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De internautas a peixes de aquários virtuais?

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Quando o porta-voz do WikiLeaks, Julian Assange, declarou que o Google sabia mais sobre nós do que nossas próprias mães, o ciberativista australiano lançava um alerta para o processo em curso de garroteamento da Internet pelas novas corporações da mídia. Estaríamos cada vez mais navegando em aquários-fazendas virtuais sem nos dar conta dessa condição de confinamento? Em O Filtro Invisível, o que a Internet está escondendo de você , o norte-americano Eli Pariser, presidente do conselho diretor do portal MoveOn.org e cofundador da Avaaz.org, disseca o enredo. Personalizar. Essa é a palavra-chave para entender como o Google, Facebook, Yahoo, YouTube e outros agem na web para utilizar dados de milhões de pessoas com o fito que foge ao ideário inicial da web. Adotada por libertários ainda ressaquiados pela maré dos movimentos da contracultura, Pariser aponta uma Internet 3.0 que hoje caminha para colocar seus usuários como presas fáceis das bolhas de filtro. “(…) Quando d...

A nota do PSDB de apoio ao golpe no Paraguai. Questão de instinto.

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O PSDB divulgou nota de apoio ao golpe de estado no Paraguai. Não causa surpresa a postura do partido de Sérgio Guerra, que classificou o episódio como “substituição da Presidência”. Patético, o texto afirma “que a despeito da velocidade do processo, não houve rompimento das leis no país”. Tudo dito como se um rito que durou apenas duas horas, sem a mínima chance de defesa ao presidente Lugo, não representasse um ato de força. À postura dos tucanos recorro a um pensamento de Slavoj Zizek: “(...) A era contemporânea volta e meia se proclama pós-ideológica, mas essa negação da ideologia só representa a prova suprema de que, mais do que nunca, estamos imbuídos na ideologia (...)”. Perfeito. Despolitiza-se o fato. Seria uma simples “substituição” no poder. Um trâmite parlamentar, apenas. No mesmo diapasão, condena a postura do governo brasileiro ancorando-se no discurso de “autodeterminação dos povos”. Tergiversa o necessário para que a alegoria da retórica lhe caia como máscara ideal ...

Merlino X Ustra: Memória de um tempo não vivido

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22.07.11   Por Tatiana Merlino, da Pública Na ação movida pela família do jornalista Luís Eduardo Merlino, o coronel Carlos Alberto Bilhante Ustra é responsabilizado pela morte, ocorrida em julho de 71. Sobre a cômoda, ao lado do vaso onde quase sempre há uma flor, há um porta-retrato prateado. Na foto, um jovem de perfil: cabelos negros, pele clara, olhos grandes, óculos de aro escuro. Quando eu ainda olhava o porta-retrato de baixo para cima, com uns sete anos, já sabia que ele era alguém muito importante para a família. Os anos se passaram, o porta-retrato mudou de casa, mas seguiu junto com a cômoda e o vaso. O homem da foto continuava jovem, olhando insistentemente para o infinito. Outros anos se seguiram, e a dona do porta-retrato e da cômoda morreu. Hoje, o porta-retrato mudou de casa e de dona. E eu o olho de cima para baixo. O jovem é meu tio, o jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, torturado e assassinado aos 23 anos, em São Paulo, em 19 de julho...

Serra do Queimadão, uma comunidade quilombola

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O documentário Serra do Queimadão, uma comunidade quilombola, é mais um trabalho do 
 ‬jornalista e documentarista José Carlos Torres, que também é autor do livro e do filme A caminho do Evesrest e diretor do doc O samba de Roda na Palma da Mão. Torres 
também esteve no Cairo, Egito, durante a revolução 
ocorrida naquele País, onde cobriu aquele evento histórico como jornalista independente. Neste documentário, aqui exibido na versão para TV, José Carlos Torres realiza um trabalho etnográfico sobre a comunidade quilombola localizada no município de Seabra, na Chapada Diamantia, Bahia. O documentário conta a história da comunidade e suas tradições culturais a partir da história de vida de seus moradores.

O caro, o barato e o tecnocrata

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“O estado de bem-estar social era muito caro”, afirmou um técnico do setor público quando discutíamos a crise da Europa, e em particular a da Grécia. Não me tomei surpreso. Naquele momento imaginei como Margaret Thatcher e a Escola de Chicago conseguiram difundir tão bem seus valores mundo afora entre cabeças de tecnocratas engomadinhos. A sociedade se resume a uma planilha onde cabe apenas o cálculo racionalizado. Mas este não é um pensamento solto ou um discurso deslocado de certo engajamento ideológico. Não, não é. Políticas públicas de educação, saúde, segurança e lazer ganharam ares de heresia nos tempos da euforia neoliberal. Em nome da eficiência, o sacrossanto mercado responderia muito bem às demandas sociais, desafogando impostos dos setores privados, que agora poderiam efetivamente canalizar recursos em maior volume para o setor produtivo, gerar pleno emprego em abundância e prestar serviços públicos com eficiência e competitividade, superando a inércia do Estado. O ciclo...

A "ética" da avestruz e a esperteza da cascavel

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Acabei de ler o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., “ A Privataria Tucana” . E li também o artigo do articulista de O Globo, Merval Pereira, que entendeu a publicação como “ficção”. Ficção? Como assim? Não há nada na obra que remeta a esta situação. O livro é um condensado de fatos que não causa supresa para quem tem acompanhado com olhar crivo o desenrolar da vida política do País nos últimos 25 anos. O processo de privatizações da era FHC foi marcado por muita corrupção e bandidagem, como o autor demonstra cabalmente. Fato. O que Pereira faz, mal e porcamente num texto sofrível e teleguiado, é tentar encantar incauto.   A estratégia de negar com profundo silêncio um rigoroso e exaustivo processo de apuração jornalística, e amplamente documentada, denuncia algo. E perigoso. Em recente comentário veiculado nas redes sociais, o jornalista Bob Fernandes declarou: “O silêncio da grande mídia em relação ao livro de Amaury Ribeiro pode ser revelador”. Sim, revela-nos...

Rebelião cresce nos EUA

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