sábado, 27 de fevereiro de 2010

Os ovos e suas serpentes



As serpentes voltam a rasgar as cascas dos ovos. A insubordinação de policiais militares ocorrida esta semana em Vitória da
Conquista, no sudoeste baiano – distante 520 quilômetros de Salvador -, que não admitem as investigações para elucidar o assassinato de 14 pessoas e o desaparecimento de três menores na cidade, é um pequeno sintoma da doença moral que atinge diversas parcelas da sociedade brasileira. E o histórico clínico dessa enfermidade remonta, em boa medida, à institucionalização da violência e da impunidade que imperou ao longo do regime civil-militar que perdurou no país por 22 anos. São demônios ainda manifestos e que resistem de forma estridente a qualquer tentativa de exorcismo. Para eles, o respeito à legalidade constitucional é entendida como vingança, retaliação e revanchismo. Ao tentar rechaçar o Plano Nacional dos Direitos Humanos 3, um documento debatido por diversos segmentos sociais, a fina flor da entourage direitista insiste na falseta de um salvo-conduto que acobertou-se no manto do Estado para perpetrar os mais bárbaros crimes. Torturar, seviciar, estuprar e matar passaram a ser práticas compreendidas como normais para integrantes civis e militares da repressão. Entendiam eles estar numa “guerra”, mesmo que muitos dos seus inimigos nem armas portassem. E, por efeito inércia, este expediente continua valendo para os atuais perpetradores da justiça do eu mesmo. O nefasto exemplo vem lá de trás. O posicionamento dos policiais militares no interior baiano é uma reação análoga e derivada à perpetrada pelo alto oficialato que se reúne nos clubes militares em manifesta ode saudosista ao período do regime civil-militar. Desejam ambos a impunidade. Fazendo coro à meia-boca, os meios de comunicação corporativos do pais lhes rendem solidariedade porque foram no passado co-participes no arbítrio, e quando não nos próprios atos. Só é lembrar a atuação da Folha de São Paulo, da família Frias, que cedia os carros da empresa à Operação Bandeirantes (Oban) para caçar, torturar e matar perseguidos políticos. A existência desses grupos de extermínio, que têm a ousadia de se insubordinar e defender assassinos uniformizados, mesmo que pagos pelo Estado para proteger os cidadãos, é o exemplo cabal de que a raiz desse mal tem que ser extirpada. E a única maneira de fazê-lo é com a necessária assepsia nestas feridas abertas no passado recente que muitos desejam que não se cicatrizem.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A privataria de FHC e José Serra: recordar é viver...e lembrar que jamais poderemos retroceder!


José Serra, ao lado de Elena Landau (depois ligada ao grupo Opportunity), bate o martelo em um dos leilões de privatização. A cada batida de martelo, bilhões do patrimônio público nacional eram retirados da mão do povo brasileiro e entregues a investidores privados.


Privatizar tudo! Era a palavra de ordem de José Serra quando era ministro de FHC, em 1995


Revista Veja do dia 03/05/1995:

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Qual o motivo da censura na Internet ao governador Jaques Wagner ?



Ora, vejam, a Procuradoria Regional Eleitoral da Bahia (PRE-BA), acatando representação feita pelo PMDB baiano ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), pediu à Justiça a retirada, por 24 horas, da página do Twitter do governador da Bahia Jaques Wagner (PT). O argumento é de que Wagner estaria fazendo propaganda política no microblog. É, as novas mídias começam a se consolidar, e, de fato, a incomodar. De início festejada como uma nova arena política em cujo espaço havia, e de certo modo há, lugar para todas as correntes de opinião, a web está se transformando num problema para aqueles que transitam na rede apenas para marcar posição. Assim como na vida dita real, na sociosfera do espaço virtual, como queiram, um quesito que ainda se mantém determinante é a mobilização militante. No caso do Twitter de Jaques Wagner este é o fator-chave que provocou a ira dos oposicionistas na Bahia. Blogs e sites, apenas, não fazem a diferença se as redes de mobilização não se materializam. Fica difícil replicar opiniões com intensidade de repercussão. Não à toa que desde o ano passado o senador tucano Eduardo Azeredo (PSDB-ES) busca amordaçar a Internet com um projeto-de-lei que ficou conhecido como o AI-5 digital. Ao publicizar sua agenda de compromissos, o governador da Bahia irritou figuras políticas que, por mais que se esforcem, não conseguem repercutir ações e opiniões na web pelo simples fato de não dispor de audiências interativas e participativas capazes de construir ecos mais distantes. Trata-se de um desenho midiático bem diferente daquele da velha ordem comunicacional, restrita aos jornalões e TV´s dos amigos e afins. A mídia mudou e com ela novas dinâmicas estão surgindo. Todavia, seria interessante que a PRE-BA, e de resto todo o aparato da Justiça Eleitoral do país, ampliasse a lente para entender melhor as diversas nuances da propaganda política, e o que de fato seja esta prática. O mesmo rigor é aplicado quando grandes redes de televisão ou jornais quatrocentões, com seus articulistas e comentaristas, abraçam de forma quase explícita determinadas candidaturas? É óbvio que não! Os mesmos que cobram tais rigores na Internet são aqueles que podem comprar generosos espaços em rádios particulares e, quando não, em jornais impressos corporativos com opiniões disfarçadas de “matérias”. A questão é que eles sabem que a mídia na qual transitam com desenvoltura, ainda que consiga estabelecer um jogo de pautas entre confrades, está desidratando no que concerne a formação de opiniões de modo militante e viral. A Internet, por sua vez, é um espaço onde a politização cresce proporcional à extensão que a rede vem atingindo. Contingentes cada vez maiores de segmentos de renda constelados na chamada classe média emergente, ou classe C, engrossam a grande arena web. No final do ano de 2009 a participação desses grupos na rede atingiu o percentual de 45%, o que equivale a aproximadamente 68,5 milhões de pessoas no Brasil. Daí o temor que levou um candidato a governador desidratado em termos de aceitação popular, e com origem nas velhas formas de comunicação política – e sem muitas alternativas de propagação na seara das novas mídias -, a buscar bloquear um espaço legítimo do cidadão Jaques Wagner, governador do Estado da Bahia. Com origem na militância sindical e contando com ampla rede de apoio na Internet, Wagner consegue com muito mais facilidade transitar numa mídia onde as confrarias da midiocracia oligárquica padecem de profunda anemia política, só restando a estas o apoio de uma visão míope da PRE-BA.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A apropriação da democracia dos EUA pelas empresas


Chomsky: A compra direta das eleições

Atualizado em 18 de fevereiro de 2010 às 13:22 | Publicado em 18 de fevereiro de 2010 às 13:20A apropriação da democracia dos EUA pelas empresas


Com a decisão do Supremo Tribunal dos EUA de 21 de Janeiro deste ano, os gestores das empresas podem passar a comprar eleições directamente.

Por Noam Chomsky, na Esquerda.Net

O dia 21 de Janeiro de 2010 irá permanecer como um dia sombrio na história da democracia dos EUA e do seu declínio.
Nesse dia, o Supremo Tribunal dos EUA decidiu que o governo não poderá impedir as empresas de fazer gastos políticos nas eleições - uma decisão que afecta profundamente a política governamental, quer interna quer externa.
A decisão marca ainda mais a apropriação pelas empresas do sistema político dos EUA. Para os editores do The New York Times, a decisão "atinge o coração da democracia" tendo "aberto caminho para as empresas usarem as suas vastas tesourarias para dominar as eleições e pressionar os políticos eleitos a cumprir as suas ordens."
O Tribunal estava dividido, 5-4, com os quatro juízes reaccionários (erradamente designados "conservadores") a receber o apoio do Juiz Anthony M. Kennedy. O Presidente do Supremo, John G. Roberts Jr., escolheu um caso que poderia ter sido facilmente resolvido em esferas mais baixas e manobrou o tribunal, usando-o para impor uma decisão de grande alcance, que derruba um século de precedentes restringindo as contribuições das empresas para campanhas federais.
Agora, os gestores das empresas podem efectivamente comprar eleições directamente, ultrapassando meios indirectos mais complexos. É bem sabido que as contribuições das empresas, embrulhadas por vezes em formas complexas, podem inclinar a balança nas eleições, conduzindo dessa forma a política. O tribunal acabou de atribuir muito mais poder ao pequeno sector da população que domina a economia.
A "teoria do investimento político" do economista político Thomas Ferguson é um prognóstico bastante eficaz da política do governo durante um longo período. A teoria interpreta as eleições como ocasiões em que segmentos do poder do sector privado se unem para investir no controlo do Estado.
A decisão de 21 de Janeiro apenas reforça os meios para minar o funcionamento da democracia.
O contexto é esclarecedor. No seu voto de vencido, o juiz John Paul Stevens reconheceu que "há muito que sustentamos a ideia de que as empresas estão cobertas pela Primeira Emenda" - a garantia constitucional da liberdade de expressão, que incluiria o apoio aos candidatos políticos.
No início do século XX, os teóricos de Direito e os tribunais implementaram a decisão do tribunal de 1886 pela qual as empresas - "estas entidades legais colectivistas" - têm os mesmos direitos que as pessoas de carne e osso.
Este ataque ao liberalismo clássico foi duramente condenado por uma espécie de conservadores em extinção. Christopher G. Tiedeman descreveu o princípio como "uma ameaça à liberdade do indivíduo e à estabilidade dos Estados norte-americanos enquanto governos populares."
Morton Horwitz escreve na sua história do Direito que o conceito de personalidade empresarial evoluiu paralelamente à mudança do poder dos accionistas para os gestores, e finalmente para a doutrina em que "os poderes do conselho de administração são idênticos aos poderes da empresa." Anos mais tarde, os direitos das empresas foram expandidos muito além das pessoas, nomeadamente pelos mal designados "acordos de livre comércio." Segundo esses acordos, por exemplo, se a General Motors instalar uma fábrica no México, pode exigir que seja tratada como qualquer negócio mexicano ("tratamento nacional") - ao contrário de um mexicano de carne e osso que procure "tratamento nacional" em Nova York, ou mesmo os direitos humanos mínimos.
Há um século atrás, Woodrow Wilson, na altura um académico, descreveu uma América na qual "grupos comparativamente pequenos de homens," gestores empresariais, "detêm um poder e controlo sobre a riqueza e as operações de negócios do país," tornando-se "rivais do próprio governo."
Na verdade, estes "pequenos grupos" tornaram-se cada vez mais os donos do governo. O tribunal de Roberts deu-lhes um alcance ainda maior.
A decisão de 21 de Janeiro chegou três dias depois de uma outra vitória para a riqueza e o poder: a eleição do candidato republicano Scott Brown para substituir o falecido senador Edward M. Kennedy, o "leão liberal" de Massachusetts. A eleição de Brown foi descrita como uma "vaga populista" contra as elites liberais que lideram o governo.
Os dados da votação revelam uma história bastante diferente.
Elevados índices de participação nos subúrbios ricos, e baixos nas áreas urbanas maioritariamente democratas, ajudaram a eleger Brown. "Cinquenta e cinco por cento dos eleitores republicanos afirmaram estar 'bastante interessados' na eleição", informou a sondagem do Wall St. Journal/NBC, "comparado com os 38% dos democratas."
Assim, os resultados foram de facto um acto de revolta contra as políticas do presidente Obama: para os ricos, ele não estava a fazer o suficiente para enriquecê-los ainda mais, enquanto que para os sectores mais pobres estava a fazer demasiado para atingir esse fim.
A irritação popular é bastante compreensível, dado que os bancos estão a prosperar, graças às ajudas do governo, enquanto o desemprego aumentou para 10%.
No sector industrial, uma em cada seis pessoas está desempregada - um desemprego ao nível da Grande Depressão. Com a financiarização crescente da economia e o esvaziamento da indústria produtiva, as perspectivas são sombrias para a recuperação dos empregos perdidos.
Brown apresentou-se a si mesmo como o 41º voto contra o sistema de saúde - ou seja, o voto que poderia minar a maioria do Senado dos EUA.
É verdade que o programa de cuidados de saúde de Obama foi um factor importante na eleição de Massachusetts. Os títulos dos jornais estão correctos quando se lê que a população está a voltar-se contra o programa.
As sondagens explicam porquê: o projecto de lei não vai suficientemente longe. A sondagem do Wall St. Journal/NBC demonstra que a maioria dos eleitores desaprova a forma como tanto os republicanos quanto Obama têm lidado com a reforma do sistema de saúde.
Estes números estão de acordo com as recentes sondagens nacionais. A opção do sistema público foi apoiada por 56% dos entrevistados, e a adesão ao Medicare aos 55 anos de idade foi apoiada por 64%; ambos os programas foram abandonados.
Oitenta e cinco por cento acreditam que o governo deveria ter o direito de negociar o preço dos medicamentos, como acontece noutros países; Obama garantiu à indústria farmacêutica que não irá seguir em frente com essa opção.
Largas maiorias são a favor da redução de custos, o que faz todo o sentido: os custos per capita dos EUA para o sistema de saúde são cerca do dobro relativamente a outros países industrializados, e os resultados da saúde estão a regredir.
Mas a redução de custos não pode ser levada a cabo seriamente quando as indústrias farmacêuticas são agraciadas, e o sistema de saúde está nas mãos das seguradoras privadas praticamente desreguladas - um sistema peculiar bastante caro aos E.U.A.
A decisão de 21 de Janeiro levanta novas barreiras significativas para ultrapassar a grave crise no sistema de saúde, ou para lidar com questões críticas como as ameaçadoras crises ambiental e energética. O hiato entre a opinião pública e a política pública avizinha-se crescente. E o prejuízo para a democracia norte-americana dificilmente pode ser sobrevalorizado.

Publicado em Znet

Traduzido por: Sara Vicente
Indique esta Matéria
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS

Venezuela tem um PAC para as favelas: teleféricos. Quem disse que pobre precisa dormir ?



Venezuela inaugura bondinho que transporta moradores de morros. Teleféricos em Caracas começaram a operar nesta quinta-feira (18). Eles percorrem 1,8 km e ligam comunidades em morros da capital.

Francamente, a Venezuela não tem salvação.

Onde já se viu investir em transporte público ?

Onde já se viu permitir que o favelado durma um pouco mais, antes de ir trabalhar ?

Quem disse que o pobre precisa dormir ?

Onde já se viu iluminar a favela ?

Onde já se viu botar teleférico no Morro do Alemão, no Rio ?

Isso é “eleitoreiro”.

Onde já se viu botar teleférico no Pavão, Pavãozinho ?

Populismo.

Demagogia.

E na Rocinha ?

Aquilo não tem conserto.

Eles gostam mesmo é de viver na miséria.

A única saída é a remoção.

Levar os pobres (nordestinos) para o Jardim Romano e esperar que eles morram de leptospirose.

Ou de mega-diarreia.

A Venezuela é um caso perdido.

Bom é alagar o Jardim Romano é botar a culpa nos pobres (nordestinos) que ousam morar ali, em lugar de viver no Morumbi.

Por Paulo Henrique Amorim

Publicado em
www.conversaafiada.com.br

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Caiu de pato



Mordeu a isca. FHC quer o plebiscito, então terá. Não obedecendo aos apelos da entourage serrista, FHC, a múmia, resolveu mais uma vez espanar a poeira no seu sarcófago e publicou artigo em um dos jornais de campanha do PSDB, o Estadão. Memória curta, o príncipe da sociologia tentou adornar os pífios dados dos seus oito anos de gestão com o argumento de que neles teria se dado o início dos programas sociais, além de taxar de “mentiroso” o presidente Lula. A bem da verdade, o próprio FHC se trai quando cita supostos casos de “eficiência” do seu governo. E vejam, teve o displante de afirmar que modernizou a Petrobrás e capitalizou bancos estatais, como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o BNDES. Rapidamente os fatos se encarregam de dizer quem foge à verdade, se não o próprio FHC. Tomemos como exemplo a capitalização do Banco do Brasil, alegada por ele como um dos “cases” de sucesso da sua gestão. O BB recebeu a injeção de apenas R$ 8 bilhões, e mesmo assim para que a instituição fosse vendida, privatizada. Tudo já estava acertadinho com os possíveis compradores do patrimônio público, para a alegria de Miriam Leitão, Eliane Catanhede, Lúcia Hipólito e demais “consultores” da mídia golpista e lobista dos grandes conglomerados financeiros. Mas ele não disse que nesse mesmo período foram transferidos aos bancos privados, que ele e seus correligionários do DEM(mônio) entendem como “bem geridos”, o montante de R$ 42 bilhões, com menos de R$ 12 bilhões recuperáveis, indo o restante para o ralo. Quanto a Petrobrás, o mesmo script. A estatal estava sendo preparada para ser leiloada, conforme reza o programa partidário do DEM(mônio). Uma estratégia que incluía o sucateamento da empresa, vilipendiada por problemas de gestão e falta de investimentos. Não deu outra, a Petrobrás registrou uma série de acidentes ambientais no governo de FHC, entre os quais um grande vazamento de óleo na Baía de Guanabara, no Rio, e outro no Rio Iguaçu, no Paraná. A quase deblaquê da empresa se deu quando uma de suas maiores plataformas, a P-36, afundou na Bacia de Campos, causando a morte de 11 trabalhadores. Foi o momento em que os jornalistas e órgãos de imprensa que à época compunham a férrea linha de apoio incondicional ao príncipe repercutiram o episódio entrevistando “especialistas” que apostavam na “necessária” privatização da empresa. Sobravam sorrisos na politicalha demotucana. Bom lembrar: trata-se da mesma linha de frente que hoje se constitui no Partido da Imprensa Golpista (PIG) e fustiga a estatal para desmoralizá-la. FHC tentou enganar também quando se referiu à paternidade dos programas sociais. Papo pra boi dormir. O atual governo realmente pôs em prática o que se constituía, apenas, em alguns ensaios demasiadamente raquíticos e acanhados de blindagem social. Foi no governo Lula que 35 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza e passaram a integrar o mercado consumidor. E a área da educação, por que não foi citada no texto do eminente professor? É porque este é um ponto sensível para FHC tocar. O ex-presidente não se arriscaria a nenhum comparativo. Ele teme. E treme só de pensar. FHC não abriu nenhuma nova universidade, escola técnica ou projetos de extensão universitária no Brasil durante seus oito anos de gestão, enquanto Lula implantou 10 novas universidades (até o momento), 214 novas escolas técnicas e 45 novas extensões universitárias. Outra oportuna omissão do marquês em seu artigo foi sobre o desempenho econômico na sua gestão. A economia brasileira praticamente estacionou em pífios 2%, não gerando os empregos que o país necessitava. Pudera, economia nenhuma conseguiria deslanchar com o elevado déficit em conta-corrente de 23 bilhões de dólares no acumulado de um ano. Com a poupança interna minguada para investir no desenvolvimento, o Brasil pôs a cuia na mão e se tornou extremamente dependente de recursos externos. E ele achava natural pôr a nação de joelhos ao subjugo da gringalhada do FMI. Por estas e por outras tantas que o passado do príncipe à frente do país é motivo de vergonha até entre os seus correligionários. Faz o seguinte FHC, escolhe aquele vistoso pijama de bolinhas pretas – que deve cair bem nesse período momesco –, põe um chinelo de dedo confortável e vai pra cama, pois caso contrário você deixará ainda mais irritado o governador José Serra e seu conselheiro de campanha, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). À esta altura os dois devem estar contabilizando o estrago que seu artigo está fazendo na campanha de Serra, como ocorreu na vez passada. Ou então continua falando suas sandices. Melhor pra Dilma.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

FILHOS SENDO TIRADO DO PAI - DIVULGUEM

É a medida da maldade maternocrata. Dois garotos, mesmo querendo ficar com o pai, são tirados violentamente do convívio paterno a partir de uma decisão judicial. Trata-se de Waldemar, um homem trabalhador que ama seus filhos e está sendo violentamente injustiçado por uma ex-mulher insana. Os grupos militantes pelos direitos dos pais já estão mobilizados para reverter a situação e fazer justiça às crianças. O vídeo é forte e retrata a dor deste pai, assim como a dos seus filhos, que relutam em voltar de forma violenta para a guarda da mãe. Assistam e divulguem.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Por que José Serra não fala sobre enchentes na Globo?



Enquanto as chuvas desintegram São Paulo, paira a dúvida neste humilde blogueiro em quais planos de “realidade” o Jornal Nacional e os veículos da família Marinho conseguem se enquadrar. Ou melhor, observar e reportar, se for este, stricto senso, o objetivo do jornalismo. Há um mês que a cobertura do Jornal Nacional sobre os dilúvios diários nas cidades paulistanas sustenta a tese de que os estragos provocados são culpa única e exclusiva de São Pedro e da população pobre, que teima em sujar os bueiros e bocas de lobo. Em 50 dias de matérias e reportagens nenhuma palavra do governador do Estado, José Serra (PSDB), ou do prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM). É como se paulistas e paulistanos vivessem numa espécie de terra de ninguém que passou a ser governada por Iansã, a orixá dos raios e trovões. Bom lembrar que depois das imagens e comentários sobre as devastações diárias, a preocupação do jornalismo de Ali Kamel – o poderoso diretor da Globo - recai sobre as palavras da garota do tempo, que, ao sabor da sua expressão, dá a senha para o dia seguinte, tipo: “a população que se cuide que vem mais água”. Mas, sim, e as tais perguntas que seriam mister do fazer jornalístico? O telespectador não pode ser informado por que o governo Serra não construiu os piscinões e realizou obras de infra-estrutura que reduziriam o problema das enchentes? Ou mesmo por que o poder público não desobstruiu e limpou o rio Tietê? Quando do apagão de oito horas ocorrido em alguns estados do país em decorrência de um problema técnico da usina de Itaipu, causado por intempéries climáticas, a ministra Dilma Roussef foi matéria durante todos os dias da semana no arremedo de jornal de William Bonner e Fátima Bernardes. Naquela ocasião, a ministra não foi ouvida como fonte, já que sobre ela se imputou simplesmente a culpa pelo episódio. Não delonguemos os exemplos, pois é clara a opção militante da Rede Globo, mesmo que ao arrepio deontológico de um jornalismo sem um mínimo de ética. A Ali Kamel e cia interessa muito menos noticiar e muito mais engabelar a verdade. A blindagem noticiosa operada sobre o governador de São Paulo conflui providencialmente num momento crítico para a campanha de Serra, quando os números das pesquisas não se mostram nada animadores para o candidato da coligação Demotucana. Com a proximidade da campanha, a tendência é que as organizações dos Marinhos, e de resto todo aparato midiocrático brasileiro, acirrem suas construções de “verdades” ao sabor dos interesses eleitorais, a exemplo do que ocorre no momento, quando o jornalismo da Vênus Platinada transformou a pauta da ausência de infra-estrutura na capital paulista em culpa presumida dos moradores dos bairros pobres, que para a Globo são, junto com São Pedro, os responsáveis pelas enchentes em São Paulo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O tacape certeiro de Leandro Fortes

A prisão de nove lideranças do MST, no interior de São Paulo, algumas das quais filiadas ao PT, foi o ponto de partida de uma estratégia eleitoral virtualmente criminosa e extremamente profissional, embora carente de originalidade. Trata-se de perseguição organizada, de inspiração claramente fascista, de líderes de um movimento que diz respeito à vida e ao futuro de milhões de brasileiros, que revela mais do que o uso rasteiro da política. Revela um tipo de crueldade social que se imaginava restrita a políticos do Brasil arcaico, perdidos nos poucos grotões onde ainda vivem, isolados em seus feudos de miséria, uns poucos coronéis distantes dos bons modos da civilização e da modernidade.
No entanto, o rico interior paulista, repleto de terras devolutas da União griladas por diversas gerações de amigos do rei, tem sido um front permanente dessa guerra patrocinada pela extrema direita brasileira perfilada hoje, mais do que nunca, por trás da bela fachada do agronegócio e sua propalada importância para a balança comercial brasileira. Falar-lhes mal passou a ser de mau alvitre, um insulto a uma espécie de cruzada dourada cujo efeito colateral tem sido a produção de miséria e cadáveres no campo e, por extensão, nas cidades. É nosso mais grave problema social e o mais claramente diagnosticável, mas nem Lula chegou a tanto.
Assim, na virada de seu último ano de mandato, o presidente parece ter afrouxado o controle sobre a aliança política que lhe permitiu colocar, às custas de não poucos danos, algumas raposas dentro do galinheiro do Planalto. Bastou a revelação do pacote de intenções do Plano Nacional de Direitos Humanos, contudo, para as raposas arreganharem os dentes sem medo, fortalecidos pela hesitação de Lula em enquadrá-los sob o pretexto de evitar crises inevitáveis. A reação do ministro Nelson Jobim, da Defesa, ao PNDH-3, nesse sentido, foi emblemática e, ao mesmo tempo, reveladora da artificialidade dessa convivência entre forças conservadoras e progressistas dentro do governo do PT, um nó político-ideológico a ser desatado durante a campanha eleitoral, não sem traumas para a candidata de Lula, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.
Com a ajuda de Jobim, a velha sanfona anticomunista voltou a soltar os foles e se engajou nesse desarranjo histórico que tem gerado crises artificiais e um consequente show de péssimo jornalismo. Tocou-se, então, o triste baião anti-Dilma das vivandeiras, a arrastar os pés nas portas dos quartéis e a atiçar as sentinelas com assombros de revanchismo e caça às bruxas, saudosos do obscurantismo de tempos idos – mas, teimosamente, nunca esquecidos –, quando bastava soltar bestas-feras fardadas sobre a sociedade para calá-la. Ao sucumbir à chantagem de Jobim e, por extensão, à dos comandantes militares que lhe devem subordinação e obediência, Lula piscou.
No lastro da falsa crise militar criada por Jobim, com o auxílio luxuoso de jornalistas amigos, foi a vez de soltar a voz o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, cujo arrivismo político iniciou-se na ditadura militar, à qual serviu como deputado da Arena (célula-tronco do DEM) e presidente do INPS no governo do general Ernesto Geisel, até fazer carreira de ministro nos governos Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula. Essa volatilidade, no entanto, sempre foi justificada por conta de um festejado “perfil técnico” de Stephanes. Trata-se de um mistério ainda a ser desvendado, não a capacidade técnica, mas as intenções de um representante político do agronegócio dentro governo Lula, uma posição institucional baseada em alinhamento incondicional à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), comandada pelo senadora Kátia Abreu, do DEM de Tocantins.
Com Kátia, Stephanes ensaiou um animado jogral e conseguiu, até agora, boicotar a mudança dos índices de produtividade agrícola para fins de reforma agrária – um tiro certeiro no peito do latifúndio, infelizmente, ainda hoje não desferido por Lula. Depois, a dupla partiu para cima do PNDH-3, ambos procupadíssimos com a possibilidade de criação de comitês sociais a serem montados para mediar conflitos agrários deflagrados por ocupações de terra. Os ruralistas liderados por Kátia Abreu e Ronaldo Caiado se arrepiam só de imaginar o fim da tradicional política de reintegração de posse, tocada pelos judiciários e polícias estaduais, como no caso relatado nesta matéria de CartaCapital. A dupla viu na proposta um incentivo à violência no campo, quando veria justamente o contrário qualquer menino bem educado nas escolas geridas pelo MST. São meninos crescidos o suficiente para saber muito bem a diferença entre mediadores de verdade e os cassetetes da Polícia Militar.
O governo Lula já havia conseguido, em 2008, neutralizar um movimento interno, tocado pelo Gabinete de Segurança Institucional, interessado em criminalizar o MST taxando o ato de invasão de terra de ação terrorista. Infelizmente, coisas assimainda vêm da área militar. O texto do projeto foi engavetado pela Casa Civil por obra e graça da ministra Dilma Rousseff. Lula, contudo, não quer gastar o último ano de uma era pessoal memorável comprando briga com uma turma que, entre outros trunfos, tem uma bancada de mais de uma centena de congressistas e a simpatia declarada do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Assim, distraído, o presidente deixou que Jobim e Stephanes envenenassem o processo político às vésperas das eleições, com óbvios prejuízos para a candidatura Dilma, bem no começo da briga com José Serra, do PSDB, o governador que por ora se ocupa em prender militantes do MST e do PT enquanto toca terror em assentamentos cheios de mulheres e crianças, no interior de São Paulo, com seu aparato de segurança pública.
O MST existe há 25 anos e é o mais importante movimento social de base da história do Brasil. A crítica à sua concepção socialista e a eventuais desvios de conduta de alguns de seus participantes é, deliberadamente, ultradimensionada no noticiário para passar à sociedade, sobretudo à dos centros urbanos, a impressão de que seus militantes são vândalos nutridos pelo comunismo e outras reflexões sociológicas geniais do gênero.
A luta do MST é, basicamente, a luta contra o latifúndio e a concentração fundiária nas mãos de uma elite predatória, violenta e vingativa. Essa é a origem de todos os problemas da sociedade brasileira desde a sua fundação, baseada em capitanias hereditárias, em 1532. Nenhum governo teve a coragem necessária, até hoje, para tomar medidas efetivas para acabar com o latifúndio e, assim, encerrar com esse ciclo cruel de concentração de terras no campo brasileiro, responsável pelo inchaço das periferias e pela violência contra trabalhadores rurais, inclusive torturas e assassinatos, com o periódico beneplácito da Justiça e das autoridades constituídas, muitas das quais com campanhas eleitorais financiadas pelos grupos interessados em manter este estado de coisas.
A luta contra o latifúndio não é a luta contra a propriedade privada, essa relação também foi contruída de forma deliberada e tem como objetivo tirar o verdadeiro foco da questão. A construção desse discurso revelou-se um sofisma baseado na a inversão dos valores em jogo, como em uma charada de um mundo bizarro: a ameaça social seria a invasão (na verdade, a distribuição) de terras, e não a concentração no campo, o latifúndio. E isso é vendido, assim, cru, no horário nobre.
É uma briga dura, difícil. Veremos se Dilma Rousseff, em cima do palanque, será capaz de comprá-la de novo.

Por Leandro Fortes em www.brasiliaeuvi.wordpress.com