domingo, 25 de novembro de 2007

Entrevista com Fábio Guedes - Parte 1

O economista e doutor em Administração Fábio Guedes esteve na Venezuela entre os dias 13 e 17 de novembro participando de um encontro Latinoamericano de Economia Política. Nessa entrevista concedida ao blog Textos ao Vento, ele conta o que viu nas ruas de Caracas e fala do clima político vivenciado no país de Hugo Chávez Frias. Assistam.

Entrevista com Fábio Guedes - Parte 2

sábado, 24 de novembro de 2007

ACM Neto no reino das ilações

Dizem até que se trata de um jovem e promissor político. ACM Neto seria inteligente, safo e outras adjetivações que permeiam o senso-comum. Mas quando testado por um jornalista do porte de Bob Fernandes é perceptível sua fragilidade intelectual, mesmo que para defender teses de direita. Existem quadros melhores. Em entrevista dada ao site Terra Magazine, ACM Neto afirmou que o povo da Venezuela não sabe votar. Depois fez algumas “reflexões” sobre o país vizinho que valeu nova indagação do jornalista: “O senhor já foi à Venezuela?”, perguntou Bob Fernandes. O pequeno parlamentar perdeu a cabeça e respondeu: “Olha, eu acho que você tem uma procuração para defender Hugo Chávez”. Não se fazendo de rogado, Fernandes voltou a repetir a pergunta: “O senhor já foi à Venezuela?”. E a resposta evasiva do diminuto deputado: “Não (...) O meu mecanismo de análise é a partir do que é bom para o Brasil (...) Eu leio jornal, eu leio revista, eu leio livros, eu acompanho todo dia o noticiário e tenho plenas condições de fazer a consciência crítica devida com relação à postura do senhor Hugo Chávez”. Realmente, ACM Neto não mentiu e apenas se informa sobre a Venezuela pelo noticiário. Interessante é o projeto-de-pequeno-déspota fazer comentários sobre posturas autoritárias. Com o fascismo correndo nas veias, fruto de herança genética, ele bem que entende de ditaduras, afinal de contas, seu avô sustentou uma com muito vigor.

Bem vindo ao deserto do real!

Pérolas da mídia(ocridade) baiana. Na coluna desse sábado - 24/11 - do articulista Samuel Celestino sobrou choros e lamentos quanto à situação do ex-presidente da Assembléia Legislativa da Bahia e atual presidente do Tribunal de Contas do Estado, Antônio Honorato, que foi detido pela Polícia Federal na Operação Jaleco Branco e prestará depoimentos em Brasília na sede do órgão. Celestino afirma no início do comentário: “Trata-se de uma coerção humilhante”. No fim da coluna, ele concluiu: “Mas, seguramente, é no mínimo uma extravagância constrangedora a repetição de excessos, como o uso de algemas. Pode não ser ilegal, mas o uso deveria ficar restrito a bandidos que ofereçam perigo para policiais e para a sociedade. Ou não?”. Protestos também foram feitos pelo radialista Mário Kertész quanto ao título dado pela revista eletrônica Terra Magazine: “Operação Jaleco Branco da PF prende elite baiana”. Revoltado, Kertész esbravejou no microfone da sua emissora: “Qual elite? Não vi elite alguma ali!”. Um e outro destilaram sentimentos de classe. Dispensam-se teorias psico-sociológicas para explicar tais posturas. Tudo é muito claro. O que seria então uma ameaça à sociedade na interpretação samuelcelestiana? Quem é acusado de participar da cabeça de um esquema de corrupção que, segundo se noticia, lesou os cofres públicos em quase 1 bi não é uma ameaça à sociedade? Ou não? Aliás, realmente, entre os detidos não se encontra nenhum membro da elite baiana. Creio que Bob Fernandez esteja enganado (corrija-se, Bob!). Eram homens do povo, ladrões de galinha e batedores de carteira, desses que cumprem sentença de vida enquanto a de morte não chega. Na verdade, a PF deteve “proletários” que andam de carros importados e residem nos melhores endereços da Soterópolis. E o dinheiro que as autoridades policiais e os procuradores do Ministério Público Estadual e Federal acusam ter sido surrupiado por eles certamente deixou de ser utilizado para construir escolas, postos de saúde, casas populares, redes de esgoto etc. Não, de forma alguma eles representam ameaça à sociedade. Ou não, Celestino? No país das duas medidas, a Justiça não pode ser única e sim seletiva. Para uns, o limbo das delegacias e o lodo das páginas policiais. Para outros, as colunas sociais e políticas, onde sempre são bem tratados. Como diria Slavoj Zizek: “Bem vindo ao deserto do real”.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Suco de laranja

O empresário Gervásio Oliveira, mantenedor da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FTC), está sendo caçado nesse momento pela Polícia Federal, que deflagrou nesta quinta-feira, na Bahia e Distrito Federal, a Operação Jaleco Branco. Quatorze pessoas já foram detidas no estado, entre elas o ex-presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Antônio Honorato (ligado ao falecido senador ACM) e o ex-presidente do Esporte Clube Bahia e ex-deputado estadual Marcelo Guimarães (também ligado ao finado ACM), entre outras autoridades.
Quanto a Gervásio, fica a lição para o dono de uma instituição que não paga suas dívidas trabalhistas com os funcionários demitidos. É a dimensão exata do panorama do ensino superior privado do país, guardando, claro, as exceções. Educação é uma concessão pública e o Estado deve ter critérios para outorgar. Mas, ao que parece, o MEC tem feito vistas grossas.
Segundo o jornal A Tarde, "o esquema era composto por empresários do ramo de prestação de serviços, principalmente de conservação, limpeza e segurança, e atuava na Bahia em licitações federais, estaduais e municipais. Os crimes praticados contavam com a participação de servidores públicos de diversos órgãos".
Ainda de acordo com o jornal baiano, "as investigações começaram em 2005 e apontam superfaturamento de preço, formação de cartel e utilização de empresa de fachada. O esquema se beneficiava também de contratos emergenciais repletos de vícios. A maioria dos líderes tem amizade há quase 20 anos e há mais de 10 atuam no serviço público municipal e estadual. O prejuízo causado aos cofres públicos é de aproximadamente R$ 625 milhões".

Quando o fato não é fato

Jornalismo de indice. Na quarta-feira passada a Rede Globo comentou a greve dos trabalhadores dos serviços de metrô e transportes públicos da França, que já completa 10 dias. De forma bastante peculiar, mas que não foge ao padrão discursivo da emissora, na Edição do Bom Dia Brasil desse dia, 21/11, o fato foi tratato apenas com um momento do discurso do presidente Nicolas Sarkozy. O pequeno trecho foi traduzido e comentado pelo ancora e editor do telejornal, Renato Machado: “O presidente Sarkozy afirmou que foi eleito pelos franceses para mudar a França e nada o impedirá de realizar as mudanças”. Depois foi apresentada uma cena de cerca de dois segundos de uma passeata de trabalhadores franceses. Um índice, apenas. Uma vaga informação do levante de milhares de trabalhadores que tentam barrar as reformas neoliberais impostas pelo governo francês. É o jeito Ali Kamel de dar notícias.

Aula de participação política

A deputada venezuelana Noeli Pocatera explica as mudanças na constituição do país às lideranças indígenas. É o que a mídia corporativa não apresenta no Brasil sobre o país vizinho. O quê para a Rede Globo e as elites nacionais se trata de uma ditadura, para a sociedade venezuelana o que ocorre é a mais ampla participação política da população.

sábado, 17 de novembro de 2007

Duas Caras; Agnaldo Silva chacota com o movimento estudantil



Movimento estudantil na novela das oito da Globo? Como assim? De forma sutil, o folhetim Duas Caras torna-se fiel ao título quando, aparentemente e de forma despretensiosa, apresenta uma manifestação de estudantes na fictícia Universidade Pessoa de Moraes. Os discentes “invadem” a universidade e provocam badernas e quebra-quebra. A dona da instituição (e do negócio!), a personagem Branca, interpretada pela atriz Suzana Vieira, resolve então chamar a polícia. “Invasão de propriedade privada é crime!”, justifica Branca. Mais: o líder do movimento, o personagem Heriberto, é um vilão que manipula os estudantes. É dessa maneira que a Rede Globo busca desconstruir a imagem do movimento estudantil que volta a se levantar país afora lutando contra o sucateamento do ensino público superior e a mercantilização da educação por parte da iniciativa privada. Interessante é que a filha da magnata Branca se sente preparada para assumir o negócio depois de fazer um “curso de verão” na Sorbone, em Paris, com o professor Fernando Henrique Cardoso. O cérebro pensante desse roteiro é o pit bull da vez da emissora, Agnaldo Silva, que apenas reedita folhetins previsíveis nos quais o bem e o mal são a extensão do consenso ideológico dos Marinhos. Aliás, existe local mais aprazível do que a favela da Portelinha? Todavia, segundo ele diz, a favela vai sofrer “um choque de realidade” com a chegada de traficantes, que serão expulsos pelo personagem Juvenal Antena à bala. Agnaldo Silva pretende então construir seu próprio capitão Nascimento? Bobagens recheadas que inebriam 40 milhões de telespectadores por noite. É com esse narcótico diário que a classe média no Brasil pretende aliviar o cansaço de um dia de labuta. A pobreza de conteúdo de maior parte da televisão brasileira é evidente. Mas não só isso. A construção ideológica nos folhetins globais é o pano de fundo, como se observa a tentativa de tirar a legitimidade do movimento estudantil. É como se dissesse: não pode existir; E se existe, é por motivos injustificáveis e banais. Enfim, é a Globo com seu reacionarismo militante sendo conduzido pela pena de Agnaldo Silva, um reacionário croquete a serviço dos barões da mídia.

O samba da mais-valia, de Sérgio Silva

Ouçam a letra. Pensem, então.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Juan Carlos, a Globo e cia...Todos temem as mudanças na Venezuela

A marcha do povo venezuelano em prol das mudanças é maior do que os impulsos fascistas que ainda pairam na cabeça de monarcas como...

....o rei Juan Carlos, da Espanha, que ainda se sente nos tempos do seu amigo generalíssimo Franco


A Rede Globo tomou as dores do rei Juan Carlos que, por sua vez, havia tomado as dores do neofascista José Maria Aznar, ex-premiê da Espanha, quando este foi criticado pelo presidente da Venezuela Hugo Chavéz Frias durante o último encontro da Cúpula Ibero-Americana, evento ocorrido em Santiago na semana passada. Chavéz chamou Aznar de fascista e disse que o líder político direitista sabia da preparação do golpe na Venezuela em 2002. Ele falou a verdade, apenas. Não gostando da afirmação, o monarca dos espanhóis mandou o chefe de estado venezuelano calar-se. Chavéz então respondeu que “não era súdito de nenhum rei” e, na condição de representante do povo da Venezuela, falaria onde o estivesse representando. Foi o suficiente para que a Vênus Platinada repercutisse o episódio durante toda semana.
Na edição do Jornal da Manhã desta quinta-feira, 15 de novembro, o “procurador-geral” da República Alexandre Garcia continuou requentando a matéria, desta vez irritado com um dado novo: o presidente Lula havia desconstruido a cantinela dos repórteres-papagaios dos jornalões e grandes redes de TV’s do país. Perguntado se a Venezuela era uma ditadura, Lula, num momento de muita clareza política, rebateu dizendo que se tratava de uma democracia: “Um mandato que já se submeteu a duas eleições e três plebiscitos não é uma democracia?”, perguntou o presidente, invertendo a ação e se colocando, ele mesmo, no lugar de indagador perante uma turba de repórteres medíocres.
Durante os últimos quinze dias a imprensa oligárquica e corporativa do Brasil se apresentou com uma preocupação mais acentuada acerca dos destinos políticos da Venezuela. Capas contra o governo de Chavéz foram dadas nas revistas Veja (grupo Abril) e Época (Globo). Os Marinhos, Frias (Grupo Folha), Mesquitas (Estadão) e cia não se conformam com as mudanças em curso naquele país, onde, no próximo dia 2 de dezembro, estarão sendo referendados pelo povo 69 dos 350 artigos da Constituição Bolivariana de 1999.
Os novos dispositivos constitucionais, entre outras mudanças, prevêem o fim da autonomia do Banco Central do país; Maior blindagem social-trabalhista com redução da carga horária de trabalho de 40 para 36 horas; Criação de novos modelos de propriedade, entre elas a propriedade social; Seguridade previdenciária fora das mãos dos tubarões do mercado; E o Poder Popular, entidade com participação direta da população que auxiliará o Estado a tomar decisões. A expectativa é que o sim às mudanças alcance 63% dos votos, uma larga maioria.
Sobre a redução do tempo de trabalho semanal, trata-se de uma medida de avanço revolucionário. Justifica-se dessa forma o artigo 90: “Para que os trabalhadores disponham de tempo suficiente para o desenvolvimento integral de sua pessoa, a jornada de trabalho diurna não excederá de seis horas diárias nem de trinta e seis horas semanais e a noturna não excederá de seis horas diárias nem de trinta e quatro horas semanais (...) Da mesma forma deverá programar e organizar os mecanismos para a melhor utilização do tempo livre em benefício da educação, formação integral, desenvolvimento humano, físico, espiritual, moral, cultural e técnico dos trabalhadores e trabalhadoras. Os trabalhadores e trabalhadoras têm direito ao descanso semanal e férias remuneradas nas mesmas condições que as jornadas efetivamente trabalhadas”. Detalhe: a redução do tempo de trabalho não admitirá diminuição de salários.
Um golpe duro também será desfechado contra as velhas oligarquias agrárias. O Art. 307 passa a afirmar: “Se proíbe o latifúndio por ser contrário ao interesse social. A República determinará, mediante Lei, a forma na qual os latifúndios serão transferidos para a propriedade do Estado ou dos entes ou empresas públicas, cooperativas, comunidades ou organizações sociais capazes de administrar e fazer produtivas as terras”. É a Reforma Agrária que esperam milhões de brasileiros.
O item mais polêmico é o artigo 225, que prevê sete anos de mandato presidencial (atualmente são seis), com a possibilidade de reeleição sem impedimentos para outros períodos. E este foi o estopim da gritaria dos barões da mídia e das elites daqui e de lá. A histeria é hipócrita. Não há qualquer impedimento para esse procedimento eleitoral na França, Alemanha, Itália e outros países. Sendo eleição e reeleição produtos do mandato conferido, ninguém deveria ter o direito de decidir quem o povo “não” pode eleger como seu representante. O povo deve poder eleger e revogar livremente os mandatos.
Está explicado o alarido da Globo e cia. É mais fácil chamar Chavéz de ditador do que apresentar aos leitores, telespectadores e radiouvintes os pormenores das mudanças em marcha na Venezuela. O exemplo de lá pode se transformar numa perigosa assimilação política aqui. Nesse caso, é melhor construir um cenário de representação que possa desconstruir a verdade e apresentar a mentira como forma de manipular a opinião pública. No fundo, é a opinião publicada daqueles que detêm e controlam a mídia e que se deseja passar como consenso, como bem afirma o intelectual norte-americano Naom Chomsky.

Retomando

Desculpem o atraso nas atualizações. Mudanças em curso, aguardem!