quarta-feira, 30 de maio de 2007

A principal arma dos estudantes paulistas: a Constituição da República Federativa do Brasil. Serra quer rasgar a Carta Magna

o artigo 207 da Constituição Brasileira de 1988 define perfeitamente o princípio da autonomia universitária: “As Universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”;

Leiam o Blog da Ocupação, informação que não sai nos jornalões

Os estudantes da Reitoria da USP ocupada montaram um verdadeiro centro de mídia para buscar neutralizar a ação das redes de televisão e jornalões do país, comprometidos com os discursos do governador José Serra. A organização da garotada é espetacular. Jardins e dependências da Reitoria estão sendo bem cuidados, assim como a infraestrutura administrativa dos setores ocupados. Democracia e participação coletiva. Veja aqui o blog da ocupação e acompanhe de perto a mobilização sem se deixar contaminar pela verborréia barata dos jornalões conservadores do país.

domingo, 27 de maio de 2007

A Rede Globo acha que todo mundo é idiota?

A quem a Globo quer enganar quando chora lamentando a não renovação da concessão da Radio Caracas Televisión (RCTV) por parte do governo da Venezuela? Durante uma semana a Vênus Platinada “informou” aos seus telespectadores que a RCTV iria sair do ar porque faz oposição ao governo. No Fantástico, Pedro Bial só faltou verter lágrimas ao dar a “notícia”. Mas a Globo não informou devidamente o que está por detrás da medida tomada pelo Estado venezuelano. A RCTV participou da tentativa de golpe contra o presidente Hugo Chávez em 2002 e de lá para cá teima em descumprir a constituição do país.
Para a jornalista Elaine Tavares, participante do Observatório Latino Americano (OLA), “na nova lógica da lei das comunicações venezuelanas, aquele que detém o controle da empresa não é o dono da mensagem. Ele tem, por obrigação, garantir a pluralidade das vozes, a democratização das idéias e a participação popular. Portanto, na avaliação do governo da Venezuela, a RCTV, terminado o seu prazo de concessão, não atende aos requisitos básicos para continuar gerindo um bem público. E por quê? Porque desde sempre a emissora manteve a política de informar apenas um lado da questão: o que interessa ao grande capital. Segundo o relatório governamental – disponível na Internet – a RCTV, durante o golpe que tentou tirar Hugo Chávez do poder, difundiu notícias falsas, impediu a fala de pessoas do governo, fomentou a violência, negou-se a divulgar as opiniões que eram favoráveis ao governo e não mostrou qualquer ato de mobilização dos partidários de Chávez”.
Fica explicado então o motivo que leva a irmã ideológica da RCTV no Brasil, a Rede Globo, a lamentar tanto. A emissora dos Marinhos ainda tem saudades do golpe de 1964, da defesa do Regime Militar, da tentativa de fraudar a eleição para governador no Estado do Rio em 1982 (caso Proconsult) e da manobra no debate das eleições de 1989. Acha o ápice do Jornalismo a cobertura enfadonha que costuma fazer da cena política no Brasil. E quando apresenta a “multidão” nas ruas de Caracas protestando contra a medida, na verdade um conglomerado de pessoas, a emissora do Jardim Botânico procura defender sua própria tese com a roupagem de “notícia”. Todavia, a Globo não informa que na Venezuela as emissoras privadas de rádio e TV controlam 78% das concessões e há ampla liberdade de expressão.
E se for depender da Rede Globo, seus telespectadores continuarão a ignorar que na Venezuela o aumento do salário mínimo foi de 20%, passando para 614 mil bolívares, o que equivale a 286 dólares (no Brasil são 180 dólares), configurando-se assim no maior salário mínimo da América Latina, superior inclusive ao do Chile.
A Globo vira as costas também para outro fato. Na Venezuela, os funcionários públicos ganharam um abono de 450 mil bolívares, elevando o piso para quase 500 dólares por trabalhador. Além disso, os demais trabalhadores da iniciativa privada já recebem alimentos e remédios subsidiados de 50% até 90% de seu valor, através do sistema Mercal, de Mercados Populares.
E teve alguma matéria da Globo informando sobre a diminuição da jornada de trabalho para seis horas diárias, de forma gradual, até 2010? E sobre a criação do projeto de Lei de Estabilidade no Emprego na iniciativa privada, que será entregue ao parlamento para discussão? O Estado venezuelano acredita que assim os trabalhadores estarão mais seguros e firmes na disposição de construir um país melhor. Pois é, quanta coisa se passa no país vizinho e a Globo não informa seus telespectadores. Será por quê? Quem advinha? Quem acredite que compre os propósitos “democráticos” da Rede Globo de Televisão com o seu enigmático “plim plim”.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Resistência!

Estudantes da USP resistem à reintegração de posse ordenada pela Justiça. Na verdade, resistem à vontade do governador José Serra de iniciar a privatização do ensino público superior do Estado de São Paulo. Que alunos universitários e secundaristas de todo o país se mirem no exemplo dos colegas paulistas e partam urgentemente para a luta contra a intervenção drástica do mercado na educação.

domingo, 20 de maio de 2007

Estudantada da USP enfrenta José Serra


Desde o dia 03 de maio que estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) ocupam a reitoria da instituição. O ato é em protesto contra a medida do governador José Serra (PSDB) de centralizar o orçamento das universidades estaduais paulistas. Os manifestantes também apresentaram uma pauta de reivindicações que tem como tema central a questão da moradia dos estudantes provenientes de outras cidades e aqueles sem condições financeiras de sustento. Na verdade, o governador tucano está de olho num total de R$ 5,5 bilhões correspondentes à arrecadação de 9,57% do ICMS no estado, recursos até então canalizados para as universidades públicas estaduais. O que Serra quer é gerir diretamente esses recursos mediante a Secretaria de Ensino Superior, criada com essa finalidade. Essas medidas do tucanato paulista são de curto e médio prazo. Em longo prazo, esperem, eles buscarão iniciar a privatização da USP, Unicamp e Unesp.
Os estudantes da USP estão resistindo a uma perversa lógica neoliberal cujo alvo, no momento, é a desconstrução da autonomia universitária, direito assegurado pela Constituição do país desde 1988. Na prática, pela vontade do Serra, até a aquisição de um computador terá que passar pela sua mesa. No rastro, segue o desmonte das instituições públicas mediante o corte sistemático de verbas e o sucateamento. Trata-se de uma estratégia amplamente difundida à época do governo de Fernando Henrique Cardoso, responsável pelo maior entulhamento que as universidades públicas do Brasil já conheceram. Na contrapartida, o fortalecimento das instituições privadas para a futura aquisição dessas universidades.
Para Serra, os reitores devem estar suscetíveis às demandas do Executivo paulista cuja lógica, na gestão dele, foi responsável pelo buraco do metrô em São Paulo, quando o Estado realizou um contrato draconiano com empreiteiras onde o setor privado geria o interesse público sem “inconvenientes”. Deu no que deu.
Por outro lado, a retomada das lutas universitárias aponta como um alento ante a parasitária que se tornou a vida estudantil no país. A ocupação da Reitoria da USP se torna um novo marco. Junto com os funcionários, a garotada tem mostrado maturidade para enfrentar uma situação que se apresenta não apenas pela violência institucional do ato de Serra, mas, sobretudo, contra a privatização crescente do ensino superior, cujos resultados são a precarização da educação e dos salários dos docentes.
A estudantada se levanta contra a construção de modelos de ensino totalmente voltados ao mercado e distantes da realidade nacional. São currículos “compactos”, com precária formação tecnicista que visa formar “robôs” para servirem de “garçons” no supermercado neoliberal. Ninguém é instigado a pensar, refletir e criticar, apenas a obedecer e operar as máquinas de uma suposta pós-modernidade.
E há poesia de sobra no ato da estudantada. A bandeira erguida à frente da Reitoria da USP, com o escrito “Ocupada”, remete às viçosas manifestações ocorridas na França em 1968, quando, na Universidade de Nanterre, em Paris, os estudantes franceses iniciaram uma das mais empolgantes lutas universitárias do século XX. No campus da Nanterre bandeiras foram hasteadas com os dizeres: "Seja realista, exija o impossível", "É proibido proibir" e “A imaginação no poder”. E nos muros do campus era exibido o filme Terra em Transe, do cineasta brasileiro Glauber Rocha. Eles instituíram no calendário o mítico Maio de 68.
Uma coisa é certa, sem resistência o processo demoníaco de sucatização do ensino público do país não cessará. E a moçada da USP tem dado conta direitinho do recado a ponto de colocar a reitora da instituição, Suely Vilela, na condição defensiva. Os estudantes sabem que, caso não resistam, eles continuarão sendo vítimas, assim como a sociedade, da perversa orientação neoliberal que visa a comercialização progressiva e radical da educação. Veja aqui um dos momentos mais lúdicos da ocupação da reitoria da USP quando a estudantada canta a música Meu amigo Pedro, de Raul Seixas.

terça-feira, 15 de maio de 2007

O Papa que a Globo não mostrou


A cobertura da Rede Globo acerca da visita do Papa Bento XVI ao Brasil se apresentou como um festival de panegíricos e loas à figura do sumo pontífice, e mais nada. As vozes discordantes foram completamente ignoradas enquanto a Vênus Platinada procurava fazer crer aos telespectadores que Ratzinger reunia um número de fiéis bastante superior ao que de fato se registrara nos eventos. Na missa de Aparecida, por exemplo, a emissora informara de véspera que estariam reunidas 500 mil pessoas, mas no dia apenas 150 mil estiveram presentes. Todavia, o oba oba global lhe rendeu bons frutos, já que sua audiência média, com a cobertura, atingiu a marca dos 75%. E esse era o intento com tantos salamaleques a Bento XVI.
A pauta se limitou ao show. Fatos como a recusa da agenda do Vaticano em receber as lideranças indígenas, mediante a gestão do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), órgão ligado à própria Igreja Católica, não foram noticiados. O Cimi tem predominância de sacerdotes que militam na corrente da Teologia da Libertação, que Ratzinger reprime peremptoriamente.
A Globo também não noticiou nenhuma das mobilizações ocorridas no país que questionaram a visita do Papa. Os protestos dos movimentos gays, dos padres casados e de vários movimentos sociais simplesmente foram desconhecidos. Enquanto isso, se alimentou a ilha do irreal, na qual o país viveu dias de “profunda fé”, com jovens sorridentes nas ruas de São Paulo que se regozijavam ante a presença do sumo pontífice.
Quanto ao lado político do fato, a emissora dos Marinhos destacou o paradoxal discurso de Ratzinger na abertura da Quinta Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), onde a verve direitista de Bento XVI atacou os “regimes autoritários” das Américas numa clara alusão à Venezuela, Bolívia e Cuba. É como se o discurso tivesse sido tirado da boca da própria emissora.
No entanto, nenhuma fonte foi ouvida para avaliar as exigências descabidas do Papa ao Estado brasileiro, como tornar obrigatório o ensino religioso e isentar a Igreja de ações na Justiça, inclusive trabalhistas. Se pudesse, Ratzinger reeditaria as concordatas de 1929, quando o Vaticano colocou diversas nações européias de joelhos e o ditador fascista italiano Benito Mussolini foi considerado como um “enviado da Providência Divina” pelo Papa Pio XII.
A cobertura foi finalizada no domingo, no Fantástico, com um imenso festival de câmaras que captaram os mais variados momentos dos encontros de Bento XVI com os fiéis. Personagens foram acompanhados para ver o Papa dando destaque à fé dos mesmos. E, no fechamento, a voz da repórter Ilze Scamparini informou que Ratzinger voltaria feliz para Roma após ter provado as frutas e os sucos da terra. Enfim, muito pouca coisa se salvou dessa cobertura pífia e que apenas visou atingir massas de desinformados sujeitos à manipulação mediante o apelo de uma fé encomendada pelos interesses de empresas e instituições.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Boca grande e pouco cérebro, mas quando se trata de ganhar dinheiro...

E a chamada mídia populista avança no país com apresentadores que beiram à mediocridade em termos de conteúdo. Parece que não há vida inteligente entre eles, que quase sempre se arvoram como “defensores do povo”. Todavia, são providos de inteligência suficiente para elocubrar os mais díspares intentos. Passando-se como demiurgos da “moralidade”, constroem formas sensacionalistas de comunicação para criar situações nas quais se apresentam como soluções para quase todos os males sociais. Em média, são argentários da mídia que sempre trocam um afago a uma empresa, político ou pessoa que lhes banque uma cota publicitária, ou, de modo contrário, estarão à espreita para defenestrar, desmoralizar e atacar aqueles que virem as costas para seus agentes comerciais. E o pior é que chegam a ser temidos na sociedade porque são especialistas em criar factóides e pequenos escândalos midiáticos quando seus intentos gananciosos não são atingidos. Um deles, bastante conhecido na Bahia pela dimensão da sua boca, faz a seguinte apresentação do seu programa na emissora que o veicula: “O programa mostra os fatos ocorridos no Estado, ajuda os telespectadores mais carentes e abre espaço para a população apresentar suas dificuldades e seus problemas diários”. Não, não é piada. Dia desses apareceu na Universidade Federal da Bahia como “jornalista”. Nem mesmo sei se tem o segundo grau.

A vida de Marx na telona

O cineasta haitiano Raoul Peck vai dirigir o filme sobre a vida de Karl Marx. A cinebiografia será em ritmo de aventura, apresentando a juventude do filósofo alemão, mentor do socialismo científico. O filme, que será ambientado em Paris entre 1830 e 1848, mostrará a trajetória do jovem Marx, culminando com a publicação do Manifesto Comunista. A película também abordará fatos acerca da vida íntima do pensador, a exemplo do seu romance com a aristocrata alemã Jenny Von Westphalen e a amizade com Friedrich Engels, co-autor do Manifesto.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Mentiras, mil vezes mentiras!



Um presente de grego para os trabalhadores. No decorrer da semana o Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens sobre o mercado de trabalho no Brasil. A pauta foi o trabalho informal e o desemprego. Novamente, o engodo escancara na Vênus Platinada. Resgatando o velho Karl Marx, é fácil entender porque “as idéias não explicam a realidade, já que é a própria realidade que explica a existência das idéias”. Se a Rede Globo fugisse um pouco do cinismo e tivesse mais sinceridade com o seu discurso direto e não o subliminar, apresentaria as matérias como a preocupação do capital em não perder privilégio, continuar lucrando e manter o trabalho refém do seu humor e desígnios. Com a “autoridade” que lhe foi designada, o editor do programa e apresentador William Bonner, acompanhado pela mulher e também apresentadora Fátima Bernardes, impuseram um ar de tanta “seriedade” às reportagens que até parecia verdade. “Especialistas” foram ouvidos sobre o “mundo” do trabalho, nenhum deles ligado a sindicatos ou entidades que pudessem apresentar o lado do trabalhador, apenas “estudiosos” coadunados com as teses do neoliberalismo.As matérias da Rede Globo, verdadeiros discursos de cristalização do ideário neoliberal, trouxeram à tona a periferia do problema, apenas. Numa sociedade que 0,003% da população concentram 40% da riqueza nacional fica fácil entender o drama do desemprego e da informalidade. Dados, aliás, que não foram e nem nunca serão apresentadas na televisão dos Marinhos. O Brasil é o segundo país mais excludente do mundo! A informalidade e o desemprego são reflexos da crise que o sistema neoliberal lançou o país desde o governo de FHC. E, ao que parece, os quatro anos do governo de Lula não foram capazes de estancar a sangria dos direitos dos trabalhadores. Ao contrário, o governo do ex-sindicalista mantém-se na inércia ante o avanço da sanha de lucros do patronato, ainda que Lula tenha vetado a famigerada e perigosa emenda três.Todavia, o veto do presidente poderá ser derrubado se a correlação de forças no Congresso Nacional não conseguir conter o lobby patronal, o que não é difícil. Artigo do bancário Adilson Araújo, publicado no site do Sindicato dos Bancários da Bahia, informa: “Os riscos de derrubada ao veto são imensos. Caso a emenda seja aprovada, direitos elementares, como Fundo de Garantia, 13º salário, férias, licença maternidade, entre outros, ficam seriamente ameaçados de serem suprimidos. Sem contar que a fúria do patronato é tamanha, que se pretende inclusive acabar com a CTPS, adotando e prerrogativa do contrato na forma de pessoa jurídica desprovido da tão suada ‘cesta básica de diretos’, conquistada na Constituição de 1988”. É bom lembrar que por muito menos do que isso os franceses paralisaram seu país para barrar a aprovação da Lei do Primeiro Emprego, perseguida pela direita francesa há décadas.No setor do ensino superior privado o desgaste das garantias trabalhistas vem a galope. A titulação dos professores não é mais respeitada e, em algumas dessas instituições, os que adentram hoje nesse mercado de trabalho estão percebendo salários 50% menores do que os que já se encontram nele. Demissões em massa à vista, esperem. Além disso, a implantação de subterfúgios pedagógicos, a exemplo de educação a distância, entre outras embromações pseudodidáticas, reduzirá ainda mais os salários dos docentes.É exatamente isso que a “série de reportagens” do Jornal Nacional disse para que veio: reforçar o lobby do patronato e realizar sua tarefa de classe. É o próprio “deserto do real”, como afirma o filósofo e psicanalista Slavoj Zizek. O discurso obsceno da Rede Globo apresenta-se como salvacionista dos problemas ao tempo que destila suavemente seu recado no sentido de fortalecer a idéia da desregulação do trabalho. Por que as “matérias” não enfatizaram que o setor bancário auferiu, no quarto trimestre do ano passado, os maiores lucros da sua história? O Bradesco, por exemplo, atingiu a cifra de 6,6 bilhões. Foi o que mais lucrou. Esse mesmo setor também foi responsável pelas maiores dispensas de trabalhadores nos últimos 10 anos, e a maior parte deles caiu na informalidade.Em nenhum momento se falou em uma reforma tributária que aumente a carga do fisco sobre os grandes lucros e fortunas e desonere o trabalhador; em nenhum momento se falou efetivamente na desconcentração da riqueza nesse país excludente. De resto, o salvacionismo da Rede Globo apega-se às teses da punição como redentoras dos problemas nacionais. Na quinta-feira passada o jornalismo da Globo comemorou a aprovação da redução da maioridade penal na Comissão de Constituição, Justiça e Redação do Senado. O Jornal da Noite do mesmo dia, ancorado pelo jornalista William Waack, foi aberto com a seguinte chamada: “A tragédia do garoto João Hélio começa a surtir efeito: Comissão aprova redução da maioridade penal”. Não negando a tragédia que envolveu o garoto, mas entendendo-a como extensão da tragédia nacional, é perceptível que a rede de televisão dos Marinhos consegue reduzir os problemas sociais do país à condição de fatos isolados. Enquanto isso alimenta o imaginário da punição da exclusão cavalgando no cinismo de que as saídas para o Brasil resumem-se à edificação de presídios, na desregulamentação das leis trabalhistas e no aumento dos lucros das grandes corporações e empreendimentos.