Sérgio Guerra joga a toalha



Da Carta Maior

O coordenador da campanha tucana, Sergio Guerra, em entrevista nesta 2º feira à CBN, admitiu que o desentendimento com os DEMOS em torno do vice de Serra pode 'comprometer a vitória'. O desalento de Guerra ecoa percepção mais ampla antecipada pelo líder DEMO, Cesar Maia, no domingo,após reunião de cúpula do seu partido no Rio. Na avaliação de Maia, segundo o jornal O Globo, a eleição foi perdida no momento em que o candidato escolhido foi Serra, e não o ex-governador mineiro Aécio Neves. A sensação de que a vaca bordeja o brejo generaliza-se e o clima de velório transpira até nas colunas de aguerridos 'analistas' tucanos nesta 2º feira, quando os jornais adicionaram três dados sintomáticos de um derretimento em marcha: 1) na convenção do PSDB, no Ceará, Tasso Jereissati não mencionou o nome de Serra em seu discurso; 2) a mesma omissão ocorreu na reunião gaucha dos tucanos, em que Yeda Crusius ignorou o candidato do seu partido à presidencia; 3) em Minas, na convenção do PSDB no final de semana, Aécio fez um longo discurso e reservou uma frase protocolar --uma só-- à Serra. Ao seu lado, Itamar também discurou e não fez qualquer menção à campanha presidencial tucana. Nesta 2º feira, os DEMOS têm uma reunião com Serra, naquela que seria a última tentativa de reverter a escolha de Alvaro Dias para vice na chapa de oposição a Lula e Dilma. A intenção seria dar um ultimato: ou o cargo será ocupado por um representante do partido, ou a agremiação romperá a aliança. Dois minutos e nove segundos de propaganda eleitoral estão em jogo. Ainda que a ruptura não ocorra oficialmente --até porque os DEMOS não tem alternativa à extinção política se não apostar em Serra-- fica difícil imaginar uma adesão mais que formal de lideranças ressentidas, como é o caso de Cesar Maia, que dispensa ao ex-governador de SP o mesmo pouco caso percebido entre as fileiras tucanas de MG, após o passa-moleque aplicado em Aécio Neves. O agora indisfarçável mal-estar entre DEMOS e PSDB reavivou uma tese curiosa, quase desesperada. Circula nos meios acadêmicos, sobretudo em franjas que ainda enxergam em Serra um ‘desenvolvimentista’ (‘de boca’, retrucaria Maria da Conceição Tavares) um mito eleitoral: Serra teria como plano concorrer à presidência com o apoio da direita e da extrema-direita acantonadas nos DEMOS para --se vencer o pleito-- dar um golpe, alijando os apoiadores incômodos de qualquer influencia em um hipotético governo. O tratamento dispensado ao ex-PFL na questão da vice reforçaria essa tese, segundo alguns amigos do ex-governador de SP. O raciocínio generoso dos academicos esbarra, entre outros fatores, num pequeno detalhe: desde quando Alvaro Dias é sinônimo de ruptura progressista?

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