ter deixado 90% das rodovias federais sucateadas, enquanto a gestão de Lula já recuperou 70% delas; talvez o aliado fiel do capital financeiro consiga entender porque no seu governo as taxas de juro Selic estavam em 27% e no governo de Luis Inácio se encontram em 8,75%; talvez o nobre FHC consiga assimilar o fato de que tirou apenas 2 milhões de pessoas da linha de pobreza enquanto as políticas sociais de Lula permitiram que cerca de 23 milhões de cidadãos saíssem da miséria absoluta; talvez o amigo do aristocrata jorge Bornhausen consiga digerir o fato de que criou apenas 780 mil empregos, e na gestão de Lula esse número chegou à marca de 11 milhões de novos postos de trabalho; talvez o dito “pai do Plano Real” assimile e caia na real de que não colocou um centavo na infraestrutura do país, e que este governo que ele ataca prevê investimentos de mais de R$ 540 bilhões até 2010; talvez o amigo de Gilmar Mendes reconheça que no seu governo a Polícia Federal efetuou apenas 80 prisões e no de Lula foram mais de 2.750. Talvez FHC tome consciência de que ele não foi, não é e nem nunca será um líder mundial do porte de um operário-presidente, cujo país que dirige deixou de ser um capacho dos interesses dos países ricos para se colocar na posição de mediador de conflitos internacionais e porta-voz das nações emergentes. Talvez FHC compreenda que ele foi esquecido pelo povo brasileiro e apenas lembrado pelas elites.

sábado, 31 de outubro de 2009

A técnica e o político

Herbert Marcuse já alertava contra os argumentos que empulhavam o político em nome da "técnica"


Há alguns dias fui cobrado sobre uma pretensa tensão existente entre os posicionamentos técnico e político. A mim foi lançado o argumento de que estes seriam estanques, decompartilhados, e que percorreriam explicações díspares. Tal qual foi sugerido, a explicação “técnica” se encarregaria de suplantar o aspecto político, mesmo em se tratando de iniciativas do Estado e, via de consequência, do poder público. Compro esse debate. Em que medida uma ação ou determinada política pública que segue uma diretriz de um projeto político pode ser dimensionada como uma ferramenta eminentemente “técnica”? Existe uma economia “técnica”? Ou mesmo uma gestão pública apenas “técnica”? É o mesmo que sugeri uma ciência social neutra, ou algo equivalente. Isso não existe. A armadilha funcionalista já tentou alçapar os movimentos da sociedade nas suas explicações, incluindo ai a política e a economia. Um grande engano que se embrenhou em teses decaidas e fagocitadas pelas dinâmicas sociais. Desafio apontar um só momento e movimento na história social, política e econômica onde a “técnica” emergiu como algo dissociado de um sentido ideológico. Ainda nos anos 30 o filósofo alemão Herbert Marcuse alertava quanto a esta questão. Os processos de transformação e mudança na sociedade, incluindo muitas vezes o Estado como motor sistêmico para tal, não se originam de “tecnologias gerenciais” e sim de respostas às demandas socias. Karl Marx aponta que as idéias não existem para explicar a realidade; ao contrário, é a própria realidade que explica a existência das idéias, já que estas servem de justificativa àqueles que estabelecem seus mecanismos de controle sobre as complexas relações de poder no âmbito do Estado e da sociedade. A técnica é, portanto, uma reposta a uma proposição política, uma vez que não há como desvencilhar uma da outra no contexto da gestão pública. Tarefa impossível. Lanço aí o debate àqueles que desejem o contraponto. Estou à disposição.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A boa palavra de Sócrates Santana

Vá à Porta do Inferno

Sócrates Santana*

A exposição de Auguste Rodin na Bahia traz a tona um campo de disputas, de conflitos, de descontinuidades, de multiplicidade de discursos sobre a política e as artes visuais maiores que as frases anatômicas contidas nas esculturas do artista francês. Uma disputa que não está restrita aos méritos de quem preparou o terreno para a vinda inédita de 62 peças a capital baiana, mas, as denúncias de um relatório composto por 200 páginas sobre a Bahiatursa e obscuras relações entre os governos carlistas, agências de publicidade e organizações não-governamentais formadas por servidores públicos.
Não é difícil ouvir nas rádios e na internet, gracejos de parlamentares e lideranças partidárias sobre a co-autoria desta exposição, assim como, o reforço de comunicadores “sem memória” desta tese. Ocorre que os conflitos se dão no campo simbólico, mas, pautado por uma clara tática de jogar para debaixo do tapete um passado nefasto em torno de uma agenda positiva construída pela atual gestão estadual. As atuais secretarias de cultura e turismo, claramente, não tocam no assunto por receio deste enredo sujo resvalar uma gota de sua imundice no cenário do agora. No retrovisor do governador Jaques Wagner tem um bocado de carroças tentando pegar carona nos avanços da política cultural deste governo.
Talvez, se a estátua “O Pensador” de Rodin, pudesse e soubesse o teor do conteúdo do relatório do Tribunal de Contas do Estado, entre 2003 e abril de 2005, que apontava movimentações de R$ 101 milhões por meio de uma conta bancária não registrada no sistema de controle do erário baiano, certamente, iria tirar a mão do queixo e sair correndo, como outra obra do artista, “Homem que anda”. Leia mais: http://www.emilianojose.com.br/cartacapital_366.htm
Como os franceses estão no meio desta roda baiana, um alerta do filósofo Michel Foucault responde bem a um comentário despolitizado de um antropólogo meia boca que fala aos sete cantos de Salvador por meio de uma rádio local. Foucault vem bem a calhar. "É preciso admitir um jogo complexo e instável em que o discurso pode ser, ao mesmo tempo, instrumento e efeito de poder, e também obstáculo, escora, ponto de resistência e ponto de partida de uma estratégia oposta. O discurso veicula e produz poder, reforça-o mas também o mina, expõe, debilita e permite barrá-lo". Ou seja: não há um mundo dividido entre dois discursos, admitido ou excluído, dominante ou dominado. O que existe é um oportunismo deslavado de quadrilhas que se instalaram na Bahia por décadas.
Mas, é cabal apontar o quanto fez mal aos baianos e a imagem da Bahia as maracutaias orquestradas pelos caciques de outrora. Dos R$ 101 milhões, R$ 48,1 milhões foram depositados nas contas de uma agência de publicidade, muita ligada a um famigerado clã baiano. O duto percorria um trajeto nebuloso, que incluía governo e ONG pouco ortodoxa. Apesar da atual gestão não possuir qualquer vinculo com as operações anteriores, qualquer pessoa sensata deduziria que se a lama do passado viesse à cena neste cenário belíssimo proporcionado pelo esforço do governo Wagner, o lodo deles poderia encobrir a brilhante obra de Auguste Rodin em exposição na Bahia. Por fim, fica uma sugestão aos maledicentes línguas do carlismo. Calem as bocas e vão bater na “Porta do Inferno”.

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Sócrates Santana
jornalista

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Movimento Pela Vergonha na Cara dá um pau em William Waack

Carta Aberta a William Waack:

Não utilizamos aqui qualquer pronome ou outro tratamento à sua pessoa, por você mesmo se desqualificar através de seus conhecidos e ingentes esforços como traidor da pátria.
Nós, do MVC - Movimento pela Vergonha na Cara, tivemos o desprazer de acompanhar hoje, 16/10/09, sua declaração ao programa Entre Aspas da Globo News de que a reserva petrolífera do Pré Sal não terá relevância alguma ao futuro do país, em razão do desenvolvimento de energias alternativas.
Fosse você um completo desinformado, incapaz de deduzir as milhares de aplicações dos derivados do petróleo, poderíamos compreender a ignorância contida nessa afirmação e procurar esclarecê-lo, fornecendo-lhe informações elementares a respeito do assunto. Mas é evidente que a bobagem proferida não reflete ignorância ou imbecilidade. Muito pior, reflete mórbida falta de caráter que se faz persistente, denotando-lhe como um dos mais esforçados porta-vozes da UGP - União dos Gigolôs da Pátria.
Sabemos que você não é um idiota de graça. Sabemos que ganha para desinformar o povo brasileiro em benefício do maior crime lesa-pátria já intentado em nossa história com a não consumada privatização da Petrobras, quando já se evidenciavam os indícios de uma das maiores bacias terrestres da matéria prima. Sabemos que, como cúmplice daqueles gigolôs, você é um dos que sobrevive através de mentiras desenvolvidas para enganar ao povo brasileiro e incentivar a prostituição do país aos interesses internacionais.
Esta carta para desmascarar suas intenções será distribuída pela internet através da rede de correspondentes que integra o Movimento pela Vergonha na Cara e, certos de que chegará até você através daqueles a quem tenta enganar, esclarecemos que nosso objetivo é erradicar o malefício que você, seus colegas, seus patrões, e os políticos a que vocês apóiam e promovem, representam para o Brasil e o povo brasileiro.
Esteja certo de que voltaremos a apontar suas farsas a cada vez que você usar de espaços públicos de comunicação, sejam concedidos ou assinados, para mentir aos brasileiros se passando por idiota, imbecil ou ignorante.
Sempre que para desqualificar os esforços do maior patrimônio empresarial do povo brasileiro, a Petrobras, você se mentir como incapaz de imaginar que mesmo depois de que todos os biocombustíveis e fontes alternativas de energia substituírem a gasolina ou o diesel, a ampla diversidade de empregos e aplicações do petróleo continuará tornando a exploração do Pré Sal um dos mais significativos empreendimentos mundiais; desmascararemos abertamente sua farsa.
Destacaremos que você mesmo entrevistou, com abjeta subserviência, um general do Departamento de Defesa dos Estados Unidos especialmente enviado ao Brasil para negociar a participação daquele país na exploração do Pré Sal, como você mesmo anunciou em notável demonstração da canalhice contida em sua personalidade que com tamanha empáfia, hoje, declara nossa reserva do Pré Sal como inócua.
Se faz de imbecil, mas tem plena ciência de que se o Pré Sal fosse tão insignificante quanto afirmou para sua colega (em caráter inclusive) Monica Waldvogel no "Entre Aspas", aquele seu entrevistado não seria enviado pelo governo norte-americano ao Brasil e nem teria se servido, há poucas semanas atrás, de seu servilismo no lamentável noticiário que você apresenta.
Não nos interessa quem lhe paga para ser capacho dos interesses externos e prepotentemente contrário aos interesses do futuro do povo brasileiro, mas nos esforçaremos para tornar pública sua função de gigolô da pátria, alertando a todos que queiram recuperar a dignidade e a vergonha na cara, até que um dia possamos erradicar os farsantes que como você trabalham para corromper o futuro de nossos filhos e do nosso país.
Por enquanto, continuaremos colhendo informações sobre sua longa experiência como sabujo dos interesses do capital estrangeiro, a serem usadas sempre que tornar a expor suas mentiras e enganações de gigolô.

MVC - MOVIMENTO PELA VERGONHA NA CARA

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Colonisso" de vento em polpa

A edição deste domingo de um certo jornal soteropolitano traz seu renomado colonisso novamente papagaiando uma colunista do PSDB. O raciocínio dos textos é quase univitelino.

domingo, 25 de outubro de 2009

O Clad e a política na América latina




Nesta terça-feira (27) será aberto em Salvador o XIV Congresso Internacional do Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento (CLAD). O tema do evento, que contará com representações técnicas e autoridades de 22 países, será a Reforma do Estado e a Administração Pública. O CLAD ocorre num momento especial da América Latina, quando a agenda política da região é marcada pela disputa da hegemonia entre as forças que se identificam com o passado, explicitamente neoliberal, e com o presente, pós-neoliberal. Os rompimentos com o antigo modelo vão ganhando contornos mais amplos, mediante o fortalecimento do papel dos estados nacionais e o crescimento dos movimentos sociais. Brasil, Argentina, Venezuela, Cuba, Equador, El Salvador, Nicarágua, Bolívia, Paraguai e, tudo indica, o Uruguai – as eleições ocorrem neste domingo e existe a possibilidade do candidato José Mojica, da Frente Ampla, ser eleito presidente - são países nos quais essa disputa se coloca de forma mais enfática. Não sem razão que o linguista e intelectual dissidente norte-americano Naom Chomsky declarou recentemente que "América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo". O continente soergue-se. O ciclo neoliberal que está sendo superado vitimou os estados com violentas crises de dívidas que culminaram com empréstimos e cartas de intenções ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Os estados foram esfacelados e enfraquecidos, debelando as políticas sociais sob a batuta hegemônica do capital financeiro, o que resultou em forte retração do desenvolvimento econômico. Os chamados ajustes fiscais e os “choques de gestão” amputaram a capacidade de articulação do setor público. Tais medidas comprometeram desde a prestação dos serviços à sociedade – saúde e educação em destaque - a atuação dos governos como fomentadores da economia. A América Latina ficou refém dos experimentos neoliberais e, no Brasil, o governo de Fernando Henrique Cardoso levou o país a duas vigorosas crises econômicas, terminando por quebrar o Brasil. Mas as mudanças registradas a partir do final dos anos 90, tendo início na Venezuela e posteriormente se espalhando como rastilho de pólvora pela maioria dos países do continente, impuseram uma inflexão nesse itinerário. No CLAD, várias destas experiências que se processam no continente serão apresentadas. No entendimento do cientista político Emir Sader, o que unifica a gestão pública da maior parte dos governos latinoamericanos “é a reunião de dois aspectos comuns: a opção pelos processos de integração regional ao invés dos Tratados de Livre Comércio e a prioridade das políticas sociais”. Ainda de acordo com Sader, “são os dois pontos de maior fragilidade dos governos neoliberais, cuja lógica de abertura das economias privilegiou o livre comércio e os Tratados de Livre Comércio com os Estados Unidos”. Com a prioridade nos ajustes fiscais e na estabilidade monetária, as políticas sociais foram relegadas à milésima posição. Neste novo panorama político-econômico as políticas sociais ganham maior dimensão, ainda que longo caminho deva ser trilhado para atender as crescentes e urgentes demandas das sociedades nesses países. No caso do Governo do Brasil, o conceito de qualificação do gasto, por exemplo, tem assumido a agenda da gestão pública num antinômio direto ao antigo receituário de cortes sistemáticos do gasto público, que entende o Estado apenas como articulador dos interesses privados; opta-se pelo setor público a serviço do desenvolvimento econômico sustentável e perpetrador da distribuição de renda. E neste embate este segundo caminho vai ocupando mais espaços na América Latina. Que assim seja.

A poesia de Nilson Galvão





Stanley Kubrick

Toda a vida vai passar na tua frente
como um filme de Stanley Kubrick.
A infância, o que tramou
a juventude, o que tramou
e o sonho de amadurecer
e envelhecer tentando não se render.

Toda vida poderia ser um filme de
Stanley Kubrick: quem é que vai te segurar
quando for grande o medo
de flutuar?

E se a vida de repente for um filme de
Stanley Kubrick? E tudo aquilo que sentimos
não for nada do que sentimos, na verdade estiver
longe daqui?

Nilson Pedro Galvão

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O "fato" e o fato

Há cerca de uma semana a TV Globo e outros meios de comunicação do pais enveredaram, mais uma vez, pela estratégia do escândalo político. Nesta última, o alvo voltou a ser o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O elemento motivador do episódio foi a destruição de pés de laranja na fazenda Cutrale, agroindústria situada no município de Laras (SP) que, segundo o MST, ocupa área pública grilada do Estado. No entanto, o movimento nega que tenha assumido qualquer iniciativa para a destruição dos laranjais, ainda que assuma a ocupação da propriedade durante um período. Manifestando-se publicamente, o MST argumenta que “(...) as famílias acampadas recorreram à ação de ocupação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras (…)”. Talvez o que os milhões de telespectadores do Jornal Nacional não saibam é que a matéria veiculada pela emissora dos Marinhos apenas deu voz a um lado do problema, como já é de costume na maior televisão do país. O fato é que as cenas que apresentam um trator passando por cima dos pés de laranja ocorreram sem o conhecimento das famílias que se encontravam no ato político de ocupação da Cutrale. Para o MST, a ação foi perpetrada por elementos infiltrados que atuaram para desmoralizar e criminalizar o movimento. Ainda segundo o comunicado do MST, “(…) não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado”, afirma a nota. Na verdade, o que não é noticiável na maior parte dos meios de comunicação brasileiros é que o Brasil é o país onde mais se concentra terras no mundo. O resultado do Censo de 2006 é inconteste. Divulgado na semana passada, o documento revela que menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras. Trata-se de uma situação que leva violência ao campo. Nos últimos anos foram assassinados mais de 1,6 mil trabalhadores rurais, e apenas 80 dos assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no Massacre de Eldorado de Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996. A ofensiva midática ao MST, como de resto a todos os movimentos sociais, revela a postura preconceituosa e arrogante das elites deste país. E entre elas ainda ecoa o sentimento de casa grande que sempre acompanhou seus atos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Não passará!

Se sou convocado à luta, a luta que me espere, pois de meu filho jamais abrirei mão. Jamais!

domingo, 4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa - Gracias a La Vida

O mundo perdeu hoje a cantora argentina Mercedes Sosa. La Negra, como era conhecida, se tornou uma das ativistas políticas mais expressivas dos anos 70, quando denunciou a situação de opressão não só do seu país como de toda a América Latina. Ouçam sua bela voz nessa passagem.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As máscaras vão caindo



E as máscaras vão caindo. Aos poucos, a cobertura do golpe de estado em Honduras por parte dos jornalões, revistas semanais e redes comerciais de TV vai assumindo sua postura pró-quartelada. Talvez, saudades de 1954, 1961 e 1964. A Rede Globo, por exemplo, fez até a peripécia de entrevistar na semana passada um cientista político argentino para legitimar sua posição favorável à inconstitucionalidade em Honduras, ou seja, de apoio explícito ao golpe; já a revista Veja, não escondendo sua inclinação de extrema-direita, dedicou a capa da edição dessa semana para atacar a política externa do Itamarati. A exceção ficou por conta, apenas, da Carta Capital, que assumiu postura equilibrada frente ao fato, ou melhor, a única que se predispôs a fazer jornalismo. Enquanto isso, o processo hondurenho vai se deslocando para o fascismo. O governo de Roberto Micheletti editou uma espécie de AI-5 no seu país, fechou emissoras de televisão, proibiu reunião pública e restituiu o toque de recolher. Honduras está sob uma ditadura civil-militar. Nesse enredo, até o velho oligarca José Sarney, que durante meses serviu de saco de pancada dos seus antigos aliados, foi ressuscitado pelos algozes para se posicionar contra a decisão do Planalto de dar abrigo político ao presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya. “A sede diplomática não pode ser usada para a abordagem de assuntos internos de outro país”, disparou o bigode maranhense, para depois concluir: “Zelaya e seus seguidores transformaram a embaixada em um comitê político". As luvas finalmente encaixam-se nos dedos. Na Bahia, isso mesmo, os “colunistas”, ou colonissos locais, embarcaram em bloco no discurso de que “o governo do Brasil está fazendo o jogo de Chávez”; outros insistem “na trapalhada do Itamarati”. Quanta pobreza de argumento! O golpe no país centro-americano está sendo repudiado pela ONU e pela OEA e o governo de Micheletti não é reconhecido por nenhum país do mundo! No entanto, ganha o reconhecimento da mídia demotucana e seus representantes no Congresso Nacional. A sanha criptofascista da UDN ainda se faz presente, passados mais de cinquenta anos. E dela emana um fantasma que liquidifica suas insatisfações numa série de discursos que concatena novelos por vezes imperceptíveis. Fios que unem o ódio ao Programa Bolsa Família, à ação dos movimentos sociais ou ao apoio à restauração democrática em Honduras. Para essa gente, o que ocorre em Honduras tem como único responsável o próprio Zelaya. Imagina, como um presidente “ousa” ouvir a população do seu país para saber se esta deseja mudanças na Constituição? Enfim, a entourage midiática demotucana – e golpista, claro - sempre terá suas bruxas para queimar em praça pública. E assim sempre foi.

"Colonisso", o colunismo político na província



Na Bahia, particularmente na imprensa soteropolitana, está se construindo um novo conceito de colunismo político. O nome é colonisso. Sim, são aqueles que se encantam com as leituras dos colunistas dos jornais e revistas do centro-sul e fazem uma espécie de “releitura” na praça local. Por vezes, até copiam os argumentos, posicionamentos e raciocínios das estrelas que frequentam as páginas dos Frias, Mesquitas, Civitas e Marinhos, entre outros. Quase na íntegra. Colam nessas estrelas como bons colonizados; portanto, colonisso, colonizado que cola no colonizador.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ausência de critérios e desconhecimento

Números errados. Confusão entre execução orçamentária e execução financeira. Ausência de critérios para entender o Sistema de Informações Contábeis e Financeiras da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sicof). Enfim, desconhecimento de pormenores da administração pública. Matéria veiculada hoje por um órgão de imprensa soteropolitano (29/10) precisa ser revista.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Meus sinceros agradecimentos à turma de Jornalismo da Unijorge que cola grau em março de 2010

Há quase dois anos enfrentei um dos momentos mais traumáticos da minha vida profissional. Fizera uma escolha. Entre não abrir mão de princípios ou coadunar com valores que não acredito, optei pelo caminho das minhas convicções. Não aceitara declinar ante um rolo compressor cujo alvo eram pessoas com as quais tinha o compromisso ético de transmitir conhecimentos, meus alunos e alunas. E assim o fiz. Paguei o preço do desligamento de uma casa na qual cultivei amigos e amigas e colaborei com o desenvolvimento acadêmico. Deixara para trás cinco longos anos de dedicação e colaboração. Mas não foi em vão. Nos dias subsequentes à minha saída, senti o calor da solidariedade. Aqueles com quem militei academicamente se revelaram mais que alunos, mas portadores de iniciativas que valiam muito, muito mais do que pilhas de artigos escritos e textos consumidos. Meus alunos e alunas estavam exercendo o papel de cidadãos. Questionarem e protestarem não só quanto ao meu desligamento, mas, sobretudo, quanto às demais demissões que alvejaram outros tantos colegas e também seus professores, pessoas dignas e vitimadas por um autoritarismo mercantil transvestido de educação. E que deixe claro, bem claro: aqui não estou me jubilando ante o fato, porque não orquestrei ninguém a nada. O que ocorreu foi um processo de pedagogia política de pura iniciativa cidadã, tão rara às pasteurizadas comunidades universitárias dos dias de hoje. Vocês foram exemplo de atitude. O tempo passou e a vida seguiu seu curso, mas fiquei devendo a dádiva do ato. Não por mim, mas pelo conjunto da obra. Ou seja, aqueles alunos e alunas tinham me demonstrado mais do que uma prova de apoio, mas sobretudo uma lição de vida. Meus queridos ex-alunos e ex-alunas do curso de Jornalismo da Unijorge que colarão grau no mês de março de 2010: fico honrado por ter sido escolhido patrono da turma de vocês. Quero agradecer a todos por tão bela homenagem que nem mesmo sei se da mesma sou merecedor. E digo isso porque as tensões inerentes ao labor acadêmico nem sempre são compreendidas como traços do ensino/aprendizado. E nem devem ser mesmo. Tem razão Michel Foucault quando afirma que a Escola é uma herança histórica - e maldita - de duas instituições: o hospício e a penitenciária. Por vezes, tenho consciência, assumi o papel de “ordenador” das coisas, cobrando-lhes posturas, compromissos, atenções direcionadas, palavras e situações que mais do que conteúdos se assemelhavam a ditames vazios. Mas, tomando emprestado o pensamento de um grande cidadão do mundo, "hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás". É por isso que mais do que as salas de aula, as saudades, as muitas saudades que sinto de vocês, repousam nas lembranças dos corredores, do riso fácil, das brincadeiras, dos momentos de descontração, momentos nos quais nos desnudamos dos papéis de professor e aluno e somos nós mesmos, seres humanos que dividem, também, alegrias, tristezas, fraquezas, anseios. E, retomando os episódios de dezembro-março de 2007-2008, foi neles que selamos nossas cumplicidades, não apenas de professor-aluno(a), mas de amigos. Colegas, será um prazer reencontrá-los, desta vez num momento de alegria. Março se aproxima. Vamos festejar. Mais uma vez, de coração, meu muito obrigado pelo reconhecimento. Um beijo no coração de todos vocês e até lá.

Zeca

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Rock e Revolução



Mais de 500 mil cubanos se reuniram neste domingo (20) na Praça da Revolução em Havana para assistir ao "Show pela Paz" do cantor colombiano Juanes, que provocou a ira dos anticastristas exilados nos Estados Unidos.
Fonte: Blog do Noblat

domingo, 20 de setembro de 2009

O DEM e o PSDB têm medo da Internet?



Dentre os itens contemplados nas discussões da mini-reforma política debatida no Congresso Nacional, o mais polêmico recai no uso da Internet na campanha eleitoral de 2010. De um lado, boa parte das oposições – sob a batuta dos senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - querendo censurar, fiscalizar e tutelar o uso político da rede mundial; do outro, os partidos de esquerda e aqueles alinhados ao Governo que desejam o uso livre da Internet. Explica-se a preocupação dos primeiros. A sociedade mundial passa por um processo de transformação no qual a mídia tem tido papel fundamental, e com um adendo: cada vez mais os meios de comunicação corporativos perdem espaços para as mídias alternativas, entre elas as redes sociais e a blogosfera. O efeito denominado de “pedra no lago”, ou seja, a possibilidade de formação de ondas de opinião pública a partir de poucos centros irradiadores – grandes redes de TV, revistas semanais e jornais tradicionais – esvai-se ante o crescimento dessas novas ferramentas de comunicação. A unidirecionalidade dos fluxos de discursos dá lugar à multidirecionalidade. Os processos da democracia participativa vão se tornando mais intensos. Saber o que se passa em Honduras ou em Xique-Xique na Bahia é apenas uma opção de tecla. Do ponto de vista social, o uso da Internet tem arrebatado contingentes cada vez maiores em segmentos de renda da população constelados na chamada classe média emergente, ou classe C. No final do ano de 2008, segundo dados da TGI Brasil Consultoria em Gestão, a participação desses grupos na Internet atingiu o percentual de 39%. A expectativa é de que até dezembro próximo chegue a 45%, o que equivale a cerca de 68,5 milhões de pessoas. Trata-se de uma incorporação, em quatro meses, de 6,2 milhões de pessoas com idade acima de 16 anos. Detalhe: no Brasil, de acordo com dados do Ibope Nielsen Online, o tempo médio de permanência na rede atinge a marca de 30 horas por mês. Estes números refletem o estímulo à aquisição de equipamentos por parte do Governo Federal. No ano passado foram vendidos 12 milhões de computadores e no primeiro semestre deste ano mais 4,8 milhões de aparelhos. Já no que diz respeito aos links de acesso, a banda larga deu um salto de 45,9% em 2008 em relação a 2007. A mídia não é mais a mesma. E esta é uma realidade perigosa para muitos interesses politicos que sempre balizaram suas atuações sustentados nos discursos das mídias hegemônicas, unidirecionais. Se, por exemplo, um determinado veiculo de jornalismo enquadra a informação de uma fonte conforme seus interesses politicos e econômicos, pode, literalmente, dar com os burros n’água. O exemplo atual do blog da Petrobrás é emblemático. As fontes agora podem dispor de ferramentas de comunicação e lançar mão de textos, fotos e vídeos, ocupando espaços cujo limite é o planeta. Além do que, as comunidades e redes sociais têm sido fatores de constructos da democracia e governança digitais. E é por esse terreno caudaloso que a política tradicional não desejaria trilhar. Perde-se também importância o velho caciquismo do colunismo político, que tem se transformado em verdadeiras múmias vivas nas páginas dos jornalões e nas TV’s. Pensam ser formadores hegemônicos de opinião, mas não são mais. Se Antonio Gramsci vivo estivesse adoraria analisar esse novo laboratório, uma resposta dialética da história nas superestruturas das sociedades. Por isso o desejo de controle da rede, uma vez que estas novas formas de sociabilidade podem por em xeque velhas manobras e engenharias midiáticas que até então jogavam solto. A midiopolítica é um front de luta onde as regras estão deixando de ser ditadas pelos que se entendiam donos do ring. Agora é a vez da platéia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Carlista Paulo Souto ganha troféu Peroba

Ao lado, Paulo Souto, à direita, saudando seu menestrel ACM

O troféu Peroba dessa semana vai para o carlista Paulo Souto. Depois de impor um violento arrocho salarial no funcionalismo baiano, o afilhado político de ACM e candidato do DEM (ex-PFL) ao Governo da Bahia agora ataca de bom samaritano. Ele exige nomeações para servidores que se submeteram a concursos realizados durante sua gestão. Detalhe: os certames estavam com diversas irregularidades e nem ele mesmo assinou as nomeações. Assim é fácil fazer proselitismo político.

Critérios seletivos

Quais os critérios de noticiabilidade que têm movido os grandes órgãos de imprensa do país? A Folha de São Paulo publica artigo comentando a questão da segurança pública na Bahia, politizando o fato, claro. Todavia, fez a leitura dos incidentes na favela de Heliópolis, em São Paulo, sob a ótica meramente policial. Quanto à crise no Rio Grande do Sul, que envolve a governadora Yeda Crusius (PSDB) em escândalos dantescos de corrupção, a ponto da Assembléia Legislativa local acatar o processo de impeachment, a cobertura do fato é homeopática, clean, quase imperceptível. Nunca se viu tanto engajamento da imprensa corporativa tupiniquim.

O "flagra"

O site soteropolitano Bahia Notícias publicou nota assinada pelo repórter Daniel Pinto informando que “ (...) Circula pela internet um registro (ao que tudo indica) dos bastidores da campanha de 2002 (...) “. Na nota, o repórter aposta num “furo” ao se referir a um “filme” exibido na Internet que apresenta diálogo envolvendo o coordenador da campanha de Lula à época, José Dirceu, o marqueteiro Duda Mendonça e o assessor de assuntos econômicos Guido Mantega, hoje ministro da Fazenda. O repórter finaliza o texto com a seguinte assertiva: “o flagra veio parar no Bahia Notícias”. O que o repórter não sabe é que seu “flagra” beira o risível. O filme realmente existe e não é nenhum registro secreto que alguém deixou escapar. Trata-se de um pequeno trecho do documentário Entreatos, de João Moreira Sales, que já foi exibido nos cinemas e se encontra disponível para locação em diversas locadoras de vídeos. Interessante esse “furo”.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Raio X na Operação Jaleco Branco

Apuração, precisão, equilíbrio e isenção. Matéria veiculada neste domingo (13) no jornal A Tarde, que trata da Operação Jaleco Branco, se constitui no mais bem elaborado acervo documental acerca daquela operação da Polícia Federal, que no ano passado desmontou uma quadrilha que lesava os cofres públicos do Estado da Bahia. De autoria da jornalista Ludmila Duarte, da sucursal de Brasília, a matéria faz uma radiografia completa que supera os vícios do achismo, do fulanismo e do factóide, atendo-se a fontes e documentos precisos. Jornalismo de qualidade, por vezes tão raro de se encontrar no país.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi calorosamente festejado no Festival de Cinema de Veneza, onde assistiu a apresentação de estreia do documentário "South of the Border", do diretor norte-americano Oliver Stone. O filme é uma incursão pelos países latino-americanos governados por projetos politicos de esquerda, em especial, a Venezuela. Segundo Stone, a motivação do seu trabalho não foi baseada apenas nos "ataques ridículos da imprensa (americana) contra Chávez", mas porque "Chávez é um grande fenômeno, protagonista de mudanças positivas em seu país". Certamente que esse episódio também deve estar incomodando a mídia tupiniquim que tanto mente e deturpa acerca dos governos progressistas na América do Sul. Veja o trailer.

Oliver Stone's South of the Border - Official Trailer

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Gol de placa na oposição



Um discurso enfático, um recado duro àqueles que querem colocar os interesses nacionais, os interesses da maioria da população, à mercê das lógicas de mercado. O texto lido pelo presidente Lula durante o ato de envio ao Congresso Nacional do projeto-de-lei que cria o marco regulatório para a exploração da camada pré-sal selou ideologicamente a questão. São gigantescas jazidas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura. Foi o suficiente para a entourage demotucana-midiático-oposicionista entrar em alarido. Os meios de comunicação pertencentes à midiocracia local logo trataram de arregimentar seus “especialistas” e “comentaristas” para buscar construir consensos e formar opiniões contrárias ao projeto. O diapasão comum entre eles é que o “mercado ficou assustado” com a proposta do Governo. Saudosismo da era FHC, quando foi quebrado o monopólio de exploração do petróleo e por pouco a Petrobrás não é vendida - já com o nome de Petrobrax – para investidores estrangeiros. A questão envolvendo a exploração do pré-sal acirra a disputa ideológica para 2010. E nesse embate as oposições morderam a isca. As discussões que se arrastarão no Congresso Nacional combinarão o tema com a agenda política da sucessão. Ficará mais difícil para os lobbys parlamentares dos interesses estrangeiros se articularem devido a agenda da corrida presidencial. Restará o mecanismo dos meios de comunicação para tentar nublar as discussões e confundir a população. Mas quando se trata do tema petróleo, já existe uma larga tradição no país de defesa dessa riqueza e o economês mesclado com argumentos politicos rarefeitos não logrará êxito, certamente. Por outro lado, o pré-sal pode ganhar caráter plebiscitário com forte poder de influenciar o jogo sucessório de 2010. Gol de placa! O Governo Federal soube encaminhar o projeto-de-lei no momento certo para desestabilizar a oposição.

domingo, 30 de agosto de 2009

VALSA COM BASHIR (Waltz with Bashir) - Trailer Legendado

Vinte e seis cães o perseguem em sonho. É o numero de cachorros abatidos por Boaz, que aos 19 anos serviu no Exército de Israel na sangrenta Guerra do Líbano, em 1982. Os animais eram mortos para que não chamassem atenção durante as incursões nos vilarejos libaneses. As tropas israelenses caçavam ativistas palestinos e os latidos poderiam precipitá-los. Um tiro certeiro atinge a cabeça de um pobre animal, que tomba em segundos. A cena é triste e da a dimensão desumana daquele conflito que vitimou milhares de crianças, mulheres e velhos indefesos. Valsa com Bashir é um documentário que impressiona. Com linguagem em animação, o filme do diretor israelense Ari Folman é uma contudente denúncia contra um conflito sangrento, que culminou com o massacre nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, onde viviam milhares de palestinos. No personagem do ex-soldado Boaz, a guerra é revivida como uma espécie de catarse e os demônios advindo das suas agruras são exorcizados por ele e outros ex-combatentes. São lembranças de dor e sofrimento mescladas com passagens nas ruas de Beirute e vilarejos do Líbano. É o dedo apontado à criminosa aliança entre o Estado de Israel e as falanges cristãs libanesas, de extrema direita, responsáveis por um dos maiores crimes contra humanidade no século XX. A denúncia também recai sobre a atitude cínica e suja dos comandos militares israelenses no sul do Líbano, que deram apoio logístico à ação genocida dos fascistas libaneses. Trata-se de um contundente documentário, brilhante. Veja o trailler.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Palavras vazias....

Vazia, superficial e sem nenhum entendimento do processo histórico do Brasil. A “análise” postada num site de notícias soteropolitano sobre o Partido dos Trabalhadores é risível. Falta conteúdo, sobra proselitismo político com pinta de propaganda. Não, senhor colunista, o Partido dos Trabalhadores não é uma agremiação “desfigurada”. Sim, senhor colunista, realmente, o PT pode ter sido fruto de um sonho de “românticos esquerdistas”. Um romance advindo da dura realidade das lutas travadas nos últimos 30 anos por sindicalistas, movimentos sociais, intelectuais, estudantes e outros segmentos. Talvez o senhor não perceba, ou mesmo não tenha olhos para perceber, mas o Brasil está mudando e o PT é parte integrante e essencial deste novo momento. As transformações estruturais na sociedade não se explicam no entendimento de factóides envolvendo políticos A, B ou C que preenchem as chamadas da TV e as manchetes dos jornalões. Fulanizar o debate é o argumento lâmina-d´água das opiniões publicadas daqueles que almejam o status de formadores da opinião pública. O que não são. Melhor seria deixar o varejo e enxergar a história em curso. Na tensão hegemônica e contra-hegemônica que envolve os diversos segmentos da disputa política na esfera pública, o PT tem sabido conduzir suas estratégias, com recuos e avanços, para que o país seja mais democrático, em todos os sentidos. Nunca se ampliou tanto a participação popular nas tomadas de decisão. O Estado, por sua vez, é agente determinante no combate às desigualdades sociais e regionais; o Brasil tem superado uma aguda crise econômica internacional de forma inclusiva, elevando a qualidade de vida das camadas mais pobres da população. Só é observar e saber ler os indicadores econômicos e sociais. Trata-se de conduta, diga-se, dissociada da sanha entreguista e privatista que não respeitava o patrimônio público. Tempos de triste memória. No plano internacional, o país tornou-se respeitado e ouvido, deixando de ser subserviente aos interesses das potências hegemônicas. A popularidade do presidente Lula não é um fenômeno dissociado desse contexto, senhor colunista. Tentar enquadrar de outra maneira é revirar Max Weber no túmulo. Felizmente, nobre escriba, a opinião da maior parte da população é bem diferente da sua perspectiva de mundo, do que seu mundo ideológico almeja. Ninguém desfibra com parcas palavras e rarefeitos argumentos o maior e mais popular partido político da história do Brasil.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Lina Vieira e o desespero da oposição

Quase dez vastos minutos foram varridos ontem à noite por um patético depoimento da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, na TV Globo. Hoje (19), os dois maiores jornalões da midiocracia paulista, A Folha e o Estadão, se apresentaram praticamente siameses na capa, com discursos e imagens quase idênticos. Em depoimento no Senado que durou cinco horas, afim de satisfazer a sede de factóides da oposição – partidária e midiática -, Lina Vieira sustentou um “fato” do qual não se lembrava da data e da hora que ocorreu: uma suposta reunião com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, onde esta teria pedido para ela agilizar investigação do fisco sobre a família de José Sarney. No depoimento, Lina construiu minúcias dignas das mais rocombolescas narrativas mexicanas. Quase um logral ensaiado. Para os Frias, Marinhos, Civitas, Mesquitas, entre outros representantes do Partido da Imprensa Golpista (PIG), o objetivo é a desconstrução pública da imagem de Dilma, candidata apoiada por Lula à Presidência da República. Por traz da cena circense-midiática-demotucana, existe uma conjunção de fatores que tem assustado a entourage oposicionista. A superação da crise econômica é fato. O país, em tempo célere, retoma o crescimento com as medidas eficazes tomadas pelo Governo; o Brasil avança em todos os sentidos para um crescimento sustentado e com distribuição de renda; a campanha de José Serra não deslancha, ao contrário, tem perdido pontos desde o início do ano. Desespero, então. Portanto, Lina Vieira é uma espécie de tábua de salvação da aliança demotucana para 2010.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Operação pandemia (Legendado)

Um razoável argumento acerca do pânico causado pela Gripe A; por detrás, a indústria farmacêutica internacional

domingo, 2 de agosto de 2009

O que leva a midiocracia a querer fechar a TV Brasil?



O jornal Folha de São Paulo, uma das maiores representações da mídia oligárquica do país, exigiu, por intermédio de editorial publicado neste sábado, o fim da TV Brasil. É um acinte! Os argumentos da família Frias sustentam-se na presumível baixa audiência da emissora e no “gasto” do dinheiro público para a manutenção do projeto.
Aos fatos. A TV Brasil foi criada em 2007 e integra a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que tem orçamento de R$ 350 milhões por ano e abarca nove rádios e duas outras emissoras. É uma iniciativa do Governo Federal que busca consolidar uma grande rede pública de teleradiodifusão no país. Um contraponto necessário ao monopólio exercido por grupos privados no controle da mídia.
No Brasil, oito famílias dominam mais de 80% dos meios de comunicação social. Trata-se de verdadeira ditadura midiática, que se caracteriza pelo domínio cruzado – quando uma mesma empresa atua em segmentos de impressos, televisão (aberta e paga), rádio, internet e produção e distribuição de audiovisuais. São arquiteturas empresariais responsáveis pelo escoamento da informação e de boa parte dos bens simbólicos dirigidos à sociedade.
É sabido que a maior parte desses conteúdos é de baixíssima qualidade, para não citar o nefasto arco de valores decaídos orquestrados diuturnamente nas telas das televisões e no pensamento único que o jornalismo das oligarquias impõe à população.
Além do que, esse sistema de monopólio praticamente veta a veiculação de produtos audiovisuais de milhares de produtores, diretores, artistas e outros players que não conseguem escoar suas criações nesses espaços privados. A população que se contente com Ana Maria Braga, Luciana Gimenez, Faustão e outros dejetos.
A TV Brasil traz consigo o propósito de criar alternativas às redes puramente comerciais, nas quais os interesses econômicos determinam as grades de programação. O objetivo é a diversidade, contemplando os vários brasis que estão sepultos pela mídia comercial e hegemônica.
São muitos os efeitos deletérios oriundos do monopólio da mídia. Um deles passa pela questão da identidade nacional. O Brasil não se vê nas grandes redes de televisão. Na emissora de maior audiência, por exemplo, os brasileiros estão condenados eternamente a se reconhecerem nas paisagens urbanas do Rio de Janeiro e São Paulo. Algo de surreal num país multiétnico e multicultural.
Imposições de sotaque, modos de vida e costumes; e quando é para se apresentar aspectos culturais de outras regiões, a exemplo dos nordestinos, inevitavelmente se cai no estereótipo da fala, ridicularizando os personagens e colocando-os como coadjuvantes.
No que se refere à agenda política, a entourage do poder midiocrático tem cerrado fileiras com posições antinacionais e neoliberais, assumindo escancarada oposição, quase um braço armado da dupla DEM-PSDB. Uma agenda que também contempla a criminalização dos movimentos sociais e sustenta o discurso privatista. Na mira, as principais empresas públicas do país, cuja bola da vez é a Petrobras. A exploração da camada pré-sal assanhou os mais espúrios interesses visando desestabilizar a empresa, patrimônio da população; o mesmo pode vir a ocorrer com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, como já insinuou diversas vezes a maga do jornalismo econômico global, Miriam Leitão.
A ordem é privatizar e nesse enredo uma TV pública entra no mesmo diapasão que outras estatais do país.
O Governo Federal não pode ceder um milímetro sequer às pressões da mídia oligárquica. A TV Brasil é instrumento indispensável ao processo de democratização da mídia e tem papel fundamental para garantir canais de voz àqueles que se encontram exclusos destes. O esperneio dos Mesquitas, Marinhos, Frias, Magalhães e Cia é o medo de perder a hegemonia, o que significa o aumento dos espaços democráticos na sociedade, inclusive na mídia, o que nem de longe agrada a estes oligarcas.

sábado, 1 de agosto de 2009

Um falastrão, apenas

Um ex-chefe da Agecom do governo Paulo Souto resolveu bater de frente com o publicitário Sidônio Palmeira. Aqui não cabe retornar à gênese do problema. Questiúnculas, apenas. No entanto, o ex-assessor Geral de Comunicação do Governo da Bahia deveria colocar boa quantidade de peroba na face. Ele cita a inexistência de direcionamento das contas de comunicação do governo passado em prol de uma agência que fazia as campanhas para a claque carlista. O que se sabe é que os veículos de comunicação do mangangão - a quem ele obedecia e lambia as botas - enriqueceram com farta publicidade oficial. E isso o ex-assessor entende como suposição. Tal fato não ocorreu, senhor ex-assessor? Ou sua memória é seletiva? O que dizer então das denúncias do “duto da Bahiatursa”, conforme informado pelo então deputado estadual Emiliano José? O senhor ex-assessor esqueceu também dos sucessivos aditamentos de alguns contratos de licitação por parte da Agecom na gestão de Paulo Souto? O senhor ex-assessor Geral, afim de construir factóides, mistura alho com bugalhos no intuito de confundir. A viúva, que irriga semanalmente um comentarista menor de uma rádio local, deveria se ater mais à verdade do que simplesmente provocar burburinho diante do seu anonimato sepulcro. Quem deseja aparecer tem a oportunidade de pendurar uma melancia no pescoço e andar pelas ruas. Talvez fosse uma boa opção.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A resposta do presidente da UNE, Augusto Chagas, ao tratamento preconceituoso da grande mídia



O tratamento dispensado por parte da chamada grande mídia às organizações do movimento social no Brasil sempre foi o da desqualificação, criminalização e combate aberto. Com a UNE a situação não é diferente, mas houve, no último período, uma elevação no tom maldoso e até inescrupuloso com o qual esses veículos têm tratado a entidade que representa os estudantes universitários brasileiros.
A UNE acaba de sair do seu 51º Congresso, um dos mais importantes e o mais representativo da sua história. Mais de 2.300 instituições de ensino superior elegeram representantes a este fórum, contabilizando as impressionantes marcas de 92% das instituições envolvidas, mais de 2 milhões de votos nas eleições de base e de 4 milhões e meio de universitários representados.
Nosso Congresso mobilizou estudantes de todo o país, que por cinco dias debateram o futuro do Brasil – a Popularização da Universidade, Reforma Política, Democratização da Mídia, Defesa do Pré-Sal, etc. Se a imprensa brasileira trabalhasse a favor da democracia, esses assuntos seriam manchete em todos os jornais, rádios e canais de televisão e a disposição da juventude em lutar por um país melhor seria divulgada.
No entanto, estes veículos nos dedicaram tratamento bem diferente nestas duas últimas semanas. Cumprindo com fidelidade o ensimanento de Goebbels – uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade – a mídia escandalosamente busca subterfúgios para atacar a UNE, taxando-a de governista, vendida, aparelhada e desvirtuada de seus objetivos. Com isso, tenta impor a todos os seus pontos de vista, sem qualquer mediação ou abertura para apresentar o outro lado da notícia.
Uma destas grosserias tem a ver com o recebimento de patrocínios de empresas públicas por parte da entidade. A UNE nunca recebeu recurso público para aplicá-lo no que bem entendesse. Recebe sim, e isto não se configura em nenhuma irregularidade, apoio para a construção de nossos encontros. Tampouco, estas parcerias comprometeram as posições políticas da entidade. Não nos impediu, por exemplo, de desenvolver uma ampla campanha – com cartazes, debates, passeatas e pronunciamentos – exigindo a demissão de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central, que foi indicado por este mesmo governo. Não nos furtamos de apresentar nossas críticas ao MEC por sua conivência ao setor privado da educação, como no caso do boicote que convocamos ao ENADE por dois anos consecutivos.
Mas, onde estavam os jornais, as TVs, rádios e revistas para noticiar essas manifestações? Reunimos, em julho de 2007, mais de 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios para pedir mudanças na política econômica do governo Lula e nenhuma nota foi publicada ou divulgada sobre isso.
Os mesmos jornais que se horrorizam com o fato de termos recebido recursos para reunir 10 mil estudantes de todo o Brasil não parecem incomodados em receberem, eles próprios, um montante considerável de verbas publicitárias do governo federal. Em 2008, as verbas públicas destinadas para as emissoras de televisão foram de R$ 641 milhões, já os jornais receberam quase R$ 135 milhões.
Ora, por qual razão os patrocínios recebidos pela UNE corrompem nossas ideias enquanto todo este recurso em nada arranha a independência destes veículos? A UNE desafia cada um deles: declarem que de hoje em diante não aceitam um centavo em dinheiro público e faremos o mesmo! De nossa parte temos a certeza que seguiremos nossa trajetória!
Com certeza não teremos resposta. Pois não é esta a questão principal. O que os incomoda e o que eles querem ocultar é a discussão sobre o futuro do Brasil e a opinião dos estudantes.
Não querem lembrar que durante a década de 90 os estudantes brasileiros – em jornadas ao lado das Centrais Sindicais, do MST e de outros movimentos sociais - saíram às ruas para denunciar as privatizações, o ataque ao direito dos trabalhadores e a ausência de políticas sociais. Que foram essas manifestações que impediram o governo Fernando Henrique Cardoso de privatizar as universidades públicas através da cobrança de mensalidades.
Não reconhecem que após a eleição do presidente Lula, a UNE manteve e ampliou suas reivindicações. Resultado delas, conquistamos a duplicação das vagas nas universidades públicas, o PROUNI e a inédita rubrica nacional para assistência estudantil, iniciando o enfrentamento ao modelo elitista de universidade predominante no Brasil. Insinuam que a UNE abriu mão de suas bandeiras históricas, mas esquecem que não há bandeira mais importante para a tradição da UNE do que a defesa de uma universidade que esteja a serviço do Brasil e da maioria do nosso povo!
Não se conformam com a democracia, com o fato de termos um governo oriundo dos movimentos sociais e que, por esta trajetória, está aberto a ouvir as reivindicações da sociedade.
A UNE não mudou de postura, o que mudou foi o governo e o Brasil e é isso que os conservadores e a mídia que está a serviço desses setores não admitem. Insistem em dizer que a UNE nasceu para ser ‘do contra’. Rude mentira que em nada nos desviará de nossa missão!
Saibam que estamos preparados para mais editoriais, artigos, comentários e tendenciosas ‘notícias’. Contra suas pretenções de uma sociedade apática, acrítica e sem poder de contestar os rumos que querem impor ao nosso país, eles enfrentarão a iniciativa criativa e mobilizadora dos estudantes na defesa de um novo Brasil. Há de chegar o dia em que teremos uma comunicação mais justa e equilibrada. A UNE e sua nova diretoria estão aqui, firmes e à disposição do verdadeiro debate de rumos para o Brasil!

A origem genética de ACM Neto

ACM Neto, o playboy moderninho, tenta se desvencilhar da herança fascista do avô, mas não esperem atitude diferente daquele deputado do DEM, que esconde verdadeiro ovo da serpente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dia do Rock, dia de contestação



Na segunda-feira, 13, comemorou-se o Dia do Rock. Confesso uma certa nostalgia. Aos 13 anos, ainda ginasiano, fui à casa de um colega que sapecou a agulha da vitrola num long play. Uma guitarra vibrante e um refrão: “Whola lota love”. Paralisei. Ouvia pela primeira vez o som de uma das bandas mais emblemáticas do mundo rocker, o Led Zeppelin. Creio, um bom ponto de partida. Colecionei discos – os antigos bolachões – de várias bandas e passei a me interessar pelo gênero, não apenas musicalmente, mas por atitude. A guitarra de Jimi Hendrix, a voz de Janis Joplin e o gingado de Chuck Berry não eram apenas música; assim como o estridente sucesso dos Beatles e dos Rolling Stones. Algo maior estaria por detrás daquela engrenagem.
Indaga-se então a questão mais cara e grandiloquente àquela movimentação que vinha dos poros da juventude: é tudo alienação? Simples produtos da indústria cultural? Não se pode negar a máquina do mercado fonográfico como principal constructo planetário desse gênero musical, que derivou para as artes plásticas, audiovisuais, moda, entre outros campos. E isso é fato. No entanto, num segundo ângulo, se descortina perspectiva adversa. E esta requer análise mais crítica sobre o fenômeno, e que se contrapõe ao pretenso senso comum de que o rock é sinonímia de consumismo.
À esquerda e à direita o comportamento e o universo rocker já foram censurados. Nos anos 60 as guitarras no Brasil sofreram resistência dos chamados “puros sangues” da MPB; nos Estados Unidos, os ultraconservadores sempre o demonizaram: “música do diabo”. Na Cuba pós-revolução, Fidel Castro enquadrou os Beatles como “símbolo do consumismo egoísta”. E ele mesmo surpreendeu a todos quando, no dia oito de dezembro de 2000, inaugurou em Havana a Praça John Lennon, cuja peça que mais chama atenção é uma estátua com óculos do finado rockstar britânico.
Nas suas diversas variações rítmicas, o rock tem sido uma das principais frutas no liquidificador da indústria cultural. A “montagem” de uma banda em muitas situações decorreu do “planejamento” de apetitosos negócios, incluindo aí o apelo ao sex apeal dos band leaders como fator que se sobrepôs a qualidades inatas.
Não à toa, a tríade quase arquetípica sexo, drogas e rock´n´roll, ainda que esta não tenha derivado, apenas, dos estratagemas para as vendas das imagens dos ídolos. As novas posturas comportamentais - a revolução sexual a reboque – também se encarregaram de embebedar o cenário rocker com atitudes transgressoras, incluindo aí o campo da sexualidade sob um ponto de vista libertário.
Passados os caleidoscópios dos anos 60, os anos 70 marcaram novas formas dessas atitudes e a politização deu o tom com o Movimento Punk. Primeiro nos subúrbios da Califórnia, depois nas periferias de Londres e outras cidades européias. O punk music virou rastilho de pólvora e incendiou levas de jovens proletários. Sex Pistols e The Clash foram bandas emblemáticas neste contexto anarco-sindicalista-musical. Concomitantemente, trilhando, de início, o psicodelismo, o Pink Floyd assumiu seu rock militante, de esquerda, contestando o mundo pós-guerra, enquanto que o estilo heave metal preferia adentrar na floresta do ocultismo e afins.
Nos anos 80, o rescaldo vingou na tematização sombria da psique humana, com o desencanto total ante a política e suas escolhas. O individualismo imperou.
Mas foi nos 90 que algumas atitudes rocker, de fato, plugaram com as questões sociais, e o terceiro mundo foi o palco de maior efervescência. Releituras vibrantes, como as do franco-espanhol Mano Chao, e as dos hispano-americanos do Rage Against the Machine, para nomear dois dos mais destacados, têm expressado a política no seu sentido mais engajado; no Brasil, os pernambucanos Nação Zumbi, do finado Chico Scienci, e Mundo Livre S.A., assim como o carioca Marcelo Yuca com a sua banda Furto (Força Urbana de Trabalho Organizado), constituem a musicalidade rocker com posicionamentos contestatórios, incomodando o estabileshment.
Sim, o rock´n´roll, a despeito da incrementada indústria que o sustenta, ainda respira atitude. Tem no seu DNA os gritos de lamento dos negros africanos que apinhados nos trens do sul dos Estados Unidos cantavam seus lamentos de dor e rebeldia ante a tragédia da escravidão. Daí veio o blues, o jazz e o filho mais novo, o rock´n´roll. A propósito, o dia que homenageia o rock existe há 24 anos. A homenagem foi iniciada em 13 de julho de 1985, quando realizou-se o Live Aid, megaevento em prol das vítimas da fome na Etiópia. Portanto, uma atitude política. Parabéns!

domingo, 12 de julho de 2009

Nos tienen miedo porque no tenemos miedo (canción)

Cenas que a mídia do Brasil não apresenta; um belo canto de libelo contra o golpe militar que está oprimindo o povo hondurenho.

sábado, 11 de julho de 2009

FISL 8.0: Celepar entrevista Sérgio Amadeu

O cientista político Sérgio Amadeu fala sobre a luta política pelo software livre na sociedade da informação. Trata-se de um grande pesquisador do tema. Aproveitem a entrevista.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Lula ganha prêmio da ONU; Rede Globo silencia



Qual seria o posicionamento de uma grande emissora de televisão se o presidente do seu país ganhasse um prêmio dado pela ONU? Quem deve responder esta pergunta é a Rede Globo por não ter feito a devida cobertura de um fato que engrandece o Brasil. O presidente Lula recebeu nesta quarta-feira o Prêmio Félix Houphouët-Boigny, da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). De acordo com os jurados, a escolha de Lula foi feita por causa das "ações que o presidente está tomando na promoção da paz, do diálogo, da democracia e justiça social e também pela contribuição de Lula à erradicação da pobreza e de proteção dos direitos das minorias". Quem ganha este prêmio tem 30% de chance de ser contemplado com o Prêmio Nobel. Para Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Rede Globo, este fato não tem critério de noticiabilidade; o mesmo deve pensar Dora Kramer, Miriam Leitão e Cia. O Partido da Imprensa Golpista prefere se calar a se render aos fatos. Que midiazinha emporcalhada!

Argumento de gorila

Que prêmio é esse, Serra?

Um dia depois do presidente Lula ganhar um prêmio da ONU, a mídia Força Serra Presidente arrumou um prêmio de araque para o governador de São Paulo. Veja aqui.

A barrigada




Um colunista baiano com certo nome na praça se assanhou ante a “notícia” veiculada na Folha de São Paulo de que a ministra Dilma Roussef teria mentido ao sustentar no seu currículo o curso de mestrado e um doutorado inconcluso. A ministra é economista formada pela UFRG, mestre em Teoria Econômica pela Universidade de Campinas, sim, e estava fazendo doutorado em Economia Monetária pela mesma instituição, mas não concluiu a tese, fato que ela não nega e que já foi amplamente noticiado – veja aqui. O interessante é que o nobre escriba, no afã de antecipar sua campanha pró-Serra, terminou se esquecendo de dar uma notícia com fundamento, a de que José Serra não tem diploma de economista – veja aqui. O garboso jornalista ensaiou um comentário “supimba” em seu site, com direito a foto de braços cruzados como se desafiasse o mundo. E deu em barrigada. Que feio!

Honduras: o porque do golpe

por Nikolas Kozloff, em Counterpunch

Tradução: Caia Fittipaldi

Que forças sociais e políticas escondem-se no coração do golpe de domingo passado em Honduras? Comecemos por examinar o papel de Roberto Micheletti, o homem que Hugo Chávez adora odiar. Ex-presidente do Congresso Nacional, Micheletti, no domingo, autodeclarou-se novo presidente de Honduras. Substituiu o presidente Manuel Zelaya, político que, nos últimos anos, moveu-se claramente em direção a posições políticas e econômicas mais progressistas. Membro do Partido Liberal de Zelaya, Micheletti é graduado em administração de negócios nos EUA e trabalhou como presidentemda empresa estatal de telecomunicações de Honduras, Hondutel, no final da década dos 90s. Enquanto esteve na presidência da Hondutel, Micheletti empenhou-se muito para privatizar a empresa.
Crente fiel das chamadas "reformas neoliberais", Micheletti entrou em rota de colizão com o governo Zelaya que chegou ao poder no início de 2006. Depois de deixar a presidência da Hondutel, Micheletti apresentou projetos de lei para reduzir muito as tarifas cobradas pela Hondutel. Zelaya e a empresa Hondutel condenaram os projetos apresentados por Micheletti, sob o argumento de que as tarifas super baixas reduziriam ainda mais os ganhos da empresa. Por muitos anos, as tarifas para chamadas de longa distância haviam sido fonte de lucros significativos para o governo. Depois, a Hondutel foi desregulamentada e perdeu o monopólio absoluto sobre as chamadas de longa distância, telefones fixos e serviços de telex. Como signatária do CAFTA (ing. "Central American Free Trade Agreement", Acordo de Comércio para a América Central), Honduras estava obrigada a reformar a legislação das telecomunicações, de modo a criar condições que atraíssem parceiros privados. Observadores, naquele momento, insistiam em que aquelas reformas seriam o primeiro passo para privatização em maior escala. Zelaya foi um dos mais fervorosos adversários da reforma das telecomunicações, e declarou que a reforma prevista só beneficiaria o setor privado e gradualmente enfraqueceria o controle que o Estado hondurenho ainda tinha sobre os serviços de longa distância.
Micheletti sempre foi parte de uma influente elite de empresários que, dia a dia, passou a distanciar-se do governo Zelaya, considerado 'excessivamente' progressista. Em Honduras, as campanhas eleitorais são financiadas quase exclusivamente pelos empresários mais poderosos. São tão poderosos e tão associados ao sistema político, que se pode dizer que os empresários fazem os presidentes e ditam toda a agenda da mídia. Em entrevista ao Inter Press Service, um dos assessores do governo de Zelaya disse que os grupos econômicos hondurenhos são "insaciáveis; nunca param de pedir e pedir (...). Numa reunião com o presidente Manuel Zelaya, disseram que, nos anos 1980s, todas as principais decisões políticas eram discutidas com os militares; mas que, agora, tudo teria de ser discutido com eles, quer dizer: com os empresários e a mídia.” Nessa reunião, um dos empresários teria dito ao presidente “Você é temporário. Nós somos permanentes. Queremos ser consultados nas decisões de governo, queremos contratos e queremos participar de licitações e concorrências. E queremos contratos para a publicidade oficial.”
Aparentemente, Zelaya não se deixou intimidar e instituiu aumento de 60% no salário mínimo, o que enfureceu a comunidade dos negócios. Quando as associações de empresários anunciaram na Corte Suprema de Honduras que não cumpririam o decreto do salário mínimo, o ministro do Trabalho de Zelaya declarou aos jornais que os críticos do governo eram "exploradores gananciosos".
Um grupo particularmente ácido nas críticas à medida de Zelaya foi o Honduran National Business Council, conhecido pela sigla em espanhol COHEP . Amílcar Bulnes, presidente do COHEP, argumentou que se o governo insistisse naquele aumento do salário mínimo, os empresários seriam obrigados a demitir em massa, o que aumentaria o desemprego. Principal entidade representativa dos empresários em Honduras, a COHEP reúne 60 associações comerciais e câmaras de comércio, representando praticamente todos os setores da economia de Honduras. Como se lê no website da COHEP, aqueles empresários são o braço político e técnico do setor privado hondurenho – e apoiam os acordos comerciais e oferecem "apoio crítico ao sistema democrático".
A COHEP apoiou e apoia o golpe contra o governo de Zelaya. A comunidade internacional não poderá impôr sanções econômicas contra o novo governo, diz a COHEP, porque isso tornaria ainda mais graves os problemas sociais em Honduras. Em seu novo e muito recente papel, de 'representante' dos pobres hondurenhos, a COHEP já declarou que Honduras já sofre demais; foram terremotos, chuvas torrenciais e a crise financeira global. Antes de punir o novo governo de Honduras – prossegue o argumento dos empresários da COHEP – a ONU e a OEA devem mandar observadores a Honduras para que examinem e avaliem os prejuízos que advirão se se implantarem sanções econômicas contra os 70% da população que vive em condições miseráveis.
Ao mesmo tempo, Bulnes já anunciou que apoia o governo de Micheletti; declarou que as condições políticas em Honduras não são propícias, e que Zelaya não deve voltar ao país.
Micheletti e o empresariado receberam apoio de militares treinados nos EUA, sem o qual não teriam conseguido prender o presidente Zelaya. Dois generais, Romeo Vasquez e Javier Suazo tiveram papel-chave no golpe. Ambos são formados pela infame US School of the Americas[1], centro de treinamento de todas as polícias que torturam dissidentes políticos em toda a América Latina desde os anos 60s.
Há várias semelhanças entre o golpe que afastou Zelaya do governo de Honduras e o golpe da Venezuela. Em 2002, outro Vasquez, Efraín Vasquez, foi o cabeça do golpe contra Hugo Chávez. Como em Honduras, Efraín Vasquez também é egresso da School of the Americas. Como comandante-em-chefe do exército, teve encontros, hoje já conhecidos, com Otto Reich, do Departamento de Estado dos EUA, antes do golpe. Dia 11/4/2002, Vasquez foi o único militar de alta patente que exigiu a renúncia de Chávez. Como se lê em meu primeiro livro, Hugo Chávez: Oil, Politics and the Challenge to the U.S. (Palgrave, 2006), Vasquez impediu o deslocamento de tropas escaladas para fazer a proteção pessoal do presidente no palácio presidencial. No dia seguinte, Vasquez negociou a saída de Chávez e organizou o movimento de tropas e soldados para desarmar e dispersar os grupos de cidadãos aliados do presidente eleito.
Como em Honduras, os militares estavam associados à elite empresarial. Ditador por um dia, Pedro Carmona era membro dirigente da Fedecámeras, associação empresarial semelhante à COHEP de Honduras. Em Caracas, a Fedecámeras deu voz à elite dos empresários pró globalização que temia as políticas sociais e econômicas de Chávez. Carmona, executivo da indústria petroquímica, sempre denunciou os movimentos de Chávez com vistas a aumentar o controle sobre a empresa estatal de petróleo da Venezuela.
Hoje, ainda são os militares treinados nos EUA e a elite das corporações globais que mais ativamente buscam interromper o fluxo de mudanças na América Latina. Como sempre, são essas duas forças, que sempre operaram juntas, que ainda conseguem derrubar governos.

* Nikolas Kozloffé autor de Revolution! South America and
the Rise of the New Left (Palgrave-Macmillan, 2008)

O artigo original, em inglês, pode ser lido em:
http://www.counterpunch.org/kozloff07062009.html