domingo, 21 de outubro de 2007

Trailer do filme Encontro com Milton Santos, de Silvio Tendler

"O centro do mundo hoje é o dinheiro, mas o dinheiro no estado puro", alertava o professor Milton Santos, um dos maiores intelectuais que o Brasil já produziu. Santos também avisava: "temos que repensar o conceito de civilização".

Revolução em curso!

Lênine discursa no momento da tomada do poder pelos bolcheviques

Há 90 anos o mundo parou a respiração no maior acontecimento já registrado na história da humanidade, a Revolução Russa, ocorrida em outubro de 1917. Comandada por Vladimir Lênin e Leon Trotsky, mediante a atuação do Partido Bolchevique, os trabalhadores russos proclamaram a primeira república sustentada em comitês operários e camponeses e assembléias gerais, os soviets. Erros ocorreram, e muitos! A mosca azul do poder se encarregou de desvirtuar os caminhos da revolução. Mesmo assim, o fato histórico se constituiu no despertar de uma mobilização internacional que, a partir daquele momento, passou a operar como um divisor de águas nas lutas do homem por um mundo mais justo e solidário.

O “ecologismo profundo” de Al Gore; Ou os interesses do grande capital financeiro?



O Prêmio Nobel concedido ao ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, pela sua luta em “defesa” do planeta esconde bem elaboradas estratégias políticas e econômicas das quais ele se tornou peça fundamental. Catapultado à premiação por conta do seu documentário Uma verdade inconveniente, um “alerta” acerca das mudanças climáticas na Terra em decorrência do aquecimento global, Al Gore se torna agora o queridinho da selva financeira internacional. O alarmismo provocado pela película já se traduz num novo filão: o incremento da emissão dos títulos de bônus de carbono por parte do sistema financeiro concomitante à expansão do agronegócio no hemisfério sul. Expondo ursos que morreram em decorrência de tempestades de neve e não do aquecimento global e afirmando que o nível dos mares subirá seis metros num futuro próximo, o que diversos cientistas entendem como uma estapafúrdia, já que para eles isso só ocorrerá daqui a milhares de anos, o ex-vice-presidente se colocou na condição de messias da humanidade. Na semana passada, diversas agências do maior banco privado do país, o Bradesco, distribuíam cópias do documentário para os clientes. Quando um banco “abraça” uma causa ecológica, ponhamos as barbas de molho. O velho Bradesco, berço da TFP, que investe pesado em diversos projetos agroempresariais na Amazônia, desmatando para plantar soja e criar gado de corte, agora financia propaganda ecológica. Talvez aí tenhamos uma faceta da chamada “ecologia profunda”, tese defendida pelo físico indo-americano Deepak Chopra, amigo de Gore. Seguidor de gurus da Índia, a exemplo de “sua santidade” Mararishi Mahesh Yogi, Chopra também se tornou um deles e passou a ser assediado por nove entre 10 milionários excêntricos que buscam nele “paz espiritual”, doando-lhes muita grana e tendo como retorno seus cursos de meditação. Realmente, assim é construído o debate sobre “ecologia profunda” enquanto milhões de pessoas são vitimadas pela fome na África e em outras partes do planeta. Preocupado com os destinos da Terra e sua população estaria um homem do porte do professor Milton Santos, cujo filme sobre o mesmo, de autoria de Silvio Tendler, certamente não será distribuído pelo Bradesco. Retornando ao messias Al Gore, é bom pensar em qual nível mental sua “ecologia profunda” funcionou quando ele e Bill Clinton bombardearam a Iugoslávia, Albânia, Sudão, Afeganistão, Iraque, Haiti, Zaire e Libéria utilizando alto arsenal destrutivo, inclusive armas que continham urânio empobrecido. Tais bombardeios causaram a morte de dezenas de milhares de civis, provocando danos irreparáveis ao meio ambiente, cujos efeitos perdurarão centenas de anos. Talvez também seja uma preocupação da “ecologia profunda” de Gore a rápida mudança da matriz energética para os biocombustíveis. Plantar soja, mamona e outras oleaginosas para produzir energia limpa, da forma que os empreendimentos estão sendo planejados, pode resultar na expansão de novas fronteiras agrícolas que certamente condenarão milhares à fome. Não se terá espaço para o agricultor familiar nem o pequeno produtor, apenas para os garbosos investimentos concatenados à dinâmica do agronegócio. Ecologia profunda. Ou profana? É risível até para o mais leigo dos leigos quando Gore expõe sua preocupação ambiental no seu documentário hollywoodiano. Tudo não passa de uma articulada querela com nuances metafísicas, bem ao estilo da sua ecologia profunda. O mesmo documentário que apresenta ursos nadando por falta de placas de gelo na Antártida, omite as questões ideológicas necessárias ao entendimento do problema que é sócio-ambiental, e não apenas ambiental. E Gore não vai ao cerne desse desequilíbrio, que decorre muito mais dos desequilíbrios sociais. E não vai porque não deseja. É como aquelas dondocas que freqüentam a Praia do Forte e se encantam com a preservação das tartarugas. Elas compram a camisa, o boné e a sacola da grife, tomam massagem relaxante num spa próximo, lêem Deepak Chopra, fazem meditação transcendental e, devidamente “leves e espiritualizadas”, voltam às suas mansões nos seus carrões na frente dos quais pequenos indigentes lhes estendem as mãos na penumbra dos vidros fumês. Mas, para elas, nada da sensibilidade proveniente da ecologia profunda que militam. Papo pra boi dormir. Enquanto isso, os ecologistas profundos estão basicamente preocupados com duas coisas: as formiguinhas que passeiam nos jardins das suas mansões e os investimentos nas bolsas de valores. Pensar em militância ecológica sem questionar a dinâmica neoliberal é como se acreditasse que existem tubarões vegetarianos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Serginho Groisman reinou na província

Foto: Iracema Chequer
Groisman: queridinho de mauricinhos e patricinhas soteropolitanos

Como que se chegasse à província o apresentador Serginho Groisman, que um dia foi vanguarda na telinha brasileira com o programa Fala Garoto, do SBT, comemorou ontem em Salvador, 17/10, os sete anos do programa Altas Horas, da Globo. A festa foi promovida pela emissora na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. O Alta Horas é uma versão descaracterizada e deformada da proposta inicial da sua passagem pelo SBT. A irreverência e o questionamento, outrora conduzidos por Groisman, deram lugar apenas ao entretenimento vazio. Lamentável. Na Concha Acústica, numa noite de homenagem ao grande Tim Maia (que deve ter se revirado no túmulo), Groisman reuniu a constelação do Axé Music e a roqueira Pitty, que disse a jornalistas no local que estava se sentindo “um peixe fora d’água”. Não seria pra menos. Entre as stars do axé, Ivete Sangalo (a garota-propaganda do Cansei), Cláudia Leitte, Durval Lélys, "uma das viúvas" do carlismo, Carlinhos Brown, entre outros. Na platéia, milhares de garotinhos e garotinhas de colégios e faculdades particulares de Salvador escolhidos a dedo pela produção do evento, na certa para apresentar um protótipo de jovem soteropolitano bem distante da realidade.

domingo, 14 de outubro de 2007

Movimento Pais por Justiça vai até o Senado

O movimento Pais por Justiça manifestou-se na frente do Congresso Nacional no último dia 10 para pedir a aceleração do projeto de Lei da Guarda Compartilhada. Todavia, a Justiça já conta com ampla jurisprudência para aplicar essa modalidade de guarda. Mas os pais querem a aprovação com urgência para que o presidente Lula sancione a lei, já aprovada na Câmara, até o final do ano. Veja o vídeo da matéria da Band.

Tropa de Elite: A violência que causa frisson à direita tupiniquim

O violento e psicótico capitão Nascimento, personagem interpretado por Wagner Moura, causa "boa" sensação ao articulista da Revista Veja-on-line, Reinaldo Azevedo. O personagem pode ser o fascista preferido de Azevedo

O foguetório disparado pela direita enaltecendo os atos do capitão Nascimento, personagem interpretado magistralmente pelo ator Wagner Moura no filme-polêmica Tropa de Elite, do diretor José Padilha, levou setores da esquerda nacional a embarcarem gratuitamente nas provocações a ponto de tacharem a película de fascista. Uma delas partiu do articulista e ponta-de-lança da direitona midiática, Reinaldo Azevedo, que comemorou em seu blog os atos do personagem em frase quase orgástica: “Capitão Nascimento derruba o bonde do Foulcaut”. Mas o filme não é fascista, ainda que fascistas queiram usá-lo para desaguar seus instintos. Tropa de Elite é um filme-depoimento à medida que expõe o olhar do policial militar sobre o cenário de um Rio de Janeiro violento e em guerra urbana no ano de 1997, quadro que não se alterou de lá para cá, com toda violência impetrada pelo Batalhão de Operações Especiais, o famigerado BOPE. Numa análise mais profunda da obra pode-se observar o debate acerca do consumo de drogas, por exemplo, que contradiz frontalmente a posição assumida pela revista Veja que aponta o consumidor como único causador do problema. O capitão Nascimento é um assasino, drogado, psicótico, consumidor de calmantes e barbitúricos vendidos legalmente. Recordando um trecho do filme, Nascimento tenta se explicar à mulher que o flagra ingerindo um punhado de comprimidos: “São calmantes, todo mundo toma, não faz mal”. Trata-se de um axioma inteligentemente levantado pelo filme. O próprio diretor defende-se da acusação de ter criminalizado os usuários de drogas: “Eu posso dizer qual é a minha posição sobre o assunto: do ponto de vista dos direitos civis, da liberdade civil, sou a favor da descriminação das drogas e da liberação do uso da maconha. Mas o filme não trata da minha visão, não é sobre mim, ele trata do ponto de vista dos policiais”. A afirmação foi feita na última segunda-feira, 08/10, quando Padilha foi alvo de entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura. Outras acusações recaíram também sobre a violência gratuita que o filme exibe. Ora, o cenário que permeia a película apenas reflete a realidade dos aglomerados de baixo poder aquisitivo das grandes cidades brasileiras, onde as populações vivem acuadas pela violência da empresa do narcotráfico e da polícia, cujos interesses muitas vezes se mostram convergentes quando o assunto envolve grana, o que foi fielmente retratado em Tropa de Elite. Talvez o livro de Michel Foulcaut, Vigiar e Punir, intertextualizado no roteiro do filme, tenha encontrado uma tradução à altura do que efetivamente seja o uso do Estado mediante à violência policial para punir os excluídos socialmente. Sim. Os personagens Neto e Matias, interpretados com maestria pelos atores Caio Junqueira e André Ramiro, respectivamente, encetam o discurso moralizante que tenta encerrar o problema da violência urbana no Rio de Janeiro, e de resto no país inteiro, como oriunda unicamente do consumo de drogas. Na opinião deles, são os “maconheiros” os causadores daquele inferno à medida que estimulam o narcotráfico. E é exatamente essa visão, limitada, que turbina e estufa os argumentos da direita, que não encara o debate sobre a legalização da maconha. E onde os consumidores vão adquirir drogas? Entre os excluídos socialmente, linhas de frente de cadeias comerciais que envolvem policiais civis e militares e o Poder Judiciário. E aí, claro, em meio a esse caldeirão brota a marginalidade que age reproduzindo a violência construída pelas próprias classes dominantes. Onde não há expectativa de qualidade de vida, nem tão pouco sobrevivência com dignidade, locais de ausência permanente de políticas públicas, não resta outro caminho se não fazer dinheiro com o que se vende caro e só por lá se acha: drogas. É ingênuo pensar, como argumentam os “pensadores” da Veja, que o consumo de drogas um dia se encerrará na humanidade. Piada. O homem, desde que se encontra na Terra, sempre se drogou e se drogará, de forma lícita ou ilícita, a depender do ambiente sóciopolítico-cultural que esteja envolvido. A única forma de se por fim ao narcotráfico é descriminalizando algumas drogas, já que o problema deve ser visto pela ótica da saúde pública e não moral, o que é de fato ridículo. Enquanto isso, a indústria da morte vai acumulando estatísticas país afora sob o raciocínio de que apenas medidas policialescas podem dar conta do problema. O filme de Padilha expõe esse paradoxo de forma ímpar quando apresenta a sinergia envolvendo policiais corruptos e mal pagos que abastecem o narcotráfico de armas. Como o próprio diretor afirmou, Tropa de Elite pode ser analisado com a cor dos óculos que se desejar, e, no caso dos articulistas da Veja, o prisma predominante foi o tom sombrio daqueles que tudo dariam para serem, eles próprios, pequenos clones do capitão Nascimento, já que, ao que parece, neles o prazer pela violência gratuita enseja uma sensação de orgasmo permanente.

sábado, 13 de outubro de 2007

Clipe, Banda F.U.R.T.O - Egocity

Marcelo Yuca,ex Rappa, canta esse libelo anti-neoliberal. Prova de maturidade do grande músico e compositor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Che Guevara é maior do que as mentiras e cretinices da revista Veja



Bíblia da classe média brasileira, a revista Veja chafurnou no seu índice de cretinice, empulhação e mentiras. Veículo impresso semanal mais recheado de publicidade do país, baluarte do pensamento da direita brasileira, resolveu decretar por conta própria a morte histórica de Ernesto Che Guevara, que no último dia 08 de outubro completou 40 anos de morto, quando foi fuzilado desarmado pelas tropas do exército boliviano sob a supervisão da CIA. A “matéria” da Veja (que, diga-se, tudo que nela estiver escrito é bom que se reveja) afirma que “conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas”. Risível. Eivado de achismos e ilações, o texto, medíocre, traz como fontes apenas desafetos políticos do guerrilheiro exilados nos Estados Unidos e um “historiador”, tal de Jaime Suchlocki, ilustre desconhecido de uma universidade de Miami. Sopa de letras de difícil palato para quem conhece o mínimo da história real do líder revolucionário, o texto da Veja se limita apenas a chamar Guevara de porco e apontá-lo como assassino cruel de pessoas indefesas. Fica difícil analisar esse tipo de asneira. Só falta afirmar que as guerrilhas que ele comandou enfrentaram “dóceis” seres humanos, a exemplo do sanguinário ditador cubano Fulgência Batista e o violento chefe tribal do Congo, o coronel Mabuto, que foi armado pelos Estados Unidos para conter o avanço do líder político popular Laurent Kabila. A farsa é a própria revista Veja. Na mesma edição, a paranóica publicação da direita tupiniquim destila ódio contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra pelo fato desse movimento social ter realizado convênios com universidades públicas para que sem-terras freqüentem cursos superiores. Uma afronta ao ideário bushniano de Roberto Civita e cia, inclusive seus asseclas de plantão, como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. A graduação dos trabalhadores rurais seria um acinte às oligarquias nacionais e seus pit bulls da mídia. Título de doutor só para os mesmos, ou seja, os mais abastados da sociedade a qual eles julgam um feudo dos seus domínios. Por isso desconstruir Che Guevara e de resto toda constelação simbólica que remeta aos ideários das transformações sociais. Não se espantem se futuramente aquele pasquim propagandístico resolver querer apagar a imagem de Bob Marley e outros líderes do Terceiro Mundo. É a revista Veja, doença sociopatológica que vitima parcelas consideráveis da sociedade. Verdadeira fábrica da desinformação e produção de oligofrenia coletiva.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Reação já, Wagner!



Nunca um governo da Bahia foi tão cobrado como o atual, sob o comando de Jaques Wagner (PT). Existe uma espécie de “venezuelização” à baiana nos últimos oito meses. O intuito é claro: desconstruir a imagem do governo que encerrou o comando carlista que há 16 anos ininterruptos mandava no Estado com mão de ferro. E não é com a morte do senador, patriarca do clã e Don Corleone tupiniquim, que a artilharia cessaria. A propósito, foi com muita propriedade que o cientista político Paulo Fábio Dantas levantou essa tese em opinião publicada no jornal A Tarde. Para ele, o carlismo não se resumiria à pessoa de ACM em si, mas numa espécie de modos operandi das classes dominantes e oligarquias do Estado. Correto. O legado dos desmandos de décadas em relação à saúde, educação e segurança pública virou munição contra o atual governo. Sem ao menos ter tido tempo para um diagnóstico mais apurado da situação, a gestão de Wagner é violentamente cobrada como se responsável fosse pelo quadro. E os meios de comunicação são os pincéis usados para a pintura de uma aquarela sinistra em tons sombrios. O que mais notabilizou o carlismo foi o uso da máquina pública para financiar grupos e projetos de interesses privados, uma espécie de clube do bolinha, verdadeira patota que se aboletava e enriquecia às custas do erário. Os tentáculos irradiavam-se em todos os setores da economia. Comando de um único homem que delegava a um único grupo. Todavia, quando é iniciada uma gestão que abre canais de discussões com as demandas sociais, impõe práticas democráticas de decisão, apresenta total transparência do orçamento público e estabelece uma mesa de negociação permanente com os servidores públicos, esta fica suscetível às mais radicais críticas e comentários. Estamos diante, sim, de um embate de hegemonias, na qual as velhas estruturas políticas, mas ainda com alto calibre e poder de fogo, principalmente midiático, buscam recompor os espaços perdidos e se colocam como “novas” opções de poder. Isso porque é sensível a mudança de eixo da atual gestão, ainda que a mesma se apresente como uma aliança permeada por amplo leque ideológico. Frente política que para ser administrada requer cintura de bailarina e seriedade de propósitos. É maioria parlamentar assemelhada à placa de gelo fino em meio a verão escaldante, mas necessária à governabilidade que visa, sobretudo, reconduzir o Estado ao patamar do embate político civilizado, o que antes não ocorria. No que se refere às políticas públicas, por exemplo, estas já dão claros sinais de opção por programas que resultem em investimentos voltados à agricultura familiar, micro-crédito, incentivos a pequenos e médios negócios, infra-estrutura em comunidades menos favorecidas, incremento dos recursos humanos e materiais nas áreas de saúde, entre outras medidas. Notadamente que a reação da Bahia quatrocentona faz coro com a reação das elites nacionais, imperando preconceitos e resistências às mudanças. Aqui o Cansei não precisa nem se articular, já que se trata de fenômeno atávico da própria estrutura psico-social das aristocracias locais, que ainda sentem saudades da casa grande como se fosse ontem. Diante de tudo isso, urge reação imediata do governo Wagner. O grupo político no poder tem que falar. Tem que se apresentar à sociedade e apontar o que está sendo feito e o que outrora não era realizado. Tem que desconstruir mitos que se enraizaram como verdadeiros arquétipicos no inconsciente dos baianos. Herança horrenda do mandonismo, da força arbitrária que “resolvia” na fachada, mas que angariava capital político na troca de favores e no chantagismo barato. Quem não se lembra das passagens públicas de ACM aos gritos de “esse é o homem”. Substituição de paternidade pela podagem da reflexão crítica da realidade. E assim o Estado foi forjado, narcotizado por uma lógica do poder de “um homem”, que era o mecenas da cultura, das artes, modernizador econômico, senhor de tudo, inclusive da violência física e política. Fascismo em alto grau de refinamento. É hora de dizer, de usar os parcos recursos midiáticos disponíveis para buscar neutralizar a avalanche de acusações construídas pela oposição. A Bahia, no cenário de representação edificado por tais setores na mídia, se tornou um “Estado em crise”. Espessa névoa açodada com o intuito de nublar a realidade. E falando em realidade, qual o motivo que levava as TV´s, rádios e jornais locais falarem nada ou pouco dos catastróficos índices sociais da Bahia quando estava sob o tacão das gestões anteriores, todas títeres do carlismo? Ou quando falavam, não escandalizam como fazem agora. E o caso Axéduto? O caixa dois do carlismo apenas foi noticiado pela revista Carta Capital em matéria assinada pelo jornalista Leandro Fortes. Na seara local, falas esparsas ou mudez de conveniência, apenas. De resto, microatritos temporãos e notas vagas de articulistas e comentaristas que não deram prosseguimento ao caso. É a Bahia dos velhos donos que não admite alternância de poder, apenas o concede quando seus interesses se sobrepõem aos da maioria da população.