Um brado contra o golpe midiático

É, mexeu mesmo. O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, que ocorrerá nesta quinta-feira, dia 23, às 19 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, tem gerado reações entre órgãos de comunicação corporativos e diversos comentaristas e colunistas a estes ligados.

As famíglias Frias, Civita, Marinho, Mesquita e um centurião de sabujos menores alardeiam que se trata de iniciativa convocada por “sindicalistas ligados ao Governo”.

Mentira.

O protesto é puxado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, entidade fundada em 14 de maio último, que reúne em seu conselho consultivo 54 jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais ligados à luta pela democratização da comunicação.

O objetivo da manifestação é chamar atenção da sociedade sobre a partidarização escancarada que as famíglias supracitadas estão fazendo por intermédio dos seus órgãos de imprensa.

Não estão aceitando o rumo do processo político e querem interferir com o denuncismo midiático-udenista. Jornalistas e cidadãos sérios têm o direito de denunciar tais manobras golpistas imantadas no festival de baixaria protagonizado por jornais e emissoras de TV.

Princípios basilares da imprensa estão sendo jogados às favas. A acusação ganha status de veredicto, trocando a presunção da inocência pela presunção da culpa. As corporações da mídia tentam resignificar valores caros à democracia, como a liberdade de imprensa, o que para eles se resume à liberdade de empresa, apenas.

É um jogo sórdido, que não admite o contraditório.

E não é de agora. O filme já se passou em 1954, quando levaram Getúlio ao suicídio; durante a campanha e o governo de Juscelino, sobre o qual diziam que “se ganhasse não levava e se levasse não governaria”; no golpe militar de 1964, quando uniram forças com os militares para destituir o presidente João Goulart e implantar no país uma ditadura; nas eleições de 1989, levando Fernando Collor ao poder; e nos últimos oito anos com todo tipo de ataque ao projeto político de maior aceitação popular no país, capitaneado pelo presidente Lula.

A “liberdade” que almejam é outra.

Não à toa que representantes dessas corporações estarão reunidos no Clube Militar do Rio de Janeiro, também no dia 23, para discutir “imprensa livre” com gorilas saudosistas da quartelada de entanho. Querem é manter o controle absoluto da mídia, não admitindo nenhuma mudança na legislação que possibilite democratizar o setor.

Seja no que diz respeito à propriedade dos meios, hoje quase um feudo de sete famílias – todas ligadas ao consórcio PSDB-DEM -, ou à pluralidade de opiniões. Se realmente fossem partidários da liberdade de expressão a praticariam dentro das suas próprias empresas.

Não é o que ocorre.

A pauta é ditada pelos interesses políticos e econômicos dos donos dessas corporações, vedando qualquer voz discordante nas redações. Exceto jornalistas perfilados ideologicamente com eles, aqueles que busquem assegurar o mínimo de ética na cobertura diária são exemplarmente punidos e defenestrados. E ainda se jactam de “imprensa independente”. De quê ou de quem?

Se auto-intitulam também de porta-vozes da opinião pública, alimentando esse imaginário fantasioso e falacioso por intermédio de opiniões publicadas nos seus próprios espaços.

E não se conformando com a escalada da blogosfera, espaço autogestionado e, de fato, independente, procuram amordaçar a internet por intermédio de projetos de lei fascistas, como o proposto pelo senador tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG), denominado de AI-5 digital e prontamente vetado pelo presidente Lula.

Por isso o desdém e o medo do levante de setores da nova mídia que não se subjugam ao controle férreo dos patrões da velha mídia.

Por isso que nos tacham de “blogs sujos”. A derrota que se anuncia para o seu candidato, José Serra, será também a sua derrota e o início do seu desmonte. Que assim seja!

Comentários

Zeca,

Costumo dizer que a "Liberdade de Expressão" tem, para os donos da mídia, um conceito bastante diverso do imaginário popular, daquilo que foi conquistado pela população.

Essa tal "liberdade" é utilizada pelos que trabalham nas "grandes" empresas de comunicação como uma espécie de autorização para julgar o que (e como) o povo deve ter conhecimento. E é isso que ainda sustenta o poder de construção simbólica da "grande mídia".

Esse discurso é o que resta ao patronato midiático. Por isso, tanto afinco na defesa da "Liberdade de Imprensa".

Abraço!

E, só mais uma besteirinha. Quebra esses textos em blocos. Assim fica difícil ler.
Reinofy Duarte disse…
A democracia típica da sociedade capitalista é uma democracia burguesa, na qual a representação se faz tendo como base o regime eleitoral, os partidos, o parlamentarismo e o Estado constitucional e a ela é inerente forte desgualdade economica, social e cultural com uma alta monopolização do poer pelas classes dominantes e por suas elites; a liberdade e a igualdade são meramente formais, o que exige, na teoria e na prática, que elemento autoritário seja intrinsecamente um componente estrutural dinâmico da preservação, do fortalecimento e da expansão do sistema democratico capitalista.


Esse texto do Florestan Fernandes explica bem essa atitude apavorada das famiglias de perder o poder
CLEBER SILVA disse…
E o Jumento Celestino atribui o ato ao Partido dos Trabalhadores, em seu site.
CLEBER SILVA disse…
Ele atribuiu ao PT logo depois de criticar a crítica do presidente sobre as atitudes da imprensa. Ohm Jumentino Celesto

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