É neofascismo. Cabe a todos combater

“Se, por exemplo, chega um ladrão da Bahia no Rio de Janeiro, a polícia não tem como identificar”. Esta frase foi dita pelo candidato do PSDB, José Serra, no debate de ontem à noite, na TV Bandeirantes.

Passou despercebida e, a princípio, não quer dizer muita coisa. Mas diz sim.

É a ótica que Serra enxerga o Nordeste. A mesma que as elites de São Paulo, representadas pelos donos dos seus jornalões. Aqueles que entendem que o voto do nordestino é uma espécie de sub-voto.

O Estadão, da famiglia Mesquita, demitiu a colunista Maria Rita Khel porque ela questionou essa posição fascista do jornal.

O articulista do sítio Carta Maior, Beto Almeida, lembra: “Décadas atrás, o escritor Monteiro Lobato, aflito com a incultura e particularmente com contingente de iletrados, solicitou aos donos de ‘O Estado de S.Paulo’ que o jornal fosse utilizado na luta para vencer o vergonhoso quadro de milhões e milhões de analfabetos no país. Após muito pensar, um dos proprietários respondeu ao criador do Sítio do Pica-pau Amarelo, provavelmente com o mesmo tom com que hoje condenam o voto dos pobres a uma espécie de sub-voto: ‘Ô Lobato, mas se todo mundo aprender a ler...quem é que vai pegar no cabo da enxada’.

O cerco que se pretende fechar neste segundo turno reúne diversos ingredientes do preconceito. Empunhar-se-á as bandeiras da TFP, Opus Dei, PSDB, DEM, Silas Malafaia e cia.

O ódio aos nordestinos estampado em Serra, que os vê como responsáveis pela baixa qualidade do ensino em São Paulo (veja aqui), coaduna com teses medievais em relação a gays e a temas como aborto e políticas anticonceptivas.

Para o PSDB, o iluminismo morreu.

É a agenda do ódio religioso e da intolerância à diferença com a máscara de que “Serra é do bem”.

É neofascismo. E cabe a todos combater.

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