A revista Veja é um estupro mental


Acima, os "extremistas" que a revista Veja afirma que Israel matou em defesa própria

Já tinha cansado de criticar a Veja. Não dá pra competir com tantas asneiras, sandices, cretinices e fundamentalismos ideológicos de direita. A Veja tenta comover corações e mentes de parcelas significativas das classes médias com suas teses reacionárias, mas agora extrapolou. A revista que se jacta de ter a maior circulação nacional simplesmente está defendendo o assassinato em massa de palestinos, de crianças palestinas! Sempre achei que o articulista da Veja on-line, Reinaldo Azevedo, era um criptofascista. Agora não tenho mais dúvidas, Azevedo é um fascista assumido. Ou um psicopata das letras. Creio que se ele tivesse feito a cobertura do julgamento de Nuremberg, certamente cederia sua pena para defender os criminosos nazistas que assassinaram milhões de pessoas nos campos de concentração. Agora ele defende os assassinos israelenses. Não, ele não dissimula seus argumentos, ele os assume peremptoriamente. Chega a afirmar que as crianças palestinas morreram porque seus pais não as defenderam. Fico a imaginar qual a possibilidade de um pai ou uma mãe defender um filho de um disparo de tanque, canhão ou míssil. Cínico! No mesmo tom, a capa da “revista mais lida do país” estampa: “A guerra total em Gaza contra os extremistas do Hamas”. Interessante. Qual o conceito de extremismo para a publicação da família Civita? Quem foi ao extremo, os palestinos que foram expulsos das suas casas para viver em acampamentos sem saneamento básico e sob péssimas condições, ou o exército de Israel, que os expulsou e os condenou a viver em tal situação? Ainda é de viva memória o episódio dos campos de refugiados de Sabra e Shatila, na fronteira com o Líbano, onde, em 1982, o coronel israelense Ariel Sharon permitiu que os milicianos cristãos libaneses massacrassem milhares de palestinos. Então, de onde vem o extremismo, afinal? A direita israelense que não admite a existência de um estado palestino não é extremista? Ou extremista é a autodefesa de um povo sem território? E as vozes dos israelenses sensatos? Porque não são veiculadas pela Veja? Já protestaram contra o genocídio a ex-ministra de Educação de Israel, Shulamit Aloni, o ex-deputado israelense Uri Avnery, que publicou uma carta aberta ao presidente Barack Obama defendendo a existência de um estado palestino; assim como o jornalista Gideon Levy, que tem criticado o papel da mídia do seu país. Estas vozes não figuram na Veja. Na Veja de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainard Israel não ataca, apenas se defende. A Veja, vejam, é um blefe recheado de publicidade. Para a Veja, seus milhares de leitores se constituem em milhares de Homer Simpsons. Ou talvez a Veja entenda que não tem leitores e sim ladrilhos que possam espelhar suas idéias ao simples passear dos olhos nas suas palavras. A Veja é um estupro mental.

Comentários

Guilherme F. de Gusmão disse…
Valeu Zeca!
Fabricio Lopes disse…
Zeca,
você chegou à perfeita representação, em um termo, do que é a Veja. "Estupro Mental" é perfeito. É justamente isso o que a Veja é. A palavra "estupro" dá a exata dimensão da hercúlea e grosseira força que Veja e seus articulistas fazem para nos convencer (ou seria melhor converter???) de seus pontos de vista. E a sensação que fica em quem lê, mas não comunga das idéias vejinianas, é a mesma de uma vítima deste crime hediondo: nojo, asco, repúdio, escárnio!
Daniela disse…
Parabéns professor!! Belo e coerente texto, fazendo com que relembremos fatos que nos ajudam a entender a situação atual. Vida longa ao TEXTOS AO VENTO.

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