sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Bahia não quer o retorno do fascismo


Foto Manu Dias/Bahiafotos

A intenção aqui não é saltitar em cima de pesquisas. Sondagens eleitorais nada mais são do que retratos do momento. Isso é fato. No entanto, estas, sim, servem de parâmetro para entender o que a população sente em relação aos seus governantes. Na Bahia, a tendência é a continuidade do atual projeto político sob a liderança do governador Jaques Wagner (PT) e aliados. Um vetor que, em boa medida, expressa a identificação da população com a atual gestão. O desejo é de avançar e não retroceder. E creio ser este o calcanhar de Aquiles da oposição. Se o candidato Paulo Souto (Demo) e seus assessores sacarem bem os sinais das últimas pesquisas, um deles deve ser avaliado com apuro: o índice de rejeição de Souto. Alterar as cores da campanha não parece ser suficiente para desconstruir o imaginário cristalizado do que significou o projeto político superado em 2006: autoritarismo e distanciamento da sociedade. Souto, queira ou não, traz consigo a sombra de Antonio Carlos Magalhães, até mesmo porque sua trajetória derivou da do seu chefe e criador. Não dá pra minimizar o fato. O carlismo foi uma patologia política da qual sofreu o Estado por longos 16 anos. A ditadura foi vencida no Brasil, mas continuou na Bahia com as botas de ACM. Foi imposta ao Estado uma modernização conservadora, cujas balizas fincavam-se no beneplácito à famosa “panelinha” de amigos e confrades do rei. Era terra de dono, um feudo. Jaques Wagner não só quebrou esse ciclo vicioso e danoso aos interesses da população, como instituiu um tratamento republicano à convivência política entre os contrários. Foi sepultado o fascismo à baiana que se enraizara nas instituições locais. Quem não se lembra de um ex-presidente do Tribunal de Justiça que chamava ACM de “chefe”? E não faltavam os construtos discursivos para empanar a autocracia do líder: “gestor eficiente”; “ação, competência, moralidade”. Paulo Souto e outros títeres de ACM lambuzavam-se dessas auto-adjetivações. Jactavam-se a granel. Enquanto isso, as costas eram viradas aos anseios da população, particularmente a mais pobre. No quesito educação, por exemplo, um saldo pra lá de trágico: no final de 2006 cerca de 2,1 milhões de baianos não sabiam ler nem escrever. Em números absolutos, a Bahia se encontrava em primeiro lugar no ranking do analfabetismo no país. Triste memória. O governo Wagner enfrentou, e ainda enfrenta, a política de terra arrasada deixada pelo carlismo e seus títeres. Em duplo movimento, encarou também as crises construídas ao sabor das demandas oposicionistas em consórcio com pseudos formadores de opinião, encastelados nas mídias argentárias. Contando com o apoio da população, as políticas públicas passaram a ser focadas na geração de emprego e distribuição da renda. O orçamento participativo tornou-se a principal ferramenta de consulta sobre as reais necessidades da sociedade, representada nas suas diversas instâncias. O resultado é um processo de transformação em curso com democracia e respeito às divergências. E o governo Wagner é avaliado como o segundo melhor do país. Esta trilha não tem retorno. O povo baiano não admitirá retrocessos ao antigo projeto fascista, um quisto do Regime Militar que sobreviveu na Bahia sob a égide do carlismo, do qual o ex-governador Paulo Souto é hoje seu representante maior.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Serra quer acabar com reajuste do mínimo e outras garantias trabalhistas



Para o candidato da coligação demotucana, José Serra, reajuste do salário mínimo no seu governo só ocorrerá “quando possível”. Para bom entendor, meia frase basta. Os sinais emitidos pelo cacique tucano durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (26), que contou com a presença do vice Indio da Costa (Demos-RJ), dão a dimensão do que seria a política social do seu governo: arrocho salarial para os trabalhadores e funcionalismo, intensa repressão aos movimentos sociais e alinhamento automático com as diretrizes de Washington. Trocando em miúdos, Serra quer rasgar a carta constitucional, uma vez que o reajuste do mínimo é previsto em lei. Vale lembrar que desde 2007 o governo federal mantém acordo com as centrais sindicais sobre o tema. A fórmula baseia-se na variação da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) para definir o novo piso salarial nacional do país. Na mesma ocasião, o candidato demotucano atacou o MST, na pessoa do seu dirigente nacional, João Pedro Stédile, e voltou-se contra a política externa brasileira. Não é nenhum teoria da conspiração acreditar que se essa turma comandada por Serra chegasse ao poder muitos direitos sociais dos trabalhadores estariam seriamente ameaçados. Seguramente que o décimo-terceiro salário, licença-maternidade, multa de 40% do FGTS para demissão sem justa causa, entre outras conquistas, estariam com os dias contados. Serra no poder seria o caos político, podendo levar o Brasil à convulsão social.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Índio, os ataques e a direita que baba: plebiscito de Lula ganha ares continentais



Por Rodrigo Viana

O TSE condenou um site tucano a ceder espaço a Dilma, como direito de resposta, por causa dos ataques de Índio da Costa, o vice de Serra. É uma pequena derrota jurídica para os tucanos. Mas a oposição está pouco se lixando para o site e o direito de resposta. Os ataques ganharam a mídia, criaram um clima de conflagração, tirando o consórcio demo-tucano da defensiva.
Dois dias atrás, escrevi aqui que a tática terrorista do consórcio PSDB-DEM não era movida por “desespero”. Não se trata de nada improvisado, nem de verborragia mal calculada por parte de um vice com cara de almofadinha e nome de ìndio. Não. É algo deliberado. É o desdobramento lógico da primeira fase de campanha – em que se espalharam pela internet e-mails com acusações de “terrorista” contra Dilma e se estamparam fichas falsas em primeira páginas de jornais decadentes.
Ninguém podia acreditar na história de que Índio fora aconselhado a “submergir” depois dos primeiros ataques. Tudo teatro. Tanto que ele voltou à tona (ou à lama, seria melhor dizer), agora tentando associar Dilma ao Comando Vermelho (faltou citar Al-Qaeda, ETA e Hamas; mas ele ainda chega lá).
Serra ganha eleição com esse discurso? Provavelmente, não. Mas dá o toque de reunir para a tropa. Consolida o eleitorado de direita, anti-petista. E joga tudo na possibilidade de, na reta final, gerar um escândalo (com apoio da mídia amiga, Globo sobretudo) que lhe dê sobrevida e garanta um segundo turno.
A batalha não se joga só aqui no Brasil. Alguém acha que é coincidência o vice de Serra falar nas FARC, logo depois do presidente da SIP atacar Lula? E pouco antes de Uribe usar as FARC para atacar Hugo Chavez?
Não. A direita decidiu retomar a ofensiva na América Latina. De forma coordenada. A direita sabe que, longe do aparato do Estado, corre risco de derreter ainda mais. E sabe que a partida principal será jogada aqui no Brasil. Serra – que não é um homem originário da direita – aceitou jogar esse jogo perigosíssimo. É o jogo do Instituto Millenium, da OPUS DEI, da SIP.
Não se trata de “teoria conspiratória”. É o jogo. O tal “plebiscito” do Lula virou um plebiscito continental. O rompimento de relações entre Venezuela e Colômbia faz parte desse plebiscito.
Por isso, erra quem subestima a capacidade dessa turma de gerar fatos, e provocar escândalos. Eles estão babando.
Aquele papo de ”pós-Lula”, inaugurando tempos de moderação, foi para o vinagre. A mídia e a oposição, em caso de vitória de Dilma, ficarão ainda mais ferozes a partir de 2011. A não ser que Aécio tome o comando do PSDB, acabe com o discurso raivoso e provoque uma virada completa. Mas falta combinar com os russos: os tucanos empurram sua base cada vez mais para a direita. Depois, talvez, seja tarde pra trazer esse eleitorado para o centro.
Índio, por exemplo, mesmo derrotado, já ganhou notoriedade. Virou um lacerdinha do século XXI. Sem brilho, é verdade. Mas isso pouca importa a essa gente – que age de forma calculada, para acirrar os ânimos e conflagar o país.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Belíssima Patagônia



Foto: Iracema Chequer

Belíssima. Patagônia, região de San Carlos de Bariloche, Argentina, que se avizinha à Cordilheira dos Andes, no Chile. Um show para os olhos e o espírito. A montanha, a neve, a quietude. Lindo!

domingo, 4 de julho de 2010

Wagner está bem; quem está mal é a imprensa fedorenta


O flagra da repórter fotográfica Iracema Chequer ontem à noite. Olha a expressão do governador que teria sofrido um "infarto"

Ontem, 04 de julho, domingo, Salvador e o país foram tomados por uma notícia: o governador da Bahia, Jaques Wagner, teria sofrido um infarto. Era boato. Um boato difundido pelo site Bahia Notícias, que tem a presunção de se autoproclamar como vestal da credibilidade. Irresponsabilidade transvestida de jornalismo. No linguajar da área, barrigada! Wagner foi ao Hospital Espanhol onde se submeteu a exames de rotina, apenas. Foi o bastante para que o "ouvir dizer" se transformasse em apuração jornalística. Vergonhoso! Seja com o governador ou qualquer outro cidadão. A propósito, as barrigadas desse site estão sendo catalogadas por este blogueiro. Um dia a gente libera.