terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ausência de critérios e desconhecimento

Números errados. Confusão entre execução orçamentária e execução financeira. Ausência de critérios para entender o Sistema de Informações Contábeis e Financeiras da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sicof). Enfim, desconhecimento de pormenores da administração pública. Matéria veiculada hoje por um órgão de imprensa soteropolitano (29/10) precisa ser revista.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Meus sinceros agradecimentos à turma de Jornalismo da Unijorge que cola grau em março de 2010

Há quase dois anos enfrentei um dos momentos mais traumáticos da minha vida profissional. Fizera uma escolha. Entre não abrir mão de princípios ou coadunar com valores que não acredito, optei pelo caminho das minhas convicções. Não aceitara declinar ante um rolo compressor cujo alvo eram pessoas com as quais tinha o compromisso ético de transmitir conhecimentos, meus alunos e alunas. E assim o fiz. Paguei o preço do desligamento de uma casa na qual cultivei amigos e amigas e colaborei com o desenvolvimento acadêmico. Deixara para trás cinco longos anos de dedicação e colaboração. Mas não foi em vão. Nos dias subsequentes à minha saída, senti o calor da solidariedade. Aqueles com quem militei academicamente se revelaram mais que alunos, mas portadores de iniciativas que valiam muito, muito mais do que pilhas de artigos escritos e textos consumidos. Meus alunos e alunas estavam exercendo o papel de cidadãos. Questionarem e protestarem não só quanto ao meu desligamento, mas, sobretudo, quanto às demais demissões que alvejaram outros tantos colegas e também seus professores, pessoas dignas e vitimadas por um autoritarismo mercantil transvestido de educação. E que deixe claro, bem claro: aqui não estou me jubilando ante o fato, porque não orquestrei ninguém a nada. O que ocorreu foi um processo de pedagogia política de pura iniciativa cidadã, tão rara às pasteurizadas comunidades universitárias dos dias de hoje. Vocês foram exemplo de atitude. O tempo passou e a vida seguiu seu curso, mas fiquei devendo a dádiva do ato. Não por mim, mas pelo conjunto da obra. Ou seja, aqueles alunos e alunas tinham me demonstrado mais do que uma prova de apoio, mas sobretudo uma lição de vida. Meus queridos ex-alunos e ex-alunas do curso de Jornalismo da Unijorge que colarão grau no mês de março de 2010: fico honrado por ter sido escolhido patrono da turma de vocês. Quero agradecer a todos por tão bela homenagem que nem mesmo sei se da mesma sou merecedor. E digo isso porque as tensões inerentes ao labor acadêmico nem sempre são compreendidas como traços do ensino/aprendizado. E nem devem ser mesmo. Tem razão Michel Foucault quando afirma que a Escola é uma herança histórica - e maldita - de duas instituições: o hospício e a penitenciária. Por vezes, tenho consciência, assumi o papel de “ordenador” das coisas, cobrando-lhes posturas, compromissos, atenções direcionadas, palavras e situações que mais do que conteúdos se assemelhavam a ditames vazios. Mas, tomando emprestado o pensamento de um grande cidadão do mundo, "hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás". É por isso que mais do que as salas de aula, as saudades, as muitas saudades que sinto de vocês, repousam nas lembranças dos corredores, do riso fácil, das brincadeiras, dos momentos de descontração, momentos nos quais nos desnudamos dos papéis de professor e aluno e somos nós mesmos, seres humanos que dividem, também, alegrias, tristezas, fraquezas, anseios. E, retomando os episódios de dezembro-março de 2007-2008, foi neles que selamos nossas cumplicidades, não apenas de professor-aluno(a), mas de amigos. Colegas, será um prazer reencontrá-los, desta vez num momento de alegria. Março se aproxima. Vamos festejar. Mais uma vez, de coração, meu muito obrigado pelo reconhecimento. Um beijo no coração de todos vocês e até lá.

Zeca

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Rock e Revolução



Mais de 500 mil cubanos se reuniram neste domingo (20) na Praça da Revolução em Havana para assistir ao "Show pela Paz" do cantor colombiano Juanes, que provocou a ira dos anticastristas exilados nos Estados Unidos.
Fonte: Blog do Noblat

domingo, 20 de setembro de 2009

O DEM e o PSDB têm medo da Internet?



Dentre os itens contemplados nas discussões da mini-reforma política debatida no Congresso Nacional, o mais polêmico recai no uso da Internet na campanha eleitoral de 2010. De um lado, boa parte das oposições – sob a batuta dos senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - querendo censurar, fiscalizar e tutelar o uso político da rede mundial; do outro, os partidos de esquerda e aqueles alinhados ao Governo que desejam o uso livre da Internet. Explica-se a preocupação dos primeiros. A sociedade mundial passa por um processo de transformação no qual a mídia tem tido papel fundamental, e com um adendo: cada vez mais os meios de comunicação corporativos perdem espaços para as mídias alternativas, entre elas as redes sociais e a blogosfera. O efeito denominado de “pedra no lago”, ou seja, a possibilidade de formação de ondas de opinião pública a partir de poucos centros irradiadores – grandes redes de TV, revistas semanais e jornais tradicionais – esvai-se ante o crescimento dessas novas ferramentas de comunicação. A unidirecionalidade dos fluxos de discursos dá lugar à multidirecionalidade. Os processos da democracia participativa vão se tornando mais intensos. Saber o que se passa em Honduras ou em Xique-Xique na Bahia é apenas uma opção de tecla. Do ponto de vista social, o uso da Internet tem arrebatado contingentes cada vez maiores em segmentos de renda da população constelados na chamada classe média emergente, ou classe C. No final do ano de 2008, segundo dados da TGI Brasil Consultoria em Gestão, a participação desses grupos na Internet atingiu o percentual de 39%. A expectativa é de que até dezembro próximo chegue a 45%, o que equivale a cerca de 68,5 milhões de pessoas. Trata-se de uma incorporação, em quatro meses, de 6,2 milhões de pessoas com idade acima de 16 anos. Detalhe: no Brasil, de acordo com dados do Ibope Nielsen Online, o tempo médio de permanência na rede atinge a marca de 30 horas por mês. Estes números refletem o estímulo à aquisição de equipamentos por parte do Governo Federal. No ano passado foram vendidos 12 milhões de computadores e no primeiro semestre deste ano mais 4,8 milhões de aparelhos. Já no que diz respeito aos links de acesso, a banda larga deu um salto de 45,9% em 2008 em relação a 2007. A mídia não é mais a mesma. E esta é uma realidade perigosa para muitos interesses politicos que sempre balizaram suas atuações sustentados nos discursos das mídias hegemônicas, unidirecionais. Se, por exemplo, um determinado veiculo de jornalismo enquadra a informação de uma fonte conforme seus interesses politicos e econômicos, pode, literalmente, dar com os burros n’água. O exemplo atual do blog da Petrobrás é emblemático. As fontes agora podem dispor de ferramentas de comunicação e lançar mão de textos, fotos e vídeos, ocupando espaços cujo limite é o planeta. Além do que, as comunidades e redes sociais têm sido fatores de constructos da democracia e governança digitais. E é por esse terreno caudaloso que a política tradicional não desejaria trilhar. Perde-se também importância o velho caciquismo do colunismo político, que tem se transformado em verdadeiras múmias vivas nas páginas dos jornalões e nas TV’s. Pensam ser formadores hegemônicos de opinião, mas não são mais. Se Antonio Gramsci vivo estivesse adoraria analisar esse novo laboratório, uma resposta dialética da história nas superestruturas das sociedades. Por isso o desejo de controle da rede, uma vez que estas novas formas de sociabilidade podem por em xeque velhas manobras e engenharias midiáticas que até então jogavam solto. A midiopolítica é um front de luta onde as regras estão deixando de ser ditadas pelos que se entendiam donos do ring. Agora é a vez da platéia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Carlista Paulo Souto ganha troféu Peroba

Ao lado, Paulo Souto, à direita, saudando seu menestrel ACM

O troféu Peroba dessa semana vai para o carlista Paulo Souto. Depois de impor um violento arrocho salarial no funcionalismo baiano, o afilhado político de ACM e candidato do DEM (ex-PFL) ao Governo da Bahia agora ataca de bom samaritano. Ele exige nomeações para servidores que se submeteram a concursos realizados durante sua gestão. Detalhe: os certames estavam com diversas irregularidades e nem ele mesmo assinou as nomeações. Assim é fácil fazer proselitismo político.

Critérios seletivos

Quais os critérios de noticiabilidade que têm movido os grandes órgãos de imprensa do país? A Folha de São Paulo publica artigo comentando a questão da segurança pública na Bahia, politizando o fato, claro. Todavia, fez a leitura dos incidentes na favela de Heliópolis, em São Paulo, sob a ótica meramente policial. Quanto à crise no Rio Grande do Sul, que envolve a governadora Yeda Crusius (PSDB) em escândalos dantescos de corrupção, a ponto da Assembléia Legislativa local acatar o processo de impeachment, a cobertura do fato é homeopática, clean, quase imperceptível. Nunca se viu tanto engajamento da imprensa corporativa tupiniquim.

O "flagra"

O site soteropolitano Bahia Notícias publicou nota assinada pelo repórter Daniel Pinto informando que “ (...) Circula pela internet um registro (ao que tudo indica) dos bastidores da campanha de 2002 (...) “. Na nota, o repórter aposta num “furo” ao se referir a um “filme” exibido na Internet que apresenta diálogo envolvendo o coordenador da campanha de Lula à época, José Dirceu, o marqueteiro Duda Mendonça e o assessor de assuntos econômicos Guido Mantega, hoje ministro da Fazenda. O repórter finaliza o texto com a seguinte assertiva: “o flagra veio parar no Bahia Notícias”. O que o repórter não sabe é que seu “flagra” beira o risível. O filme realmente existe e não é nenhum registro secreto que alguém deixou escapar. Trata-se de um pequeno trecho do documentário Entreatos, de João Moreira Sales, que já foi exibido nos cinemas e se encontra disponível para locação em diversas locadoras de vídeos. Interessante esse “furo”.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Raio X na Operação Jaleco Branco

Apuração, precisão, equilíbrio e isenção. Matéria veiculada neste domingo (13) no jornal A Tarde, que trata da Operação Jaleco Branco, se constitui no mais bem elaborado acervo documental acerca daquela operação da Polícia Federal, que no ano passado desmontou uma quadrilha que lesava os cofres públicos do Estado da Bahia. De autoria da jornalista Ludmila Duarte, da sucursal de Brasília, a matéria faz uma radiografia completa que supera os vícios do achismo, do fulanismo e do factóide, atendo-se a fontes e documentos precisos. Jornalismo de qualidade, por vezes tão raro de se encontrar no país.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi calorosamente festejado no Festival de Cinema de Veneza, onde assistiu a apresentação de estreia do documentário "South of the Border", do diretor norte-americano Oliver Stone. O filme é uma incursão pelos países latino-americanos governados por projetos politicos de esquerda, em especial, a Venezuela. Segundo Stone, a motivação do seu trabalho não foi baseada apenas nos "ataques ridículos da imprensa (americana) contra Chávez", mas porque "Chávez é um grande fenômeno, protagonista de mudanças positivas em seu país". Certamente que esse episódio também deve estar incomodando a mídia tupiniquim que tanto mente e deturpa acerca dos governos progressistas na América do Sul. Veja o trailer.

Oliver Stone's South of the Border - Official Trailer

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Gol de placa na oposição



Um discurso enfático, um recado duro àqueles que querem colocar os interesses nacionais, os interesses da maioria da população, à mercê das lógicas de mercado. O texto lido pelo presidente Lula durante o ato de envio ao Congresso Nacional do projeto-de-lei que cria o marco regulatório para a exploração da camada pré-sal selou ideologicamente a questão. São gigantescas jazidas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura. Foi o suficiente para a entourage demotucana-midiático-oposicionista entrar em alarido. Os meios de comunicação pertencentes à midiocracia local logo trataram de arregimentar seus “especialistas” e “comentaristas” para buscar construir consensos e formar opiniões contrárias ao projeto. O diapasão comum entre eles é que o “mercado ficou assustado” com a proposta do Governo. Saudosismo da era FHC, quando foi quebrado o monopólio de exploração do petróleo e por pouco a Petrobrás não é vendida - já com o nome de Petrobrax – para investidores estrangeiros. A questão envolvendo a exploração do pré-sal acirra a disputa ideológica para 2010. E nesse embate as oposições morderam a isca. As discussões que se arrastarão no Congresso Nacional combinarão o tema com a agenda política da sucessão. Ficará mais difícil para os lobbys parlamentares dos interesses estrangeiros se articularem devido a agenda da corrida presidencial. Restará o mecanismo dos meios de comunicação para tentar nublar as discussões e confundir a população. Mas quando se trata do tema petróleo, já existe uma larga tradição no país de defesa dessa riqueza e o economês mesclado com argumentos politicos rarefeitos não logrará êxito, certamente. Por outro lado, o pré-sal pode ganhar caráter plebiscitário com forte poder de influenciar o jogo sucessório de 2010. Gol de placa! O Governo Federal soube encaminhar o projeto-de-lei no momento certo para desestabilizar a oposição.