Silêncio conveniente



No decorrer da semana passada repercuti em sala de aula uma observação feita pelo professor da UFBA Albino Rubim, que vaticinou: “a mídia informa e silencia”. O paradoxo levantado por Rubim pode, também, ser desmembrado numa segunda conclusão: a mídia passa o recado de forma silenciosa. A concessão por parte da Unesco do Prêmio de Fomento à Paz Félix Houphouët-Boigny 2008 ao presidente Lula foi fato praticamente silenciado pelos grandes meios de comunicação do país. Os critérios de noticibilidade adotados seguem uma agenda política que se apresenta extremamente partidarizada, com um olho em 2010 e outro no passado recente; o primeiro para nublar a visibilidade do presidente e o segundo, penso, para não constranger o totem sagrado da maior parte dos meios de comunicação do país, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Não temo creditarem a mim a pecha de construtor de ilações. Fico tranquilo quanto a esta hipótese. O que aqui sustento no fundo mexe com os corações e mentes da imprensa demotucano. Fosse um representante do antigo bloco do poder a receber tal premiação, no mínimo ganharia os apupos do Jornal Nacional, com direito a um serial de suítes e entrevista exclusiva. Sente-se o cheiro de desespero do conluio demotucano ante a consistente aceitação popular do presidente Lula.

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