quinta-feira, 30 de setembro de 2010

As ligações perigosas de Serra e Gilmar Mendes

O golpe que o PSDB e uma certa emissora de Tv queriam aplicar

Reproduzo aqui publicação do site de Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada


A “bala de prata” é a maior fraude da história política do Brasil


Indivíduos do Capital e da região de Sorocaba, com diversas passagens pela polícia (roubos, receptação, assaltos à mão armada, seqüestros etc.) foram contatados por políticos ligados ao PSDB local através de um elemento intermediário com trânsito mútuo;


Foram informados de que “prestariam serviços” e levados até um shopping da cidade de São José do Rio Preto;


Lá mantiveram encontro com outras três pessoas, descritas como “muito importantes”, e receberam um adiantamento em dinheiro vivo;


Não se tratava de qualquer encomenda de morte, assalto ou ato criminoso tão comum para os marginais recrutados;


Imediatamente, tais bandidos foram levados até o Rio de Janeiro, a um bairro identificado como Jardim Botânico, onde ficaram confinados por dois dias;


Uma equipe de TV, num estúdio particular, gravou longa entrevista com os bandidos. O script era o seguinte: “somos do PCC, sempre apoiamos o governo Lula e estamos com Dilma”. Não fugiu disso, com variações e montagens em torno de uma relação PCC/Lula/PT/Dilma;


Os bandidos recrutados também foram instruídos a fazer ligações telefônicas para diversos comparsas que cumprem penas em penitenciárias do Estado de São Paulo. A ordem era clara: simular conversas que “comprovassem” a ligações entre o PCC e a campanha de Dilma;


Tudo foi gravado em áudio e vídeo;


A farsa começou a ser desmontada quando o pagamento final pelo serviço veio aquém do combinado;


Ao voltarem para São Paulo, alguns dos que gravaram a farsa decidiram, então, denunciar o esquema, relatando toda a incrível história acima com riqueza de detalhes;


As autoridades já estão no encalço da bandidagem. De toda a bandidagem;


A simulação seria veiculada por uma grande emissora de TV e por uma revista depois do término do horário eleitoral, causando imenso tumulto e comoção, sem que a candidata Dilma Rousseff, os partidos que a apóiam e o próprio governo Lula tivessem o tempo de denunciar a criminosa armação;


Essa é a “bala de prata”. Já se sabe seu conteúdo, os farsantes e o custo, além dos detalhes. Faltam duas peças: quem mandou e quem veicularia (ou ainda terá o desplante de veicular?) a maior fraude da história política brasileira

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Marcos Coimbra: "Dilma vence no primeiro turno"

Entrevista, por email, do presidente do Instituto Vox Populi, o sociólogo Marcos Coimbra, ao Poder Online:

Marina Silva está crescendo sobre votos de Dilma Rousseff?

– Não dá para dizer. Dilma cresceu tanto após o início do horário gratuito da propaganda eleitoral que roubou votos dos outros dois. Agora, esses votos estão, ao que parece, voltando para eles.

Quantos votos, de fato, Dilma precisa perder para que haja segundo turno?

– Nos dados de nosso tracking (corroborados por vários outros que temos de pesquisas desenvolvidas em paralelo), a vantagem dela para a soma dos outros estava em 12 pontos percentuais ontem. Se 6 pontos passassem dela para os outros, a eleição empataria e o prognóstico de vitória no primeiro turno seria impossível. Como cada ponto equivale a mais ou menos 1,35 milhão de eleitores, isso seria igual a 8 milhoes de eleitores (sem raciocinar com abstenções).

Marina Silva pode ultrapassar José Serra?

– É muito pouco provável, no conjunto do país. Possível em alguns lugares, como a região Norte e o DF. Talvez se consolide no Rio, onde ela já está na frente.

Qual o quadro que o senhor acha mais provável?

- Vitória de Dilma no primeiro turno.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Paulo Souto e o Topa; primarismo técnico ou má fé

O alarido do candidato Paulo Souto (Demo) em relação aos números do Programa Todos Pela Alfabetização, o Topa, não se sustenta. O Governo da Bahia já alfabetizou 500 mil pessoas desde início do programa, em maio de 2007. Resultado: é o Estado que mais avançou na erradicação do analfabetismo no país, segundo o próprio IBGE. E os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD) já refletem isso. Mas Souto apega-se a esses mesmos dados para fustigar o candidato do PT à reeleição, o governador Jaques Wagner. Só que Paulo Souto compara abacaxi com melão e erra por primarismo técnico ou má fé.

A questão: a PNAD aponta o número de 86 mil novos alfabetizados na Bahia. Então o que difere tais dados dos registros do Programa Topa? É bom saber para não construir ilações sem fundamento, como faz a oposição.

Ao fato: a PNAD é uma sondagem anual por amostragem probabilística de domicílios, realizada em todo o território nacional. Ou seja, do ponto de vista metodológico esse tipo de pesquisa não tem capacidade de identificar os chamados grupos focais – públicos atingidos diretamente por políticas públicas, que é o caso do Programa TOPA.

Traduzindo: a PNAD não tem condições de mensurar e avaliar as pessoas inscritas e contempladas pelo programa.

Falta a Paulo Souto fazer uma leitura correta dos dados da PNAD.

Vamos a eles: na PNAD de 2009 foram visitados 76 municípios baianos dos 417, inclusos os 10 na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Nesta pesquisa, a amostragem foi de 1 domicilio representando 200 domicílios na RMS. Já no interior, 1 domicilio representou 450 no restante do Estado. É bom lembrar também que a data de referência da pesquisa foi 26/09/2009. Veja aqui os dados do IBGE.

Acorda, Paulo Souto!

Não dá para Interpretar os resultados de uma pesquisa como a PNAD e, sobretudo, seu grau de precisão com argumentos de achismo. Isso pressupõem algum conhecimento técnico e metodológico. E é o que falta sobremaneira na rasa interpretação do ex-governador.

O que o candidato do DEM fez foi uma apropriação indevida de uma pesquisa do IBGE.

Lanço um desafio: seria interessante que Paulo Souto ingressasse com uma ação na Justiça contra o Governo questionando os dados do Topa com base na PNAD. Deste modo, o IBGE, como agência produtora dos dados, poderia manifestar-se institucionalmente sobre o uso destes números através do seu Departamento de Metodologia.

E tem mais erros nos argumentos de Souto. Um programa de governo tem seus registros administrativos que comprovam sua execução. Como imaginar que uma pesquisa que trata de macro variáveis, que tem amostragem complexa, onde a seleção é por município, setor censitário e, por fim, domicilio, pode chegar ao mesmo número de registros de matricula do Topa?

Será que Paulo Souto já ouviu falar de coeficiente de variação, desvio padrão e estimadores?

Fica patente que a verdadeira manipulação foi feita pelo candidato do DEM em negar os números do Topa com base na PNAD. Trata-se de uma inferência grosseiramente viciada.

Por fim, a lição a ser extraída é afirmar taxativamente que Paulo Souto não compreende os resultados de uma pesquisa como a PNAD. Por primarismo técnico ou má fé.

Lula: "nove ou dez famílias controlam a mídia no país"

Numa das entrevistas mais importantes da sua trajetória à frente da Presidência, Luis Inácio Lula da Silva faz, de forma simples e direta, profunda análise da situação que o país atravessa nesses dias.

Entenda o que é o PIG

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Um brado contra o golpe midiático

É, mexeu mesmo. O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, que ocorrerá nesta quinta-feira, dia 23, às 19 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, tem gerado reações entre órgãos de comunicação corporativos e diversos comentaristas e colunistas a estes ligados.

As famíglias Frias, Civita, Marinho, Mesquita e um centurião de sabujos menores alardeiam que se trata de iniciativa convocada por “sindicalistas ligados ao Governo”.

Mentira.

O protesto é puxado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, entidade fundada em 14 de maio último, que reúne em seu conselho consultivo 54 jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais ligados à luta pela democratização da comunicação.

O objetivo da manifestação é chamar atenção da sociedade sobre a partidarização escancarada que as famíglias supracitadas estão fazendo por intermédio dos seus órgãos de imprensa.

Não estão aceitando o rumo do processo político e querem interferir com o denuncismo midiático-udenista. Jornalistas e cidadãos sérios têm o direito de denunciar tais manobras golpistas imantadas no festival de baixaria protagonizado por jornais e emissoras de TV.

Princípios basilares da imprensa estão sendo jogados às favas. A acusação ganha status de veredicto, trocando a presunção da inocência pela presunção da culpa. As corporações da mídia tentam resignificar valores caros à democracia, como a liberdade de imprensa, o que para eles se resume à liberdade de empresa, apenas.

É um jogo sórdido, que não admite o contraditório.

E não é de agora. O filme já se passou em 1954, quando levaram Getúlio ao suicídio; durante a campanha e o governo de Juscelino, sobre o qual diziam que “se ganhasse não levava e se levasse não governaria”; no golpe militar de 1964, quando uniram forças com os militares para destituir o presidente João Goulart e implantar no país uma ditadura; nas eleições de 1989, levando Fernando Collor ao poder; e nos últimos oito anos com todo tipo de ataque ao projeto político de maior aceitação popular no país, capitaneado pelo presidente Lula.

A “liberdade” que almejam é outra.

Não à toa que representantes dessas corporações estarão reunidos no Clube Militar do Rio de Janeiro, também no dia 23, para discutir “imprensa livre” com gorilas saudosistas da quartelada de entanho. Querem é manter o controle absoluto da mídia, não admitindo nenhuma mudança na legislação que possibilite democratizar o setor.

Seja no que diz respeito à propriedade dos meios, hoje quase um feudo de sete famílias – todas ligadas ao consórcio PSDB-DEM -, ou à pluralidade de opiniões. Se realmente fossem partidários da liberdade de expressão a praticariam dentro das suas próprias empresas.

Não é o que ocorre.

A pauta é ditada pelos interesses políticos e econômicos dos donos dessas corporações, vedando qualquer voz discordante nas redações. Exceto jornalistas perfilados ideologicamente com eles, aqueles que busquem assegurar o mínimo de ética na cobertura diária são exemplarmente punidos e defenestrados. E ainda se jactam de “imprensa independente”. De quê ou de quem?

Se auto-intitulam também de porta-vozes da opinião pública, alimentando esse imaginário fantasioso e falacioso por intermédio de opiniões publicadas nos seus próprios espaços.

E não se conformando com a escalada da blogosfera, espaço autogestionado e, de fato, independente, procuram amordaçar a internet por intermédio de projetos de lei fascistas, como o proposto pelo senador tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG), denominado de AI-5 digital e prontamente vetado pelo presidente Lula.

Por isso o desdém e o medo do levante de setores da nova mídia que não se subjugam ao controle férreo dos patrões da velha mídia.

Por isso que nos tacham de “blogs sujos”. A derrota que se anuncia para o seu candidato, José Serra, será também a sua derrota e o início do seu desmonte. Que assim seja!

domingo, 19 de setembro de 2010

FALTAM 12 DIAS ATÉ 3 DE OUTUBRO "ÓDIO E MENTIRA'

Da Carta Maior

Na reta final das eleições de 2010, a mídia demotucana desistiu de manter as aparências e ressuscitou o golpismo udenista mais desabrido e virulento. O arrastão conservador não disfarça a disposição de criar um clima de mar de lama no país nas duas semanas que separam a cidadania das urnas."Ódio e mentira", disse o Presidente Lula, no último sábado, em Campinas, para caracterizar a linha editorial que unifica agora o dispositivo midiático da direita e da extrema direita em luta aberta contra ele, contra o seu governo, contra o PT e contra a sua candidat, Dilma Rousseff. Virtualmente derrotada a coalizão demotucana já não têm mais esperança eleitoral em Serra, que avalia como um 'estorvo', um erro e um fracasso. Sua candidatura sobrevive apenas como o cavalo-de-Tróia de um engajamento escancarado, quase cínico, de forças, interesses, veículos e colunistas determinados a sabotar por antecipação o governo Dilma, custe o que custar. O objetivo é criar uma divisão radicalizada na sociedade brasileira, mobilizando a elite e segmentos da classe média em torno de um movimento que caracterize o resultado das urnas como ilegítimo. A audácia sem limite cogita, inclusive, levar Dilma a depor no Senado, às vésperas do pleito que deve consagrá-la Presidente do país. Um claro desafio à vontade popular, típico da provocação golpista. A receita é a mesma pregada por Carlos Lacerda, em junho de 1950, quando era evidente a vitória de Juscelino Kubitschek contra a UDN. O lema de ontem comanda a ordem unida que articula pautas, capas e manchetes nestes últimos 12 dias de campanha. O que Lacerda disse é o que se pratica hoje, de forma aberta ou dissimulada, em todos os grandes veículos de comunidação: " Este homem não deve ser candidato; se candidato, não pode ganhar; se ganhar, não deve tomar posse; se tomar posse não deve governar..."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O envolvimento de Paulo Souto com a lama de Serra, Ricardo Sérgio e Gregório Preciado. O caso da ilha do Urubu. Com a palavra, Emiliano José


Emiliano: "Paulo Souto distribuiu benesses entre amigos"

Discurso sobre o caso Paulo Souto e a Ilha do Urubu


Dia 30/09/2009, às 16h20min

O SR. EMILIANO JOSÉ (PT-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje vou falar aqui sobre o nebuloso e escandaloso caso da Ilha do Urubu, ocorrido na Bahia, em novembro de 2006, quando estava em fim de governo o Sr. Paulo Souto, do DEM.
O ex-governador da Bahia, Paulo Souto, está sendo acusado de ilegalidade por Rubens Luis Freiberger e seu advogado José César Oliveira, através de uma ação popular que tramita no Tribunal de Justiça da Bahia acerca do processo que envolveu a doação de terras da Ilha do Urubu, localizada no município de Porto Seguro, área da Costa do Descobrimento, no Extremo Sul da Bahia.
De acordo com as informações fornecidas à imprensa pelo advogado César Oliveira, no processo nº. 359.983-3, ao final do seu governo, Paulo Souto doou a Ilha do Urubu aos herdeiros da família Martins, posseiros da área em questão. Quatro meses depois, os herdeiros venderam essas terras ilegalmente (pois teriam que preservá-las por cinco anos) por R$ 1 milhão, ao empresário Gregório Marin Preciado.
Segundo Oliveira, mais ou menos um ano depois, Gregório Preciado revendeu o terreno a um mega-especulador belga, Philippe Meeus, por R$ 12 milhões. Para o advogado: No mínimo, houve leniência por parte do Estado. O terreno vale, hoje, R$ 50 milhões, pois se trata de uma das áreas mais valorizadas da América Latina.
Nas denúncias, César Oliveira informa ainda que: Gregório Marin Preciado, espanhol, naturalizado brasileiro, é casado com a prima de José Serra, governador de São Paulo e pré-candidato a presidência da República. O senhor Gregório Marin Preciado responde a uma ação penal do Ministério Público Federal por uma dívida de R$ 55 milhões, que foi perdoada irregularmente pelo Banco do Brasil. Ele tomou também um empréstimo de R$ 5 milhões no Banco do Brasil e deu a Ilha do Urubu como garantia, enquanto litigava com a família Martins, disputando a posse da Ilha.
Senhor Presidente, ainda segundo o advogado, no ano de 1993, Gregório Marin Preciado havia contraído empréstimos no Banco do Brasil para duas empresas de sua propriedade a Gremafer e a Acetato. Como Preciado não conseguiu pagar o débito, no ano de 1995, entrou em cena o Sr. Ricardo Sérgio, que, na época, era diretor do Banco do Brasil e ficou conhecido por ser caixa das campanhas de José Serra e FHC. Ele conseguiu para Gregório Preciado um gracioso desconto de 16 milhões de reais na tal divida.
Mas a coisa não parou por aí. Mesmo inadimplente, Gregorio Preciado arrancou outro empréstimo de 2,8 milhões de dólares no mesmo Banco do Brasil. Reportagem de maio de 2002, da Folha de São Paulo, destacou que documentos internos do Banco tratavam aquelas negociações como heterodoxas e atípicas, e por isso, o agente financeiro começou a listar os bens do Sr. Preciado para arrestá-los.
Foi assim que se descobriu a propriedade de um terreno valiosíssimo no bairro do Morumbi, onde José Serra era dono de metade e Gregório Preciado da outra parte. O terreno foi vendido rapidamente antes de o Banco do Brasil fazer o arresto e ambos foram beneficiados.
No ano de 1996, Ricardo Sérgio (diretor do Banco do Brasil com influencia na Previ) montou com Preciado o consórcio Guaraniana S/A. Segundo notícias da época, o mencionado consórcio foi composto pela Previ, Banco do Brasil e por fundos administrados pela instituição, e tem como sócia a Iberdrola, empresa gigante do setor energético. Ainda de acordo com o advogado José César Oliveira, a Iberdrola deu a representação da Guaraniana a Gregório Marin Preciado.
Com o processo de privatização ocorrido no governo Fernando Henrique, o consórcio montado pelos dois, o tesoureiro e o parente de José Serra, entre 1997 e 2000, arrematou a baiana Coelba, a pernambucana Celpe e a potiguar Cosern, e Gregório Marin Preciado, de inadimplente do Banco do Brasil, passou a ser o todo poderoso representante da Iberdrola no consórcio montado.
Senhoras e senhores deputados, o aprofundamento das relações de Paulo Souto, então governador, com Gregório Marin Preciado culminou na doação da Ilha do Urubu, no dia 20 de novembro de 2006, após a sua derrota nas eleições.
Diante do escândalo, atualmente escancarado na mídia baiana, uma equipe de técnicos da Coordenação de Desenvolvimento Agrário – CDA foi deslocada para Porto Seguro para fazer uma nova vistoria nas terras da Ilha do Urubu. Certamente para estudar a situação, analisar as irregularidades e adotar todas as providências cabíveis.
Na verdade, a doação da Ilha do Urubu após a derrota eleitoral de 2006 é apenas um pequeno episódio da estratégia adotada por Paulo Souto para prejudicar o novo governo. Para isso, o ex-governador executou três formas de ação: procurou cobrir o descalabro contábil e financeiro do seu final de mandato; beneficiou os amigos o máximo possível e criou numerosas obrigações para o governo Jaques Wagner, deixando o terreno minado por verdadeiras bombas de efeito retardado.
No período compreendido entre 04 de outubro e dezembro de 2006, após ter tomado consciência da derrota eleitoral sofrida, o ex-governador Paulo Souto adotou diversas atitudes que chamam negativamente a atenção. São vários atos e fatos, que contradizem a postura aparentemente republicana e civilizada assumida publicamente, mas que visavam impactar negativamente o próximo governo. Partiu para a famosa política de terra arrasada.
Naquele período de apenas três meses, pode-se constatar no Diário Oficial do Estado que o governador Paulo Souto, além da Ilha do Urubu, autorizou a outorga de 17 áreas de terra do Estado, e órgãos públicos descentralizados doaram mais 12 imóveis e 1.043 veículos. É uma autêntica farra do Urubu.
Inicialmente, o que mais surpreendeu foram as alterações produzidas no Orçamento 2006, na época ainda em curso, e até no Plano Plurianual 2004 – 2007. O volume de modificações oficialmente procedidas demonstrou o esforço para ajustar as contas estaduais, que desesperadamente o governo que acabava tentava fechar até fins de dezembro de 2006, sob pena de colocar o governador em situação de improbidade, passível de enquadramento legal. Só de alterações orçamentárias o ex-governador baixou, em três meses, atos que atingiram a estrondosa quantia dos R$ 1,5 bilhão. Considerando-se 60 dias úteis no período, perfaz uma média de R$ 25 milhões de modificações orçamentárias por dia.
O Sr. Paulo Souto, no afã de produzir receita para tentar fechar o caixa daquele ano, alterou, também, o prazo e o valor de recolhimentos do ICMS, visando antecipar arrecadação de 2007 para o exercício de 2006, atingindo as principais empresas arrecadadoras do tributo no Estado, tais como as de telecomunicações, de energia elétrica e de petróleo, englobando um montante superior a R$ 70 milhões.
Por outro lado, abriu a famosa caixa de bondades de última hora, distribuindo benesses aos seus amigos, bondades essas que viriam a vigir a partir de 2007, ou seja, no novo governo. Como exemplo, o ex-governador concedeu remissão parcial do ICMS e dispensou multas e acréscimos moratórios para empresas de comunicação, beneficiando diretamente a Rede Bahia, propriedade da família de Antonio Carlos Magalhães, então seu chefe político.
Alterou, ainda, o regulamento do ICMS, desta vez para reduzir o imposto sobre a importação de nafta. Tal medida compensou uma grande empresa pela antecipação, para dezembro de 2006, de receita que seria arrecadada em janeiro de 2007, possibilitando assim a redução do rombo do caixa estadual. Além disso, o ex-governador distribuiu benefícios tributários, incluindo, na última hora, 105 novas empresas em programas de renúncia fiscal, como o Desenvolve e o Probahia.
Outros atos causaram estranheza, por sua dimensão e importância, e pelo fato de que poderiam ter sido implementados durante 3 anos e nove meses de governo e vieram a ser adotados exatamente nos últimos três meses, após a derrota eleitoral.
O Sr. Paulo Souto apresentou também projetos alterando a Política de Meio Ambiente e de Proteção à Biodiversidade e a Política de Recursos Hídricos, e disciplinou os procedimentos de anuência prévia em áreas de proteção ambiental, além de aprovar norma técnica sobre pedidos de revisão de zoneamento ecológico-econômico. Tudo isso visando tornar a questão ambiental do Estado muito mais permissiva à degradação.
Considerando somente os maiores valores, que saltavam aos olhos no Diário Oficial do Estado, no período de outubro a meados de dezembro, constataram-se 328 novos contratos ou aditamentos, perfazendo um total de quase R$ 160 milhões, o que dá uma média de mais de R$ 2,5 milhões de valor novo contratado por dia útil. É importante destacar que, tentando driblar a fiscalização, uma grande parte dos atos publicados no DOE, referentes a contratos e aditamentos, irregularmente, não traziam qualquer valor financeiro programado para o pagamento do produto ou serviço.
Considerando-se a distribuição dos contratos e aditivos por empresa, chama a atenção a TELESP S.A. que aparece contratada 27 vezes, abocanhando quase R$ 17 milhões, sendo que mais da metade, ou seja: R$ 8,7 milhões, com dispensa de concorrência.
Outra campeã de contratos foi a área de tíquetes alimentação. Só em um pequeno órgão estadual de processamento de dados dois contratos totalizaram R$ 3,6 milhões, o que, considerando um valor de refeição de dez reais, dá para adquirir 360.000 almoços/ano.
Mais um setor de despesas assustadoras foi o batalhão aéreo da Polícia Militar, que contratou no período de três meses mais de R$ 2 milhões de despesas, apenas para a manutenção de três aeronaves.Somente na área de propaganda, encontram-se gastos novos de mais de R$ 2,2 milhões, e isso só no apagar das luzes.
Senhor presidente, senhoras e senhores deputados, como se pode constatar foi um verdadeiro festival de atos e fatos no mínimo discutíveis, e o escândalo da Ilha do Urubu é um pequeno, porém, assustador exemplo.
Ilha do Urubu, o paraíso traído

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Enfrentar o golpe!



É hora de reagir. Faltando pouco mais de 15 dias para as eleições, a oposição, escudada na imprensa consorciada e golpista, busca desesperadamente desestabilizar o cenário, amplamente desfavorável ao seu candidato, José Serra (PSDB). Angariar dividendos políticos mediante escândalos é a única alternativa que lhe resta. É um escracho. Veículos da velha mídia, com o apoio do que há de mais reacionário na direita – DEM, PSDB, militares golpistas e fundamentalistas católicos e evangélicos, entre outros – farão de tudo para levar a disputa ao segundo turno ou mesmo rasgar a Constituição. A saída da ministra Erenice Guerra demonstra o que o conglomerado fascista é capaz de fazer. Ainda teremos duas semanas de bombardeio, com mentiras, ilações e especulações. É uma engrenagem. Os jornais e revistas produzem as capas; o JN repercute em quase 60% do tempo; e Serra usa o material na campanha da TV e rádio. O objetivo é modificar um quadro no qual, até o momento, 73% do eleitorado não muda o voto de jeito nenhum, Dilma conta com 58% dos votos válidos e Serra não passa de 27%, atingindo 41% de rejeição, o que impossibilita a sua eleição. O que fazer então diante disso? Golpe. E é o que de fato está em marcha. Sinais já foram lançados. No próximo dia 23 o Clube Militar Forças Terrestres (veja aqui), do Rio de Janeiro, recebe para “palestra” os jornalistas Reinaldo Azevedo e Merval Pereira, golpistas de primeira linha, além do diretor da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Moura. O tema do evento é: “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão”. Detalhe: o painel conta com o apoio do Instituto Millenium, entidade que reúne o alto baronato da mídia brasileira. Age certo o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo em realizar, nesse mesmo dia, um ato contra o golpe midiático. Não se pode enxergar tais movimentações como teoria conspiratória, apenas. É preciso que o presidente Lula vá às ruas para falar à população o que de fato se passa. João Goulart não tomou medidas proativas e o País viveu mais de 20 anos de ditadura militar, com todas as suas consequências. Mas não só o presidente. A exemplo dos jornalistas paulistas, a sociedade civil e os movimentos sociais têm que se levantar rapidamente numa imensa cadeia de legalidade. Vamos barrar os intentos golpistas de uma direita que não está aceitando a escolha democrática da maioria da população. À Luta, todos!

Quatro cidadelas sob ataque: o que precisa ser defendido

Mauro Carrara

Nada está ganho. E, sem alarmismo, a democracia corre perigo. Sempre correu. Sempre correrá.

Setembro é um túnel. É um túnel de fogo. E a temperatura está próxima do ponto de ebulição.

Os partidos neofascistas e o consórcio terrorista Globo-Abril-Folha-Estadão (GAFE) seguem a operação de sabotagem informativa, cometendo crimes que são solenemente ignorados por policiais, promotores e juízes.

E se o objetivo é proteger o Brasil, o Estado de Direito e o processo de crescimento acelerado com inclusão e desconcentração da riqueza, há quatro cidadelas a serem defendidas.

1) As igrejas, sobretudo as evangélicas pentecostais, tornaram-se centros de pregação do ódio e de disseminação da infâmia. Inúmeros bandidos de terno e gravata, autodenominados "pastores", proferem diariamente sermões destinados a caluniar e difamar a candidata Dilma Rousseff. Chamam-na de filha do diabo, assassina de crianças, prostitua e assaltante.

2) A Internet passa agora a ser inundada por milhões e milhões de e-mails caluniosos. São distribuídos por mais de 650 funcionários contratados pelos partidos neofascistas, por membros dos grupos restauracionistas da Ditadura Militar (vide Ternuma) e por membros de grupos neonazistas, como a Tribuna Nacional, de Ingo Schmidt.

3) Os "formigas" do "porta-em-porta". Os partidos neofascistas pretendem mobilizar até 10 mil pessoas para visitar estabelecimentos comerciais (como bares e padarias) e residências. O objetivo é espalhar o terror acerca de Dilma Rousseff. A Zona Norte da capital paulista, em bairros como Tucuruvi e Parada Inglesa, já vem sofrendo com esses "arrastões" há mais de uma semana. Depois de se apresentar, o agente tucano pergunta à dona de casa: "a senhora sabia que a Dilma foi assaltante de bancos e matou pessoas indefesas?"

4) A grande mídia deve lançar outros inúmeros factoides até o dia 3. Um deles tende a lançar a teoria de que Dilma matou a esposa de outro membro da resistência à Ditadura Militar. Esse assunto vem sendo discutido diariamente nas redações. Ideia defendida por Roberto Gazzi, do jornal O Estado de S. Paulo, tem o aval de Eurípedes Alcântara, um dos chefes do Instituto Millenium.

As cidadelas da fé, da virtualidade, do domicílio e da máquina informativa precisam, portanto, se transformar em campo aberto de combate nestes próximos dias.

Toda energia será necessária para barrar o último ataque bárbaro. E ele virá em forma de avalanche.

A partir de agora, os defensores da Democracia devem estar alertas. Devem dormir menos. Devem usar todo o tempo livre para combater nos fronts virtuais, disseminando a verdade e rechaçando com vigor o avanço neofascista.

Faça de seu teclado uma metralhadora, mas não para provocar a morte; e sim para defender a justiça, o direito e a vida.

A hora é agora; quem sabe a faz, não espera acontecer.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pregador da Igreja do Ninguém (1)




Vejam essa foto acima. Aí está o Pregador da Igreja do Ninguém em mais um de seus sermões. O Pregador, verdadeiro Messias do povo da Bahia, tem atraido milhares de pessoas nas suas pregações pelo interior do Estado. Como vocês podem ver na imagem acima, lá está ele prometendo a boa aventurança à multidão, que delira com sua presença.

À busca da bala de prata



A agenda monotemática dos jornalões e revistas semanais do país nos últimos dias encontra-se, ao que parece, dissociada do Brasil real. Como se fosse um jogral ensaiado, as matérias, chamadas de capa e os comentários da plêiade de colunistas “notáveis” convergem à obsessiva vontade de desequilibrar o jogo eleitoral. A cada semana um “fato novo” surge para ornar os desgastados espaços dos chamados formadores de opinião. Ainda assim, é na díade grande imprensa/colunismo que a oposição partidária, com o auxílio luxuoso da esquadra midiática, está lançando as fichas na esperança de deslocar a eleição presidencial para o segundo turno. Neste mosaico noticioso o agendamento resume-se à quebra do sigilo da filha do candidato José Serra às acusações do suposto tráfego de influência do filho de Eunice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil. A partir daí, enquadramentos açodados espraiam-se nas páginas e telas da midiosfera. Na falta de provas, servem ilações e suposições turbinadas por achismos recheados de argumentações. E, sim, nenhuma palavra ou linha que comprometa o projeto natimorto da candidatura abraçada. Sejam os escândalos de espionagem no governo do PSDB de Yeda Crucius, no Rio Grande do Sul, ou o envolvimento de Verônica Serra e outros tucanos na lama da privataria da era FHC. Tudo à margem e sem o outro lado. É jogo para ser jogado com regras previamente combinadas. Entre eles. Quais sejam: Marinho, Civita, Mesquita, Frias e cia. A aposta é que a teoria da pedra no lago ainda funcione. O escândalo político capitaniaria a agenda temática de pessoas capazes de influenciar outras, perfazendo assim ondas de opiniões favoráveis à tese oposicionista, que seria compreendida e assumida pela maioria da população. O tabuleiro eleitoral estaria então virado. Mas falta combinar com o eleitor. Ficam risíveis os esforços empreendidos pela grande mídia. E em particular seus colunistas que escrevem para si e seus patrões. Apenas. Ou algum deles aposta numa comoção popular a partir da sua coluna? Sem chances. Em tempos de redes sociais e comunicação multidirecional, a construção e desconstrução de argumentos se dá em ciclos rápidos. A arquitetura noticiosa está redesenhada. Formar opinião em grande escala se torna tarefa muito mais difícil. Sobretudo quando esse movimento se dá em meio a uma midiosfera contagiada pelo calor de uma disputa eleitoral. Resta então aos “formadores de opinião” um campo limitadíssimo de influência. Agora são muitos lagos com milhares de pedras lançadas de todos os lados. É este o calcanhar de Aquiles que tem prendido os passos da oposição midiática, somando-se, claro, a outros fatores, como o desejo generalizado de continuidade por parte da maioria da população. Ataques virulentos a um projeto político de ampla aceitação – a popularidade do presidente atinge a marca de 81%! – pode resultar em tiros no pé. Acrescente-se o fato de que o candidato oposicionista com melhor projeção nas pesquisas – variando entre 20% e 26% das intenções de voto -, José Serra, chega a estrondosa rejeição de 41,7%. Não existe alquimia discursiva capaz de provocar grandes mudanças. No mais, aguardemos nos próximos dias mais “fatos novos” gestados nos aquários das redações, também encarregados de fornecer capas de revistas e títulos de jornais necessários à campanha oposicionista. É neles onde as “balas de prata” são engatilhadas mirando mudar o curso dos fatos políticos. Logrará êxito? Até o momento as pesquisas têm indicado que não. Três semanas serão suficientes para atestar se o enredo do escândalo político midiático ainda tem alguma força. Até agora, a imprensa corporativa vai se mostrando impotente para conter a militância na blogosfera e mudar a opinião de milhões de brasileiros para os quais ela se dirige e, ao que tudo indica, lhes têm ignorado solenemente.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Serra está se tremendo! Amaury começa abrir o bico

Reproduzo aqui post do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim. Ele recebeu um documento sob a forma de “Nota de esclarecimento”, assinado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr, da TV Record.

Trata-se de súmula do depoimento que prestou hoje à Polícia Federal em São Paulo, a propósito da “Operação Caribe” sobre lavagem de dinheiro.
O depoimento é em torno do livro que Amaury lançará em breve e que já aloprou Serra – clique aqui para ler “O Livro que aloprou Serra”.
Como leitura complementar, leia o que Leandro Fortes e a Carta Capital publicaram: como a filha de Serra e a irmã de Dantas abriram 50 milhões de sigilos fiscais e o Governo FHC/Serra abafou.
Neste documento, Amaury reafirma que suas fontes são públicas.
Não violou nenhum sigilo na Receita.
E o mais importante: todos os documentos de seu livro estão, desde hoje, de posse da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, além das promotorias distritais de Miami e de Nova York.
Vai chover pena de tucano para todo lado.
Para ajudar o amigo navegante a entender a questão, o Conversa Afiada publica a “Nota de Esclarecimento”
(clique na imagem para ampliar)


Dilma leva Serra à lona

domingo, 12 de setembro de 2010

Ombudsman da Folha de São Paulo, Suzana Singer, expõe as víceras do jornal da famiglia Frias

O Ataque dos pássaros

A FOLHA VEM se dedicando a revirar vida e obra de Dilma Rousseff. Foi à Bulgária conversar com parentes que nem a candidata conhece, levantou a fase brizolista da ex-ministra, suas convicções teóricas e até uma loja do tipo R$ 1,99 que ela teve com uma parente no Sul. Tudo isso faz sentido, já que Dilma pode se tornar presidente do Brasil já no primeiro escrutínio que disputa.
Mas, no domingo passado, o jornal avançou o sinal ao colocar na manchete "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma". O problema nem era a reportagem, que questionava a falta de iniciativa do Ministério de Minas e Energia para mudar uma lei que acabava por beneficiar com isenção na conta de luz quem não precisava.
Colocar uma lupa nas gestões da candidata do governo é uma excelente iniciativa, mas dar tamanho destaque a um assunto como este não se justifica jornalisticamente.
Foi iniciativa de Dilma criar a tal Tarifa Social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso. É fácil mexer com um benefício social? Não, o argumento de que faltava um cadastro de pobres que permitisse identificar apenas os que mereciam a benesse faz muito sentido. Existe alguma suspeita de desvio de verbas? Nada indica.
O lide da reportagem dava um peso indevido ao que se tinha apurado. Dizia que a propaganda eleitoral apresenta a candidata do PT como uma "eficiente gestora", mas que "um erro coloca em xeque essa imagem". Essa tem que ser uma conclusão do leitor, não do jornalista.
Uma manchete forçada como a da conta de luz, somada a todo o noticiário sobre o escândalo da Receita, desequilibrou a cobertura eleitoral. Dilma está bem à frente nas pesquisas de intenção de voto e isso é suficiente para que se dê mais atenção a ela do que a seu concorrente, mas, há dias, José Serra só aparece na Folha para fazer "denúncias". Nada sobre seu governo recente em São Paulo. Nada sobre promessas inatingíveis, por exemplo.
Os leitores perceberam a assimetria. Durante a semana, foram 194 mensagens à ombudsman protestando contra o noticiário, mas o maior ataque ocorreu no Twitter, a rede social simbolizada por um pássaro azul, que reúne pessoas dispostas a dizerem o que pensam em 140 caracteres. Até quinta-feira passada, tinham sido postadas mais de 45 mil mensagens anti-Folha.
CRIATIVIDADE
Os internautas inventaram manchetes absurdas sobre a candidata de Lula: "Empresa de Dilma forneceu a antena para o iPhone 4", "Dilma disse para Paulo Coelho, há 20 anos: continue a escrever, rapaz, você tem talento!", "Serra lamenta: a Dilma me indicou o Xampu Esperança" e "Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no Manual de Redação da Folha".
O movimento batizado de #Dilmafactsbyfolha virou um dos assuntos mais populares ("trending topics") do Twitter em todo o mundo, impulsionado, em parte, pela militância política -segundo levantamento da Bites, empresa de consultoria de planejamento estratégico em redes sociais, 11 mil tuítes usaram um #ondavermelha, respondendo a um chamamento da campanha do PT na rede. Até o candidato a governador Aloizio Mercadante elogiou quem engrossou o coro contra o jornal.
Mas é um erro pensar que apenas zumbis petistas incitados por lideranças botaram fogo no Twitter. O partido não chegou a esse nível de competência computacional.
Na manada anti-Folha, havia muito leitor indignado, gente que não queria perder a piada, além de velhos ressentidos com o jornal.
Não dá para desprezar essa reação e a Folha fez isso. Não respondeu aos internautas no Twitter e não noticiou o fenômeno. O "Cala Boca Galvão" durante a Copa virou notícia. No primeiro debate eleitoral on-line, feito por Folha/UOL em agosto, publicou-se com orgulho que o evento tinha sido um "trending topic". Não dá para olhar para as redes sociais apenas quando interessa.
A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo -e não ter medo de crítica- sempre foram características preciosas deste jornal.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um passado que condena

Bomba!!!! Serra já sabia da quebra do sigilo da sua filha Verônica

Vejam a matéria abaixo. É de outubro de 2009 e trata de vazamentos de dados da Receita Federal, um crime corrente realizado por máfias que comercializavam nas ruas de São Paulo senhas de acesso a informações do imposto de renda de muitas pessoas. Foram vazados dados do presidente Lula, da sua esposa, Mariza Letícia, dos filhos do presidente, do à época ministro da Justiça Tarso Genro e também da filha de José Serra, Verônica Serra, entre outros. Observem que ao ser entrevistado José Serra trata o caso com desdém e não o politiza. Mas qual o sentido de politizá-lo justamente agora se não para a exploração eleitoral do fato?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Balas de prata e os tempos das filhas



O que poucos se dão conta é que o uso da “bala de prata” é improvável por uma logística inédita: dessa vez o “lobisomem” e o atirador estão umbilicalmente ligados. Qualquer disparo fulmina os dois. Simbiose perfeita.

Gilson Caroni Filho, da Carta Maior

É cristalino o significado político das últimas declarações de José Serra. Ao comparar, em um telejornal das Organizações Globo, a presidenciável petista, Dilma Rousseff, ao ex-presidente Fernando Collor, o tucano deixou claro que já não lhe sobra margem para argumentos sutis. Quando responsabiliza a ex-ministra pela quebra do sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra, o candidato do PSDB, comprova, mais uma vez, que, neste momento, está refugiado à sombra de togas obscuras e barões midiáticos, aos quais deve prestar vassalagem até o dia 3 de outubro.
Carente de apoio popular, perdendo força a cada dia na classe média, e constatando a decomposição de seu apoio político-parlamentar, Serra só espera sobreviver a partir do apoio que vem obtendo de redações que se transformaram em extensões de seus comitês eleitorais. Sua candidatura está em estranha suspensão, em compasso de espera entre o imprevisto e um novo ato do drama de retrocesso calculado. Esperando por uma improvável “bala de prata", parece estar pronto para enveredar por uma aventura de alto preço para o país: um golpe branco em nome da preservação do Estado Democrático de Direito. Melancólico, mas é o que parece lhe restar.
Fingindo não saber que acabou o teatro esquizofrênico do falso moderno que pensava ser rei, o tucano não teme o ridículo: “O Collor utilizou o filho do Lula em 1989. Agora, pegaram a minha filha (...) para meter nesse jogo político sujo por preocupação com a minha vitória. Dilma está repetindo Collor". Traçar paralelismos requer cuidados que, quando não são tomados, revela a verdadeiras intenções do discurso e do gesto. A mistificação - e Serra deveria saber disso - costuma cobrar preço alto.
Vamos por partes, para melhor detalhar o processo. Collor foi eleito através de uma campanha em que misturou um discurso modernizante com apelos a valores e crenças tradicionais. A reforma do Estado e a moralização da sociedade eram os eixos centrais do discurso. Quem, a essa altura da campanha, está adotando a receita do bolo collorido? A total ausência de compromisso com a verdade e com a ética é marca de qual candidatura? Não convém brincar com o passado recente. O país, hoje, já não padece de aguda crise de cidadania. A sociedade civil já não se submete às surradas cantilenas reacionárias.
Collor atiçou o medo das camadas médias denunciando futuras medidas socializantes de candidatos mais à esquerda, principalmente Lula. Quando, seguindo a mesma trilha do “caçador de marajás”, um prócer tucano afirma que ”devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários “, cabe a pergunta: quem está repetindo quem? Que democracia é preservada quando se pretende reduzir o aparato estatal a uma espécie de polícia da produção a serviço dos ditames do mercado? Como obter a submissão do mundo do trabalho sem a supressão de direitos democráticos?
Por fim, o ex-presidente da UNE, deveria se lembrar que Collor atacou seu adversário no segundo turno, manipulando uma antiga namorada de Lula. Em tudo isso, o ex-presidente contou com uma máquina de apoio e propaganda como nunca tinha sido visto, custeada por grandes grupos econômicos. O apoio da Globo foi, como é, notório e especialmente importante. Como se vê, não cabe misturar filhas e tempos distintos.
Lurian Cordeiro da Silva surgiu no cenário eleitoral como golpe baixo de uma campanha ameaçada pela curva de crescimento da candidatura oponente. Verônica Allende Serra, sem que se saiba ainda quem encomendou a quebra de seu sigilo fiscal, vem a público por emanações do mercado financeiro. Não é plausível confundir coisas e nomes. Sociedades financeiras e namoros apaixonados são coisas bem diferentes. Disso sabem todos, de Miriam Cordeiro a Daniel Dantas.
O que poucos se dão conta é que o uso da “bala de prata” é improvável por uma logística inédita: dessa vez o “lobisomem” e o atirador estão umbilicalmente ligados. Qualquer disparo fulmina os dois. Simbiose perfeita.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

PHA: PT quer ouvir o Amaury. E o Serra começa a amaciar


Ricardo Sérgio e Daniel aparecem no livro para enaltecer a biografia do Serra

Stanley Burburinho (quem será ele ?), o reparador de iniquidades, enviou os seguintes comentários sobre a decisão do PT de pedir à PF para ouvir o Amaury:

1 – A PF terá acesso ao conteúdo do livro e começará a investigar antes de o livro ser lançado em 2011 e sem comprometer a Record que contratou o Amaury há duas semanas.

2 – O Serra, sabendo disso, começou a amaciar: já disse hoje ao Estadão que “a motivação não foi eleitoral foi politica!”

3 – O Serra deu tiro no próprio pé.

4 – Aposto que o Serra e a imprensa aliada vão pisar no freio sobre esse assunto de quebra de sigilo.

Leia o que disse o Globo sobre o assunto:

Presidente do PT vai pedir à PF que investigue apuração de jornalista contra PSDB
André de Souza
BRASÍLIA – O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, disse nesta segunda-feira que encaminhará à Polícia Federal três matérias jornalísticas que tratam da apuração conduzida pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior sobre irregularidades nas privatizações feitas durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo Dutra, há um paralelo entre a apuração feita pelo jornalista e a quebra de sigilo de pessoas ligadas ao PSDB e ao candidato tucano José Serra, justificando o pedido para a PF investigar a existência de relações entre os dois episódios. Ele deu a entender que o jornalista pode estar por trás do caso, mas negou que estivesse fazendo ilações.
- Nós não estamos fazendo ilação de coisa nenhuma. Nós estamos apresentando matérias que apareceram na imprensa.
Ainda segundo Dutra, Amaury não teve participação nenhuma na campanha de Dilma, embora ele tenha trabalhado junto com Luiz Lanzetta, dono da empresa Lanza e acusado de estar preparando um dossiê para ser usado contra o candidato Serra.
- O jornalista Amaury não teve participação nenhuma na campanha. Pessoalmente eu não o conheço. O PT tinha um contrato com a empresa do senhor Lanzeta. Foi a relação de um partido com a empresa – afirmou Dutra.

Clique aqui para ler: “Serra desistiu da campanha; o problema dele é o Amaury”.

Clique aqui para ler “Foi o livro do Amaury o que aloprou o Serra”.

E aqui para ver que o Mino Carta já sabe quem violou os dados da declaração da filha do Serra.

domingo, 5 de setembro de 2010

Tremei tucanato! Amauri Ribeiro Jr. libera a primeira parte do seu livro



Os porões da privataria
Amaury Ribeiro Jr.


Introdução

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do País, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três de seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, têm o que explicar ao Brasil.
Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marin Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marin. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como Marin é conhecido, precisa explicar onde obteve US$3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos de 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra, e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil…
Atrás da máxima “siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.
A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República, mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista, nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$448 milhões(1) para irrisórios R$4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC. (Ricardo Sérgio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m…”, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)
Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico(2).
O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$3,2 milhões no exterior por meio da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.
A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$17 mil (3 de outubro de 2001) até US$375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a Presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$1,5 milhão.
O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, por intermédio de contas no exterior, US$20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.
O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, dentre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.
Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do País para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.
Financiada pelo Banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas têm o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.
Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$7,5 milhões em ações da Superbird.com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A. Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.
De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante ao Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no País. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia pelos sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no País.
Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações – que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade”, conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” –, foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e às contas sigilosas da América Central ainda nos anos de 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenci
Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.
(1) A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$3,2 por um dólar.
(2) As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

E quando Dora Kramer for se explicar aos leitores?

Entre as rodas de jornalistas de Brasília, a conversa que se dá é como a colunista Dora Kramer, cadeira cativa em vários jornais de circulação nacional, vai mudar o rumo da sua prosa depois que a Polícia Federal começar a soltar os conteúdos das investigações sobre a quebra do sigilo da filha de Serra, Verônica. Dora Kramer tem insistido numa tese tão frágil quanto oportunista. E ela vai ter que se explicar aos seus leitores. A colunista deveria fazer como sua colega, Miriam Leitão, que jogou a toalha e agora só fala - e muito mal - de economia.

Acadêmico amargurado

Um certo articulista de jornal soteropolitano, apresentado como escritor e integrante da Academia Baiana de Letras, se utiliza do espaço destinado pelo periódico para tecer as mais estapafúrdias e cretinas análises sobre o panorama político. Rancoroso, o escritor -pode ser ignorância deste blogueiro, mas gostaria de conhecer uma de suas obras, as das prateleiras, claro! -, que não se conforma com o processo sucessório, já que seu candidato não anda bem das pernas, repete exaustivamente seu monotema todos os domingos. N verdade, uma cantinela que torra o saco de qualquer um. Acho que a pólvora que ele pensa deter está muito velha e molhada. Será que o nobre acadêmico acha que forma alguma opinião com suas quimeras?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Boa porrada! Lula diz o que Serra não queria ouvir

Quebra do sigilo da filha de Serra decorreu de briga interna no PSDB

Renato Rovai começa a esclarecer a quebra do sigilo fiscal da filha de Serra

Desde ontem, depois de ter colocado a nota onde apontava uma outra trilha a ser seguida pela investigação acerca da quebra de sigilos, passei a receber emails sobre o episódio.

A história ganhou outra proporção e tomarei todos os cuidados para não cometer aqui nenhuma injustiça ou leviandade.

Publicarei o que tenho até para que outros jornalistas possam seguir as novas pistas.

A primeira questão importante e que não está sendo levada em conta é que apesar de as quebras de sigilo terem sido realizadas no ABC, em Mauá e Santo André, há dois modus operandi distintos.

No caso de Eduardo Jorge, Ricardo Sérgio e os outros envolvidos em casos suspeitos do período das privatizações, a quebra do sigilo foi a partir do uso de senhas. Ou seja, alguém violou o sigilo “por dentro”.

A quebra do sigilo de Verônica Serra se deu com base num documento falso e com a ajuda do contador Atella.

Isso permite imaginar que a ação foi realizada por dois grupos diferentes. Quem sabe que a porta da casa fica aberta, não vai buscar assaltá-la entrando pela lareira.

O primeiro modus operandi é mais profissional. Com acesso a dados internos da receita. Ou seja, quem o utilizou é especializado.

O segundo grupo (que quebrou o sigilo da filha de Serra), mais amador. Que sabendo que naquele posto de Mauá era possível a quebra de sigilo foi buscar nas redondezas alguém pudesse saber como fazê-lo.

E chegou a esse alguém que pode vir a ser o contador Atella ou ainda outra pessoa que o usou como intermediário sem que ele soubesse de fato o que estava fazendo.

Esse método parece mais algo do tipo “investigação jornalística”.

Vai-se ao local e busca-se alguém que saiba como a coisa funciona.

Veja o que o próprio contador acaba de dizer sobre de onde teria sido o pedido da quebra de sigilo de Verônica Serra:

Atella afirmou nesta quinta-feira ao O Estado de S. Paulo um certo Cabral o procurou em setembro de 2009 e lhe encomendou um serviço junto à Receita:

“- a apresentação de um lote de “cerca de 18″ pedidos de obtenção de cópias de declarações de imposto de renda de pessoas físicas. Cabral tinha pressa, conta Atella.
- Ele disse: Ô Atella, os documentos são para um pessoal de Brasília e de Minas, eles estão vindo aí. Tem que ser coisa rápida?

Segunda Parte:

Há uma outra hipótese que não pode ser desprezada. É a de que o sigilo tenha sido quebrado pelo mesmo grupo e que ele tenha aprendido como realizar o crime de forma mais profissional.

Afinal, a quebra de sigilo de Verônica Serra foi realizada no dia 30 de agosto de 2009. A do grupo da privatização, em 8 de outubro de 2009, no mesmo dia, de um mesmo computador e em um período de 15 minutos.

A quebra de sigilo de Verônica se deu em Santo André. A do grupo da privatização em Mauá.

Em sendo o mesmo grupo, os “operadores” aprenderam como realizar o crime deixando menos indícios.

Essa hipótese, porém, não é a que está sendo considerada por uma das fontes que me passou parte da história que estou contando aqui. Este blogueiro, porém, não a ignora. Mas antes de continuar nesse assunto, vamos a outro.

Toda a mídia mineira sabe que Aécio Neves considerou o texto do articulista Mauro Chaves, publicado na página 2 de O Estado de S. Paulo, de 28 de fevereiro de 2009, como uma declaração de guerra do grupo de Serra.

O título do artigo era: “Pó, pará, governador?”

Nem Aécio e nem seus aliados consideraram que palavra “pó” tivesse sido utilizada à toa no artigo de Mauro Chaves.

Aliás, Juca Kfouri em entrevista a este blogueiro, quando do episódio da suposta agressão de Aécio à namorada, foi claro acerca da questão.

Não foi só Aécio que sentiu a agressão de Mauro Chaves. Se o leitor leu o texto do articulista já percebeu que uma boa parte dos tiros foi em direção a imprensa daquele estado.

A imprensa mineira decidiu ir à guerra.

Veja as capas de hoje dos jornais vinculados ao grupo Diarios Associados: O Estado de Minas e O Correio Braziliense.

Compare as capas desses jornais com a qualquer outro jornal do país. Agora volte um pouco no texto e veja sobre que locais o contador Atella atribui o pedio da quebra de sigilo fiscal da filha de Serra.

Volto daqui a pouco, preciso almoçar.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Não ao golpe de Estado! Serra quer vencer com o voto de sete juízes e apoio da imprensa golpista!

Da Carta Maior

IBOPE: DILMA LIDERA SOZINHA EM 20 ESTADOS E NO DF. SUA VOTAÇÃO HOJE SUPERA RECORDE DE LULA EM 2002

É A HORA DO VALE-TUDO:

"...As estratégias eleitorais de Serra nadam contra a corrente ...A saída... é tentar ser, ele próprio, a vítima. A algoz tem que ser Dilma; Lula não tem colado nesse papel... É tênue a separação entre uma acusação - a de que Dilma é a responsável pela quebra de sigilo - e a infâmia, no ouvido do eleitor. Quando a onda está contra o candidato que faz a acusação, um erro [pode ser] fatal... O aumento da rejeição do candidato tucano, desde o início da propaganda eleitoral, é alarmante" (Maria Inês Nassif; Valor;02-08)

CHEGOU O RASPUTIN...

a candidatura Serra desidrata sob taxas alarmantes de perda de credibilidade. Um clima político seco envolve o representante do conservadorismo brasileiro. A menção ao nome 'Serra' registra níveis recordes de rejeição em todas os termômetros de intenção de voto. A pouco mais de 30 dias do escrutínio das urnas, o tucano não consegue obter uma única notícia positiva para mudar a sensibilidade predominantemente negativa da sociedade ante a hipótese de tê-lo como ocupante da Presidência da República. À antipatia alia-se agora a convicção majoritária entre os brasileiros de que ele será derrotado em 3 de outubro. Mesmo os que o apóiam compartilham dessa convicção. Sondagem diária feita pela Vox Populi indicava nesta 4º feira que a candidata Dilma Rousseff já teria 51% das intenções de voto, contra 25% de Serra. Em uma palavra, Serra não aglutina no presente, nem motiva para o futuro. A isso se dá o nome de decadência. A sua, a exemplo de toda decadência política, também inclui um Rasputin. Chama-se Ravi Singh, um autodenominado guru indiano que se anuncia especialista em milagres digitais para acudir aflitos na reta final de campanhas eleitorais. Mistura equivalente de santo milagreiro e charlatão, o Rasputin original, Grigori Rasputin, tornou-se eminência parda da autocracia russa entre 1905 e a queda do regime, em 1917. Quando mais a monarquia russa era odiada pelo povo e perdia densidade política, mais Nicolau II e sua esposa, a imperatriz Alexandra Feodorovn, se cercavam de bruxos e charlatões. O mesmo se deu na decadência do peronismo na Argentina, nos anos 70. José López Rega, um ocultista e auto-proclamado vidente, passaria a exercer então influência terminal sobre a viúva de Perón, Isabel Martínez de Perón, que assumiu a presidência após a morte súbita do marido. Lopez Rega, depois se soube, foi um dos organizadores da Triple A, organização para-militar envolvida no assassinato de dezenas de comunistas e militantes populares argentinos. Singh, o Rasputin de Serra, teria sido contratado por US$ 500 mil para promover 'a virada' no projeto de poder do tucano. O comando da campanha demotucana desaprovou as mudanças introduzidas pelo guru no site do candidato, que para isso ficou três dias fora do ar. Gonzales, o contestado marqueteiro de Serra, afirma desconhecer a origem da contratação. O único fato novo trazido para a campanha de Serra no bojo da auto-proclamada 'virada' resume-se a uma obscura quebra de sigilo fiscal de que teria sido vítima sua filha, Verônica Serra. No leito da extrema-unção eleitoral, o fato nebuloso deu ao tucano o discurso de 'família agredida pela conspiração petista', enredo que inspira tanta confiabilidade quanto um envelope de Ki-suco sabor framboeza. Verônica Serra, que foi sócia da irmã do banqueiro Daniel Dantas em empresa de internalização de capitais registrada em Miami, curiosamente, é apontada por tucanos como a responsável pela introdução do rasputin Ravi Singh na 'virada' prometida na campanha do pai.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Coligação demotucana já tem seu Protocolo de Sião; mas o tiro vai acertar o pé



No final do século XIX, em 1897, foi forjado um documento, em russo, denominado Os Protocolos dos Sábios de Sião ou Os Protocolos de Sião. O trabalho foi realizado pela polícia secreta do Czar Nicolau II, que alertava sobre uma suposta conspiração de judeus para dominar o mundo. O texto foi traduzido do original para vários idiomas. Seu propósito era político: reforçar a posição do Czar e colar nos seus adversários a iniciativa de uma gigantesca conspiração internacional. Investigações efetuadas posteriormente identificaram que o documento se tratava de um embuste. Nos anos 30 e 40 Adolf Hitler e seu Ministério da Propaganda citaram os Protocolos para justificar a necessidade do extermínio de judeus. Pois bem, a coligação demotucana está buscando construir seu Protocolo de Sião no intuito de levar a eleição para o segundo turno. É questão de sobrevivência. Mas o tiro pode atingir o pé, de Serra, Sérgio Guerra e, advinhem? Verônica Serra, filha de Serra. A bisbilhotagem nas declarações de renda de Verônica pode ter sido fogo amigo (amigo???). Segundo o jornalista Alfredo Bessow, era Aécio Neves que queria os dados da filha de José Serra. Diz Bessow: A desinformação é a mais vil das estratégias políticas em tempos de eleição. O que ninguém quer fazer é pensar, é avaliar a realidade. Os dados de Verônica foram acessados em setembro de 2009. Foi mais ou menos por este mês que os tucanos Serra e Aécio estavam eriçados, um querendo a confirmação da candidatura e outro defendendo as prévias. Foi mais ou menos por este mês que o jornalista Juca Kfhouri, da turma do PPS paulista e amigo de Serra, publicou inclusive a suposta agressão de Aécio a uma mulher numa festa no Rio de Janeiro.
O clima entre os dois era de beligerância total. Aécio, mineiro e matreiro, conhece bem o modo de Serra fazer política e tratou de se precaver. Ele foi atrás de onde tem marimbondo. Os dados de Verônica destinavam-se aos dossiês de Aécio. Para atacar Serra. O resto é invenção
.
Taí o fato novo que a imprensa oposicionista ansiava por toda campanha. Um clássico escândalo político conforme explicado por J.B. Thompson. Mas o adrianino pode dar chabu. Agora as investigações devem se enredar com todo rigor, e Verônica Serra deve ser o alvo. É preciso não só por às claras, como denunciar o golpe pretendido pelos neo-formuladores desse autêntico Protocolo de Sião dos trópicos, ainda que Serra e Sérgio Guerra não sejam dotados de tanta competência para tal.

Serra quer fazer do ataque a defesa; ex-governador de São Paulo na verdade se antecipa à lama que será descarregada sobre ele



Acima, todos os homens do ex-governador José serra


Leandro Fortes: O dossiê do dossiê do dossiê…

Na Carta Capital

No modorrento feriado de Corpus Christi, os leitores dos jornais foram inundados com informações sobre uma trama que envolveria a fabricação de dossiês contra o candidato tucano à Presidência, José Serra, produzidos por gente ligada ao comitê da adversária Dilma Rousseff. O time de espiões teria sido montado pelo jornalista Luiz Lanzetta, dono da agência Lanza, responsável pela contratação de funcionários para a área de comunicação da campanha petista. O primeiro desses documentos seria um relatório sobre as ligações de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, com Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Uma história tão antiga quanto os dinossauros e já relatada inúmeras vezes na última década, inclusive por CartaCapital.
A notícia sobre o suposto dossiê, que ninguém sabe dizer se existe de fato, veio a público em uma reportagem confusa da revista Veja e ganhou lentamente as páginas dos jornais durante a semana até ser brindada com uma forte rea-ção do PSDB e de Serra. Na quarta-feira 2, o pré-candidato tucano acusou Dilma Rousseff de estar por trás da “baixaria” e cobrou explicações. A petista disse que a acusação era uma “falsidade” e o presidente do partido, José Eduardo Dutra, informou que a cúpula da legenda havia decidido interpelar Serra na Justiça por conta das declarações.
Os boatos sobre a fábrica de dossiês parecem ser fruto de uma disputa interna entre dois grupos petistas interessados em comandar a estrutura de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, um ligado a Lanzetta, outro ao deputado estadual Rui Falcão. A origem dessa confusão era, porém, desconhecida do público, até agora. CartaCapital teve acesso a parte do tal “dossiê” que gerou toda essa especulação. Trata-se, na verdade, de um livro ainda não publicado com 14 capítulos intitulado Os Porões da Privataria, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
O livro descreve com minúcias o que seria a participação de Serra e aliados tucanos nos bastidores das privatizações durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. É um arrazoado cujo conteúdo seria particularmente constrangedor para o pré-candidato e outros tantos tucanos poderosos dos anos FHC. Entre os investigados por Ribeiro Jr. estão também três parentes de Serra: a filha Verônica, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Está sendo produzido há cerca de dois anos e nada tem a ver com a suposta intenção petista de fabricar acusações contra o adversário.
É essa a origem das informações sobre a existência do tal “dossiê” contra a filha de Serra. E a razão de os tucanos terem lançado um ataque preventivo às informações que constam do livro. De fato, Ribeiro Jr. dedicou-se a apurar os negócios de Verônica. Repórter experiente com passagens em várias redações da imprensa brasileira, Ribeiro Jr. iniciou as apurações a pedido do seu último empregador, o Grupo Diá-rios Associados, que congrega, entre outros, os jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. O livro narra, por exemplo, supostos benefícios obtidos por Marin Preciado em instituições financeiras públicas, entre elas o Banco do Brasil, na época em que outro ex-tesoureiro de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, trabalhava lá. Para quem não se lembra, Oliveira ficou famoso após a divulgação de sua famosa frase “no limite da irresponsabilidade” no conjunto dos grampos do BNDES.
Em uma entrevista que será usada como peça de divulgação do livro e à qual CartaCapital teve acesso, Ribeiro Jr. afirma que a investigação que desaguou no livro começou há dois anos. À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.”
A ligação feita entre o nome de Ribeiro Jr. e o anunciado esquema de espionagem do comitê de Dilma deveu-se a um encontro entre ele e Lanzetta, em Brasília, no qual se especulou sobre sua contratação para a equipe de comunicação da campanha petista. Vencedor de três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog, entre muitos outros, Ribeiro Jr., 47 anos, é conhecido por desencavar boas histórias. Herdeiro de uma pizzaria e uma fazenda em Campo Grande (MS) e ocupado com a finalização do livro, o jornalista recusou o convite.
Na entrevista de divulgação do livro, Ribeiro Jr. afirma que a obra estabelece a ligação de diversos tucanos com as privatizações e desnuda inúmeras ações com empresas offshore para fazer entrar no Brasil dinheiro oriundo de paraísos fiscais. “São operações complicadas e necessitam ser explicadas com cuidado para os brasileiros perceberem o quanto foram lesados e em quanto mais poderão ser.”
A aproximação entre Ribeiro Jr. e Lanzetta, contudo, teria sido suficiente para que grupos interessados em ganhar espaço na campanha petista desencadeassem uma onda de boatos sobre a formação de um time de contraespionagem para produzir dossiês contra os tucanos. Diante do precedente dos “aloprados” do PT, a mídia embarcou com entusiasmo na versão depois assumida com tanto vigor pelos próceres tucanos. É mais um não fato da campanha.
O mesmo fenômeno envolveu o ex–delegado federal Onésimo de Souza, especialista em contraespionagem que chegou a oferecer serviços ao PT de vigilância e rastreamento de escutas telefônicas. Como cobrou caro demais, acabou descartado, mas foi apontado como futuro integrante da tal equipe de arapongas de Dilma Rousseff.
Por ordem da pré-candidata, qualquer assunto relativo a dossiê e afins está proibido no comitê de campanha instalado numa casa do Lago Sul de Brasília. Dilma se diz “estarrecida” com as acusações veiculadas, primeiro, na revista Veja e, em seguida, por diversos outros veículos – sempre com foco na suposta espionagem, nunca no conteúdo do suposto dossiê. Aos auxiliares, a petista mandou avisar que não aceitará, “em hipótese alguma”, a confecção de dossiês durante a campanha e demitirá sumariamente quem se envolver com tal expediente.