Sim, foi ditadura!



Há 45 anos o Brasil iniciava um dos períodos mais violentos da sua história recente. Na madrugada do dia 31 de março para primeiro de abril de 1964 tropas comandadas pelo general Olimpio Mourão Filho se deslocaram de Juiz de Fora (MG) em direção ao Rio de Janeiro. Conspirador ativo do golpe, o ex-integralista Mourão não encontrou resistência. As forças militares enviadas pelo presidente João Goulart para barrar a quartelada, lideradas pelas guarnições do I Exército, terminaram por se confraternizar com os golpistas no meio do trajeto. Goulart não tinha mais chance e resolveu partir para seu estado natal, o Rio Grande do Sul, e de lá para o exílio no Uruguai, onde morreu em 1976 em circunstâncias até hoje não devidamente explicadas - suspeita-se que o enfarte fulminante sofrido pelo ex-presidente tenha sido provocado por ingestão de substância tóxica, uma trama ardilosamente arquitetada pelo escritório da CIA em Montevidéu, cujo comando à época estava sob a responsabilidade de Frederick Latrash, ex-assessor do candidato republicano à presidência dos EUA em 2008, Edward MacCain. O Golpe Militar de 1964 foi o “gran finale” de uma conspiração que começou a ser urdida nos idos de 1954, quando ocorreu o suicídio do presidente Getúlio Dorneles Vargas, pressionado que estava por forças políticas que discordavam do seu intento desenvolvimentista com forte viés nacionalista. Foram dez anos nos quais setores das Forças Armadas, do alto empresariado nacional e representantes de interesses internacionais, em fina sintonia com as diretrizes de Washington, fomentaram o levante no Brasil. O golpe desfechado em primeiro de abril foi um entre os mais de 40 patrocinados pelos Estados Unidos no mundo. Um golpe que durou em torno de 22 anos Há quem sugira uma “ditabranda” no lugar de ditadura, como argumentou o jornal Folha de São Paulo. Coisa nenhuma! Tratou-se de uma ditadura violenta que censurou, torturou e assassinou milhares de pessoas e levou outras centenas para o exílio. Certamente que o pano quente colocado na história pela Folha se deve ao fato do jornal dos Frias ter apoiado ideologicamente o Regime Militar. E não só. A Folha de São Paulo colaborou com a Operação Bandeirantes, articulada por militares e policiais e financiada pela iniciativa privada para caçar, torturar e eliminar opositores políticos do regime. Veículos da empresa de Otávio Frias foram cedidos para essa “nobre” missão. O saldo desse período foi o aumento da pobreza e das desigualdades sociais no país. O golpe foi um retrocesso.

Comentários

Priscila disse…
O texto combina com a revogação de lei a ser julgada hoje pelo STF!
E não é mentira!
Realmente, quem não conhece quem é quem na história pode mesmo concordar com o termo utilizado por eles, mas, para aqueles que foram e continuam sendo vítimas (diretas ou indiretas) da chamada "ditabranda" sabem que na verdade ela foi uma Ditadura com toda força que tem cada fonema que forma a palavra.

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