Partido da Imprensa Golpista esperneia e ataca



Já era esperado. Com a divulgação dos últimos resultados da pesquisa CNT/Sensus, os quais indicam que a popularidade do presidente Lula atingiu a maior aceitação desde seu primeiro mandato – 58% acham sua administração boa e ótima - o Partido da Imprensa Golpista - o Pig, no dizer do jornalista Paulo Henrique Amorim - abriu uma nova bateria de escândalo político. Agora, as cargas são despejadas com força pra cima da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a chamada mãe do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Os índices sociais e econômicos alcançados, ainda que estejam longe do ideal, já assustam a oposição, que teme por uma provável transferência de votos do presidente para a possível candidata Dilma Rousseff em 2010. Foi preciso agir. Os jornalões e Tv’s do Brasil procuram achar um jeito de como barrunfar a névoa certa para despistar a opinião pública, o que há algum tempo não têm conseguido, dada a desidratação do número de leitores e telespectadores que estes têm registrado. Lendo, vendo e ouvindo os panfletos das famílias Frias, Mesquita, Civita e Marinho se pode ter uma idéia, entrelinhas, do discurso que eles pretendem conduzir e qual o motivo das suas estratégias. O sociólogo e teórico da Comunicação J.B. Thompson afirma que é importante cultivar a mídia, ou mesmo tê-la à mão, dominado-a ou adquirindo-a. Segundo ele, no campo político da democracia liberal, “um estoque sadio de capital simbólico não é apenas um recurso útil, é uma condição necessária de eficiência política, tão importante como uma boa organização partidária e um forte apoio financeiro”. Postado neste final de semana no site do Estadão, o comentário do “analista” político Marco Antonio Villa procura explicar a popularidade do presidente por um viés economicista, afirmando que esta decorre do fato da economia está indo bem. Depois Villa afirma que com a “crise” do suposto dossiê montado na Casa Civil para atingir FHC, que teria sido forjado pela secretária-executiva de Dilma Rousseff, Erenice Guerra, a candidatura da ministra estaria natimorta. Penso que pela vontade única e exclusiva do porta-voz da família Mesquita. Segundo a “análise”, o Brasil vive um bom momento econômico apenas pelo efeito, diria ele em palavras subentendidas, da pujança econômica mundial. Contraditório, não? Lá fora o caos brotado a partir dos Estados Unidos está devastando os ativos no mundo inteiro e o Brasil, até o momento, sente pouco o efeito da crise norte-americana. No entanto, nenhuma palavra, nenhuma efetiva análise sobre a gestão do governo. Puro estrategismo opinativo. Por outro lado, dar-se-á prosseguimento à velha tática do rolo compressor, à semelhança do que já ocorreu no passado recente, quando a crise do mensalão foi emendada com as crises área e dos cartões corporativos. E a cultura noticiosa dominante prossegue escandalizando a política, desconstruindo-a, transformando-a em factoides diários. A oposição midiática talvez não se dê conta que cada vez mais tem falado para menos receptores. É um esperneio quase que isolado. E por detrás dele, a angústia de diversos setores da sociedade que temem a evolução dos programas de transferência de renda. Não aceitam um estado que fomente o desenvolvimento econômico a partir de políticas mais distributivas. São os 13% da população que, de acordo com a pesquisa do Instituto Sensus, rejeitam o presidente Lula, talvez os mesmos que lêem a Veja, o Estadão, a Folha e o Globo.

Comentários

Zeca, você sempre tem uma analise brilhante das coisas e consegue ver além das fronteiras da razão.
Gostei muito do texto, mas tenho algumas divergências em relação a candidatura da Dilma. Acho que ela não ganhará a eleição, falo isso por que que sei que é a intenção de Lula.
Também acho que esse tal dossiê contra FHC não existe, mas confesso-lhe que gostaria que tivesse sido feito.
É claro que devemos, se politico, termos a imprensa como aliada, assim é mais fácil governar, mas acho que a mídia não fala para poucos.
Valeu Zeca e muito bom a indicação Orishas, curto muito.
Davi disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Murilo Gitel disse…
De fato, é uma questão curiosa. Quando o país avança em praticamente todos os setores econômicos e sociais, o chamado "PIG" e demais partidos como o PSDM e o DEM atribuem tal desenvolvimento a uma suposta estabilidade mundial. É a alternativa mais fácil para se excluir os méritos do governo Lula, que, tem sim muitos problemas, como o pragmatismo e o fisiologismo político, mas, 'pera lá'.
Dilma provou ser extremamente competente desde os tempos em que era Secretária de Minas e Energia do governo Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul.
Penso que ela ainda não alcançou a projeção nacional necessária para ser presidente, bem como Aécio Neves, guardadas as devidas proporções, mas também observo os ataques sistemáticos de boa parte da imprensa em relação a Ministra.
São os pais do "jornalismo classe média" os responsáveis por essa forma tendenciosa de publicar tais conteúdos.
E há quem acredite que tais veículos são a "palavra de deus" no quesito jornalismo e informação de qualidade...
Murilo Gitel disse…
Quis escrever: "PSDB", em vez de "PSDM".
Sócrates Santana disse…
Realmente, gostaria de ter o mesmo foco que você possui. O certo é que a assessoria legislativa acaba por supervalorizar a transversalidade dos temas e discussões, e, talvez por isso, esteja perdendo o foco dos debates. De qualquer maneira, consigo destacar pontos relevantes desta sua análise: a tese que a mídia brasileira, principalmente as oligarquias e os antigos conglomerados, são instrumentos ideológicos de uma parcela ínfima e rica da sociedade. Diferente da tese defendida por Otávio Frias, não vejo qualquer relação editorial da Folha com o pensamento progressista e com o período chamado por alguns intelectuais de "capitalismo moderno". Nem a Globo. Por quê?
Diferente da Rede Record de TV, uma emissora pós-moderna, que tem o ibope como meta final da sua política editorial, forjada sob uma perspectiva intolerante, extremista, descentralizada e populista - a Folha, a Veja e a Globo perdem espaço nesta disputa por ibope e deflagram as suas verdadeiras faces: são claros e evidentes veículos de propagação de um discurso da "classe dominante". Ainda que a campanha global pelo "Q" de qualidade da Globo apresente um "incômodo" da concorrente, assim como o tratamento editorial que a Veja pouco a pouco altera nas suas edições, volta e meia eles retornam ao debate político e esfriam a briga com os novos conglometados de mídia que emergem de maneira acelerada no país. Quem acaba aproveitando é o Lula, que não pensa duas vezes na hora de opinar sobre o embate entre esses dois pólos de mídia que brigam atualmente no país. O fato é que eles estão desesperados, pois, a fonte inesgotável de recursos que eles disponham no passado estava no estado, a mesma fonte inesgotável que a Rede Record possui junto as ovelhas inocentes da igreja universal. Só que a fonte inesgotável da Veja, Globo e Folha secou e pelo jeito para sempre. E eles (Folha - Veja - Globo) hoje possuem dois grandes inimigos: Lula e Edir Macedo. E quem vai ganhar essa guerra? A Record e Lula vão ganhar. E isso é bom para quem? O futuro dirá. O fato é que uma cultura monopolista, individualista e estritamente mercadológica ganha mais força, empurrando o Estado para uma briga initerrupta com o capital simbólico, não tendo criado as condições necessárias - ainda - para impor um contraponto midiático a essa nova força comunicacional que cresce a cada dia no país. O governo Lula precisa aproveitar esse tempo de briga entre Edir Macedo e os outros para montar rapidamente a sua força institucional na área de comunicação. Como Zeca bem frisou ao citar J.B. Thompson: “um estoque sadio de capital simbólico não é apenas um recurso útil, é uma condição necessária de eficiência política, tão importante como uma boa organização partidária e um forte apoio financeiro”.

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