sábado, 31 de outubro de 2009

A técnica e o político

Herbert Marcuse já alertava contra os argumentos que empulhavam o político em nome da "técnica"


Há alguns dias fui cobrado sobre uma pretensa tensão existente entre os posicionamentos técnico e político. A mim foi lançado o argumento de que estes seriam estanques, decompartilhados, e que percorreriam explicações díspares. Tal qual foi sugerido, a explicação “técnica” se encarregaria de suplantar o aspecto político, mesmo em se tratando de iniciativas do Estado e, via de consequência, do poder público. Compro esse debate. Em que medida uma ação ou determinada política pública que segue uma diretriz de um projeto político pode ser dimensionada como uma ferramenta eminentemente “técnica”? Existe uma economia “técnica”? Ou mesmo uma gestão pública apenas “técnica”? É o mesmo que sugeri uma ciência social neutra, ou algo equivalente. Isso não existe. A armadilha funcionalista já tentou alçapar os movimentos da sociedade nas suas explicações, incluindo ai a política e a economia. Um grande engano que se embrenhou em teses decaidas e fagocitadas pelas dinâmicas sociais. Desafio apontar um só momento e movimento na história social, política e econômica onde a “técnica” emergiu como algo dissociado de um sentido ideológico. Ainda nos anos 30 o filósofo alemão Herbert Marcuse alertava quanto a esta questão. Os processos de transformação e mudança na sociedade, incluindo muitas vezes o Estado como motor sistêmico para tal, não se originam de “tecnologias gerenciais” e sim de respostas às demandas socias. Karl Marx aponta que as idéias não existem para explicar a realidade; ao contrário, é a própria realidade que explica a existência das idéias, já que estas servem de justificativa àqueles que estabelecem seus mecanismos de controle sobre as complexas relações de poder no âmbito do Estado e da sociedade. A técnica é, portanto, uma reposta a uma proposição política, uma vez que não há como desvencilhar uma da outra no contexto da gestão pública. Tarefa impossível. Lanço aí o debate àqueles que desejem o contraponto. Estou à disposição.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A boa palavra de Sócrates Santana

Vá à Porta do Inferno

Sócrates Santana*

A exposição de Auguste Rodin na Bahia traz a tona um campo de disputas, de conflitos, de descontinuidades, de multiplicidade de discursos sobre a política e as artes visuais maiores que as frases anatômicas contidas nas esculturas do artista francês. Uma disputa que não está restrita aos méritos de quem preparou o terreno para a vinda inédita de 62 peças a capital baiana, mas, as denúncias de um relatório composto por 200 páginas sobre a Bahiatursa e obscuras relações entre os governos carlistas, agências de publicidade e organizações não-governamentais formadas por servidores públicos.
Não é difícil ouvir nas rádios e na internet, gracejos de parlamentares e lideranças partidárias sobre a co-autoria desta exposição, assim como, o reforço de comunicadores “sem memória” desta tese. Ocorre que os conflitos se dão no campo simbólico, mas, pautado por uma clara tática de jogar para debaixo do tapete um passado nefasto em torno de uma agenda positiva construída pela atual gestão estadual. As atuais secretarias de cultura e turismo, claramente, não tocam no assunto por receio deste enredo sujo resvalar uma gota de sua imundice no cenário do agora. No retrovisor do governador Jaques Wagner tem um bocado de carroças tentando pegar carona nos avanços da política cultural deste governo.
Talvez, se a estátua “O Pensador” de Rodin, pudesse e soubesse o teor do conteúdo do relatório do Tribunal de Contas do Estado, entre 2003 e abril de 2005, que apontava movimentações de R$ 101 milhões por meio de uma conta bancária não registrada no sistema de controle do erário baiano, certamente, iria tirar a mão do queixo e sair correndo, como outra obra do artista, “Homem que anda”. Leia mais: http://www.emilianojose.com.br/cartacapital_366.htm
Como os franceses estão no meio desta roda baiana, um alerta do filósofo Michel Foucault responde bem a um comentário despolitizado de um antropólogo meia boca que fala aos sete cantos de Salvador por meio de uma rádio local. Foucault vem bem a calhar. "É preciso admitir um jogo complexo e instável em que o discurso pode ser, ao mesmo tempo, instrumento e efeito de poder, e também obstáculo, escora, ponto de resistência e ponto de partida de uma estratégia oposta. O discurso veicula e produz poder, reforça-o mas também o mina, expõe, debilita e permite barrá-lo". Ou seja: não há um mundo dividido entre dois discursos, admitido ou excluído, dominante ou dominado. O que existe é um oportunismo deslavado de quadrilhas que se instalaram na Bahia por décadas.
Mas, é cabal apontar o quanto fez mal aos baianos e a imagem da Bahia as maracutaias orquestradas pelos caciques de outrora. Dos R$ 101 milhões, R$ 48,1 milhões foram depositados nas contas de uma agência de publicidade, muita ligada a um famigerado clã baiano. O duto percorria um trajeto nebuloso, que incluía governo e ONG pouco ortodoxa. Apesar da atual gestão não possuir qualquer vinculo com as operações anteriores, qualquer pessoa sensata deduziria que se a lama do passado viesse à cena neste cenário belíssimo proporcionado pelo esforço do governo Wagner, o lodo deles poderia encobrir a brilhante obra de Auguste Rodin em exposição na Bahia. Por fim, fica uma sugestão aos maledicentes línguas do carlismo. Calem as bocas e vão bater na “Porta do Inferno”.

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Sócrates Santana
jornalista

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Movimento Pela Vergonha na Cara dá um pau em William Waack

Carta Aberta a William Waack:

Não utilizamos aqui qualquer pronome ou outro tratamento à sua pessoa, por você mesmo se desqualificar através de seus conhecidos e ingentes esforços como traidor da pátria.
Nós, do MVC - Movimento pela Vergonha na Cara, tivemos o desprazer de acompanhar hoje, 16/10/09, sua declaração ao programa Entre Aspas da Globo News de que a reserva petrolífera do Pré Sal não terá relevância alguma ao futuro do país, em razão do desenvolvimento de energias alternativas.
Fosse você um completo desinformado, incapaz de deduzir as milhares de aplicações dos derivados do petróleo, poderíamos compreender a ignorância contida nessa afirmação e procurar esclarecê-lo, fornecendo-lhe informações elementares a respeito do assunto. Mas é evidente que a bobagem proferida não reflete ignorância ou imbecilidade. Muito pior, reflete mórbida falta de caráter que se faz persistente, denotando-lhe como um dos mais esforçados porta-vozes da UGP - União dos Gigolôs da Pátria.
Sabemos que você não é um idiota de graça. Sabemos que ganha para desinformar o povo brasileiro em benefício do maior crime lesa-pátria já intentado em nossa história com a não consumada privatização da Petrobras, quando já se evidenciavam os indícios de uma das maiores bacias terrestres da matéria prima. Sabemos que, como cúmplice daqueles gigolôs, você é um dos que sobrevive através de mentiras desenvolvidas para enganar ao povo brasileiro e incentivar a prostituição do país aos interesses internacionais.
Esta carta para desmascarar suas intenções será distribuída pela internet através da rede de correspondentes que integra o Movimento pela Vergonha na Cara e, certos de que chegará até você através daqueles a quem tenta enganar, esclarecemos que nosso objetivo é erradicar o malefício que você, seus colegas, seus patrões, e os políticos a que vocês apóiam e promovem, representam para o Brasil e o povo brasileiro.
Esteja certo de que voltaremos a apontar suas farsas a cada vez que você usar de espaços públicos de comunicação, sejam concedidos ou assinados, para mentir aos brasileiros se passando por idiota, imbecil ou ignorante.
Sempre que para desqualificar os esforços do maior patrimônio empresarial do povo brasileiro, a Petrobras, você se mentir como incapaz de imaginar que mesmo depois de que todos os biocombustíveis e fontes alternativas de energia substituírem a gasolina ou o diesel, a ampla diversidade de empregos e aplicações do petróleo continuará tornando a exploração do Pré Sal um dos mais significativos empreendimentos mundiais; desmascararemos abertamente sua farsa.
Destacaremos que você mesmo entrevistou, com abjeta subserviência, um general do Departamento de Defesa dos Estados Unidos especialmente enviado ao Brasil para negociar a participação daquele país na exploração do Pré Sal, como você mesmo anunciou em notável demonstração da canalhice contida em sua personalidade que com tamanha empáfia, hoje, declara nossa reserva do Pré Sal como inócua.
Se faz de imbecil, mas tem plena ciência de que se o Pré Sal fosse tão insignificante quanto afirmou para sua colega (em caráter inclusive) Monica Waldvogel no "Entre Aspas", aquele seu entrevistado não seria enviado pelo governo norte-americano ao Brasil e nem teria se servido, há poucas semanas atrás, de seu servilismo no lamentável noticiário que você apresenta.
Não nos interessa quem lhe paga para ser capacho dos interesses externos e prepotentemente contrário aos interesses do futuro do povo brasileiro, mas nos esforçaremos para tornar pública sua função de gigolô da pátria, alertando a todos que queiram recuperar a dignidade e a vergonha na cara, até que um dia possamos erradicar os farsantes que como você trabalham para corromper o futuro de nossos filhos e do nosso país.
Por enquanto, continuaremos colhendo informações sobre sua longa experiência como sabujo dos interesses do capital estrangeiro, a serem usadas sempre que tornar a expor suas mentiras e enganações de gigolô.

MVC - MOVIMENTO PELA VERGONHA NA CARA

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Colonisso" de vento em polpa

A edição deste domingo de um certo jornal soteropolitano traz seu renomado colonisso novamente papagaiando uma colunista do PSDB. O raciocínio dos textos é quase univitelino.

domingo, 25 de outubro de 2009

O Clad e a política na América latina




Nesta terça-feira (27) será aberto em Salvador o XIV Congresso Internacional do Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento (CLAD). O tema do evento, que contará com representações técnicas e autoridades de 22 países, será a Reforma do Estado e a Administração Pública. O CLAD ocorre num momento especial da América Latina, quando a agenda política da região é marcada pela disputa da hegemonia entre as forças que se identificam com o passado, explicitamente neoliberal, e com o presente, pós-neoliberal. Os rompimentos com o antigo modelo vão ganhando contornos mais amplos, mediante o fortalecimento do papel dos estados nacionais e o crescimento dos movimentos sociais. Brasil, Argentina, Venezuela, Cuba, Equador, El Salvador, Nicarágua, Bolívia, Paraguai e, tudo indica, o Uruguai – as eleições ocorrem neste domingo e existe a possibilidade do candidato José Mojica, da Frente Ampla, ser eleito presidente - são países nos quais essa disputa se coloca de forma mais enfática. Não sem razão que o linguista e intelectual dissidente norte-americano Naom Chomsky declarou recentemente que "América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo". O continente soergue-se. O ciclo neoliberal que está sendo superado vitimou os estados com violentas crises de dívidas que culminaram com empréstimos e cartas de intenções ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Os estados foram esfacelados e enfraquecidos, debelando as políticas sociais sob a batuta hegemônica do capital financeiro, o que resultou em forte retração do desenvolvimento econômico. Os chamados ajustes fiscais e os “choques de gestão” amputaram a capacidade de articulação do setor público. Tais medidas comprometeram desde a prestação dos serviços à sociedade – saúde e educação em destaque - a atuação dos governos como fomentadores da economia. A América Latina ficou refém dos experimentos neoliberais e, no Brasil, o governo de Fernando Henrique Cardoso levou o país a duas vigorosas crises econômicas, terminando por quebrar o Brasil. Mas as mudanças registradas a partir do final dos anos 90, tendo início na Venezuela e posteriormente se espalhando como rastilho de pólvora pela maioria dos países do continente, impuseram uma inflexão nesse itinerário. No CLAD, várias destas experiências que se processam no continente serão apresentadas. No entendimento do cientista político Emir Sader, o que unifica a gestão pública da maior parte dos governos latinoamericanos “é a reunião de dois aspectos comuns: a opção pelos processos de integração regional ao invés dos Tratados de Livre Comércio e a prioridade das políticas sociais”. Ainda de acordo com Sader, “são os dois pontos de maior fragilidade dos governos neoliberais, cuja lógica de abertura das economias privilegiou o livre comércio e os Tratados de Livre Comércio com os Estados Unidos”. Com a prioridade nos ajustes fiscais e na estabilidade monetária, as políticas sociais foram relegadas à milésima posição. Neste novo panorama político-econômico as políticas sociais ganham maior dimensão, ainda que longo caminho deva ser trilhado para atender as crescentes e urgentes demandas das sociedades nesses países. No caso do Governo do Brasil, o conceito de qualificação do gasto, por exemplo, tem assumido a agenda da gestão pública num antinômio direto ao antigo receituário de cortes sistemáticos do gasto público, que entende o Estado apenas como articulador dos interesses privados; opta-se pelo setor público a serviço do desenvolvimento econômico sustentável e perpetrador da distribuição de renda. E neste embate este segundo caminho vai ocupando mais espaços na América Latina. Que assim seja.

A poesia de Nilson Galvão





Stanley Kubrick

Toda a vida vai passar na tua frente
como um filme de Stanley Kubrick.
A infância, o que tramou
a juventude, o que tramou
e o sonho de amadurecer
e envelhecer tentando não se render.

Toda vida poderia ser um filme de
Stanley Kubrick: quem é que vai te segurar
quando for grande o medo
de flutuar?

E se a vida de repente for um filme de
Stanley Kubrick? E tudo aquilo que sentimos
não for nada do que sentimos, na verdade estiver
longe daqui?

Nilson Pedro Galvão

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O "fato" e o fato

Há cerca de uma semana a TV Globo e outros meios de comunicação do pais enveredaram, mais uma vez, pela estratégia do escândalo político. Nesta última, o alvo voltou a ser o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O elemento motivador do episódio foi a destruição de pés de laranja na fazenda Cutrale, agroindústria situada no município de Laras (SP) que, segundo o MST, ocupa área pública grilada do Estado. No entanto, o movimento nega que tenha assumido qualquer iniciativa para a destruição dos laranjais, ainda que assuma a ocupação da propriedade durante um período. Manifestando-se publicamente, o MST argumenta que “(...) as famílias acampadas recorreram à ação de ocupação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras (…)”. Talvez o que os milhões de telespectadores do Jornal Nacional não saibam é que a matéria veiculada pela emissora dos Marinhos apenas deu voz a um lado do problema, como já é de costume na maior televisão do país. O fato é que as cenas que apresentam um trator passando por cima dos pés de laranja ocorreram sem o conhecimento das famílias que se encontravam no ato político de ocupação da Cutrale. Para o MST, a ação foi perpetrada por elementos infiltrados que atuaram para desmoralizar e criminalizar o movimento. Ainda segundo o comunicado do MST, “(…) não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado”, afirma a nota. Na verdade, o que não é noticiável na maior parte dos meios de comunicação brasileiros é que o Brasil é o país onde mais se concentra terras no mundo. O resultado do Censo de 2006 é inconteste. Divulgado na semana passada, o documento revela que menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras. Trata-se de uma situação que leva violência ao campo. Nos últimos anos foram assassinados mais de 1,6 mil trabalhadores rurais, e apenas 80 dos assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no Massacre de Eldorado de Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996. A ofensiva midática ao MST, como de resto a todos os movimentos sociais, revela a postura preconceituosa e arrogante das elites deste país. E entre elas ainda ecoa o sentimento de casa grande que sempre acompanhou seus atos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Não passará!

Se sou convocado à luta, a luta que me espere, pois de meu filho jamais abrirei mão. Jamais!

domingo, 4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa - Gracias a La Vida

O mundo perdeu hoje a cantora argentina Mercedes Sosa. La Negra, como era conhecida, se tornou uma das ativistas políticas mais expressivas dos anos 70, quando denunciou a situação de opressão não só do seu país como de toda a América Latina. Ouçam sua bela voz nessa passagem.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As máscaras vão caindo



E as máscaras vão caindo. Aos poucos, a cobertura do golpe de estado em Honduras por parte dos jornalões, revistas semanais e redes comerciais de TV vai assumindo sua postura pró-quartelada. Talvez, saudades de 1954, 1961 e 1964. A Rede Globo, por exemplo, fez até a peripécia de entrevistar na semana passada um cientista político argentino para legitimar sua posição favorável à inconstitucionalidade em Honduras, ou seja, de apoio explícito ao golpe; já a revista Veja, não escondendo sua inclinação de extrema-direita, dedicou a capa da edição dessa semana para atacar a política externa do Itamarati. A exceção ficou por conta, apenas, da Carta Capital, que assumiu postura equilibrada frente ao fato, ou melhor, a única que se predispôs a fazer jornalismo. Enquanto isso, o processo hondurenho vai se deslocando para o fascismo. O governo de Roberto Micheletti editou uma espécie de AI-5 no seu país, fechou emissoras de televisão, proibiu reunião pública e restituiu o toque de recolher. Honduras está sob uma ditadura civil-militar. Nesse enredo, até o velho oligarca José Sarney, que durante meses serviu de saco de pancada dos seus antigos aliados, foi ressuscitado pelos algozes para se posicionar contra a decisão do Planalto de dar abrigo político ao presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya. “A sede diplomática não pode ser usada para a abordagem de assuntos internos de outro país”, disparou o bigode maranhense, para depois concluir: “Zelaya e seus seguidores transformaram a embaixada em um comitê político". As luvas finalmente encaixam-se nos dedos. Na Bahia, isso mesmo, os “colunistas”, ou colonissos locais, embarcaram em bloco no discurso de que “o governo do Brasil está fazendo o jogo de Chávez”; outros insistem “na trapalhada do Itamarati”. Quanta pobreza de argumento! O golpe no país centro-americano está sendo repudiado pela ONU e pela OEA e o governo de Micheletti não é reconhecido por nenhum país do mundo! No entanto, ganha o reconhecimento da mídia demotucana e seus representantes no Congresso Nacional. A sanha criptofascista da UDN ainda se faz presente, passados mais de cinquenta anos. E dela emana um fantasma que liquidifica suas insatisfações numa série de discursos que concatena novelos por vezes imperceptíveis. Fios que unem o ódio ao Programa Bolsa Família, à ação dos movimentos sociais ou ao apoio à restauração democrática em Honduras. Para essa gente, o que ocorre em Honduras tem como único responsável o próprio Zelaya. Imagina, como um presidente “ousa” ouvir a população do seu país para saber se esta deseja mudanças na Constituição? Enfim, a entourage midiática demotucana – e golpista, claro - sempre terá suas bruxas para queimar em praça pública. E assim sempre foi.

"Colonisso", o colunismo político na província



Na Bahia, particularmente na imprensa soteropolitana, está se construindo um novo conceito de colunismo político. O nome é colonisso. Sim, são aqueles que se encantam com as leituras dos colunistas dos jornais e revistas do centro-sul e fazem uma espécie de “releitura” na praça local. Por vezes, até copiam os argumentos, posicionamentos e raciocínios das estrelas que frequentam as páginas dos Frias, Mesquitas, Civitas e Marinhos, entre outros. Quase na íntegra. Colam nessas estrelas como bons colonizados; portanto, colonisso, colonizado que cola no colonizador.