Praia dos "Fortes"; A resistência de Israel Nascimento ao assédio da especulação


Considerado um dos espaços mais “bem freqüentados” do litoral norte baiano, a localidade de Praia do Forte, no município de Mata de São João, se destaca pelas suas belezas naturais com piscinas de águas cristalinas rodeadas pelos recifes. De 1549 para cá, desde que o almoxarife da Coroa Portuguesa Garcia D´Ávila ergueu um castelo em estilo medieval, que a antiga vila de pescadores passou a ser cortejada por investidores nacionais e internacionais. Considerada hoje a Búzios baiana, Praia de Forte passou por intensas transformações nos últimos 15 anos. Pujança de um lado e miséria de outro. A principal queixa dos antigos moradores, cuja maioria foi expulsa do paraíso, é de que tiveram que vender seus imóveis e patrimônios a preço de bagatela para brasileiros e estrangeiros que transformaram a vila num dos espaços mais “in” da Bahia. Acoplado a isso, o projeto Tamar, voltado à preservação de tartarugas marinhas, se encarregou de criar no imaginário local uma espécie de ecologismo de boutique. Hordas de turistas chegam toda semana para visitar trabalhos de preservação de espécies marinhas em extinção. Todavia, nenhum projeto foi desenvolvido para amparar sócio-economicamente seus antigos habitantes. Poucos descendentes de pescadores sobraram, a maioria trabalhando para os magnatas que se assentaram por lá como novos donatários. Um espelho fiel dessa ocupação é o calçadão principal da vila, que se chama “Avenida” Antônio Carlos Magalhães. É na Praia do Forte que se encontram filhinhos de papai e socialites de Salvador e do Brasil para comentadas festas e badalações. Na contramão dessa história está Israel Antônio Nascimento, nascido em Praia do Forte, um forte que vem resistindo às investidas dos especuladores. Segundo ele, propostas apetitosas lhes são ofertadas constantemente para que ele venda seu imóvel, onde funciona o estabelecimento Bar D.Repente Israel, um típico boteco no qual a cerveja é vendida a R$ 2,50 (garrafa tamanho grande) em contraposição aos demais bares do local, que exploram a bebida a R$ 4,00. Na praia a lata chega a custar R$ 3,50. O assédio a Israel é a própria representação do incômodo. Como pode um genuíno boteco popular se encontrar encravado em meio a lojas e bares de grã-finos, dividindo o espaço com boutiques chiques onde a palavra desconto é dita no inglês off ? O espaço que um dia foi dele e da comunidade nativa, agora pertence ao grande capital. Mas Israel resiste. Veja aqui o vídeo.

Comentários

Iracema Chequer disse…
Amor, tá muito legal o que escreveu!
Bjs!
MuriloAlves disse…
Gostei muito quando o professor falou do lugar como uma espécie de desfile das socialites e dos filhinhos de papai. Deve ter doído em muita gente...
Abraço, Zeca!

http://ventanias.blog.terra.com.br
www.vamoscronicar.blogger.com.br
Júlia Lins disse…
Gostei do seu blog Texto São Vento! beijo!!

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