quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Não consigo ser "técnico"

Uma pequena querela com uma colega de trabalho suscitou a reflexão de algo que entendo como um problema de ordem epistemológica. Sim, porque discurso. Ao criticar o posicionamento de um articulista baiano, que por questões pessoais defenestrou publicamente um secretário de Estado da Bahia na sua coluna diária, fui apartado em nome da “liberdade de expressão” desse jornalista. Pensei: seria mesmo liberdade de expressão ou liberdade de impressão? Ou mesmo liberdade de empresa? E quando o posicionamento de um jornalista pode ser algo meramente “técnico”? Alguém pode se posicionar “tecnicamente” quando se trata de discutir idéias? Taí, fico cá a pensar com meus pardos botões. Ávido pelas respostas a tais indagações, não as encontro nos labirintos da sociologia, nem tão pouco da lingüística. E olha que daria tudo para encontrá-las. E engraçado que sempre recebo a pecha de “xiita”. Desculpem, leitores, meus pouquíssimos leitores, mas agora fui tomado por uma vontade inenarrável de rir, rir desbragadamente. Xiita, como se sabe, no mundo ocidental erroneamente virou sinonímia de radical. E, para tantos, eu sou radical. Realmente, sou. Quero ir à raiz do problema, na radicas da questão. E a questão que se insere acerca dessa múmia-articulista, ainda não embalsamada, cujo espaço na mídia é uma dádiva de arquetípicos do século passado, é o afago material. É fácil entender a linha que separa a seriedade na análise do fato e o propósito oriundo de vícios da imprensa. Da imprensa de província, chinfrim, rasteira, de umbigo, que apenas encanta incautos. É, colega, não consigo ser técnico. Lamento.

A Bolívia avança, mas a mídia não noticia


Evo Morales, presidente da Bolívia: "Refundamos o país"

Quase ninguém noticiou, e quem o fez não detalhou. A nova constituição boliviana foi referendada por cerca dos 60% dos votos. Para o presidente Evo Morales, trata-se da “refundação da Bolívia”. A carta aprovada traz avanços significativos para o povo boliviano. Entre as principais mudanças, constam: o tamanho máximo das propriedades rurais será de cinco mil hectares; povos indígenas passam a ter a propriedade dos recursos florestais e direitos sobre a terra e os recursos hídricos; e as empresas estrangeiras serão obrigadas a reinvestir seus lucros na Bolívia. Vale registrar que na pergunta sobre o tamanho máximo de uma propriedade agrícola (10.000 ou 5.000 hectares), a opção 5.000 ganhou por 78%, tendo triunfado mesmo nos departamentos da chamada "meia lua", redutos da oposição. Um importante aspecto do texto diz respeito à ampliação dos direitos sociais e políticos dos povos indígenas. Estes passam a dispor de uma quota obrigatória em todos os níveis de eleição, assim como fica estabelecida a equivalência entre a justiça tradicional indígena e a justiça ordinária do país, autorizando tribos a julgarem e punirem suspeitos de crimes segundo os seus costumes tradicionais, e não de acordo com os preceitos jurídicos herdados da colonização espanhola.
A nova Constituição prevê também uma representação indígena no Tribunal Constitucional e o direito à autodeterminação dos povos originários em terras comunitárias. Um elenco de mudanças de caráter profundo, mas nem por isso devidamente noticiado pela grande mídia. Caso o não tivesse triunfado no referendo, certamente que o fato serviria de mote para que os jornalões e os “articulistas” dos grandes meios televisivos, como já é de praxi, deitassem e rolassem contra o que eles chamam de propostas “atrasadas e populistas”. Foi melhor então colocar panos quentes no fato, mesmo que estivessem rifando um valor determinante do jornalismo: o critério de noticibilidade. Talvez, pura ingenuidade deste que escreve, já que os critérios são sempre ideológicos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Estados Unidos declaram apoio incondicional à chacina

Agora é oficial. O Congresso norte-americano está em vias de aprovar o apoio incondicional dos Estados Unidos à agressão de Israel à Faixa de Gaza. A informação foi passada à agência France Press pela presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, do mesmo partido de Barack Obama. Segundo a mesma fonte, o documento também conta com a aprovação da maioria dos senadores, tanto democratas quanto republicanos. Como já dito neste blog, na terra do Tio Sam existe um monopartidarismo disfarçado de bipartidarismo que faz o papel único de defensor dos grandes interesses das indústrias bélica e petrolífera.

O massacre de Gaza pela ótica do chargista Latuff

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Objeção de consciência de jovens de israel Envie Carta de apoio www.december18th.org

Os Shministim são jovens estudantes israelenses, todos com idade entre 16 e 19 anos, no final do segundo grau. Eles recusam o alistamento no exército de Israel por objeção de consciência. Estão presos por isso. Esses estudantes defendem um futuro de paz para israelenses e palestinos e negam-se a pegar em armas. Além da prisão, enfrentam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel. No dia 18 de dezembro foi iniciada uma campanha mundial pela libertação desses jovens.

O silêncio previsível de Barack Obama



Há alguns meses escrevi um artigo que alertava quanto às excessivas expectativas em relação à eleição do senador Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos. Incensado como uma espécie de novo messias da humanidade, Obama ganhou as páginas da mídia internacional prometendo encerrar a chamada era Bush, o presidente fundamentalista e belicista que representou durante oito anos a “América profunda”. George Bush seria o fidedigno retrato dos "nucas vermelhas", os fazendeiros brancos, racistas e reacionários do sul dos Estados Unidos. Um presidente negro representaria outros interesses. A princípio. Portanto, não cheguei a vibrar com o fato e procurei dosar o entusiasmo dando o devido desconto ao carnaval midiático. Às notícias, faltavam os necessários filtros requeridos para uma avaliação mais serena acerca da eleição de Obama. Passada a euforia, dois episódios se apresentam necessários para uma ponderação mais equilibrada: a crise econômica e o massacre israelense na Faixa de Gaza. No primeiro, Obama, ainda candidato e depois já eleito, manteve-se atuante para debelar o problema. Deu palpites, conversou com banqueiros e industriais e mobilizou sua equipe de assessores econômicos para trabalhar junto à Casa Branca na aprovação do pacote de US$ 750 bilhões de ajuda aos banqueiros; Já em relação ao segundo episódio, o silêncio. Aliás, Obama já sinalizara em julho passado sua “lealdade indestrutível” à segurança e ao direito de “autodefesa” israelense. Na verdade, a permuta de um representante republicano por um democrata em nada afeta a política externa estadunidense. Não são dois partidos e sim dois lobbys de mega interesses que se alternam no governo dos Estados Unidos desde a constituição daquela república, considerada “a maior democracia do mundo”. Há quem acredite. E a eleição de Barack Obama, a despeito da sua importância simbólica para a humanidade, não consegue romper esse sistema. A propósito, é integrado a ele, lamentavelmente. E, o pior, o massacre perpetrado por Israel é cronologicamente dosado, acontece antes da posse de Barack Obama, que, após assumir o cargo, buscará fazer a “paz” entre o Estado judeu e o que sobrar de Gaza. Já são mais de 1.500 mortos, entre os quais cerca de 200 crianças. Será a paz dos túmulos. A “paz” que interessa a Israel, já que movida pelo subjugo de uma nação sem chão. Será essa a “esperança” que Barack Obama representa? Enquanto isso, no inferno de Gaza, a Cruz Vermelha está sendo impedida de ter acesso à população atingida pela chuva de bombas israelense. Segundo a organização, seus funcionários presenciaram cenas dantescas. Uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza. Junto aos cadáveres, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpos de suas mães. A Cruz Vermelha afirma que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio. Obama continuará calado?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A revista Veja é um estupro mental


Acima, os "extremistas" que a revista Veja afirma que Israel matou em defesa própria

Já tinha cansado de criticar a Veja. Não dá pra competir com tantas asneiras, sandices, cretinices e fundamentalismos ideológicos de direita. A Veja tenta comover corações e mentes de parcelas significativas das classes médias com suas teses reacionárias, mas agora extrapolou. A revista que se jacta de ter a maior circulação nacional simplesmente está defendendo o assassinato em massa de palestinos, de crianças palestinas! Sempre achei que o articulista da Veja on-line, Reinaldo Azevedo, era um criptofascista. Agora não tenho mais dúvidas, Azevedo é um fascista assumido. Ou um psicopata das letras. Creio que se ele tivesse feito a cobertura do julgamento de Nuremberg, certamente cederia sua pena para defender os criminosos nazistas que assassinaram milhões de pessoas nos campos de concentração. Agora ele defende os assassinos israelenses. Não, ele não dissimula seus argumentos, ele os assume peremptoriamente. Chega a afirmar que as crianças palestinas morreram porque seus pais não as defenderam. Fico a imaginar qual a possibilidade de um pai ou uma mãe defender um filho de um disparo de tanque, canhão ou míssil. Cínico! No mesmo tom, a capa da “revista mais lida do país” estampa: “A guerra total em Gaza contra os extremistas do Hamas”. Interessante. Qual o conceito de extremismo para a publicação da família Civita? Quem foi ao extremo, os palestinos que foram expulsos das suas casas para viver em acampamentos sem saneamento básico e sob péssimas condições, ou o exército de Israel, que os expulsou e os condenou a viver em tal situação? Ainda é de viva memória o episódio dos campos de refugiados de Sabra e Shatila, na fronteira com o Líbano, onde, em 1982, o coronel israelense Ariel Sharon permitiu que os milicianos cristãos libaneses massacrassem milhares de palestinos. Então, de onde vem o extremismo, afinal? A direita israelense que não admite a existência de um estado palestino não é extremista? Ou extremista é a autodefesa de um povo sem território? E as vozes dos israelenses sensatos? Porque não são veiculadas pela Veja? Já protestaram contra o genocídio a ex-ministra de Educação de Israel, Shulamit Aloni, o ex-deputado israelense Uri Avnery, que publicou uma carta aberta ao presidente Barack Obama defendendo a existência de um estado palestino; assim como o jornalista Gideon Levy, que tem criticado o papel da mídia do seu país. Estas vozes não figuram na Veja. Na Veja de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainard Israel não ataca, apenas se defende. A Veja, vejam, é um blefe recheado de publicidade. Para a Veja, seus milhares de leitores se constituem em milhares de Homer Simpsons. Ou talvez a Veja entenda que não tem leitores e sim ladrilhos que possam espelhar suas idéias ao simples passear dos olhos nas suas palavras. A Veja é um estupro mental.