segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Wagner na frente

Foto/Agecom/BA

Os números começam a clarear a realidade. Pesquisa divulgada no início desta semana pelo Instituto Campus aponta vantagem do governador Jaques Wagner na corrida sucessória ao governo da Bahia em 2010. A sondagem envolveu um universo de 2587 entrevistados em todo o estado, entre os dias 15 a 23 de novembro. Na mostra espontânea, Wagner aparece com 33,1% das intenções de voto contra 11,6% do ex-governador Paulo Souto (DEM). O ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) surge em terceiro lugar com apenas 3,4%, seguido de ACM Neto (DEM) com 1,6%. Na pesquisa estimulada, Wagner permanece na primeira colocação com 48,4% dos votos, enquanto Souto surge com 26,4%, Geddel com 12% e Hilton (PSOL) com 1,5%. O instituto simulou também os resultados para o segundo turno. O governador lidera, quando confrontado com Paulo Souto, com 56,3% dos votos. Seu antecessor perderia a eleição, pois obteria apenas 33,1%. Wagner ampliaria a vantagem se disputasse a segunda rodada eleitoral com Geddel, sempre conforme o instituto. Wagner dispararia com 61,2%, contra 23,3% do ministro da Integração Nacional. De acordo com o Campus, no quesito rejeição, Hilton Coelho aparece na liderança com 41,5%, tendo atrás Paulo Souto 19,8%, Geddel 13,7% e Wagner 10,3%. A pesquisa foi divulgada pelo jornal Tribuna da Bahia.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O triste fim de FHC



Realmente, o efeito do discurso de Fernando Henrique Cardoso, publicado há alguns dias no jornal da família Mesquita, demonstrou seu "poder arrasador”. Esquecido no anonimato da política, o ex-presidente sociólogo quis mostrar as mangas e provocou um estrago no candidato a presidente do seu partido, o governador José Serra (PSDB-SP). De acordo com a pesquisa CNT Sensus, em setembro o presidenciável tucano tinha 39,5% e a ministra Dilma Roussef, candidata do PT, 19,0%; neste mês de outubro José Serra obteve 31,8% e Dilma Rousseff 21,7% das intenções de voto. Nesta última, Ciro Gomes (PSB-CE) também aparece com 17,5%. A diferença entre Serra e Dilma, que era de 20 pontos, caiu para 10. A campanha de Serra acendeu a luz amarela – quiçá a vermelha – e agora trata de esconder o contêiner que se transformou FHC para a propaganda do seu candidato, ou melhor, a anti-propaganda. A pesquisa indica que o “Príncipe de Sorbone” é quem tem tirado votos de Serra. De acordo com o presidente da CNT, Clésio Andrade, “a indicação do ex-presidente FHC não acrescenta votos para o candidato à presidência”. Os números são cruéis: 49,3% responderam que não votariam em um nome apoiado por FHC e apenas 3% votariam em um candidato do ex-presidente. A pesquisa aponta também que a aprovação do governo Lula estimula a intenção de votos num candidato apoiado pelo petista. Em uma das prospecções, foi identificado que para 76% dos entrevistados os sete anos do governo Lula são melhores que os oito anos da era FHC; 10% acreditam que Fernando Henrique foi melhor e 11,1% afirmaram que os dois governos são iguais. Diante desse quadro, Andrade acrescenta que "a avaliação do presidente Lula e de seu governo continua crescendo, resultado do bom desempenho econômico e dos programas sociais, percepção de que houve melhora da imagem do País interna e perante o mundo". É fato, Fernando Henrique Cardoso, com todos os seus títulos acadêmicos, tem se transformado num farrapo político. E quando busca espaço na mídia que tanto lhe agradou ainda consegue fazer gol contra. Triste fim do vendilhão do Estado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

PIG foi desmascarado categoricamente

É interessante como o Partido da Imprensa Golpista (PIG) está tratando o blecaute ocorrido na terça-feira desta semana em decorrência de fatores climáticos que afetaram a subestação de Furnas, na região de Itaberá (SP). O incidente está sendo politizado pela oposição partidária-midiática. Os jornais das famílias Mesquita, Frias e Marinho, o Estadão, a Folha de São Paulo e o Globo, respectivamente, estão denominando o ocorrido de “apagão”, ainda que nem de longe este se compare ao da era FHC, quando o país efetivamente parou. Certamente que eles querem apagar aquele momento trágico do Brasil com um episódio que durou, no máximo, três horas. No entanto, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, desqualificou categoricamente os argumentos das claques oposicionistas assim como os do PIG. Veja o vídeo abaixo.

Fatores atmosféricos que causaram blecaute são raríssimos

Um desmentido ao PIG

Requiém para alguns do DEM




Durante passagem em Campinas-SP no último final de semana, tive a oportunidade de presenciar o típico furor reacionário de alguns segmentos da sociedade brasileira. Em meio a uma rodada de drinks, dois dos presentes, com sangue nos olhos e expressões de cães raivosos, vociferavam indignados contra as políticas de transferência de renda do Governo Federal. Bradavam contra o Programa Bolsa Família com a anuência de alguns convivas e só tinham como contraponto a palavra sensata de uma jovem assistente social, Renata Fernandes. Sai em defesa de Renata e, sobretudo, dos meus princípios. Cabe uma reflexão acerca daquela querela. O que de fato move o ódio daquelas pessoas, representantes fidedignas do pensamento reacionário brasileiro, além da estúpida vizeira que trazem consigo nas faces? A resposta não abre mão de uma sucinta explicação histórica, e quiçá com um adendo psicológico. Trata-se de herança mental de quem um dia, não muito distante, usou botas e chibatas para espancar escravos nas senzalas. E hoje tais pessoas integram a entourage do apartheid social que grassa na sociedade, já que, elas próprias, são perpetradoras e difusoras desta horrenda visão de mundo. Uma mentalidade que não aceita qualquer iniciativa que transfira ou distribua renda. Indignam-se com a violência que permeia a todos – mais de 35 mil assassinatos com armas de fogo por ano no país, baixas maiores do que na guerra do Iraque –, mas a visão disforme que carregam não as permite enxergar a realidade. Preferem o discurso protofascista de mais violência – simbólica, econômica, social - para conter o medo e a insegurança. Optam por não ver, nem entender, as verdadeiras causas desse estado de coisas. Numa sociedade em que apenas 10% da população ficam com 75% da riqueza nacional e 1% dos proprietários rurais ficam com quase 50% das terras agriculturáveis o que esperar de paz? Ainda assim, a trancos e barrancos, os programas sociais do Governo Federal têm conseguido transferir 0,5% do PIB para os mais pobres. Enquanto isso, as altas taxas de juros dos bancos garantem a transferência de 6% a 8% do PIB para as classes mais abastadas, um benefício que atinge apenas 20 mil famílias, das quais as referidas pessoas daquela mesa de bar não fazem parte, mas seguramente se postam como guarda pretoriana dos seus privilégios, a ponto de qualquer propósito distributivo lhes incomodar. Este filme já passou antes, quando, em 1933, mentalidades semelhantes às quais me referi se encarregaram de colocar um homem chamado Adolf Hitler no poder.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma justa homenagem para Marighella




Existe um monumento na Avenida Luis Viana Filho, em Salvador, que homenageia o falecido deputado federal Luis Eduardo Magalhães (PFL), filho do também falecido senador Antonio Carlos Magalhães, o ACM (DEM, ex-PFL). Trata-se de uma obra que apenas enaltece o legado de uma dinastia política que dominou a Bahia com unha de ferro durante décadas. A família Magalhães fermentou seu poder como uma espécie de apêndice do Regime Militar em consonância com interesses econômicos e políticos. As regras no Estado foram ditadas de forma violenta e autoritária, em todo seu tecido institucional e para além dele. O carlismo foi uma variável fascista do regime na Bahia. O que este blog está propondo é a erradicação daquele monumento para que no local se erga homenagem a um verdadeiro herói baiano e brasileiro, Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar. Há 40 anos Marighella foi assassinado pelos órgãos de repressão. O militante foi morto na Rua Casa Branca, centro de São Paulo, em 1969, numa emboscada coordenada por agentes da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Ele se dirigia para uma reunião política com frades dominicanos. Lutador incansável pela democracia, filho de uma descendente de escravos haussá e de um operário italiano imigrante, Carlos Marighella enfrentou a ditadura do Estado Novo na década de 30, participou da recosntrução democrática do país após a queda de Vargas e tornou-se deputado federal pelo PCB na Assembléia Nacional Constituinte de 1946. Posteriormente, tendo seu partido caido novamente na ilegalidade durante o governo de Gaspar Dutra (1946-1950), Marighella voltou à vida clandestina. Quando ocorreu o golpe militar, em 1964, o líder comunista se afastou do PCB por questões políticas e fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN). Entendeu necessário recorrer às armas para enfrentar a violenta e bárbara repressão perpetrada pelos militares contra o povo brasileiro, principalmente depois do AI-5, instaurado pelo regime no final do ano de 1968. Com o ato, o pais foi fascistizado radicalmente. Marighella dizia: “Se o povo está sendo agredido, tem direito de se defender com armas”. Fica portanto lançada a campanha de mudança do monumento da Avenida Luis Viana. No seu lugar vamos homenagear Carlos Marighella, um personagem histórico que lutou pelo bem estar do povo brasileiro. Em breve este blog disponibilizará uma lista eletrônica para adesão a esta proposta.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Neguinho do Samba não foi notícia na Globo




Não, Neguinho do Samba não foi apenas um figurante nos clipes de Michael Jackson e Paul Simon. O baiano Antonio Luis Alves de Souza, um dos mestres da MPB e criador da batida do samba-reggae, foi um dos músicos mais criativos e geniais do país e já tem seu nome garantido no roll dos melhores do mundo. Falecido no último dia 31, sábado, Neguinho, completos 54 anos, foi enterrado em Salvador na tarde de terça-feira desta semana numa comovente cerimônia. Mesmo assim, o mestre e educador de centenas de crianças, às quais ajudava a ter um futuro mais digno e cidadão, não foi pauta no Jornal Nacional no dia do seu enterro. A Rede Globo se omitiu em noticiar a cerimônia fúnebre do mestre do Pelourinho no seu jornal de horário mais nobre. O fato expõe um problema da mídia corporativa brasileira: o olhar para o próprio umbigo. Ou seja, as ocorrências do centro-sul do Brasil sempre ganham relevância, por mais inexpressivas que sejam. Os critérios noticiosos que deveriam permear uma emissora que trabalha em rede nacional são jogados às favas. E, penso, o episódio deve ter constrangido até mesmo sua emissora afiliada local, se este foi o caso, já que a mesma “vende” fácil pautas que induzam a um ângulo meramente político a desconstrução simbólica da Bahia. Neguinho do Samba não foi matéria, mas um assalto a uma pousada na ilha de Vera Cruz é. Erro de origem. No Brasil, as chamadas cadeias nacionais de comunicação deveriam mudar o nome para cadeias comerciais de retransmissão de produtos, apenas. Uma relação de colonizador e colonizado, e com uma variável etnocêntrica. Só para lembrar, no dia 03/11 a emissora do Jardim Botânico deu destaque à morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss, aquele que participou da fundação da USP, que taxou a Baía de Guanabara de “boca banguela” e publicou o livro Tristes Trópicos, fruto de pesquisas com nações indígenas do Norte do país. Não desmerecendo a importância e o respeito a Strauss, o interessante é que o valor-notícia da emissora dos Marinhos não se atentou ao fato de que Neguinho do Samba e Lévi-Strauss coordenavam perfeitamente como informação, já que o primeiro faz parte do imaginário e da cultura imaterial que o antropólogo francês tanto escarafunchou neste Brasil. A obra de Neguinho do Samba era um dos itens da própria representação do seu objeto. Quanto é lamentável um Jornalismo movido por um olhar míope, preconceituoso e de profunda ignorância. Que tristes trópicos!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Psicanálise para FHC, já!




Às vésperas do feriado do Dia dos Mortos o cadáver político insepulto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tentou desesperadamente um pequenino lugar à luz das ribaltas. E conseguiu. O demiurgo da intelectualidade tucana publicou artigo rancoroso em alguns jornais da campanha do governador José Serra (PSDB-SP) atacando o governo do presidente Lula. Com um texto que não esconde pontas de mágoa e inveja, o doutor em Sociologia procurou desconstruir ações e conquistas da gestão do operário-presidente. Justificável, comparar os dois períodos é até covardia. Portanto, sobram ressentimentos ante o esquecimento do acadêmico Fernando Henrique que teve seu passado político recente ofuscado ante os avanços inquestionáveis obtidos no governo de um ex-retirante nordestino. Aninhando no colo das elites, FHC utilizou clichês e jargões que muito lembram aqueles disparados pelas forças reacionárias que apearam João Goulart do poder em 1964, a exemplo de “Estado sindicalista”. Diz Fernando Henrique em um dos trechos do seu desabafo de desesperado: “(…) Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro (…)”. O ex-presidente do anonimato também ataca o marco regulatório do Pré-sal e aponta um suposto autoritarismo do presidente, a quem achaca como “populista”. Independente do momento político, no qual FHC tenta criar fatos no enredo “ou vai ou racha”, o problema do sociólogo dos Jardins e adjacências bem que poderia ser resolvido num divã. Levanto uma nova bandeira: psicanálise para FHC, já! Talvez, deitado e bem amparado, o mago do sociologuês trilingue consiga digerir porque o risco Brasil no seu governo era de 2700 pontos e no atual está em torno de 200, com crise e tudo; talvez o intelectual pseudo-progressista consiga entender porque o salário mínimo do seu governo era de 78 dólares e agora é de 210; talvez o príncipe uspiano consiga encarar o fato de que ele não mexeu na dívida externa e o atual governo a zerou; talvez o aliado do DEM reconheça que a indústria naval do país se encontrava sucateada no seu reinado e agora está praticamente reconstruída; talvez o professor FHC aceite o vergonhoso fato de que não abriu nenhuma nova universidade, escola técnica ou projetos de extensão universitária no Brasil durante seus oito anos de império, enquanto que o torneiro-mecânico Lula implantou 10 novas universidades (duas na Bahia), 214 novas escolas técnicas e 45 novas extensões universitárias, sendo três na Bahia; talvez o teórico neoliberal reconheça que quebrou o país deixando-o com o “saldo” negativo do tesouro nacional de 185 bilhões de dólares, ao passo que o saldo atual, e que amortizou o impacto da crise, é de 160 bilhões de dólares positivos; talvez o elitista FHC consiga entender porque a expansão do crédito para o povo saltou de 14% na sua gestão para 34% no governo do operário; talvez o anti-desenvolvimentista FHC consiga entender porque não construiu nenhuma estrada de ferro e Lula está construindo três; talvez o bibelô das elites consiga encarar o fato de ter deixado 90% das rodovias federais sucateadas, enquanto a gestão de Lula já recuperou 70% delas; talvez o aliado fiel do capital financeiro consiga entender porque no seu governo as taxas de juro Selic estavam em 27% e no governo de Luis Inácio se encontram em 8,75%; talvez o nobre FHC consiga assimilar o fato de que tirou apenas 2 milhões de pessoas da linha de pobreza enquanto as políticas sociais de Lula permitiram que cerca de 23 milhões de cidadãos saíssem da miséria absoluta; talvez o amigo do aristocrata jorge Bornhausen consiga digerir o fato de que criou apenas 780 mil empregos, e na gestão de Lula esse número chegou à marca de 11 milhões de novos postos de trabalho; talvez o dito “pai do Plano Real” assimile e caia na real de que não colocou um centavo na infraestrutura do país, e que este governo que ele ataca prevê investimentos de mais de R$ 540 bilhões até 2010; talvez o amigo de Gilmar Mendes reconheça que no seu governo a Polícia Federal efetuou apenas 80 prisões e no de Lula foram mais de 2.750. Talvez FHC tome consciência de que ele não foi, não é e nem nunca será um líder mundial do porte de um operário-presidente, cujo país que dirige deixou de ser um capacho dos interesses dos países ricos para se colocar na posição de mediador de conflitos internacionais e porta-voz das nações emergentes. Talvez FHC compreenda que ele foi esquecido pelo povo brasileiro e apenas lembrado pelas elites.