Oposição na Bahia vai à lona



Estava tudo orquestrado pela oposição para bater no Governo da Bahia por intermédio da pessoa do secretário da Fazenda Carlos Martins. A Audiência Pública realizada nesta terça-feira (16) na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembléia Legislativa do Estado se propunha a apresentar os resultados fiscais do terceiro quadriênio de 2009. A oposição pretendia transformar o evento numa peça propagandística. À frente da entourage, a fina flor do lacerdismo baiano, os deputados do DEM (ex-PFL) Heraldo Rocha e Carlos Gabam. A aposta era de que teriam um palco perfeito para atacar o governo de Jaques Wagner (PT). Rocha e Gaban contavam ainda com o peemedebista Arthur Maia a tira-colo para engrossar a artilharia. Sentiam-se numa situação supostamente favorável ante a natural queda de arrecadação do Estado em decorrência de uma brutal crise econômica internacional, que se estendeu durante o ano passado. A estratégia deu xabu. Da cartola de Gaban, da qual se presumia que fosse tirada nitroglicerina de alto teor, apenas traques de massa. De Heraldo Rocha, uma verborréia conhecida que nem mais encanta seus incautos. Erraram na avaliação. Pensaram que monitorados pelo Instituto dos Auditores Fiscais da Bahia, entidade diretamente ligada à campanha do candidato do DEM ao Governo, Paulo Souto, estariam aptos para a audiência. Ledo engano. O resumo da ópera foi um Carlos Martins pra lá de preparado que desmontou, um a um, todos os questionamentos da oposição, que chegou ao fim da audiência praticamente rendida. Carlos Gaban saiu de fininho e cabisbaixo; Artur Maia também optou pelo mesmo itinerário; e Heraldo Rocha, que teve de ficar até o fim porque fazia parte da mesa, deixou transparecer, em tom nervoso e quase apopléctico, o despreparo do grupo para enfrentar o debate. Restou apenas a um apagado Luiz de Deus (DEM) segurar o bastão oposicionista. Melhor não tivesse sido, pois nem seus pares esconderam o dissabor de argumentos tão pueris. Se a oposição de fato conhecesse a realidade do Estado talvez tivesse mais cuidado em se expor ao ridículo. Aos números. O Governo da Bahia soube driblar com competência a queda de arrecadação em função da crise econômica que atingiu todo planeta. No que tange aos investimentos, comparando-se o quadro da área de Saúde, por exemplo, no biênio 2005 e 2006 - referente ao governo passado -, os percentuais de aplicação de recursos do orçamento para este setor variaram de 12,15% e 12,17%, respectivamente; no atual governo as aplicações saltaram de 12,71% em 2007 para 13,89% em 2009. Na Educação, o atual governo superou até mesmo o Limite Constitucional Anual, que é de 25%. Os investimentos nos anos de 2008 e 2009 variaram entre 27,69% e 27,42%. Se observarmos o retrovisor da história recentíssima desse Estado não se verá nos últimos 16 anos nenhum patamar de aplicação nesta área com estes níveis. Pelo contrário, os antigos percentuais chegam a ser risíveis. Educação não era prioridade. E para agravar o drama oposicionista, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, indicam que a Bahia respondeu por 99% do saldo de empregos de todo o Nordeste nos primeiros dois meses deste ano, com exatamente 20.512 novos postos de trabalho. Todos os outros estados da região registraram, juntos, 20.543. Justificável então o constrangimento pelo qual passou a bancada oposicionista, que não esperava um comparativo tão acachapante. Pior é que estas comparações continuarão ocorrendo para o desespero das velhas viúvas, que teimam em não parar de chorar à beira do túmulo do passado. Foi nocaute.

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